terça-feira, 17 de setembro de 2019

Aquiete-se

"O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio." (Salmo 46:11)

Com as redes sociais “criamos mais informações nos últimos 5 anos do que em toda a história humana prévia, e estas chegam até nós o tempo todo”, A mente organizada, Daniel Levitin (Ed. Objetiva, 2015). Levitin afirma que em “certo sentido, nos tornamos viciados na hiperestimulação”, e que as constantes notícias e o conhecimento podem dominar nossa mente. No ambiente atual de bombardeio de mídia, torna-se cada vez mais difícil encontrar tempo para ficar quieto, pensar e orar. 


O Salmo 46:10 diz: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus…”, lembrando-nos da necessidade de termos tempo para dedicar atenção ao Senhor. Muitas pessoas acham que um “tempo de solitude” é parte essencial de cada dia, um tempo para ler a Bíblia, orar e considerar a bondade e a grandeza de Deus.

Quando nós, como o escritor do Salmo 46, experimentamos a realidade de que “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações” (v.1), isso afasta o nosso medo (v.2), desloca o nosso foco do tumulto do mundo para a paz de Deus, e cria a tranquila confiança de que o nosso Senhor está no controle (v.10).

Não importa quão caótico o mundo possa se tornar ao nosso redor, podemos encontrar quietude e força no amor e poder de nosso Pai Celestial. — David C. McCasland

Dia a dia, precisamos nos aquietar 
e ouvir o Senhor.

domingo, 8 de setembro de 2019

Hora de pensar no papel da igreja

Por Augustus Nicodemus.

A igreja evangélica no Brasil deve refletir sobre os tempos que vivemos em nosso país. São tempos de perplexidade, inquietações e oportunidades. Listei abaixo alguns pontos que penso que devem fazer parte dessa reflexão.

1) Ao que tudo indica, é apenas uma questão de tempo até os valores da visão cristã de mundo, que mesmo superficialmente moldaram a cultura brasileira, sejam excluídos da política, economia, arte, educação e que o paganismo domine essas áreas. Ainda que os evangélicos representem um terço da população brasileira, caminham para perder a guerra cultural sobre aborto, ideologia de gênero, pedofilia, poligamia, e outras questões.

2) As dimensões e a profundidade da corrupção e desonestidade instaladas em todas as áreas do poder político e financeiro no Brasil ultrapassam qualquer esperança de mudança que cristãos fiéis e íntegros possam ter. Uma vez perdida a esperança da instalação dos valores do Reino de Deus aqui no país, devemos perguntar qual o papel da igreja cristã numa democracia corroída pela desonestidade, mentira e ganância, e que é irrecuperável.

3) A igreja evangélica perdeu sua autoridade para profetizar. A teologia da prosperidade ensinada em igrejas neopentecostais lança uma sombra de desconfiança sobre a verdadeira intenção de seus pastores e fundadores e os coloca, diante dos olhos do público, na mesma vala comum dos políticos gananciosos e corruptos. As alas da igreja evangélica que se aliaram e militaram incondicionalmente pelas agendas da esquerda ou da direita perderam todo respeito com a exposição constante dos malfeitos dos que representam tanto um lado como o outro. As igrejas históricas estão paralisadas, algumas delas comidas pelo liberalismo teológico que rouba a pregação do Evangelho de seus púlpitos. A igreja cristã perdeu seu discurso público. Quem sabe, agora, seja a hora dela recuperar sua verdadeira missão e pregar o simples e puro Evangelho de Cristo a ricos e pobres. 

4) Um grande fatia dos evangélicos no Brasil estão deixando as denominações históricas e as igrejas pentecostais e neopentecostais e procurando modos alternativos de ser igreja, onde não tenham de se submeter à autoridade espiritual e disciplina moral, onde não haja exigências financeiras e formalidades quanto à membresia. Por um lado, pode representar uma renovação da igreja em sua busca de mais simplicidade, por outro, pode representar um afastamento dos requerimentos bíblicos para a igreja, como acatar liderança espiritual, contribuir financeiramente para a obra de Deus (ajuda aos necessitados e expansão do Reino) e disciplina dos faltosos. 

É diante desse quadro pouco esperançoso que oportunidades aparecem, para a igreja refletir sobre seu papel, reformar-se, renovar-se e ser boca de Deus nesse tempo. O Tempora! O Mores!

Texto copiado do Blog O Tempora! O Mores. (www.tempora-mores.blogspot.com)