segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Amor abnegado

"Porquanto Deus enviou o Seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele." (João 3:17)

O brilho do “conhecimento da glória de Deus” vê-se “na face de Jesus Cristo” (2 Coríntios 4:6). Desde os dias da eternidade, o Senhor Jesus Cristo era um com o Pai; era “a imagem de Deus”, a imagem de Sua grandeza e majestade, “o resplendor da glória” (Hebreus 1:3). Foi para manifestar essa glória que Ele veio ao mundo. Veio à Terra entenebrecida pelo pecado para revelar a luz do amor de Deus, para ser “Deus conosco” (Mateus 1:23). Portanto, a Seu respeito foi profetizado: “Será o Seu nome Emanuel” (Isaías 7:14).

Vindo habitar conosco, Jesus deveria revelar Deus tanto aos seres humanos como aos anjos. Ele era a Palavra de Deus – o pensamento de Deus tornado audível. Em Sua oração pelos discípulos, diz: “Eu lhes fiz conhecer o Teu nome” – “compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade” – “a fim de que o amor com que Me amaste esteja neles, e Eu neles esteja” (João 17:26; Êxodo 34:6). Entretanto, essa revelação não era feita somente a Seus filhos nascidos na Terra. Nosso pequenino mundo é o livro de estudo do universo. O maravilhoso desígnio de graça do Senhor, o mistério do amor que redime, é o tema que “anjos anelam perscrutar” (1 Pedro 1:12), e será seu estudo ao longo dos séculos sem fim. Mas os seres remidos e os não caídos encontrarão na cruz de Cristo sua ciência e seu cântico. Ficará evidente que a glória que resplandece na face de Jesus Cristo é a glória do abnegado amor. Ficará evidente, à luz do Calvário, que a lei do amor que renuncia é a lei da vida para a Terra e o Céu; que o amor que “não procura os seus interesses” (1 Coríntios 13:5) tem sua fonte no coração de Deus; e que, no manso e humilde Jesus, é revelado o caráter dAquele que habita na luz inacessível ao ser humano.

No princípio, Deus Se manifestava em todas as obras da criação. Foi Cristo que estendeu os céus e lançou os fundamentos da Terra. Foi Sua mão que suspendeu os mundos no espaço e deu forma às flores do campo. Ele “converteu o mar em terra firme” (Salmos 66:6). “DEle é o mar, pois Ele o fez” (Salmos 95:5). Foi Ele quem encheu a Terra de beleza, e de cânticos o ar. E sobre todas as coisas na terra, no ar e no firmamento, escreveu a mensagem do amor do Pai.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Graça sobre graça

"Porque todos nós temos recebido da Sua plenitude e graça sobre graça" (João 1:16)

Desde que Cristo veio habitar entre nós, sabemos que Deus está relacionado com as nossas provações e Se compadece de nossas dores. Todo filho e filha de Adão pode compreender que nosso Criador é o amigo dos pecadores. Pois em toda doutrina de graça, toda promessa de alegria, todo ato de amor, toda atração divina apresentada na vida do Salvador na Terra, vemos “Deus conosco” (Mateus 1:23).

Satanás apresenta a divina lei de amor como uma lei de egoísmo. Declara que nos é impossível obedecer aos preceitos divinos. A queda de nossos primeiros pais, com toda a miséria resultante, ele atribui ao Criador, levando as pessoas a olharem a Deus como autor do pecado, do sofrimento e da morte. Jesus iria desmascarar esse engano. Como um de nós, cumpria-Lhe dar exemplo de obediência. Para isso, tomou sobre Si a nossa natureza e passou por nossas provas. “Convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos” (Hebreus 2:17). Se tivéssemos de sofrer qualquer coisa que Cristo não houvesse suportado, Satanás havia de apresentar o poder de Deus como nos sendo insuficiente. 

Portanto, Jesus “foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança” (Hebreus 4:15). Sofreu toda provação a que estamos sujeitos. E não exerceu em proveito próprio nenhum poder que não seja abundantemente concedido a nós. Como homem, enfrentou a tentação e venceu-a no poder que lhe foi dado por Deus. Diz Ele: “Deleito-Me em fazer a Tua vontade, ó Deus Meu; sim, a Tua lei está dentro do Meu coração”(Salmos 40:8). Enquanto andava fazendo o bem e curando todos os afligidos pelo diabo, tornava claro às pessoas o caráter da lei de Deus e a natureza de Seu serviço. Sua vida testifica ser possível também para nós obedecermos à lei de Deus.

Por Sua humanidade, Cristo estava em contato com a humanidade; por Sua divindade, firmou-se no trono de Deus. Como Filho do homem, deu-nos um exemplo de obediência; como Filho de Deus, deu-nos poder para obedecer. Foi Cristo que, do monte Horebe, falou a Moisés, dizendo: “Eu Sou o Que Sou. […] A nós Ele diz: “Eu sou o Bom Pastor” (João 10:11); “Eu sou o Pão Vivo” (João 6:51); “Eu sou o Caminho, e a Verdade, e a Vida” (João 14:6); “Toda a autoridade Me foi dada no Céu e na Terra” (Mateus 28:18). “Eu sou a certeza da promessa.” “Eu Sou, não tema.” “Deus conosco” é a certeza de nossa libertação do pecado, a segurança de nosso poder para obedecer à lei do Céu, pela graça.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

A divindade necessitava da humanidade

"E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós." (João 1:14)

Cristo não escolheu, para Seus representantes entre as pessoas, anjos que nunca pecaram, mas seres humanos, indivíduos semelhantes em paixões àqueles a quem buscavam salvar. Cristo tomou sobre Si a humanidade, a fim de chegar à humanidade. A divindade necessitava da humanidade, pois era necessário tanto o divino como o humano para trazer salvação ao mundo. A divindade necessitava da humanidade, a fim de que esta proporcionasse meio de comunicação entre Deus e o ser humano. O mesmo se dá com os servos e mensageiros de Cristo. As pessoas necessitam de um poder fora e acima delas para restaurá-las à semelhança com Deus e habilitá-las a fazer Sua obra. Isso, porém, não faz com que o instrumento humano deixe de ser essencial. A humanidade se apodera do poder divino. Cristo habita no coração pela fé; e, por meio da cooperação com o divino, o poder do ser humano se torna eficiente para o bem.

Aquele que chamou os pescadores da Galileia ainda chama pessoas a Seu serviço. Ele está tão disposto a manifestar Seu poder por nosso intermédio, assim como por meio dos primeiros discípulos. Por mais imperfeitos e pecadores que possamos ser, o Senhor oferece-nos Sua comunhão e o aprendizado com Ele. Convida-nos a colocar-nos sob as instruções divinas, para que, unindo-nos a Cristo, possamos realizar as obras de Deus.

“Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” (2 Coríntios 4:7). Foi por isso que a pregação do evangelho foi confiada a indivíduos falíveis e não aos anjos. Fica evidente que o poder que opera por meio das fraquezas da humanidade é o poder divino; e somos assim animados a crer que o poder que auxilia a outros, tão fracos como nós, também pode nos ajudar. Os que se acham rodeados de fraqueza devem “compadecer-se ternamente dos ignorantes e errados” (Hebreus 5:2). Por terem eles mesmos estado em perigo, acham-se familiarizados com os riscos e dificuldades do caminho e, por esse motivo, são chamados a esforçar-se por outros em perigo idêntico. Existem pessoas perplexas pela dúvida, oprimidas pelas fraquezas, fracas na fé, incapazes de se apegar ao Invisível; mas um amigo a quem podem ver, aproximando-se dessas pessoas em lugar de Cristo, pode ser um elo para firmar sua fé vacilante no Filho de Deus.

Devemos trabalhar em unidade com os anjos celestiais para apresentar Jesus ao mundo.