domingo, 25 de junho de 2017

Mães, não se preocupem

"Então, dirigindo-se aos seus discípulos, Jesus os exortou: “Portanto, vos afirmo: não andeis preocupados com a vossa própria vida, quanto ao que haveis de comer, nem muito menos com o vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Porquanto a vida é mais preciosa do que o alimento, e o corpo, mais importante do que as roupas. Observai os corvos, os quais não semeiam, nem ceifam, não possuem armazéns nem celeiros; contudo, Deus os alimenta. Quanto mais valeis vós do que as aves! Quem de vós, por mais ansioso que possa estar, é capaz de prolongar, por um pouco que seja, a duração da sua vida? Considerando que vós não podeis fazer nada em relação às pequenas coisas da vida, por que vos preocupais com todas as outras?" (Lucas 12.22-26) 

Que mãe não se preocupa com seus filhos? Faz parte da descrição do serviço toda mãe se preocupar se os seus estão seguros e sadios, se terão um bom emprego, estabilidade emocional, com quem vão casar e, entre as mães cristãs, se creem em Cristo - para remissão dos pecados e vida eterna - e se o terão como prioridade em suas vidas. Não é novidade, mãe que é mãe se preocupa. 

E nestes dias, onde a lista de preocupações cresce consideravelmente, Cristo lhes diz: Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir. A vida é mais importante do que a comida, e o corpo, mais do que as roupas (v. 22 e 23). 

A preocupação, que pode ser uma ansiedade mascarada, vem do nosso medo e do desejo de estar no controle, e o único meio de vencê-la é trazê-la para a luz. 

Lembre-se que a duração de nossas vidas já foi determinada pelo Senhor (Salmos 139.6). Não é algo que podemos controlar. Jesus nos afirma que por mais que nos preocupemos, nem uma hora sequer podemos acrescentar à nossa vida (v. 26). Logo, quem de vocês pode garantir que seus filhos não sofrerão acidentes? Quem de vocês pode proteger seus filhos deste mundo violento? Quem de vocês pode garantir vida eterna aos seus filhos? Atender a realidade que só o Senhor governa e garante a segurança dos seus é um passo muito importante para a santificação. 

É de fato um nobre desejo querer que seus filhos vivam para o Senhor, mas, ao mesmo tempo, também querer que eles não experimentem dor é complicado. Observe o seguinte: Não existe vida sem dor para os servos do Senhor (Jó 15.20). Se você deseja que seu filho ame e obedeça nosso Pai, proclamando Cristo a todos que estão por perto, haverá de entender que eles certamente passarão por tribulações. E isso dói, é verdade, mas não podemos pensar somente no presente (1 Pedro 4.13).

Precisamos confiar em Deus, pois Ele cuida de nós. Nosso Pai cuida de cada um de seus filhos mais do que você ou eu possa cuidar. Ainda que sejamos enviados como ovelhas entre lobos (Mateus 10.16), Deus, o Bom Pastor, nos guia no caminho correto e, se perdidos, Ele é capaz de nos trazer de volta para o caminho, durante todo o caminho. Não se preocupe. Não é bom saber que você pode confiar no Senhor? 

Mãe, seu objetivo não é apenas proteger seus filhos dos perigos deste mundo caído, mas é ser instrumento nas mãos do Senhor para que seu filho se conforme a imagem de Cristo. Para tal, o Senhor certamente usará algumas aflições, sofrimentos e tribulações para imprimir o caráter de Cristo em seu filho e em você (Tiago 1.2-4). 

"O Senhor não sabe apenas o que é melhor para você e seus filhos, mas Ele é o melhor para você e seus filhos em todas as circunstâncias." (Gloria Furman) 

Sem. André Dantas, Igreja Presbiteriana Nacional 

sábado, 17 de junho de 2017

A obediência é fruto do amor

"Aquele que tem os Meus mandamentos e os guarda, esse é o que Me ama." (João 14:21)

Que os que se sentem inclinados a fazer alta profissão de santidade se contemplem no espelho da lei de Deus. Ao constatarem o vasto alcance de seus apelos e compreenderem que ela atua como vigia dos pensamentos e intenções do coração, será possível presumir que não estão sem pecado. […]

Há os que professam possuir santidade, que se declaram santos do Senhor, que consideram como um direito as promessas de Deus, ao mesmo tempo que recusam obediência aos mandamentos de Deus. Esses transgressores da lei reivindicam tudo quanto é prometido aos filhos de Deus; mas isso é presunção da parte deles, pois João nos diz que o verdadeiro amor a Deus se revelará na obediência a todos os Seus mandamentos. Não basta crer na teoria da verdade, fazer uma profissão de fé em Cristo, crer que Jesus não é um impostor e que a religião da Bíblia não é uma fábula artificialmente composta. “Aquele que diz: Eu O conheço”, escreveu João, “e não guarda os Seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade. Aquele, entretanto, que guarda a Sua palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nisto sabemos que estamos nEle” (1Jo 2:4, 5). […]

João não ensinou que a salvação deveria ser adquirida pela obediência, mas que a obediência é fruto da fé e do amor. “Sabeis também que Ele Se manifestou para tirar os pecados”, disse, “e nEle não existe pecado. Todo aquele que permanece nEle não vive pecando; todo aquele que vive pecando não O viu, nem O conheceu” (1Jo 3:5, 6). Se estivermos em Cristo, se o amor de Deus estiver no coração, nossos sentimentos, pensamentos e ações estarão em harmonia com a vontade de Deus. O coração santificado está em harmonia com os preceitos da lei de Deus.

Muitos há que, embora procurando obedecer aos mandamentos de Deus, têm pouca paz ou alegria. Essa falha em sua experiência é o resultado da falta de exercitar a fé. Andam como se pisassem uma terra salina, um ressequido deserto. Pedem pouco, quando deviam pedir muito, pois não há limite para as promessas de Deus. Essas pessoas não representam corretamente a santificação que vem pela obediência à verdade. O Senhor quer que todos os Seus filhos e filhas sejam felizes, obedientes e desfrutem paz. Pelo exercício da fé, o crente toma posse dessas bênçãos. Pela fé, cada deficiência de caráter pode ser reparada; todas as contaminações, purificadas; cada falta, corrigida; e toda boa qualidade, desenvolvida.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Tenham filhos, meus filhos, porque vale a pena!

"Se eu pudesse dar só um conselho para os meus amigos, seria esse: tenham filhos. Pelo menos um. Mas se possível, tenham 2, 3, 4... Irmãos são a nossa ponte com o passado e o porto seguro para o futuro. Mas tenham filhos.

Filhos nos fazem seres humanos melhores.

O que um filho faz por você nenhuma outra experiência faz. Viajar o mundo te transforma, uma carreira de sucesso é gratificante, independência é delicioso. Ainda assim, nada te modificará de forma tão permanente como um filho.

Esqueça aquela história de que filhos são gastos. Filhos te tornam uma pessoa com consumo consciente e econômica: você passa a comprar roupas na Renner e não na Calvin Klein, porque no fim, são só roupas. E o tênis do ano passado, que ainda tá novinho e confortável, dura 5 anos... Você tem outras prioridades e só um par de pés.

Você passa a trabalhar com mais vontade e dedicação, afinal, existe um pequeno ser totalmente dependente de você, e isso te torna um profissional com uma garra que nenhuma outra situação te daria. Filhos nos fazem superar todos os limites.

Você começa a se preocupar em fazer algo pelo mundo. Separar o lixo, trabalho comunitário, produtos que usam menos plástico... Você é o exemplo de ser humano do seu filho, e nada pode ser mais grandioso que isso.

Sua alimentação passa a importar. Não dá pra comer chocolate com coca-cola e oferecer banana e água pra ele. Você passa a cuidar melhor da sua saúde: come o resto das frutas do prato dele, planta uma horta pra ter temperos frescos, extermina o refrigerante durante a semana. Um filho te dá uns 25 anos a mais de longevidade.

Você passa a acreditar em Deus e aprende como orar. Na primeira doença do seu filho você, quase como instinto, dobra os joelhos e pede a Deus que olhe por ele. E assim, seu filho te ensina sobre fé e gratidão como nenhum padre/pastor/líder religioso jamais foi capaz.

Você confronta sua sombra. Um filho traz a tona seu pior lado quando ele se joga no chão do mercado porque quer um pacote de biscoito. Você tem vontade de gritar, de bater, de sair correndo. Você se vê agressivo, impaciente e autoritário. E assim você descobre que é só pelo amor e com amor que se educa. Você aprende a respirar fundo, se agachar, estender a mão para o seu filho e ver a situação através de seus pequenos olhinhos.

Um filho faz você ser uma pessoa mais prudente. Você nunca mais irá dirigir sem cinto, ultrapassar de forma arriscada ou beber e assumir a direção, pelo simples fato de que você não pode morrer (não tão cedo)... Quem é que criaria e amaria seus filhos da mesma forma na sua ausência?! Um filho te faz mais do que nunca querer estar vivo.

Mas, se ainda assim, você não achar que esses motivos valem a pena, que seja pelo indecifrável que os filhos têm.

Tenha filhos para sentir o cheiro dos seus cabelos sempre perfumados, para ter o prazer de pequenos bracinhos ao redor do seu pescoço, para ouvir seu nome (que passará a ser mãmã ou pápá) sendo falado cantado naquela vozinha estridente.

Tenha filhos para receber aquele sorriso e abraço apertado quando você chegar em casa e sentir que você é a pessoa mais importante do mundo inteirinho pra aquele pequeno ser. Tenha filhos para ganhar beijos babados com um hálito que listerine nenhum proporciona. Tenha filhos para vê-los sorrirem como você e caminharem como o pai, e entenda a preciosidade de se ter uma parte sua solta pelo mundo. Tenha filhos para re-aprender a delícia de um banho cheio de espuma, de uma bacia de água no calor, de rolar com o cachorro, de comer manga sem se limpar.

Tenha filhos.

Sabendo que muito pouco você ensinará. Tenha filhos justamente porque você tem muito a aprender. Tenha filhos porque o mundo precisa que nós sejamos pessoas melhores ainda nessa vida."

Bruna Estrela

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Sobre a oração

Ora, havia um oficial do rei, cujo filho estava doente em Cafarnaum. João 4:46

Não entristeçais o Espírito Santo com o seu pecado, pois ele é quem intercede por você junto a Deus com gemidos inexprimíveis.

O Salvador sabia que o pai havia estabelecido, em seu espírito, condições quanto a crer nEle. A menos que sua petição fosse atendida, não O havia de aceitar como o Messias.

No entanto, o nobre possuía certo grau de fé; pois viera pedir aquilo que lhe parecia ser a mais preciosa de todas as bênçãos. Jesus tinha um dom ainda maior para conceder. Desejava não somente curar a criança, mas tornar o nobre e sua casa participantes das bênçãos da salvação e acender uma luz em Cafarnaum, que em breve se tornaria o cenário das obras de Cristo.

O nobre desejava conhecer mais de Cristo. Ao ouvir-Lhe posteriormente os ensinos, ele e todos os de sua casa se tornaram Seus discípulos. Sua dor foi santificada, para conversão de toda a família. Divulgaram-se as novas do milagre; e, em Cafarnaum, onde tantas de Suas poderosas obras foram realizadas, foi preparado o caminho para o ministério pessoal de Cristo.

Aquele que abençoou o nobre de Cafarnaum também quer nos abençoar. Assim como o aflito pai, somos muitas vezes levados a buscar a Jesus pelo desejo de algum bem terrestre; e da obtenção de nossas petições fazemos depender nossa confiança em Seu amor. O Salvador anela dar-nos maiores bênçãos do que Lhe pedimos; e retarda o deferimento de nossos pedidos, a fim de nos mostrar o mal que existe em nosso coração e nossa profunda necessidade de Sua graça. Deseja que renunciemos ao egoísmo que nos leva a buscá-Lo. Confessando nosso desamparo e necessidade, devemos entregar-nos inteiramente a Seu amor.

Antes de crer, o nobre queria ver atendida sua oração, mas teve que aceitar a palavra de Jesus, de que seu pedido estava atendido, e a bênção, concedida. Nós também devemos aprender essa lição. Não porque vejamos ou sintamos que Deus nos ouve, mas simplesmente porque cremos. Temos que confiar em Suas promessas. Quando a Ele nos chegamos com fé, toda súplica alcança o coração de Deus. Ao pedir Suas bênçãos, devemos acreditar que as receberemos e dar-Lhe graças porque as temos recebido. Então iremos ao cumprimento de nossos deveres, certos de que a bênção terá lugar quando mais necessitarmos dela. Quando aprendermos a fazer isso, saberemos que nossas orações são atendidas. Deus fará por nós “infinitamente mais do que pedimos ou pensamos”, “segundo as riquezas da Sua glória” (Ef 3:20, 16) e “segundo a eficácia da força do Seu poder” (Ef 1:19)

terça-feira, 25 de abril de 2017

Só Jesus pode dar paz

"Deixo-vos a paz, a Minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo." (João 14:27)

Quando recebemos a Cristo no coração, como hóspede permanente, a paz de Deus, que excede a todo entendimento, guarda nosso coração e espírito em Cristo Jesus. A vida do Salvador na Terra, embora passada em meio de conflito, foi uma vida de paz. Por mais que os irados inimigos O estivessem sempre perseguindo, Ele disse: “Aquele que Me enviou está comigo, não me deixou só, porque Eu faço sempre o que Lhe agrada” (Jo 8:29). Nenhuma tempestade de ira humana ou diabólica poderia perturbar a calma daquela perfeita comunhão com Deus. E Ele nos diz: “Deixo-vos a paz, a Minha paz vos dou” (Jo 14:27); “Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso” (Mt 11:29). Levai comigo o jugo do serviço, para a glória de Deus e o erguimento da humanidade, e achareis suave o jugo, e leve o fardo.

É o amor do próprio eu que destrói nossa paz. Enquanto o eu está bem vivo, estamos continuamente prontos a preservá-lo de mortificação e insulto; mas, se está morto, e nossa vida escondida com Cristo em Deus, não levaremos a sério as desatenções e indiferenças. Seremos surdos às censuras, e cegos à zombaria e ao insulto. […]

A felicidade derivada de fontes terrenas é tão mutável e depende das circunstâncias; a paz de Cristo, porém, é constante e permanente. Ela não depende de qualquer circunstância da vida, da quantidade de bens mundanos ou do número de amigos. Cristo é a fonte da água viva, e a felicidade que dEle procede não pode jamais falhar.

A mansidão de Cristo, manifestada no lar, tornará felizes os membros da família; ela não provoca disputas, não dá respostas iradas, mas acalma o temperamento irritado e difunde uma suavidade que se faz sentir por todos os que se acham dentro do aprazível ambiente. Sempre que é nutrida, torna as famílias da Terra uma parte da grande família do Céu.

Muito melhor é sofrermos sob falsa acusação do que impor a nós mesmos a tortura da vingança sobre nossos inimigos. O espírito de ódio e vingança teve sua origem em Satanás e só pode trazer mal sobre aquele que o nutre. Humildade de coração, aquela mansidão que é o fruto de permanecer em Cristo, é o verdadeiro segredo da bênção.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Momentos de aflição

"Pedro saiu do barco e começou a andar em cima da água, em direção a Jesus.  Porém, quando sentiu a força do vento, ficou com medo e começou a afundar. Então gritou: - Socorro, Senhor!" (Mateus 14:29-30) 

Andando lado a lado, a mão de Pedro na do Mestre, entraram juntos no barco. No entanto, Pedro estava agora rendido e silencioso. Ele não tinha nenhuma razão para se vangloriar sobre os companheiros, afinal, por causa da incredulidade e da exaltação, quase perdera a vida. Ao desviar de Cristo o olhar, ele perdeu o equilíbrio e afundou em meio às ondas.

O Brasil passa por um momento de aflição. O mundo também. Enquanto os cidadãos brasileiros não conseguem ter um mínimo de confiança nos líderes políticos, o mundo sente a insegurança de mais um ataque militar entre nações. Quantas vezes, ao enfrentarmos momentos assim, fazemos como Pedro! Olhamos para as ondas, em vez de manter os olhos fixos no Salvador. Os pés vacilam, e as impetuosas águas passam por sobre nossa alma. Jesus não disse a Pedro que fosse ter com Ele para que perecesse; não nos chama a segui-Lo para depois nos abandonar. […]

Jesus lia o caráter dos discípulos. Sabia que a fé manifestada por eles seria provada de modo doloroso. Nesse incidente no mar, desejava mostrar a Pedro sua própria fraqueza – que sua segurança dependia constantemente do poder divino. Em meio às tempestades da tentação, Pedro só poderia andar em segurança, quando, desconfiando inteiramente de si mesmo, descansasse no Salvador. Pedro era fraco no ponto em que se julgava mais forte; e, enquanto não discernisse sua fraqueza, não poderia compreender quanto necessitava confiar em Cristo. Se tivesse aprendido a lição que Jesus tentou lhe ensinar naquele incidente no lago, Pedro não teria fracassado quando a grande prova lhe sobreveio.

Dia a dia, Deus instrui Seus filhos. Pelas circunstâncias da vida diária, prepara- os para a parte que têm de desempenhar naquele mais vasto cenário que Sua providência lhes designou. É o resultado de sua prova diária que determina a vitória ou derrota deles na grande crise da vida.

Os que deixam de compreender sua contínua dependência de Deus serão vencidos pela tentação. Podemos entender agora que nossos pés estão firmes e jamais seremos abalados. Podemos dizer com confiança: “Eu sei em quem tenho crido; coisa alguma pode abalar minha confiança em Deus e em Sua Palavra”. Entretanto, Satanás está planejando aproveitar-se de nossos traços de caráter hereditários e cultivados para cegar nossos olhos tanto às nossas necessidades quanto aos nossos defeitos. Somente compreendendo a própria fraqueza e olhando firmemente para Jesus, podemos caminhar com segurança.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Vitória somente em Deus

"Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé." (1 João 5:4)

A vida cristã é uma batalha e uma marcha. No entanto, a vitória a ser ganha não é obtida por força humana. O campo de luta é o domínio do coração. A batalha que temos a ferir – a maior de quantas já foram travadas pelo ser humano – é a entrega do próprio eu à vontade de Deus, a sujeição do coração à soberania do amor. A velha natureza, nascida do sangue e da vontade da carne, não pode herdar o reino de Deus. As tendências hereditárias, os hábitos antigos devem ser renunciados.

Aquele que está determinado a entrar no reino espiritual perceberá que todas as forças e paixões de uma natureza não regenerada, fortalecidas pelos poderes das trevas, acham-se arregimentadas contra ele. O egoísmo e o orgulho tomarão posição contra tudo que os aponte como pecado. Não podemos, por nós mesmos, vencer os maus desejos e hábitos que lutam pela predominância. Não nos é possível dominar o poderoso inimigo que nos mantém em escravidão. Somente Deus pode nos dar a vitória. Ele deseja que tenhamos o domínio de nós mesmos, de nossa vontade e de nossos caminhos. Entretanto, Ele não pode atuar em nós contra o nosso consentimento e cooperação. O Espírito divino opera mediante as faculdades e poderes conferidos ao ser humano. Nossas energias são requeridas para cooperar com Deus.

A vitória não é ganha sem muita e fervorosa oração, sem a humilhação do próprio eu a cada passo. Nossa vontade não deve ser forçada a cooperar com os agentes celestiais, mas sujeitada voluntariamente. Se fosse possível forçar sobre nós, com centuplicada intensidade, a influência do Espírito de Deus, isso não nos tornaria cristãos, súditos aptos para o Céu. A fortaleza de Satanás não seria derrubada. A vontade deve ser colocada ao lado da vontade de Deus. Não somos capazes, por nós mesmos, de sujeitar nossos propósitos, desejos e inclinações à vontade de Deus; mas, se permitirmos, Ele efetuará a obra por nós, destruindo “toda a altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo” (2Co 10:5). Então teremos que trabalhar nossa “salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o realizar, segundo a Sua boa vontade” (Fp 2:12, 13)

segunda-feira, 27 de março de 2017

Fome e sede de justiça

"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça." (Mateus 5:6)

Justiça é santidade, semelhança com Deus; e “Deus é amor” (1 João 4:16). É conformidade com a lei de Deus; pois “todos os Teus mandamentos são justiça” (Salmos 119:172); e o “cumprimento da lei é o amor” (Romanos 13:10). Justiça é amor, e o amor é a luz e a vida de Deus. A justiça de Deus se acha concretizada em Cristo. Recebemos a justiça recebendo-o a Ele.

Não é por meio de duras lutas ou trabalho exaustivo, nem de dádivas ou sacrifícios, que alcançamos a justiça; ela é, porém, gratuitamente dada a toda pessoa que dela tem fome e sede. “Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; […] sem dinheiro e sem preço.” “O seu direito que de Mim procede, diz o Senhor” e “este será o nome com que o nomearão: O Senhor Justiça Nossa” (Isaías 55:1; 54:17; Jeremias 23:6).

Nenhum agente humano pode suprir aquilo que satisfará a fome e a sede espiritual. No entanto, Jesus diz: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo” (Apocalipse 3:20). […]

Assim como precisamos de alimento para sustentar nossas forças físicas, também necessitamos de Cristo, o pão do Céu, para manter a vida espiritual e comunicar forças para efetuar as obras de Deus. Assim como o corpo está continuamente recebendo a nutrição que sustém a vida e o vigor, também a alma deve estar constantemente comungando com Cristo, a Ele submissa, e confiando inteiramente nEle. […]

Ao entendermos a perfeição do caráter de nosso Salvador, desejaremos ser inteiramente transformados e renovados à imagem de Sua pureza. Quanto mais conhecermos a Deus, mais elevado será nosso ideal de caráter, e mais veemente o nosso anseio de lhe refletir a imagem. Um elemento divino combina-se com o humano, quando a alma se dilata, em busca de Deus, e o anelante coração pode exclamar: “Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa, porque dEle vem a minha esperança” (Salmos 62:5).

Se você experimenta um sentimento de necessidade em seu coração, se tem fome e sede de justiça, isso é prova de que Cristo tem operado em seu coração.

segunda-feira, 13 de março de 2017

O que Deus pode fazer com você

"Acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos." (Atos 2:47)

Não havia, nos apóstolos de nosso Senhor, coisa alguma que lhes trouxesse glória. Era evidente que o êxito de seus esforços se devia unicamente a Deus. A vida dessas pessoas, o caráter transformado e a poderosa obra por Deus operada por intermédio delas são testemunhos do que Ele fará por todos quantos estiverem dispostos a aprender e obedecer.

Aquele que mais ama a Cristo, maior soma de bem fará. Não há limites à utilidade de uma pessoa que teve sua alma transformada pelo Espírito Santo, e vive uma vida de inteira consagração a Deus. Caso as pessoas suportem a necessária disciplina, sem queixa ou desfalecimento ao longo do caminho, Deus as ensinará a cada hora, a cada dia. Revelará Sua graça. O Senhor derramará as águas da salvação em torrentes, mediante a fé e a capacitará para a Sua obra.

Deus toma as pessoas como são e educa-as para Seu serviço. O Espírito de Deus, recebido na mente, vivificará todas as suas faculdades. Sob a direção do Espírito Santo, o intelecto é fortalecido não apenas para compreender, mas para cumprir a vontade de Deus. O caráter fraco e vacilante transforma-se em outro forte e firme. O relacionamento contínuo estabelece uma relação tão íntima entre Jesus e Seu discípulo, que o cristão se torna como Ele em espírito e caráter. Mediante ligação com Cristo, terá visão mais clara e ampla. O discernimento se tornará mais penetrante, mais equilibrado o juízo. Aquele que é chamado para ser útil a Cristo é tão vivificado pelo poder do Sol da Justiça, que é habilitado a produzir muito fruto para glória de Deus.

Pessoas da mais elevada educação em ciências e artes têm aprendido preciosas lições de cristãos de condição humilde, classificados pelo mundo como ignorantes. Contudo, esses obscuros discípulos de Cristo haviam recebido educação na mais alta das escolas. Tinham sentado aos pés dAquele que falava como “jamais alguém falou” (João 7:46)

segunda-feira, 6 de março de 2017

Somente pela graça

"Minha graça é suficiente para você, pois o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza." (2 Coríntios 12:9)

Por nós mesmos, é impossível escapar ao abismo do pecado em que estamos afundados. Nosso coração é mau, e não podemos mudá-lo. “Quem da imundícia poderá tirar coisa pura? Ninguém!” (Jó 14:4). “O pendor da carne é inimizade contra Deus” (Romanos 8:7). A educação, a cultura, o exercício da vontade, o esforço humano, todas essas coisas têm sua importância; porém, nesse caso, não têm poder para mudar a situação. Podem até produzir um comportamento aparentemente correto, mas não transformar o coração nem purificar as fontes da vida. É preciso que haja um poder no interior, uma vida nova vinda do alto, para que as pessoas passem do estado pecaminoso para a santidade. Esse poder é Cristo. Somente Sua graça poderá vitalizar as inertes faculdades espirituais e atrair a pessoa para Deus, para a santidade.

O Salvador disse: “Se alguém não nascer de novo”, ou seja, a menos que receba um novo coração, novos desejos, propósitos e motivos, e passe a viver uma vida nova, “não pode ver o reino de Deus” (João 3:3). A ideia de que é preciso apenas desenvolver o bem que existe naturalmente dentro da pessoa é um engano fatal. “O homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”(1 Coríntios 2:14). “Não te admires de Eu te dizer: importa-vos nascer de novo” (João 3:7). Está escrito acerca de Cristo: “A vida estava nEle e a vida era a luz dos homens” (João 1:4). Ele é o único “nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4:12).

Não basta perceber o compassivo amor de Deus, enxergar a benevolência, a bondade paternal do Seu caráter. Não basta discernir a sabedoria e justiça da Sua lei para ver que ela está alicerçada sobre o eterno princípio do amor. O apóstolo Paulo viu tudo isso quando exclamou: “Consinto com a lei, que é boa”. “A lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom.” Porém, em desespero, acrescentou com o coração amargurado: “Sou carnal, vendido à escravidão do pecado” (Romanos 7:16, 12-14). Ele anelava a pureza, a justiça, coisas que, por si mesmo, não tinha forças para alcançar e clamou: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:24). Esse é o clamor que vem de corações atribulados em todas as terras e em todas as épocas. Para todos, existe uma resposta: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1:29)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Amor abnegado

"Porquanto Deus enviou o Seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele." (João 3:17)

O brilho do “conhecimento da glória de Deus” vê-se “na face de Jesus Cristo” (2 Coríntios 4:6). Desde os dias da eternidade, o Senhor Jesus Cristo era um com o Pai; era “a imagem de Deus”, a imagem de Sua grandeza e majestade, “o resplendor da glória” (Hebreus 1:3). Foi para manifestar essa glória que Ele veio ao mundo. Veio à Terra entenebrecida pelo pecado para revelar a luz do amor de Deus, para ser “Deus conosco” (Mateus 1:23). Portanto, a Seu respeito foi profetizado: “Será o Seu nome Emanuel” (Isaías 7:14).

Vindo habitar conosco, Jesus deveria revelar Deus tanto aos seres humanos como aos anjos. Ele era a Palavra de Deus – o pensamento de Deus tornado audível. Em Sua oração pelos discípulos, diz: “Eu lhes fiz conhecer o Teu nome” – “compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade” – “a fim de que o amor com que Me amaste esteja neles, e Eu neles esteja” (João 17:26; Êxodo 34:6). Entretanto, essa revelação não era feita somente a Seus filhos nascidos na Terra. Nosso pequenino mundo é o livro de estudo do universo. O maravilhoso desígnio de graça do Senhor, o mistério do amor que redime, é o tema que “anjos anelam perscrutar” (1 Pedro 1:12), e será seu estudo ao longo dos séculos sem fim. Mas os seres remidos e os não caídos encontrarão na cruz de Cristo sua ciência e seu cântico. Ficará evidente que a glória que resplandece na face de Jesus Cristo é a glória do abnegado amor. Ficará evidente, à luz do Calvário, que a lei do amor que renuncia é a lei da vida para a Terra e o Céu; que o amor que “não procura os seus interesses” (1 Coríntios 13:5) tem sua fonte no coração de Deus; e que, no manso e humilde Jesus, é revelado o caráter dAquele que habita na luz inacessível ao ser humano.

No princípio, Deus Se manifestava em todas as obras da criação. Foi Cristo que estendeu os céus e lançou os fundamentos da Terra. Foi Sua mão que suspendeu os mundos no espaço e deu forma às flores do campo. Ele “converteu o mar em terra firme” (Salmos 66:6). “DEle é o mar, pois Ele o fez” (Salmos 95:5). Foi Ele quem encheu a Terra de beleza, e de cânticos o ar. E sobre todas as coisas na terra, no ar e no firmamento, escreveu a mensagem do amor do Pai.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Graça sobre graça

"Porque todos nós temos recebido da Sua plenitude e graça sobre graça" (João 1:16)

Desde que Cristo veio habitar entre nós, sabemos que Deus está relacionado com as nossas provações e Se compadece de nossas dores. Todo filho e filha de Adão pode compreender que nosso Criador é o amigo dos pecadores. Pois em toda doutrina de graça, toda promessa de alegria, todo ato de amor, toda atração divina apresentada na vida do Salvador na Terra, vemos “Deus conosco” (Mateus 1:23).

Satanás apresenta a divina lei de amor como uma lei de egoísmo. Declara que nos é impossível obedecer aos preceitos divinos. A queda de nossos primeiros pais, com toda a miséria resultante, ele atribui ao Criador, levando as pessoas a olharem a Deus como autor do pecado, do sofrimento e da morte. Jesus iria desmascarar esse engano. Como um de nós, cumpria-Lhe dar exemplo de obediência. Para isso, tomou sobre Si a nossa natureza e passou por nossas provas. “Convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos” (Hebreus 2:17). Se tivéssemos de sofrer qualquer coisa que Cristo não houvesse suportado, Satanás havia de apresentar o poder de Deus como nos sendo insuficiente. 

Portanto, Jesus “foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança” (Hebreus 4:15). Sofreu toda provação a que estamos sujeitos. E não exerceu em proveito próprio nenhum poder que não seja abundantemente concedido a nós. Como homem, enfrentou a tentação e venceu-a no poder que lhe foi dado por Deus. Diz Ele: “Deleito-Me em fazer a Tua vontade, ó Deus Meu; sim, a Tua lei está dentro do Meu coração”(Salmos 40:8). Enquanto andava fazendo o bem e curando todos os afligidos pelo diabo, tornava claro às pessoas o caráter da lei de Deus e a natureza de Seu serviço. Sua vida testifica ser possível também para nós obedecermos à lei de Deus.

Por Sua humanidade, Cristo estava em contato com a humanidade; por Sua divindade, firmou-se no trono de Deus. Como Filho do homem, deu-nos um exemplo de obediência; como Filho de Deus, deu-nos poder para obedecer. Foi Cristo que, do monte Horebe, falou a Moisés, dizendo: “Eu Sou o Que Sou. […] A nós Ele diz: “Eu sou o Bom Pastor” (João 10:11); “Eu sou o Pão Vivo” (João 6:51); “Eu sou o Caminho, e a Verdade, e a Vida” (João 14:6); “Toda a autoridade Me foi dada no Céu e na Terra” (Mateus 28:18). “Eu sou a certeza da promessa.” “Eu Sou, não tema.” “Deus conosco” é a certeza de nossa libertação do pecado, a segurança de nosso poder para obedecer à lei do Céu, pela graça.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

A divindade necessitava da humanidade

"E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós." (João 1:14)

Cristo não escolheu, para Seus representantes entre as pessoas, anjos que nunca pecaram, mas seres humanos, indivíduos semelhantes em paixões àqueles a quem buscavam salvar. Cristo tomou sobre Si a humanidade, a fim de chegar à humanidade. A divindade necessitava da humanidade, pois era necessário tanto o divino como o humano para trazer salvação ao mundo. A divindade necessitava da humanidade, a fim de que esta proporcionasse meio de comunicação entre Deus e o ser humano. O mesmo se dá com os servos e mensageiros de Cristo. As pessoas necessitam de um poder fora e acima delas para restaurá-las à semelhança com Deus e habilitá-las a fazer Sua obra. Isso, porém, não faz com que o instrumento humano deixe de ser essencial. A humanidade se apodera do poder divino. Cristo habita no coração pela fé; e, por meio da cooperação com o divino, o poder do ser humano se torna eficiente para o bem.

Aquele que chamou os pescadores da Galileia ainda chama pessoas a Seu serviço. Ele está tão disposto a manifestar Seu poder por nosso intermédio, assim como por meio dos primeiros discípulos. Por mais imperfeitos e pecadores que possamos ser, o Senhor oferece-nos Sua comunhão e o aprendizado com Ele. Convida-nos a colocar-nos sob as instruções divinas, para que, unindo-nos a Cristo, possamos realizar as obras de Deus.

“Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” (2 Coríntios 4:7). Foi por isso que a pregação do evangelho foi confiada a indivíduos falíveis e não aos anjos. Fica evidente que o poder que opera por meio das fraquezas da humanidade é o poder divino; e somos assim animados a crer que o poder que auxilia a outros, tão fracos como nós, também pode nos ajudar. Os que se acham rodeados de fraqueza devem “compadecer-se ternamente dos ignorantes e errados” (Hebreus 5:2). Por terem eles mesmos estado em perigo, acham-se familiarizados com os riscos e dificuldades do caminho e, por esse motivo, são chamados a esforçar-se por outros em perigo idêntico. Existem pessoas perplexas pela dúvida, oprimidas pelas fraquezas, fracas na fé, incapazes de se apegar ao Invisível; mas um amigo a quem podem ver, aproximando-se dessas pessoas em lugar de Cristo, pode ser um elo para firmar sua fé vacilante no Filho de Deus.

Devemos trabalhar em unidade com os anjos celestiais para apresentar Jesus ao mundo.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Energia criadora

"Os céus por Sua palavra se fizeram, e, pelo sopro de Sua boca, o exército deles" (Salmo 33:6)

Foto: Elbem César
A energia criadora que trouxe os mundos à existência está na Palavra de Deus. Essa Palavra comunica poder e gera vida. Cada ordenança é uma promessa. Quando é aceita voluntariamente e recebida no coração, traz consigo a vida do Ser infinito. Transforma a natureza e restaura o ser humano à imagem de Deus.

A vida assim comunicada é mantida de maneira idêntica. As pessoas viverão “de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mateus 4:4).

A mente e a alma são constituídas por aquilo de que se alimentam. Fica sob nossa responsabilidade decidir com que se alimentarão. Está dentro das possibilidades de qualquer pessoa escolher os assuntos que ocuparão seus pensamentos e moldarão seu caráter. Em relação a todo ser humano privilegiado pelo acesso às Escrituras, Deus diz: “Eu lhes escrevi todos os ensinos da Minha lei”. “Clame a Mim e Eu responderei e lhe direi coisas grandiosas e insondáveis que você não sabe” (Oséias 8:12; Jeremias 33:3).

A Palavra de Deus, da mesma forma que o caráter de seu Autor, apresenta mistérios que jamais poderão ser compreendidos amplamente por seres finitos. Porém, Deus concedeu nas Escrituras evidências suficientes da autoridade divina delas. A própria existência de Deus, Seu caráter e a veracidade de Sua Palavra são estabelecidos por testemunhos que falam à nossa razão; e esses testemunhos são abundantes. Realmente Ele não removeu a possibilidade da dúvida; a fé precisa se firmar sobre a evidência e não sobre a demonstração. Os que desejam duvidar terão oportunidade para isso; porém, aqueles que desejam conhecer a verdade encontrarão terreno amplo para a fé.

Não temos motivos para duvidar da Palavra de Deus por não podermos compreender os mistérios de sua providência. Na natureza, estamos constantemente rodeados de maravilhas que estão além de nossa compreensão. Não deveríamos, então, ficar surpresos ao encontrar também no mundo espiritual mistérios que não podemos sondar? A dificuldade está unicamente nas limitações da mente humana.

Os mistérios da Bíblia, longe de ser um argumento contra ela, estão entre as maiores evidências de sua inspiração divina.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Contemple as maravilhas

"Para e considera as maravilhas de Deus." (Jó 37:14)

Pessoas piedosas e de talento vislumbram as realidades eternas; porém, muitas vezes, deixam de compreendê-las porque as coisas visíveis ofuscam a glória do invisível. Quem quiser ter êxito na busca pelo tesouro escondido precisa se lançar em busca de coisas mais elevadas do que as deste mundo. Suas afeições e todas as suas capacidades precisam ser consagradas à pesquisa.

A desobediência tem fechado a porta a uma grande soma de conhecimentos que poderiam ser obtidos das Escrituras. Compreensão significa obediência aos mandamentos de Deus. As Escrituras não devem ser adaptadas ao preconceito e à descrença dos seres humanos. Somente podem entendê-las aqueles que humildemente procuram o conhecimento da verdade para poder obedecer-lhe.

Pergunta: Que preciso fazer para ser salvo? Antes de iniciar a pesquisa, é preciso depor as opiniões preconcebidas, as ideias herdadas e cultivadas. Se você examinar as Escrituras para justificar opiniões próprias, nunca alcançará a verdade. Pesquise para aprender o que o Senhor diz. Se ao estudar, vier a convicção, se verificar que suas opiniões acariciadas não estão em harmonia com a verdade, não interprete mal a verdade para acomodá-la à sua crença, antes aceite a luz concedida. Abra a mente e o coração para que você possa contemplar as maravilhas da Palavra de Deus.

A fé em Cristo, como o Redentor do mundo, exige o reconhecimento de uma inteligência esclarecida, dirigida por um coração que pode discernir e avaliar o tesouro celestial. Essa fé é inseparável do arrependimento e transformação de caráter. Ter fé significa achar e aceitar o tesouro do evangelho com todos os deveres que o mesmo impõe. […]

Necessitamos da iluminação do Espírito Santo para discernir as verdades da Palavra de Deus. As coisas aprazíveis do mundo natural não são vistas sem que o Sol, dissipando as trevas, as inunde de luz. Assim, as preciosidades da Palavra de Deus não são apreciadas sem ser reveladas pelos brilhantes raios do Sol da Justiça.

O Espírito Santo enviado do Céu, pela benevolência do infinito amor, toma as coisas de Deus e as revela a toda pessoa que tem fé implícita em Cristo. Por Seu poder, as verdades vitais das quais depende a salvação são impressas na mente, e o caminho da vida torna-se tão claro, que ninguém precisa se desviar (Parábolas de Jesus, p. 112, 113).

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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

A equação da felicidade

“Sei bem o que é passar necessidade e sei o que é andar com fartura. Aprendi o mistério de viver feliz em todo lugar e em qualquer situação, esteja bem alimentado, ou mesmo com fome, possuindo fartura, ou passando privações” (Filipenses 4:12)

O seus desejos para 2017 são realizáveis? A sua equação da felicidade fecha?

Eu sempre digo em minhas palestras sobre educação financeira que o segredo da felicidade tem a ver com a redução de expectativas. Quem acaba de endossar essa tese são cientistas e sociólogos, cujas descobertas sobre o estado de espírito mais cobiçado pela humanidade estão na mira de corporações dos mais variados tipos e tamanhos.

Essa tal felicidade pode, claro, se fazer presente nas coisas mais simples da vida, como tomar um picolé ou curtir uma roda de violão. O “povo de humanas” tem muito a dizer sobre isso. Mas a lógica por trás desse sentimento tem sido cada vez mais alvo de estudo e pesquisa de instituições renomadas.

Se a academia tem chegado ao mesmo tipo de conclusão que a sabedoria paulina expressa no texto acima, a questão passou a ser como medir o grau de felicidade de uma pessoa ou de um grupo. Esse desafio toca principalmente neurocientistas e economistas: quantificar algo tão abstrato que deveria ser impossível de medir. Mas eles insistem. A busca não começou agora. Os gregos, como sempre, deram a largada lá atrás. Alguns séculos depois, a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, propôs uma experiência em longo prazo, da qual até o ex-presidente norte-americano John Kennedy participou. 

Também estão nesse jogo de passar a felicidade a limpo equipes como a da University College London, do Reino Unido. Eles publicaram em 2014 e atualizaram neste ano uma fórmula matemática que, segundo os criadores, é capaz de prever se uma pessoa será feliz e ainda determinar como a prosperidade alheia e a desigualdade social são capazes de afetar a felicidade individual.

Para chegar à “fórmula da felicidade”, o time liderado pelo neurocientista Robb Rutledge estabeleceu o seguinte processo na primeira etapa:

– 26 pessoas foram submetidas a uma série de tarefas em que, a partir de decisões que elas tomavam, poderiam ganhar ou perder dinheiro;

– Enquanto as decisões eram tomadas, os participantes respondiam o quanto estavam felizes naquele instante;

– Uma ressonância magnética media a atividade cerebral de cada participante no momento em que ele dava a resposta.

Com esses dados, os pesquisadores deduziram a equação, considerando o que os participantes esperavam ganhar, as recompensas obtidas e as sensações geradas no cérebro de cada um deles. E a conclusão da equipe foi que… sim, as suas expectativas definem o quanto você será feliz.

O time do dr. Rutledge ampliou a brincadeira. Por meio de um jogo de celular, estenderam o teste a 18 mil pessoas. O resultado: “expectativas mais baixas tornam mais provável que um resultado as supere e tenha um impacto positivo na felicidade”. E que o simples fato de planejar e esperar que algo bom aconteça pode nos deixar mais felizes, mesmo que por um breve momento.

Até aí, nenhuma grande novidade foi acrescentada à sabedoria de Salomão, expressa em Eclesiastes 6:9: “Mais vale contentar-se com o que os olhos veem do que sonhar com desejos irrealizáveis. Afinal, não é isso também total insensatez, como correr atrás do vento?”. Mas o endosso científico ajuda a entender distúrbios ligados às emoções humanas, como o transtorno de humor. Conseguir quantificar a possibilidade desse tipo de mal na população pode ajudar políticas preventivas de saúde e, claro, a evitar prejuízos ao capitalismo: uma pessoa infeliz tem grandes chances de produzir menos e pior.

Que Deus abençoe seus sonhos e projetos em 2017.