quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

As cinco linguagens do amor

"Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine. (...) O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. (...)Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. (...) Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor" (1 Coríntios 13:1,4,7,13).

Provavelmente, esse texto que o apóstolo Paulo escreveu à igreja de Corinto, seja o que melhor define o amor. Amor é aquele sentimento que faz duas pessoas se sentirem bem juntas, dividirem sonhos e caminharem na mesma direção. O amor supera qualquer barreira e dificuldade, porém, muitos casais que se amam, acabam sofrendo por não conseguirem entender um ao outro.

Diante disso, o autor Gary Chapman mostra em seu livro "As cinco linguagens do amor", a razão que faz as pessoas ficarem tão insatisfeitas em seus relacionamentos (mesmo se amando). Ele explica que as pessoas falam linguagens "afetivas" diferentes, assim como acontece nos idiomas. Ou seja: todos nós somos diferentes na forma de demonstrar amor e em como queremos ser amado(a)s; e para que haja uma harmonia, é preciso identificar qual a nossa "linguagem do amor" e a do outro.

Todos nós somos como "vasos vazios" que precisam ser preenchidos com amor, porém, nem sempre isso acontece, pois a forma com que recebemos amor é diferente. Então, ao descobrir a sua linguagem do amor e do seu parceiro, será possível você expressar amor da maneira com que ele(a) se sinta amado(a), e também fazê-lo(a) entender como você quer receber amor.

Talvez você seja uma pessoa que se sente amada quando seu parceiro diz palavras carinhosas, mas ele(a) nem deve saber disso, por isso ele(a) demonstra amor ajudando você em tarefas do dia a dia, por exemplo. Essa é uma atitude boa, mas você continuará insatisfeito, com seu "vaso vazio", até que ele(a) descubra a sua linguagem do amor.

A virada de ano é um bom momento para descobrirmos ou lembrarmos as cinco linguagens do amor. Você já sabe qual a sua linguagem do amor? E a linguagem de quem você ama? Veja abaixo quais são as cinco linguagens do amor: (Se possível, leia junto com seu(sua) companheiro(a):

1) Palavras de afirmação – São palavras carinhosas, que demonstram atenção, consideração e cuidado com a pessoa amada. Por exemplo: Elogios verbais: "O jantar estava ótimo!"; Afirmações: "Essa roupa ficou linda em você!"; e Incentivos: "Fique tranquilo(a), vai dar tudo certo".

2) Qualidade de tempo – É quando se dedica um tempo exclusivo, ainda que pequeno, sem interrupções. Conversas de qualidade, um passeio na praça, um café em um lugar diferente ou até mesmo assistir um filme no sofá de casa. Na verdade, não importa muito o que se faz, e sim com quem se faz.

3) Presentes – Neste caso, o que menos importa é o valor financeiro. Você pode colher uma flor, comprar uma pizza, dar uma caixa de bombons etc. Para a pessoa que se sente amada nessa linguagem, estes simples gestos significam: "Ele(a) se lembrou de mim - pensou em mim".

4) Gestos de serviço – Nesta linguagem, o que você faz fala mais alto. Lavar a louça do jantar vale mais do que aquela caixa de bombons finos que você comprou para ele(a); consertar a fechadura é mais importante do que levá-lo(a) ao cinema; levar o lixo para fora é mais relevante do que gravar músicas românticas.

5) Toque físico – O importante é saber quando, como e onde tocar a pessoa. Exemplos: dar beijos em momentos que ele(a) não espera; colocar a mão em seu ombro em uma situação difícil; abraçá-lo(a) de forma aconchegante quando ele(a) sentir medo ou insegurança.

Eu sei que muitas pessoas dirão: "Ah, eu tenho todas estas 5 linguagens do amor!" Mas é importante você identificar com seu(a) parceiro(a) qual a linguagem principal de cada um. Pois, ainda que você diga "eu te amo" em todas as linguagens, ele(a) continuará sentindo falta de algo. Use a linguagem correta e se aperfeiçoe a cada dia, ao colocá-las em prática. Você verá que seu relacionamento será bem mais saudável e o coração de vocês terá espaço apenas para o amor!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Feliz 2017

"Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria." (Salmo 90:12)

Agora que mais um ano novo se aproxima, que tal relembrarmos um pouquinho de como contar os nossos dias.

Ninguém gostaria de saber o dia da sua morte, não é verdade? Não sou mórbido, mas resolvi descobrir o meu dia final. Abri a página de um relógio da morte na internet e inseri meus dados. Marquei meu estado mental como “normal”. Apareceu uma tumba com o famoso RIP (rest in peace, “descanse em paz”) no canto superior esquerdo, junto de uma caveira sobre as engrenagens de um relógio no canto inferior direito, indicando a data fatal: domingo, 23 de abril de 2034. Eu teria apenas 656.571.713 segundos. Testei o modo “pessimista”. A data regrediu em 16 anos. Agora, eu morreria na quinta, 8 de março de 2018. Experimentei a categoria “otimista”. O relógio me permitiu viver até 6 de junho de 2058. 

Desconfiado de que talvez desse para barganhar alguns dias com a personagem da foice, acessei outro relógio da morte com praticamente o mesmo nome, mas agora “.org”, e não “.com”. Considerando que o pessoal do mundo “.org” supostamente tem vida mais tranquila, quem sabe eu viveria mais. Esqueça! Mesmo eu marcando direto no estilo de vida “otimista”, o relógio me garantiu apenas 80 anos, 11 meses e 2 dias. Data fatídica: sexta-feira, 14 de junho de 2041. Nesse caso, eu teria 10.209 dias, 14 horas, 42 minutos e 11 segundos de vida. Resolvi ficar com o primeiro relógio.

Feliz Ano Novo!
Moisés, o autor do Salmo 90, escreveu que devemos aprender a contar nossos dias. Será que ele estava falando de um relógio da morte? Não. O que ele queria dizer é que devemos aprender a aproveitar a vida. Como? Aqui estão sete sugestões:

• Tenha consciência de que o tempo passa rápido e a vida voa.

• Entenda que nunca é tarde para aprender a viver com sabedoria.

• Viva um dia de cada vez, semana após semana, mês após mês, ano a ano.

• Aproveite as oportunidades que aparecerem hoje e que podem não voltar amanhã.

• Fique do lado do bem e faça o bem cada dia.

• Imagine-se viajando no tempo e avançando 50 anos rumo ao futuro; então olhe para trás, visualize sua vida e, se ela não estiver levando você na direção de seus sonhos, trate de corrigir a rota.

• Saiba que você não tem controle sobre o total de seus dias na Terra.

A vida é como uma nota de 100 reais. Você pode gastá-­­la do jeito que quiser. Mas saiba que só pode gastar uma vez. Aprenda a contar bem os seus dias porque você terá que dar conta de cada um deles.

Feliz Ano Novo!

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Propósito de vida

"Antes de formá-lo no ventre eu o escolhi; antes de você nascer, eu o separei e o designei profeta às nações." (Jeremias 1:5)

Alguns anos atrás, o movimento “Vida com Propósitos”, iniciado pelo pastor Rick Warren, saiu das igrejas e alcançou a mídia e o meio corporativo, tornando-se um fenômeno mundial. Um de seus livros, Uma Vida com Propósitos, vendeu mais de 30 milhões de cópias no mundo e se tornou um dos mais traduzidos da história editorial.

Nesse livro, Warren destaca que Deus tem cinco propósitos para nossa vida e que o significado da vida surge quando os seguimos. São eles: (1) você foi planejado para agradar a Deus; (2) você foi criado para pertencer à família de Deus; (3) você foi criado para ser como Cristo; (4) você foi moldado para servir; e (5) você foi criado para desempenhar uma missão. Na visão do autor, o supremo propósito geral da vida é glorificar a Deus.

Assim como para Jeremias, Deus traçou um destino para cada pessoa. O verso acima deixa isso bem claro. Ele tem um plano elevado para cada um de nós. Você não é um acidente, uma obra do acaso, um erro da natureza.

Séculos antes de Rick Warren aparecer no mapa, Deus revelou seu propósito para a vida de um jovem chamado Jeremias, que nasceu no ano 627 a.C. Jeremias foi o último profeta de Judá antes do exílio. Ele profetizou por cerca de 40 anos.

Jeremias provavelmente tivesse entre 18 e 20 anos quando Deus lhe comunicou o propósito para sua vida. O jovem reclamou: “Ah, Senhor Deus, não me escolha. Não sou a pessoa certa. Sou apenas um adolescente. Não sei nem falar direito.” Ele sentiu um senso de incompetência devido à idade. Jeremias era o que se costumava chamar de na‘ar, um jovem solteiro, alguém que supostamente deveria ficar em silêncio diante dos mais maduros.

No entanto, a desculpa não impressionou Deus, que respondeu: “Eu o conheço desde o momento em que você era apenas um traço na ultrassonografia.” Na concepção hebraica, conhecer é um ato criativo, um envolvimento que leva à ação.

Então, Deus tocou a boca do profeta e o tornou efetivo. Ele toca nosso ponto fraco e o transforma em ponto forte. Onde os erros, problemas e fracassos humanos se multiplicam, os acertos, as soluções e os sucessos divinos se excedem. Assim, não diga que você é novo ou velho demais. Aceite o ideal de Deus para você, pois quem aceita o plano de Deus encontra o propósito da vida.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O efêmero e o eterno

"A relva murcha, e as flores caem, mas a palavra de nosso Deus permanece para sempre." (Isaías 40:8)

A poetisa Cecília Meireles, uma das mais talentosas vozes líricas da literatura brasileira, estreou na vida no dia 7 de novembro de 1901, no Rio de Janeiro, em meio a perdas. Seu pai morreu três meses antes do nascimento dela, e a mãe faleceu três anos depois.

Isso fez com que Cecília, criada pela avó, escrevesse mais tarde: “Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.” Marcada na infância pelo silêncio e a solidão, a poetisa completou: “A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade.”

Antes de Cecília, que começou a revelar sua sensibilidade poética aos 9 anos, outros poetas chegaram à mesma conclusão de que a vida é finita, efêmera, transitória, curta demais para realizar nossos sonhos de eternidade. A vida é frágil como a flor, rápida como o vento, incerta como as ondas. Criados de pó, voamos celeremente para o nada.

Os escritores bíblicos usaram uma série de metáforas para expressar a finitude do ser humano. Para Moisés, os homens “são breves como o sono” e transitórios “como a relva” (Sl 90:5). No Salmo 102:11, um poeta hebreu anônimo (talvez Davi) compara seus dias a “sombras”. No salmo seguinte, Davi assinala que o homem “floresce como a flor do campo, que se vai quando sopra o vento” (Sl 103:15, 16). Numa passagem clássica, o profeta Isaías (40:6-8) proclama que “toda a humanidade é como a relva”, que murcha, “e toda a sua glória como as flores do campo”, que caem. No Novo Testamento, Pedro cita Isaías para enfatizar a ideia da transitoriedade (1Pe 1:24), e Tiago (4:14) afirma que a vida é “como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa”.

Entretanto, no mesmo contexto em que reconhecem a fugacidade da vida humana, os escritores bíblicos ressaltam a eternidade de Deus. Por isso, diante da nossa finitude, temos que buscar a infinitude do Criador. É preciso aprender a contar os dias, viver com sabedoria, não se apegar demais ao que é transitório e buscar o que é permanente. Afinal, somente o Senhor do tempo pode colocar a eternidade em nosso coração e a imortalidade em nosso corpo. Se você confiar no Deus infinito, ainda que seja efêmero como a flor, se tornará eterno como os diamantes.

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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Tempos selvagens

"Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis." (2 Timóteo 3:1)

A cultura ocidental, em constante mudança, apresenta uma mistura de valores. Tem coisas boas e outras ruins. Sim, a cultura atual não é 100% má. Apesar de os pessimistas verem apenas o lado negativo, é possível identificar aspectos positivos, como a liberdade, a tolerância às diferenças, a tecnologia e a ciência. Mas há uma coisa que é 100% ruim e continua a piorar: a cultura da impiedade.

Vivendo no 1º século, o apóstolo Paulo olhou para o mundo da época e ficou desolado, pois viu que, com o passar do tempo, a cultura da impiedade tendia a se aprofundar. Em sua segunda carta a Timóteo (3:1-5), ele apresenta um catálogo impressionante das características que marcariam o fim dos tempos. O velho apóstolo queria blindar seu jovem seguidor contra as tendências que via ao redor. Imagine se ele vivesse hoje!

Na paráfrase A Mensagem, a linguagem de Paulo parece ainda mais vívida: “Não seja ingênuo. Tempos difíceis vêm por aí. À medida que o fim se aproxima, os homens vão se tornando egocêntricos, loucos por dinheiro, fanfarrões, arrogantes, profanos, sem respeito para com os pais, cruéis, grosseiros, interesseiros sem escrúpulos, irredutíveis, caluniadores, sem autocontrole, selvagens, cínicos, traiçoeiros, impiedosos, vazios, viciados em sexo e alérgicos a Deus. Eles vão fazer da religião um espetáculo, mas nos bastidores se comportam como animais.”

Note que esses indivíduos “selvagens”, “cínicos” e “vazios” são “alérgicos a Deus”. Gostam do que Deus não gosta, sentem prazer no que Deus abomina, amam o que Deus odeia, priorizam o que Deus despreza, ignoram o que Deus observa, esquecem-se do que Deus lembra. Talvez esse seja o problema principal. Deus faz mal para eles, pois seu sistema imunológico religioso e ético está enfraquecido. Não suportam a santidade. Desejam parecer religiosos, mas não querem ser transformados. Assim, a religião se torna um espetáculo, uma farsa, uma imitação barata.

Uma característica dessa cultura é o amor mal direcionado, voltado para o objeto errado. As pessoas são “amantes” do mundo, não “amantes” de Deus – termo que, em algumas versões, aparece cinco vezes nos primeiros versos do capítulo 3. Voltados para o “eu”, marcados por uma fé distorcida, eles rejeitam a verdade.

Não se iluda, aconselha Paulo. Tempos “selvagens” vêm por aí. As coisas estão piorando. E a melhor maneira de enfrentar a cultura da impiedade é buscar a Escritura inspirada, que é útil para corrigir nossos erros (v. 16) e promove a cultura da piedade. Para um tempo “sem noção”, busquemos a noção para todos os tempos.

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