segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Reinvente a vida

Embora sendo Filho, ele aprendeu a obedecer por meio daquilo que sofreu. Hebreus 5:8

No poema “Reinvenção”, Cecília Meireles escreveu: “A vida só é possível reinventada.” De fato, toda pessoa vitoriosa tem que se reinventar constantemente. Os heróis e campeões são “reinventores”, pois a vida apresenta obstáculos a cada momento. Alguns mudam de profissão, outros mudam de lugar, outros ainda mudam de atitude, mas todos passam por reinvenções.

Uma das palavras que melhor definem a reinvenção da vida é resiliência, termo que entrou para o dicionário da psicologia nas últimas décadas. Resiliência é o poder de recuperar a forma física, emocional e espiritual depois de ter sido esticado, pressionado e torcido durante um período de tensão. É ser jogado na lona pelos golpes da vida, levantar, limpar o sangue do nariz e nocautear o inimigo. É voltar à tona e nadar quando a vida tenta nos submergir no mar das dificuldades. É ter a capacidade de suportar choques sem romper ou danificar permanentemente o sistema.

A pessoa resiliente sofre e enfrenta desafios igual a todo mundo, mas usa as dificuldades para se tornar forte como o aço. Às vezes, essa capacidade emocional, espiritual e moral aparece somente depois de experiências amargas, decepções profundas e exposição a fatores de risco. Nos últimos anos, muitos estudos têm sido feitos sobre o poder da resiliência. Alguns deles sugerem que um ambiente positivo e apoiador ajuda a desenvolver a resiliência. Outros mostram que a resiliência é mais visível num contexto de crise, perda e desvantagem.

Em 1964, o psicólogo Victor Goertzel e sua esposa Mildred escreveram um livro intitulado Cradles of Eminence (Berços da Eminência) no qual estudaram 400 personagens eminentes, como Winston Churchill, Albert Schweitzer e Liev Tolstói, na tentativa de descobrir o que contribuiu para sua excelência. Concluíram que a maioria vinha de um ambiente desafiador. Em 2004, Ted Goertzel, filho do casal, publicou uma nova edição da obra e acrescentou muitos outros nomes mais recentes, como Nelson Mandela, Teresa de Calcutá e Oprah Winfrey, chegando à mesma conclusão.

Na Bíblia, encontramos muitos heróis, como Jó, Abraão, Jacó, José, Moisés, Davi, Elias, Noemi, Rute, Ester, Pedro e Paulo, que tiveram perdas, passaram por crises, sofreram pressões, mas desenvolveram resiliência, deram a volta por cima e conseguiram reinventar a vida. Eles confiaram em Deus e se tornaram exemplos de superação.

O maior exemplo de resiliência do mundo é o próprio Jesus, que sofreu imensamente, morreu, ressuscitou e voltou, glorificado, à sua forma original. Cristo pode ajudá-lo a se tornar resiliente e reinventar a vida.

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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Carro na estrada

"Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino." (1 Coríntios 13:11)

Bem-sucedidos, entrando na meia-idade, Antônio e Angelina haviam construído os fundamentos do lar com oração. No entanto, agora que o filho e a filha estavam na adolescência, os problemas começavam a aparecer. Comportamento imaturo, rebeldia, decisões erradas, displicência com a vida espiritual…

Antônio entrou em pânico. Ele se perguntava: “Será que as coisas podem dar errado mesmo quando os pais fazem tudo certo? Qual é o equilíbrio entre liberdade e controle? Que mundo é este? Onde está a responsabilidade dos jovens?”

Ele não tinha se preparado para essa fase, que chegara muito rápido. Achava que, fazendo o básico, tudo daria certo automaticamente. Contudo, não foi bem assim. Diante dos primeiros desafios, tentou controlar os filhos com zelo excessivo, o que nunca tinha feito, mas as coisas apenas pioraram. Foi então que chegou ao consultório do conselheiro cristão em busca de ajuda. “Socorro!”, parecia estar escrito em seu rosto. Depois de uma hora de conversa, o conselheiro percebeu o que estava acontecendo. Antônio era superprotetor.

O conselheiro explicou que, nessa fase, os pais precisam intensificar a vida de oração, soltar os filhos e supervisionar de longe, estabelecer regras claras, delegar tarefas, cobrar responsabilidade, entender que as criancices são temporárias e saber que, no fim, criar filhos é uma maneira de aprender a confiar mais no poder de Deus e menos em nossas habilidades. “Quando o filho está envolvido em comportamentos autodestrutivos como o uso de álcool e drogas, o controle deve ser retomado com firmeza pelos pais, que precisam agir sem meias medidas”, explicou o conselheiro. “Afinal, como diz um ditado judaico, ‘não enfrente um problema pela metade’. Mas, se não é o caso, então é preciso deixá-los crescer.”

Notando que Antônio ainda não estava convencido, o conselheiro olhou pela janela, apontou para o carro novo do cliente e disse: “Você comprou um carro novo, não é? Você poderia deixá-lo na garagem ou colocá-lo na estrada. Por que resolveu colocá-lo para rodar? ” Antônio entendeu que um filho é igual a um carro novo, que não foi feito para ficar a vida inteira na garagem. Por outro lado, concluiu que não se deixa um carro novo o tempo todo na rua.

Se você tem filhos adolescentes, saiba que um dia deixarão as coisas de meninos. Coloque-os na “estrada” para “rodar” e confie na ajuda divina.

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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O segredo da alegria

Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: alegrem-se! Filipenses 4:4

A alegria no Senhor é força, sustentação, âncora, reserva de ânimo, motivação para viver. Porém, como é difícil cultivar esse estado de espírito! Os amantes do pessimismo e do mau humor parecem ser prisioneiros da “distimia”, um tipo de depressão que se caracteriza, entre outras coisas, pela perda do prazer e pelo sentimento de negatividade.

No entanto, o apóstolo Paulo afirma que devemos nos alegrar “sempre”. Os mais desconfiados poderiam dizer: “É impossível ficar sempre alegre neste mundo cheio de problemas! Será que é isso mesmo que ele quis dizer? Não seria para nos alegrarmos apenas durante o fim de semana?” Para não deixar dúvidas, o apóstolo repete a ordem: “Alegrem-se!”

Outros podem argumentar: “Mas eu trabalho num lugar apertado, quase sem ar, rodeado de pessoas desagradáveis. O apóstolo falou isso porque não enfrentou as dificuldades que eu enfrento.” Pois bem, Paulo estava na prisão quando escreveu Filipenses, carta em que repete 16 vezes as palavras “alegria” e “alegrar-se”. Ele sabia que a alegria não depende do conforto, lugar ou espaço. A alegria está em Deus. E Deus se dispõe a morar em nosso coração. Os cinco segredos do apóstolo para manter a alegria aparecem nos versos seguintes.

Primeiramente, não ande ansioso por coisa alguma, mas apresente tudo a Deus por meio da oração e de ações de graças. Fazendo isso, “a paz de Deus, que excede todo o entendimento”, guardará o seu coração e a sua mente em Cristo Jesus (v. 6, 7).

Em segundo lugar, tenha um padrão de pensamento positivo. Pense a respeito de “tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama”, tudo o que for “excelente ou digno de louvor” (v. 8). Focalizar o lado luminoso da vida deve ser um hábito diário.

Em terceiro lugar, adapte-se às circunstâncias. Paulo disse: “Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade” (v. 12).

Em quarto lugar, tenha a certeza de que Deus lhe concederá poder para enfrentar todos os desafios. “Tudo posso naquele que me fortalece”, diz o apóstolo (v. 13).

Finalmente, acredite que Deus proverá o que você precisa. “O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus” (v. 19).

Você não se alegra focalizando os motivos para tristeza, mas conectando-se à fonte da alegria. Então, alegre-se no Senhor!

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terça-feira, 11 de outubro de 2016

As crianças podem ser felizes?‏

"Até a criança se dá a conhecer pelas suas ações, se a sua conduta é pura e reta." (Provérbios 20:11)

Pode parecer demasiado filosófica, mas a questão é: As crianças podem ser felizes? Alguns estudiosos do comportamento humano dizem que sim e que tudo depende de um bom trabalho de parentalidade positiva por parte dos pais. O processo pode ser árduo mas não é impossível. É preciso seguir alguns princípios básicos, entre eles a liderança empática. Isso significa que eles até podem ser os príncipes e as princesas em casa, mas os reis e as rainhas devem ser os pais.

É preciso ginástica mental e um bom treino para lidar com as birras, as exigências, as respostas obstinadas, as mentiras a que se tem que reagir na pressa da manhã e entre o cansaço do fim o dia, mas no final, a palavra cooperar liga tudo: valores, amor, obediência, crescimento saudável.

Nós pais sabemos que nem sempre os sermões e ralhetes recebidos quando crianças nos ajudaram a ser uma pessoa melhor. É, por isso, importante que os pais vivam honestamente os seus valores e que sejam fiéis àquilo em que acreditam, pois não poderíamos ser melhores modelos para os nossos filhos. É em casa que os miúdos aprendem a ser, a ajudar e cooperar e também a tratarem de si. É em casa que eles aprendem a estar em comunidade e é neste espaço que deverão sentir-se seguros e não ameaçados.

A medição de forças entre pais e filhos não faz sentido. Há uma autoridade parental que tem que ser mostrada e explicada às crianças. A nossa missão é orientá-los no seu crescimento, certos que eles têm o direito de estarem zangados conosco, frustrados ou chateados com alguma decisão que possamos ter tomado. Mas não é por estarem assim que vamos mudar de ideia. Somos empáticos porque percebemos como eles se sentem mas não significa isso que temos de ceder ou fazer-lhes a vontade quando, o melhor para eles, é mantermos a decisão.

Não existem relações perfeitas entre pais e filhos. Perfeição é a possibilidade de estarmos em melhoria contínua e para isso há cinco princípios que ajudam ao processo de construção de uma relação equilibrada e saudável.

O respeito mútuo é um deles. Não é porque eu sou o pai/mãe dos meus filhos que eles me devem respeito. O respeito ganha-se e ensina-se, não é um dado adquirido. Existindo esse respeito, então a relação não precisa de se apoiar nas ameaças e palmadas nem no laisser faire, laisser passer e procura por outras formas de estratégias. Há ainda o vínculo, que se refere à relação que pais e filhos têm entre si. Segue-se a liderança empática, a disciplina e a parentalidade pró-ativa, quando os pais sabem em que fase do crescimento psicológico e emocional os filhos estão. Assim conseguem manter-se tranquilos e preparados para ajudar os filhos.

Aos pais que têm o sentimento de culpa de que poderiam fazer mais e melhor, especialistas aconselham a lembrarem de que andamos muito distraídos, muito cansados, e no limite. E, por isso mesmo, gerimos menos bem o stress e, então, os miúdos acabam sofrendo também.

Seria importante que os pais dessem corpo aos valores que são importantes na sua família. Se quero que o meu filho seja uma pessoa curiosa é importante, então deve sair com ele e levá-lo a conhecer a história da minha cidade, por exemplo. Se quero que o meu filho tenha um estilo de vida saudável, que goste e respeite a natureza, posso levá-lo a passear de bicicleta para uma floresta, trazer folhas e começar um herbário, por exemplo.

Não há processos instantâneos para resolver estas questões. Comportamentos não mudam do dia para a noite. Ninguém nasce ensinado. E quando se conhece estas dicas e as aplicamos, então a cooperação e a mudança de comportamento dos miúdos é quase automática.

Não há casos perdidos quando se fala em educar. O melhor momento pode ser hoje. O importante é renovar a forma como estamos na relação parental e começar, finalmente, a desfrutar dela a 100%. E sim, relações equilibradas, com espaço para negociação são relações saudáveis e penso que é isso que qualquer pai e mãe desejam.

sábado, 8 de outubro de 2016

Deus e as tragédias

"Alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram;" (Romanos 12:15)

O Furacão Matthew fez mais de 842 mortos no Haiti. É este o balanço até o momento em que escrevo. Matthew já chegou à costa dos Estados Unidos e deixa para trás um rasto de destruição. Os números continuam a ser revistos pois em muitas das zonas afetadas, os acessos são muito difíceis e as autoridades não recolheram ainda todos os dados. O Haiti já havia sofrido um terremoto em 2010.

Vejo muitas amigos dando a entender estarem revoltados com Deus com o fato de que centenas de pessoas boas, desprevenidas, cidadãos de bem, foram apanhados numa tragédia e morreram de forma terrível, deixando para trás famílias, filhos, entes queridos. Muitas perguntam, “Onde está Deus quando tudo isto acontece?” “Se Deus é pessoal, soberano, todo-poderoso, onisciente, amoroso e bom, como então podemos explicar a ocorrência das tragédias, calamidades, doenças, sofrimentos, que atingem bons e maus ao mesmo tempo?”

Muito bem, se você se interessa pelas respostas à essas questões, vamos recorrer a um texto escrito por Augustus Nicodemus Lopes, intitulado Carta a Bonfim: Deus e as tragédias. Segundo esse autor, “qualquer tentativa que um cristão que crê que a Bíblia é a Palavra de Deus faça para entender as tragédias, desastres, catástrofes e outros males que sobrevêm à humanidade, não pode deixar de levar em consideração dois componentes da revelação bíblica, que são a realidade da queda moral e espiritual do homem e o caráter santo e justo de Deus.”

Diz assim a carta: [Lemos em Gênesis 1—3 que Deus criou o homem, macho e fêmea, à sua imagem e semelhança, e que os colocou no jardim do Éden, com o mandamento para que não comessem do fruto proibido. O texto relata como eles desobedeceram a Deus, seduzidos pela astúcia e tentação de Satanás, e decaíram assim do estado de inocência, retidão e pureza em que haviam sido criados. As consequências, além da queda daquela retidão com que haviam sido criados, foram a separação de Deus, a perda da comunhão com ele, e a corrupção por inteiro de suas faculdades, como vontade, entendimento, emoções, consciência, arbítrio. Pior de tudo, ficaram sujeitos à morte, tanto espiritual, que consiste na separação de Deus, como a física e a eterna, esta última sendo a separação de Deus por toda a eternidade.

Este fato, que chamamos de “queda,” afetou não somente a Adão e Eva, mas trouxe estas consequências terríveis a toda a sua descendência, isto é, à humanidade que deles procede, pois eles eram o tronco e a cabeça da raça humana. Em outras palavras, a culpa deles foi imputada por Deus aos seus filhos, e a corrupção de sua natureza foi transmitida por geração ordinária a todos os seus descendentes. Desde cedo na história da Igreja cristã esta doutrina, que tem sido chamada de “pecado original”, foi questionada por gente como Pelágio, que afirmava que o pecado de Adão e Eva afetou somente a eles mesmos, e que seus filhos nasciam isentos, neutros, sem pecado, e sem culpa e sem corrupção inata. Tal ideia foi habilmente rechaçada por homens como Agostinho, Lutero, Calvino e muitos outros, que demonstraram claramente que o ensino bíblico é o que chamamos de depravação total e transmitida, culpa imputada e corrupção herdada. As consequências práticas para nós hoje são terríveis. Por causa desta corrupção inata, com a qual já nascemos, somos totalmente indispostos para com as coisas de Deus; somos, por natureza, inimigos de Deus e, portanto, filhos da ira. É desta natureza corrompida que procedem os nossos pecados, as nossas transgressões, as desobediências, as revoltas contra Deus e sua Palavra.

Agora chegamos no ponto crucial e mais relevante para nosso assunto. Entendo que a Bíblia deixa claro que os nossos pecados, tanto o original quanto os pecados atuais que cometemos, por serem transgressões da lei de Deus, nos tornam culpados e, portanto, sujeitos à ira justa de Deus, à sua justiça retributiva, pela qual ele trata o pecador de acordo com o que ele merece. Ou seja, a humanidade inteira, sem exceção – visto que não há um único justo, um único que seja inocente e sem pecado – está sujeita ao justo castigo de Deus, o que inclui – atenção! – a morte, as misérias espirituais, temporais (onde se enquadram as tragédias, as calamidades, os desastres, as doenças, o sofrimento) e as misérias espirituais (que a Bíblia chama de morte eterna, inferno, lago de fogo, etc.).

A Bíblia revela com muita clareza, e sem a menor preocupação de deixar Deus sujeito à crítica de ser cruel, déspota e injusto, que ele mesmo é quem determinou tragédias e calamidades sobre a raça humana, como parte das misérias temporais causadas pelo pecado original e as transgressões atuais. Isto, é claro, se você acredita realmente que a Bíblia é a Palavra de Deus, e não uma coleção de ideias, lendas, sagas, mitos e estórias politicamente motivadas e destinadas a justificar seus autores. De acordo com a Bíblia, foi Deus quem condenou a raça humana à morte no jardim (Gn 2.17; 3.19; Hb 9.27). Foi ele quem determinou a catástrofe do dilúvio, que aniquilou a raça humana com exceção da família de Noé (Gn 6.17; Mt 24.39; 2Pe 2.5). Foi ele quem destruiu Sodoma, Gomorra e mais várias cidades da região, com fogo caído do céu (Gn 19.24-25). Foi ele quem levantou e enviou os caldeus contra a nação de Israel e demais nações ao redor do Mediterrâneo, os quais mataram mulheres, velhos, crianças e fizeram prisioneiros de guerra (Dt 28.49-52; Hab 1.6-11). Foi ele quem levantou e enviou contra Israel povos vizinhos para saquear, matar e fazer prisioneiros (2Re 24.2; 2Cr 36.17; Jr 1.15-16). Foi ele quem ameaçou Israel com doenças, pestes, fomes, carestia, seca, pragas caso se desviassem dos seus caminhos (Dt 28). Foi ele quem enviou as dez pragas contra o Egito, ferindo, matando e trazendo sofrimento a milhares de egípcios, inclusive matando os seus primogênitos (Ex 9.13-14). Foi o próprio Jesus quem revelou a João o envio de catástrofes futuras sobre a raça humana, como castigos de Deus, próximo da vinda do Senhor, conforme o livro de Apocalipse, tais como guerras, fomes, pestes, pragas, doenças (Apocalipse 6—9), entre outros. Foi o próprio Jesus quem profetizou a chegada de guerras, fomes, terremotos, epidemias (Lc 21.9-11) e a destruição de Jerusalém, que ele chamou de “dias de vingança” de Deus contra o povo que matou o seu Filho, nos quais até mesmo as grávidas haveriam de sofrer (Lc 21.20-26). E por fim, Deus já decretou a catástrofe final, a destruição do mundo presente por meio do fogo, no dia do juízo final (2Pe 3.7; 10-12).

Isto não significa, na Bíblia, que o sofrimento das pessoas é sempre causado por uma culpa individual e específica. Há casos, sim, em que as pessoas foram castigadas com sofrimentos temporais em virtude de pecados específicos que cometeram, como por exemplo o rei Uzias que foi ferido de lepra por causa de seu pecado (2Cr 26.19; cf. também o caso de Miriã, Nm 12.10). O rei Davi perdeu um filho por causa de seu adultério (2Sm 12.14). Mas, em muitos outros casos, as tragédias, catástrofes, doenças e sofrimentos não se devem a um pecado específico, mas fazem parte das misérias temporais que sobrevêm à toda a raça humana por conta do estado de pecado e culpa em geral em que todos nós nos encontramos. Deus traz estas misérias e castigos para despertar a raça humana, para provocar o arrependimento, para refrear o pecado do homem, para incutir-lhe temor de Deus, para desapegar o homem das coisas desta vida e levá-lo a refletir sobre as coisas vindouras. Veja, por exemplo, a reflexão atribuída a Moisés no Salmo 90, provavelmente escrito durante os 40 anos de peregrinação no deserto. Veja frases como estas:

Tu reduzes o homem ao pó e dizes: Tornai, filhos dos homens... Tu os arrastas na torrente, são como um sono, como a relva que floresce de madrugada; de madrugada, viceja e floresce; à tarde, murcha e seca. Pois somos consumidos pela tua ira e pelo teu furor, conturbados. Diante de ti puseste as nossas iniquidades e, sob a luz do teu rosto, os nossos pecados ocultos. Pois todos os nossos dias se passam na tua ira; acabam-se os nossos anos como um breve pensamento...

Não devemos pensar que aquelas pessoas que ficam doentes, passam por tragédias, morrem em catástrofes – como os passageiros do vôo AF 447 do Rio de Janeiro a Paris em 2010 – eram mais pecadoras do que as demais ou que cometeram determinados pecados que lhes acarretou tal castigo. Foi o próprio Jesus quem ensinou isto quando lhe falaram do massacre dos galileus cometido por Pilatos e a tragédia da queda da torre de Siloé que matou dezoito (Lc 13.1-5). Ele ensinou a mesma coisa no caso do cego relatado em João 9.3-4. Os seus discípulos levantaram o problema do sofrimento do cego a partir de um conceito individualista de culpa, ponto que foi rejeitado por Jesus. A cegueira dele não se deveu a um pecado específico, quer dele, quer de seus pais. As pessoas nascem cegas, deformadas, morrem em tragédias e acidentes, perdem tudo que têm em catástrofes, não necessariamente porque são mais pecadoras do que as demais, mas porque somos todos pecadores, culpados, e sujeitos às misérias, castigos e males aqui neste mundo.

No caso do cego, Jesus disse que ele nascera assim “para que se manifestem nele as obras de Deus” (Jo 9.3). Sofrimento, calamidades, etc., não são somente um prelúdio do julgamento eterno de Deus; há também um tipo de sofrimento no qual Deus é glorificado por meio de Cristo em sua graça, e assim se torna, portanto, um exemplo e um prelúdio da salvação eterna. As tragédias servem para levar as pessoas a refletir sobre a temporalidade e fragilidade da vida, e para levá-las a refletir nas coisas espirituais e eternas. Muitos têm encontrado a Deus no caminho do sofrimento.

Por último, preciso deixar claro duas coisas. Primeira, que nada do que eu disse acima me impede de chorar com os que choram, e sofrer com os que sofrem. Somos membros da mesma raça, e quando um sofre, sofremos com ele. Segunda, é preciso reconhecer que a revelação bíblica é suficiente, mas não exaustiva. Não temos todas as respostas para todas as perguntas que se levantam quando um acidente destes acontece. Não sabemos, por exemplo, porque foi o vôo AF 447 e não outro que caiu no oceano matando todos os seus ocupantes. Não conhecemos a vida de seus passageiros e nem os propósitos maiores e finais de Deus com aquela tragédia. Só a eternidade o revelará. Temos que conviver com a falta destas respostas neste lado da eternidade. Mas, é preferível isto a aceitar respostas que venham a negar o ensino claro da Bíblia sobre Deus, como por exemplo, especular que ele não é soberano e nem onisciente e onipotente. Posso não saber os motivos específicos, mas consola-me saber que Deus é justo, bom e verdadeiro, e que todas as suas obras são perfeitas e retas, e que nele não há engano.]

Diante disso, temos convicção de que as tragédias ocorrem como parte das misérias e castigos temporais resultantes das nossas culpas, de nossos pecados, como raça pecadora que somos. Pode ser qualquer pessoa reta diante de Deus que esteja no meio das tragédias, ainda assim, Deus não comete qualquer injustiça, pois mesmo esta pessoa é pecadora. Não existem inocentes diante de Deus. Pensemos nisto, antes de ficarmos indignados contra Deus diante do sofrimento humano.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Ensine a criança

"Eduque a criança no caminho em que deve andar, e até o fim da vida não se desviará dele" (Provérbios 22;6)

Chegamos novamente no mês em que se comemora o Dia da criança. Muito temos a aprender para melhor educá-las. Vejam a seguir alguns conselhos de pesquisadores de Harvard.

Nesta era de tecnologia, descobrimos que a educação dos filhos é um pouco diferente dos tempos antes do iPod, iPhone, computadores, Internet, e todos as outras modernidades incríveis que nos consomem. As crianças brincavam nas ruas. Jogavam bola nos campos. Brincavam do lado de fora até que as luzes de rua se acendiam e elas sabiam que tinham que ir para dentro de casa. Nós estamos criando crianças muito diferentes agora do que há vinte ou trinta anos. Mas, talvez seja hora de voltar ao básico.

Este é um mundo novo. As crianças nascidas nessa era automaticamente recebem aparelhos para entretê-las. Mas, aonde estamos errando? Psicólogos da Universidade de Harvard vêm estudando o que torna uma criança bem criada nestes tempos de mudanças. Eles concluíram que existem vários elementos que ainda são essenciais.

Para ensinar bem uma criança existem alguns segredos: Passar o tempo com seus filhos é o primeiro deles. Significa deixar tudo de lado por um tempo, ler um livro, chutar uma bola, caminhar com ele, ou apenas jogar um jogo à moda antiga. Em termos mais simples, isso significa que você interage com sua criança. Estas são as coisas das quais vão se lembrar. Elas vão se esquecer do que você comprou. Só querem passar mais tempo com seus pais.

Fale com eles em voz alta. De acordo com os pesquisadores de Harvard, “Mesmo que a maioria dos pais diga que o cuidado com seus filhos é uma prioridade de tempo, muitas vezes as crianças não estão ouvindo a mensagem”.

Passe tempo com eles para descobrir o que está acontecendo em sua vida. Verifique com professores, treinadores. Descubra se há uma mudança em seu comportamento. Permita que seu filho se sinta confortável para vir e falar com você. Seu filho precisa saber que é a prioridade em sua vida. As crianças necessitam de confirmação através de palavras. As palavras são importantes. Converse com elas e compartilhe suas histórias sobre a escola, trabalhos de casa, amigos, e assim por diante.

Mostre ao seu filho como resolver problemas sem estressar sobre o resultado. Um dos maiores presentes que você pode dar ao seu filho é a capacidade de analisar e resolver problemas. Aos poucos, e dentro de alguns limites, ensine seu filho a decidir por si mesmo o que ele quer. Você não pode resolver seus problemas o tempo todo. É saudável lhe permitir experimentar a vida através de suas próprias lentes, mas tenha cuidado, não se esqueça de estabelecer os limites. Conquistas são importantes e, ao permitir-lhe determinar o que quer, você está o presenteando com a consciência.

Você quer criar um adulto produtivo? Então permita que ele venha até você e compartilhe seus problemas, e oriente-o a fazer as melhores escolhas possíveis. É difícil dar um passo atrás e ver como seu filho cometeu um erro. Mas faz parte da aprendizagem e da evolução da nossa humanidade.

Rick Weissbourd, que conduziu o estudo, diz: “Estamos muito focados na felicidade de nossos filhos. Estamos fazendo-os se concentrarem apenas em casos de sucesso. A pressão para a realização pode ter muitos resultados negativos”, diz Weissbourd, que é codiretor do projeto.

Mostre a sua gratidão a seu filho regularmente. Os pesquisadores dizem que “os estudos mostram que pessoas que praticam o hábito de expressar gratidão são mais propensas a serem úteis, generosas, compassivas, felizes, saudáveis e perdoarem com mais facilidade.” Os pais devem dar tarefas aos seus filhos e, em seguida, expressarem gratidão por suas realizações. É importante que as crianças vejam que a gratidão é um dom notável. Sempre que fizerem algo, honre-as e reconheça-as pelo seu desempenho.

Como pais, é nosso dever ensinar nossos filhos a serem compreensivos e compassivos para com os outros. As crianças aprendem pelo exemplo. Leve-as a um abrigo. Permita-lhes testemunharem como têm sorte de terem uma casa. Ajudar seus filhos é não apenas dar-lhes uma chance de serem adultos surpreendentes, mas também remover o preconceito da intolerância e diferenças. Tudo começa em casa.

Ensine seus filhos a expandirem a sua visão. Isso remonta à mostrar-lhes gratidão. Deixe seu filho experimentar o mundo através de sua compaixão. Os pesquisadores dizem que “quase todas as crianças empatizam e se preocupam com seu pequeno círculo de familiares e amigos.”

Ensine seu filho a ser um bom ouvinte, a interagir sem o uso de tecnologia, ser compreensivo com outras pessoas fora de sua família, e não julgar qualquer pessoa com base em sua religião ou nacionalidade. Estamos em tempos cruciais da evolução humana, e esta nova geração tem a capacidade de mudar o nosso mundo. Expor seu filho a diferentes culturas ajuda a desenvolver uma pessoa amorosa, gentil e feliz.

Você é responsável por criar almas amorosas. Ajude-as a navegarem neste mundo através da compaixão, amor e bondade.

“Criar uma criança respeitosa, carinhosa e ética sempre foi um trabalho árduo. Mas é algo que todos nós podemos fazer. E nenhum trabalho é mais importante ou mais gratificante”.