segunda-feira, 26 de setembro de 2016

A questão do feminismo

“Marido, ame a sua esposa, assim como Cristo amou a Igreja e deu a sua vida por ela” (Efésios 5:25)

Diante da Bíblia, o feminismo é certo ou errado? Sobre o assunto, uma leitora me escreveu que “o problema do feminismo é que os homens cristãos acham que sabem exatamente qual é o jeito de tratar as mulheres. Não fazem nenhuma autocrítica ou reflexão sobre isso. Para muitos homens cristãos, eles podem pecar em qualquer outro aspecto da vida, menos nesse. Eles sabem exatamente qual é o jeito de tratar as mulheres. Nunca erraram, nunca erram, nunca errarão. Cometem qualquer pecado, menos esse”. Eu a respondi que, na verdade, muitos homens são os verdadeiros culpados pelo feminismo nesse sentido que ela relatou, porque não amam as suas esposas como Cristo amou a igreja. E eles irão responder diante de Deus pelas suas atitudes más. Se todos os homens cumprissem o seu dever bíblico de marido e pais, certamente a grande maioria dos problemas na vida familiar poderiam ser evitados.

Mas existem outras questões com relação ao feminismo que os homens não são parte ativa. Segundo o Pe Paulo Ricardo, a sociedade moderna está mergulhada no conceito de igualdade. Cada vez mais luta-se para equiparar o homem à mulher e vice-versa. Se a igualdade pretendida fosse em relação aos direitos civis, cuja necessidade é inegável, não seria, de fato, um problema. Porém, o que acontece é que esta sociedade moderna, eivada do relativismo cultural, quer transformar a mulher no novo homem e o homem na nova mulher, invertendo e pervertendo os valores mais elementares.

Deus criou o homem e a mulher em igual dignidade, mas quis que houvesse uma diferença entre os dois sexos. Esta diferença em “ser homem” e “ser mulher” faz com que exista uma complementariedade entre eles. Foram criados por Deus para formarem um conjunto, não um se sobrepondo ao outro, mas em perfeita sintonia um com outro. Lutar contra esse projeto, fazendo com que a mulher tente, por todos os meios, ocupar o lugar do homem é lutar diretamente contra o projeto de Deus, contra a natureza humana.

A liberação sexual promovida pelos métodos anticoncepcionais, longe de trazer a sensação de igualdade entre o homem e mulher, transformou a mulher numa máquina de prazer, pois agora ela sabe que pode ter uma vida sexual ativa sem a consequente gravidez. Não precisa ter compromisso com o parceiro, não precisa sentir-se segura ou amada. Ledo engano. O que se vê são cada vez mais mulheres frustradas, depressivas, ansiosas, correndo contra o tempo para manterem-se jovens, pois nada mais têm a oferecer que não o invólucro. É verdade que muitas delas tornam-se amantes do trabalho e assim se realizam profissional e financeiramente. Não obstante, olham para trás e percebem que ainda estão incompletas.

A liberdade da mulher, na verdade, transformou-se numa prisão. Hoje, elas se veem presas a estereótipos ditados pela agenda feminista, cujo maior objetivo é destruir a essência da mulher, igualando-a ao homem. Transformando seus úteros em lugares estéreis e varrendo para debaixo do tapete o instinto natural da espécie: a maternidade. Infelizmente, nesse sentido o feminismo não é bíblico.

Portanto, urge que cada mulher, criada à semelhança de Deus, recupere o seu lugar na Criação. Que a mulher seja mulher em toda sua plenitude! E que marido, ame a sua esposa, assim como Cristo amou a Igreja e deu a sua vida por ela. 

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Uma nova etapa em minha vida

“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.” (2 Timóteo 4:7)

Quando Paulo se aproximava do final do seu ministério apostólico, ele escreveu ao irmão e amigo Timóteo a segunda carta da qual constava a frase acima. Com essas três metáforas, Paulo sinalizou o fim do seu ministério. Sua preocupação não era a de que ele havia sido bem-sucedido, mas, em vez disso, que ele havia sido fiel ao seu Senhor. 

Tendo essa frase em mente, quero comentar sobre um dia especial que parecia distante, mas que chegou com muita rapidez. Foi o dia 19/9/2016, data em que eu encerrei a minha carreira como servidor do Banco Central do Brasil e parti para uma nova etapa em minha vida. Fiz isso olhando aquele órgão público pelo retrovisor e comparando-o a um lindo jardim. Lembrei que as plantas não florescem, nem dão frutos sem que sujemos nossas mãos e derramemos o nosso suor para plantá-las e cultivá-las. Esse jardim é o presente que juntamente com demais colegas de trabalho ajudamos a construir para o Brasil. 

Na despedida, deixei um texto com meus colegas onde dizia que estava saindo realizado e com muita satisfação. Que com orgulho poderia afirmar que o Banco Central, ao contrário de alguns órgãos públicos, não costuma frequentar manchetes de jornais devido a atos ilícitos, corrupção, improbidade administrativa e outros delitos praticados por seus servidores. Disse também que é muito difícil deixar o convívio diário com quem você gosta e tem prazer em estar junto. Eu manifestei a minha gratidão pela dedicação e entusiasmo com que todos vêm construindo uma instituição cada vez melhor, mais eficiente e mais útil à sociedade. 

Certamente, os valores organizacionais daquela casa são motivos de alegria para todos os seus servidores. Fazer parte daquele time foi motivo de honra. Lembrei-os de que as pessoas passam pela Instituição, mas as suas contribuições permanecem. Estava saindo de cabeça erguida e com a sensação de dever cumprido.

Confessei a eles a minha amizade sincera, a minha gratidão e o meu muito obrigado de coração a Deus e a todos com quem tive a oportunidade e satisfação de compartilhar a agradável jornada de 23 anos. Deixei também dois pensamentos de autores que muito admiro e que procuro colocar em prática no dia-a-dia:

"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isto existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis"! (Fernando Pessoa)

"Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade". (Mário Quintana)

Prometi a eles que continuaria fazendo parte do time, mas na plateia, torcendo pelo sucesso de cada um e por uma instituição que cumpre de forma eficaz a missão tão importante para nosso País. O sucesso daquela casa continuará sendo também o meu sucesso. Que sejam preservados os princípios e os prestígios tão duramente conquistados.

Enfim, dei um abraço caloroso em cada um dos presentes na festinha de despedida. Foi difícil conter a emoção. A vontade era de continuar e fazer muito mais, principalmente no momento em que estamos vivenciando mudanças na direção política e econômica da nossa Nação. Mas a vida passa, a fila anda, e nós devemos seguir o caminho olhando sempre para frente.

Assim como Paulo, a minha preocupação hoje não é a de que tenha sido ou não bem-sucedido em minha carreira, mas que eu seja fiel ao meu Senhor em todas as minhas atitudes.

domingo, 11 de setembro de 2016

O cristão deve ser conservador

"Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão." (Mateus 24:35)

Quando Jesus Cristo discorria no Sermão da Montanha sobre os últimos acontecimentos que antecederiam a sua volta, ele deixou claro que seus discípulos deveriam ser mais cautelosos com os falsos pregadores e mestres, para que ninguém os enganasse com ensinamentos não bíblicos. Um dos maiores sinais da volta de Cristo é o abandono do conservadorismo, prática que está sendo largamente aceita hoje nas igrejas. Os sinais são passageiros, mas a palavra de Deus permanece. É isto que Cristo quis dizer quando proferiu a frase que é subtítulo desse artigo.

Se você escolheu ser um cristão genuíno, você escolheu ser conservador. Infelizmente para muitos cristãos hoje em dia essa é uma péssima notícia, porque "o termo 'conservador' denota a adesão a princípios e valores atemporais, que devem ser conservados a despeito de toda mudança histórica. O conservadorismo é um termo usado para descrever posições político-filosóficas, alinhadas com o tradicionalismo e a transformação gradual, que em geral se contrapõem a mudanças abruptas (cuja expressão máxima é o conceito de revolução) de determinado marco econômico e político-institucional ou no sistema de crenças, usos e costumes de uma sociedade." (Wikipédia)

Segundo Ciro Sanches Zibordi, autor do livro "Evangelhos que Paulo jamais pregaria", muitos cristãos da atualidade não podem nem ouvir o termo “conservador”. Associam-no a farisaísmo, legalismo, fanatismo e posturas extremistas quanto a usos e costumes. Pensam que o conservador é aquele crente retrógrado, inimigo de tudo o que é novo, que parece viver em seu “mundinho”, como se pertencesse a uma religião ascética. Entretanto, à luz da Palavra de Deus, todo salvo em Cristo deve ser conservador. Por quê? Porque conservar, do ponto de vista bíblico, não significa ter uma falsa santidade, estereotipada, que faz dos usos e costumes a causa, e não o efeito. Antes, implica observância à sã doutrina, a qual nos leva a ter santidade interna e externa. Em 2 Timóteo 1.13 está escrito: “Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e na caridade que há em Cristo Jesus”. A Bíblia nos manda guardar, conservar, o que temos recebido do Senhor (1 Timóteo 6.20; 2 Timóteo 1.14). E, para as igrejas da Ásia que estavam agradando ao Senhor Jesus, Ele transmitiu mensagens que implicavam manutenção, conservação (Apocalipse 2.25; 3.11). 

"Pôs o elmo de salvação sobre sua cabeça" (Isaías 59:17) 
Mas, por que muitos não querem ser conservadores? Ser conservador não é apenas ter aparência de piedade (Colossenses 2.20-22), tampouco se isolar da sociedade. Jesus, o Homem mais santo que andou na terra, não se afastava dos pecadores (Lucas 5.32; João 2.1-11). Ele ensinou que a nossa luz deve brilhar em meio às trevas (Mateus 5.16). Ser conservador também denota reter o bem, manter o que é bom, verdadeiro (1 Tessalonicenses 5.21). E sabemos que as verdades da Palavra de Deus são inegociáveis, porém isso não significa que devamos abrir mão das estratégias lícitas de evangelização (1 Coríntios 6.12; 9.22). O verdadeiro conservador não é legalista ou coisa parecida. Ele não é um fanático, um estereótipo de crente, tampouco se opõe a tudo o que é novo (Eclesiastes 7.16,17; 1 Tessalonicenses 5.21). Ele apenas protege a sua cabeça com o capacete da salvação, guardando-a das incertezas e dúvidas provocadas pelo modismo desses últimos dias. (Efésios 6:17)

Por outro lado, o conservador também não é como alguns crentes da atualidade, os quais desprezam o fato de o Senhor atentar para a globalidade do ser humano, pensando que Ele não se preocupa com o nosso exterior. O Senhor olha para a nossa totalidade: espírito, alma e corpo, nessa ordem (1 Tessalonicenses 5.23). Mas, a bem da verdade, enquanto alguns crentes afirmam que têm liberdade para fazerem o que bem entendem, deixando de observar a santificação plena, existem aqueles que consideram tudo pecaminoso. Estes também estão enganados, posto que ignoram o fato de os mandamentos de Deus não serem pesados (1 João 5.3), sendo a sua vontade agradável (Romanos 12.2) e o seu fardo leve (Mateus 11.30). A Palavra do Senhor condena o extremismo (Eclesiastes 7.16,17), inclusive o extremismo político recheado de palavras de ordem. Por isso, as igrejas que se prezam conservam a verdade; guardam e cumprem a Palavra de Deus (João 14.23; Apocalipse 3.8,10). Não são legalistas, exigindo dos seus membros uma santificação inatingível, posto que Deus respeita as nossas limitações, como disse o salmista, inspirado pelo Espírito: “ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó” (Salmos 103.14).

Deus deseja que todos os cristãos verdadeiros conservem o modelo das sãs palavras (João 14.23; Apocalipse 1.3; 3.8; Salmos 119.11), a santidade e a pureza (Apocalipse 3.4), a boa consciência (1 Timóteo 1.19; 3.9), a fé (2 Timóteo 4.7,8) e, sobretudo, o poder do Espírito Santo (1 Tessalonicenses 5.19). Mas há uma nova geração, formada por cristãos não-chamados ou desviados da verdade que querem um evangelho fácil, baseado na graça barata, sem mudança exterior, “sem religiosidade”, como dizem. E esses buscam mudanças (Provérbios 24.21) e consideram os cristãos conservadores ultrapassados, retrógrados ou legalistas. Temos visto de um lado cristãos seguidores do legalismo, que condenam pessoas sem misericórdia. De outro, estão aqueles que desprezam a sã doutrina; que “vivem e deixam viver”. Será que os cristãos da nova geração sabem que igreja de Cristo nasceu conservadora? Ah, eles ouviram falar... Mas não querem saber de passado. Eles querem uma igreja moderna, sem limites! Para eles, por que não usar a dança de rua e o funk dentro das igrejas, já que são grandes atrativos para a juventude? E isso já está acontecendo em algumas pseudo-igrejas. Uso esse termo contundente porque tenho convicção de que a verdadeira igreja de Cristo não aceita esses injustificáveis modismos.

Essa nova geração de cristãos não quer ser conservadora. Prefere pregar mensagens de autoajuda, que agradam os ouvidos (2 Timóteo 4.1-5), e não a mensagem da cruz (1 Coríntios 1.18-22). Tais cristãos, em geral muito jovens, mas também neófitos — pois há muitos jovens de valor! —, são insubmissos à Palavra. Entram na igreja, mas a igreja não entra neles. Alguns sequer são eleitos por Deus. Muitos apoiam o abortismo, o gaysismo, o feminismo, o desrespeito às leis e autoridades, dentre outros modismos. Existem aqueles que, se pudessem, alterariam o texto bíblico para adaptá-lo aos seus interesses. Mas para esses está escrito: "Se alguém lhes acrescentar algo [às palavras da profecia], Deus lhe acrescentará os flagelos descritos neste livro. Se alguém tirar alguma palavra deste livro de profecia, Deus tirará dele a sua parte na árvore da vida e na Cidade Santa." (Apocalipse 22:18-19)

Muitos chegam ao absurdo de classificar esses modismos de avivamento. Avivamento não é buscar inovações — ainda que haja boas inovações. Mas, sim, renovação; implica recuperar o que foi perdido, (Lamentações 5.21; 2 Crônicas 29.20-36). Se as igrejas atuais quiserem continuar sendo igrejas que fazem a diferença neste mundo tenebroso, precisam ser conservadoras, equilibradas, biblicocêntricas (Provérbios 4.26,27). Afinal, embora a Palavra de Deus não exija nada além do que de fato possamos fazer, também não ensina as pessoas a viverem uma vida libertina, sem regras. “Faze-me andar na verdade dos teus mandamentos”, disse o salmista (Salmos 119.35).

sábado, 10 de setembro de 2016

Esquerdismo e o comportamento do cristão

“E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.” (Gênesis 6:5)

Recentemente comecei a reparar nas manifestações de rua e redes sociais uma certa mágoa por parte daqueles que se sentem prejudicados com a troca de governo. A insistência em continuar titulando o processo de impeachment como golpe, mesmo com todos pareceres jurídicos contrários, o medo do retrocesso cultural e da volta do conservadorismo, a falsa alegação de ameaça à democracia, dentre outras manifestações, fez me perceber a necessidade de aprofundar mais o estudo sobre o que venha ser o esquerdismo e qual a sua influência no comportamento do cristão.

Encontrei um artigo que aponta que pessoas de esquerda são mais inteligentes que as de direita. Embora não concorde com a afirmação, esses estudiosos concluíram em sua publicação no Journal of Psychological Science que “as habilidades cognitivas são fundamentais na formação de impressões de outras pessoas e na abertura da mente. Indivíduos com menores capacidades cognitivas gravitam em torno de ideologias conservadoras que mantêm as coisas como elas são, porque isso lhe dá um senso de ordem”. Entretanto, é notório que os esquerdistas têm dificuldade em transformar essa inteligência em algo prático para a sociedade. É possível facilmente observar pela história que as grandes inovações criadas pelo homem não tiveram origem em países que adotaram o esquerdismo. Os países socialistas e comunistas são os que possuem indústrias menos pujantes, embora possam ter boas escolas e universidades. Sob a ótica da democracia, observa-se que a maioria das ditaduras foram ou são de esquerda.

Por outro lado, deparei-me com algo interessante no livro The Liberal Mind: The Psychological Causes of Political Madness. Nele, o autor e psiquiatra forense Lyle Rossiter explica de forma acadêmica as causas psicológicas do esquerdismo, mostrando todas as questões ligadas à formação da personalidade. Rossiter classifica os esquerdistas em dois tipos: benignos e radicais. Os radicais são aqueles cujas ações causam dano a outros indivíduos. De qualquer forma, os esquerdistas benignos – que seriam os moderados – dão sustentação aos esquerdistas radicais. Pude notar que ambos não possuem comportamentos condizentes com os princípios bíblicos.

The Liberal Mind traz o primeiro exame profundo da loucura política mais relevante em nosso tempo: os esforços da esquerda radical para regular as pessoas desde o berço até o túmulo. Isso é exatamente o oposto da democracia que tanto pregam. Segundo o psiquiatra, “para salvar-nos de nossas vidas turbulentas, os esquerdistas radicais recomendam a negação da responsabilidade pessoal; incentivam a auto piedade e outro-comiseração; promovem a dependência ao Estado; pregam a indulgência sexual; racionalizam a violência; não reconhecem publicamente os erros cometidos; justificam o roubo como parte da luta contra os capitalistas opressores; ignoram a grosseria; prescrevem reclamação e imputação de culpa de seus erros a outrem; denigrem o matrimônio e a família; legalizam todos os abortos; etc. Já os menos radicais desafiam a tradição social e religiosa como forma de se opor ao status-quo; declaram a injustiça da desigualdade; se rebelam contra os deveres da cidadania, principalmente àqueles que se referem ao respeito às autoridades constituídas. Por fim, ambos apoiam uma total inversão de valores culturais, mesmo quando estes são derivados de princípios bíblicos.

O político de esquerda, geralmente populista, promete: garantir o bem-estar material de todos; fornecer saúde e educação para todos; proteger a autoestima de todos; corrigir todas as desvantagens sociais e políticas, assim como eliminar todas as distinções de classe. Em outras palavras, esse político, com a ajuda da mídia,  promete uma sociedade utópica como se fosse possível estabelecer um “céu” aqui na terra.

A partir dos anos 70, muitos cristãos de boa fé se enveredaram pela Teologia da Libertação, um movimento inclusivista de teologia política, que engloba várias correntes de pensamento que interpretam os ensinamentos de Jesus Cristo em termos de uma libertação de injustas condições econômicas, políticas ou sociais. O cristão verdadeiro sabe que Jesus Cristo não prometeu solução para os problemas sociais, pelo contrário, ele disse que no mundo teríamos aflições (João 16:33). Somente por meio da salvação oferecida por Jesus Cristo é que o homem chegará ao céu. Nenhum outro pode prometer justiça social simplesmente porque “não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; e não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos.” (Romanos 3.10-18)

O radicalismo, e aqui incluo todo tipo, com suas ações ataca os fundamentos da liberdade civilizada. Dadas as suas metas irracionais, métodos coercitivos e fracassos históricos, juntamente aos seus efeitos perversos sobre o desenvolvimento do caráter, não pode haver dúvida da existência da irracionalidade no radicalismo. Só uma agenda irracional defenderia uma destruição sistemática dos fundamentos que garantem a liberdade organizada. Sem levar em consideração a questão religiosa, apenas um homem irracional iria desejar que o Estado decidisse sobre sua vida, ao invés de exigir que este crie condições de segurança para que o próprio homem possa fazê-lo. Só uma agenda irracional tentaria, deliberadamente ou não, desincentivar o crescimento do cidadão por meio dos seus próprios esforços, sem depender eternamente do Estado. Em uma sociedade democrática, composta por pessoas livres e competitivas, só um irracional iria visualizar uma comunidade composta por vítimas exploradas por vilões exploradores.

É bem verdade que a humanidade se encontra sob total depravação, mas só Cristo pode curá-la. O cristão verdadeiro sabe disso. “Quem do imundo tirará o puro? Ninguém” (Jó 14:4). Também chamada de “corrupção total”, esta depravação indica que toda criatura humana, em sua condição atual, ou seja, após a queda, é caracterizada pelo pecado, que a corrompe e contamina, incluindo a mente. Por isso, afirma-se que ninguém é capaz de realizar o que é verdadeiramente bom aos olhos de Deus. Em contrapartida, o ser humano é escravo do pecado, por natureza hostil e rebelde para com Deus, espiritualmente cego para a verdade, incapaz de salvar a si mesmo ou até mesmo de se preparar para a salvação. Se há injustiça social, somente a intervenção direta de Deus pode mudar a situação. A oração e a pregação do Evangelho são as melhores contribuições que cristão pode dar à sociedade. Essas armas são incomparavelmente mais eficientes do que palavras de ordem contra o governo.

Portanto, as ações humanas voltadas para melhorar o mundo sem a intervenção divina são totalmente incompatíveis com os preceitos bíblicos e estão fadadas ao fracasso. “Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem” (Marcos 7:21-23). O homem por si só jamais endireitará o próprio homem, mas Jesus Cristo sim.

sábado, 3 de setembro de 2016

PT e Cristianismo: Uma união impossível

“Pois tu formaste os meus rins; entreteceste-me no ventre de minha mãe. Eu te louvarei, porque de um modo tão admirável e maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.” (Salmos 139:13-14)

Já faz algum tempo que o Partido dos Trabalhadores, o PT, tem mostrado com toda a clareza o que é, o que pensa, o que faz e o que pretende fazer. Quem possui a fé cristã, e conserva ainda que uma mínima capacidade de raciocínio, consegue perceber a total incompatibilidade entre cristianismo e petismo. Já dizia o Papa Pio XI que ninguém pode ser ao mesmo tempo católico e comunista, nem mesmo católico e socialista, pois os fundamentos da fé cristã e seus princípios se opõem diametralmente aos princípios das doutrinas comunista e socialista.

Basta abrir os olhos e ver o que o PT tem feito e defendido para se concluir que o pensamento e a prática desse partido são contrários à nossa fé.

O PT tem como metas e programa de governo, entre outras coisas:

1) a legalização do aborto; 
2) o “casamento” de homossexuais; 
3) a liberalização da maconha e outras drogas; 
4) a criminalização da “homofobia”. (Uma pessoa que fale contra o homossexualismo poderá ser presa) 


Tudo isso, sem contar a aprovação em 2005 da Lei de Biossegurança, que foi sancionada pelo presidente Lula, que permite a destruição de embriões humanos, a pretexto de se fazer pesquisas científicas, reduzindo o ser humano a uma cobaia ou rato de laboratório. Sem contar ainda, toda a já comprovada roubalheira do governo petista que armou o maior e mais vasto sistema de corrupção que já existiu na história do Brasil.

Por tudo isso, não é possível ser cristão e petista ao mesmo tempo, como não é possível ser cristão e ateu ao mesmo tempo, como não é possível ser cristão e macumbeiro ao mesmo tempo… Pois ninguém pode servir a dois senhores. Um cristão que queira ser coerente com sua fé não pode se filiar, votar ou apoiar este partido e quem quer que seja que por ele se candidate ou nele permaneça, pois todas essas idéias e ações não são o pensamento de um ou outro petista, mas sim o ensinamento e o programa do partido. Se alguém diz ser contrário ao aborto, ao casamento de homossexuais e à liberação da maconha, por uma questão de coerência e princípio deve abandonar o PT e/ou partidos similares, que levantam estas bandeiras, pois se aí permanece, prova que compartilha as mesmas metas por conivência ou é um oportunista.

O que realmente comprova que um cristão é fiel a Cristo, e à Santa Igreja nos assuntos acima referidos, é defender a vida de maneira incondicional, e jamais fazer parte de ou permanecer em uma organização ou partido que sejam contrários a quaisquer princípios da fé que professamos.

Muitos políticos, militantes e simpatizantes do petismo ou de partidos comunistas, alegam a sua presença ou apoio a este partido citando o apoio direto ou indireto de alguns padres ou bispos a esse partido. A esses devemos lembrar sempre a palavra de Nosso Senhor que diz que um cego não pode guiar outro cego. Se há padres ou mesmo bispos mal orientados que, em contradição com os ensinamentos de Cristo e da Igreja, assumem uma atitude de apoio a partidos abortistas e gaysistas, nós em consciência não devemos neste ponto segui-los, pois, como dizia o Papa João Paulo II, um cristão não pode ser favorável ao aborto de nenhum modo, nem apoiá-lo pelo seu voto, ajudando a elevar ao poder um partido contrário à vida. Deus está ativo na vida de um ser humano desde quando no útero de sua mãe. 

O petismo e o comunismo em geral são quase uma religião que em suas premissas se opõem ao cristianismo. Não se pode apoiar o projeto deste partido a pretexto das coisas boas que faz ou diz fazer, uma vez que nega às crianças por nascer o mais fundamental dos direitos, que é o direito à vida, e atenta contra a sacralidade da família, defendendo o gaysismo e “uniões alternativas”, querendo equipará-las à família criada e santificada por Deus.

Se alguém, apesar de estar consciente de tudo isso, quiser ficar ou apoiar o PT ou candidatos pertencentes a esse partido, deveria ao menos ter a hombridade de rasgar o batistério e deixar a Igreja de Cristo em paz.

Pe. Rodrigo Maria