quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Escravas dos olhos

“Portanto, se o seu olho direito faz com que você peque, arranque-o e jogue-o fora. Pois é melhor perder uma parte do seu corpo do que o corpo inteiro ser atirado no inferno” (Mateus 5:29) 
 
Toda essa polêmica na França do BURKINI, me fez lembrar de um programa desses de péssima qualidade que temos no Brasil (que tem dançarinas atrás), o apresentador trouxe uma burca e vestiu em uma das dançarinas do programa. Todos ficaram indignados ao ver como uma mulher tinha que se vestir naqueles países de religião muçulmana. Alguns entrevistados falavam: “é um absurdo uma mulher ter que se submeter a este tipo de veste por causa de uma religião” e uma mulher que estava perto de mim falou “elas se tornaram escravas por causa dos olhos dos homens”.
 
Mesmo não concordando de forma veemente com o jeito de vestir que a religião exigem das mulheres muçulmanas, pensando bem, não sei se o Brasil é muito diferente. Acho que são dois lados de uma mesma moeda!

Eu sempre entendi que, na história, as mulheres “pagaram o pato” por causa dos homens. Por causa dos olhos, ou melhor, da mente dos homens, quem tinha que mudar era sempre a mulher. Até porque, Jesus não falou: se o teu olho te faz pecar, arranque o que você viu e te tentou e, olhe de novo!

Lembro-me de um acampamento, quando era adolescente, onde as meninas só podiam ir para a piscina de maiô e camiseta. Eles alegavam que se não fosse assim, estariam induzindo os homens a pecar. Na entrada da piscina tinha uma placa grande: Só é permitido roupa de banho de uma peça (maiô)! Eu e os meus amigos brincávamos: Eba! Então vai ter topless!!!

Mas por outro lado, temos que entender que esta escravidão das mulheres por causa dos olhos dos homens pode refletir de outra forma.

Voltando ao programa de TV, como era patético ver as outras dançarinas seminuas, indignadas por existirem mulheres que se vestem daquele jeito por causa de uma sociedade machista que imprime na mulher o jeito que ela tem que se vestir para ser aceita. Elas mal perceberam que aqui no Brasil a base do problema é a mesma, só que se reflete de forma contrária.

Dançarinas de programas de auditório, funkeiras, atrizes nuas nas novelas, series da Netflix e uma infinidade de profissões, refletem a escravidão da mulher no Brasil que tem que mostrar o corpo para ser valorizada. Não percebem que a sociedade capitalista machista em que vivemos, fala com palavras bem claras: Mulher boa é mulher que tira a roupa!

Quando a dançarina do programa tirou a burca e ficou com sua sainha minúscula e seu bustiê, aí sim todos nós sentimos que ela voltou a ser livre de novo, livre de ser uma escrava dos olhares dos homens, livre de uma sociedade machista escravizadora.

Mas parando para pensar, lá no fundo da alma, me pergunto. Será mesmo?

Por Marcos Botelho

domingo, 21 de agosto de 2016

Vida abundante

“O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10:10)

Esse verso hoje em dia tem sido muito usado para embasar pensamentos errôneos de pessoas que querem moldar o significado da Palavra de Deus ao que eles querem e não ao que a palavra de Deus quer.

Com esse pensamento muitos têm afirmado que Deus quer que Seus servos tenham uma vida em abundância. Concordo que Deus quer isso para a vida de Seus servos, o problema é que as definições para essa “vida abundante” não estão no texto bíblico e muitas pessoas interpretam além daquilo que Deus comunicou na Palavra.

Algumas afirmam que vida em abundância é ter muito dinheiro, não passar por problemas na saúde, cobrar de Deus as promessas e determinar a Deus aquilo que se quer. Muitas perguntam como alguém pode ter uma vida abundante em meio a um desconforto? Não é incomum encontrarmos pessoas frustradas, pois creem que na vida do crente só acontecem coisas boas. E como nem sempre suas vidas estão uma maravilha, então vivem frustradas.

Mas será que essa é a vida abundante que Jesus disse que as Suas ovelhas teriam por causa da Sua vinda? Sabemos que qualquer interpretação correta de um texto deve considerar o contexto anterior e posterior ao que foi dito para que a mensagem do autor não fique prejudicada. Assim, fica evidente que para interpretarmos corretamente essa “vida abundante” citada por Jesus, precisamos achar o significado no contexto.

Veja que interessante o que Jesus diz no verso imediatamente anterior (V.9): “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem” (João 10.9). Aqui está a nossa resposta. Quando Jesus diz no verso 10 que veio para que tivéssemos vida, está relacionando isso ao contexto em que acabou de afirmar. Ou seja, vida é igual a salvação. Jesus diz que essa vida seria uma vida abundante (v.10). Essa abundância está relacionada ao encontrar as pastagens citadas no verso anterior (V.9). 

O mais belo versículo do Salmo 23 diz: “Deitar-me faz em pastos verdejantes; guia-me mansamente a águas tranquilas” (Salmos 23:2). Para o rebanho de ovelhas pastos verdejantes é sinônimo de comida farta. Para os servos de Deus pastos verdejantes é sinônimo de fartura espiritual, porque nós devemos fixar a nossa atenção não nas coisas que podem ser vistas, mas nas coisas que são invisíveis. O que pode ser visto dura apenas por um tempo, mas o que não pode ser visto dura para sempre, conforme escrito em 2 Coríntios 4:18.

Portanto, não existe no contexto qualquer embasamento para afirmarmos que vida em abundância é qualquer coisa além da salvação e de uma vida com Deus, vida essa que conquistamos pela graça do próprio Deus derramada sobre nós através da obra de Jesus Cristo (a porta) realizada em nosso favor. Essa é a verdadeira vida em abundância apontada no texto.

Evidentemente que não pretendo afirmar aqui que seja errado que o crente busque a Deus pela sua boa saúde e que tenha prosperidade financeira. Deus também nos agracia com estas coisas. O erro está em afirmar que são essas coisas que representam a vida em abundância de um crente verdadeiro. Existem crentes verdadeiros que não têm riquezas e às vezes nem uma saúde das melhores, mas representam exemplos claros de pessoas com vidas abundantes na presença de Deus.

Lembremos dos exemplos de Paulo que foi fiel, mas acabou na prisão; João Batista que foi decapitado. Milhões de pessoas fiéis foram martirizadas, perderam tudo ou chegaram ao fim da vida sem nenhuma “bênção material para mostrar”.

“A vida em abundância não tem nada a ver com a abundância material. A fidelidade a Deus não garante o sucesso em uma carreira ou mesmo no ministério” (Rick Warren) 

domingo, 14 de agosto de 2016

ComPAIxão

O Senhor me disse: Você é meu filho; hoje eu me tornei seu pai. (Salmos 2:7) 

“Papai, meus coleguinhas dizem que os pais deles são heróis”, mas eu digo que eu tenho dois pais heróis e que os homenageio todos os dias. Parabéns papai! 

Todos nós passamos por algum tipo de perda em algum momento de nossas vidas. Quando isso acontece, procuramos um braço amigo para nele encontrarmos abrigo. Na maioria das vezes, é o nosso pai que nos oferece alegremente os seus braços. Quase sempre nos recorremos a ele porque ele tem comPAIxão. 

Quando uma criança perde um brinquedinho, ela corre para os braços do papai, na esperança de que o probleminha seja resolvido. Quando um adolescente perde a medalha nos jogos olímpicos da escola, ele corre para os braços do pai, na certeza de neles encontrar o alento. Quando um jovem está apaixonado, ele corre para os braços do pai, à procura de uma estratégia de conquista. Enfim, para muitos, o pai é o refúgio em todo tempo. Assim, ele sempre merece o nosso carinho e atenção. 

Felizes são aqueles que ainda podem contar com os serenos braços de seu papai para neles descansar, na certeza de ali estarem seguros, de ali estar o seu refúgio, a sua torre, a sua fortaleza. Mais felizes ainda são os que confiam no Pai celestial, pois assim podem ter a certeza de que jamais estarão sós. 

Parafraseando o salmista, os que são filhos de Deus podem dizer: 

O Pai é o nosso refúgio e a nossa força, socorro que não falta em tempos de aflição. Por isso, não teremos medo, ainda que a economia seja abalada, e as riquezas caiam nas profundezas do oceano. Não teremos medo, ainda que os corruptos se agitem e rujam, e os medrosos tremam violentamente. 

Há uma atitude que alegra a casa do Pai. O Pai vive na sua casa, e ela nunca será destruída; todos os dias, Ele a protegerá. As pessoas ficam apavoradas, e os líderes políticos ficam indecisos. O Pai age, e todos o procuram. 

O Pai Todo-Poderoso está do nosso lado; Ele é o nosso refúgio. Venham, vejam o que o Pai tem feito! Vejam que coisas maravilhosas ele pode fazer por vocês! 

Ele pode acabar com as revoltas no mundo inteiro; pode quebrar os aviões de guerra, despedaçar os mísseis e destruir as armas. Ele diz: “Parem de lutar e fiquem sabendo que eu sou o Pai. Eu sou o Pai de todos, o Pai do mundo inteiro.” Esse é o Pai Celestial que com sua grande comPAIxão diz agora assim para você: 

“Vem filho amado / Vem em meus braços descansar / E bem seguro te conduzirei / Ao meu altar / Ali falarei contigo / Com meu amor te envolverei / Quero olhar em teus olhos / Tuas feridas sararei / Vem filho amado / Vem como estás” (Diante do Trono) 

Você pode estar passando por um momento difícil. Digo a você, com toda sinceridade, que o melhor lugar como refúgio são os braços do Pai Celestial. Neles você pode se deleitar no conforto da sua Palavra. Corra agora para os braços do Pai Celestial!

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

A união entre povos

“Pela sua morte na cruz, Cristo destruiu a inimizade que havia entre os dois povos. Por meio da cruz, ele os uniu em um só corpo e os levou de volta para Deus” (Efésios 2:16)

O Movimento Olímpico utiliza símbolos para representar os ideais consagrados na Carta Olímpica. O símbolo olímpico mais conhecido, os anéis olímpicos, é composto por cinco anéis entrelaçados representando a união dos cinco continentes habitados. A versão colorida dos anéis, azul, amarelo, preto, verde e vermelho sobre um fundo branco, forma a bandeira olímpica. As cores foram escolhidas porque cada nação tinha pelo menos uma delas em sua bandeira nacional. A bandeira foi adotada em 1914, mas foi hasteada pela primeira vez apenas em 1920 nos Jogos Olímpicos de Antuérpia, na Bélgica. Desde então, é hasteada em cada celebração dos Jogos.

Pierre de Frédy, mais conhecido como Barão de Coubertin, foi um pedagogo e historiador francês que ficou para a história como o fundador dos Jogos Olímpicos da era moderna. Os ideais de Coubertin são melhores expressos no juramento olímpico:

“A coisa mais importante nos Jogos Olímpicos não é vencer, mas participar, assim como a coisa mais importante na vida não é o triunfo, mas a luta. O essencial não é ter vencido, mas ter lutado bem”

Os Jogos Olímpicos da era moderna foram idealizados para competição entre atletas por meio de diversas modalidades esportivas. Mas bem que poderiam também ser utilizados para a confraternização entre os povos. Ocorre que essa tão sonhada confraternização jamais será possível. Não existe o “espírito olímpico” como querem fazer crer a mídia internacional.

Sob a manchete “Perdeu a luta e o espírito olímpico”, o Jornal O Globo noticiou que na Rio2016, o judoca egípcio Islam El Shehaby (+100kg) protagonizou uma das cenas mais constrangedoras destes Jogos Olímpicos. Após perder sua primeira luta por ippon para o israelense Or Sasson, ele se recusou a cumprimentar o adversário. Para piorar, Islam estava saindo do tatame sem fazer o cumprimento final.
Islam (de azul) esperou o israelense deixar a área de competição para, então, voltar e fazer o cumprimento final sob olhar de reprovação do árbitro. A atitude lhe rendeu uma vaia fenomenal na Arena Carioca 2.

Dias antes da luta, Shehaby — conhecido por suas opiniões contrárias à Israel — foi pressionado por compatriotas nas redes sociais a não aparecer para lutar com o adversário. Inicialmente, a mídia internacional noticiava que o egípcio abandonaria a luta, fato que não se concretizou.

Esta não é a primeira vez que um judoca israelense passa por uma cena constrangedora no torneio. A judoca Joud Fahmy (52kg), da Árabia Saudita, não apareceu para sua luta, no último domingo, para o confronto contra a romena Christianne Legentil.

Segundo o comitê olímpico de seu país, a judoca não compareceu ao tatame porque estava com lesões nas pernas e nos braços, que teriam acontecido durante o treinamento.

No entanto, jornais israelenses afirmam que o motivo teria sido outro. Caso passasse de fase, a árabe teria que enfrentar a israelense Gili Cohen na fase seguinte. E, devido as discordâncias políticas entre os dois países, a judoca preferiu evitar o confronto. A israelense, que era cabeça de chave, acabou perdendo para a romena.

Na Cerimônia de Abertura, atletas da delegação do Líbano já haviam recusado a dividir ônibus com atletas israelenses.

Não existe espírito olímpico. Algo impessoal e criado por homens não pode reformar almas. Apenas o Espírito Santo pode quebrar paredes preconceituosas e racistas entre seres humanos. Isso transcende os homens, pois só o Criador da humanidade pode fazê-lo.

É isso que Paulo quis dizer no capítulo 2 de Efésios. Havia naquela época uma inimizade entre os judeus e os não-judeus. Como é sabido, essa inimizade existe até os dias de hoje, mas não é por falta de solução proposta pelo Criador.

O mundo precisa crer Jesus Cristo acabou com a lei, juntamente com os seus mandamentos e regulamentos que separavam os povos; e dos dois formou um só povo, novo e unido com ele. Foi assim que ele trouxe a paz. (Efésios 2:15)

Se o mundo crer nesse ato de Cristo, certamente cenas como as dos dois judocas podem ser evitadas. Não somente entre aqueles dois povos, mas entre todos os povos do mundo.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

A história de dois atletas

"Vocês não sabem que de todos os que correm no estádio, apenas um ganha o prêmio? Corram de tal modo que alcancem o prêmio" (1 Coríntios 9:24)

Várias vezes, Paulo se referiu à vida cristã como uma corrida. Assim, amigo, você e eu somos atletas na corrida da vida. Mas a grande questão é: Por que corremos? E com ela vem outra pergunta interessante: Como corremos?

Os Jogos Olímpicos de 1924, sediados em Paris, França, foram caracterizados por dois atletas maravilhosos, ambos ingleses. Tratava-se de homens determinados; sua história, mais estranha do que qualquer ficção, deu origem ao clássico Carruagem de Fogo. Um deles, Harold Abrahams, era cabeça quente. Apesar de o pai dele, que era investidor, ser um homem muito rico, e apesar de Abrahams ter sido aceito para estudar na Universidade Cambridge, escola da elite, ainda sentia que tinha muito a provar, tanto ao mundo quanto a si mesmo. Abrahams era judeu e extremamente sensível a qualquer menosprezo, real ou imaginário, a qualquer sinal ou sugestão que indicasse que ele não fosse um verdadeiro inglês. Em vez de ceder às pressões sociais ou simplesmente suportar ser tratado com menosprezo, Abrahams levava o caso até as últimas consequências. Ele se tornou o melhor atleta da Inglaterra e conquistou o ouro olímpico.

Ao norte, nas Montanhas Escocesas, um atleta de características totalmente diversas também se preparou para ser o atleta mais rápido do mundo. Eric Liddell, filho de missionários na China, havia retornado à terra natal dos pais. Cristão devoto, ele se comprometeu a voltar ao campo missionário na China, mas apenas depois de testemunhar de sua fé na pista de atletismo.

Os dois foram selecionados para fazer parte da equipe olímpica britânica e partiram para a França com elevadas expectativas. Os anos em que Abrahams se submeteu a rígidos treinos compensaram: ele ganhou a prova dos 100 metros rasos, casou-se com uma linda atriz e teve uma vida boa, sendo respeitado e admirado.

Mas para Eric o sonho olímpico se tornou um pesadelo. Ele ficou gripado dois dias antes da competição dos 100 metros e havia tomado um medicamento proibido pela equipe antidoping. Eric sofreu uma terrível pressão para competir, mas permaneceu firme na sua convicção de que seria desleal correr com aquela substância ativa em seu organismo. A esperança de conquistar o ouro olímpico foi embora. Surgiu, então, um raio de esperança – não para os 100 metros, mas para os 400 metros. Liddell não havia se preparado para correr essa distância, mas decidiu participar da corrida e venceu, sendo aclamado por todos.

Amigo, por que você corre? E como? Você corre com a certeza de que está sendo leal aos princípios morais e éticos recebidos de Deus pela sua infinita graça? Corramos de tal forma que alcancemos o prêmio da soberana graça de Deus.

sábado, 6 de agosto de 2016

Queremos felicidade

“Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados” (Mateus 5:4)

O termo “bem-aventurado” significa mais do que o estado emocional representado pela palavra “alegre”. Ele inclui um bem-estar espiritual, baseado na aprovação de Deus e, desse modo, antecipando um destino mais do que alegre, ou seja, feliz, conforme descrito nos Salmos 1. 

Ontem, após a abertura dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, percebi nas redes sociais a grande manifestação de pessoas que se diziam “felizes” porque o Brasil mostrou para o mundo a criatividade do seu povo por meio daquela linda e exuberante festa. Nós realmente estávamos precisando de um momento glorioso para levantar a autoestima. Então comecei a pensar o quanto somos bons para fazer festa, embora estejamos em meio a tantos problemas sócio-político-econômicos.

Todos nós queremos ser felizes, não queremos apenas ser alegres. Felicidade e alegria são emoções diferentes. A felicidade independe da alegria, embora ambas se complementem. Por isso, uma pessoa que chora pode ser feliz. Por outro lado, nem todos que se alegram são felizes. Ontem estávamos alegres com a festa, não significando necessariamente que estávamos felizes.

A alegria depende das circunstâncias. Em geral está ligada a um fato ou ação positivos, ao êxtase e ao momento presente. Um dia podemos estar alegres e no outro tristes. Podemos estar alegres, por exemplo, por uma criança que nasce. Consequentemente, podemos estar tristes quando perdemos um ente querido. Porém, em ambas as situações podemos ser felizes.

A felicidade é perene, está ligada à confiança – em Deus, para os cristãos – e a um sentimento de paz interior. Independe das circunstâncias, não é passageira, fugaz. O contexto do verso acima indica que “os que choram” estão chorando por causa do pecado e do mal, especialmente os deles mesmos, e também por causa da falha da humanidade em dar glória a Deus apropriadamente. No entanto, Jesus afirmou que mesmo assim eles são bem-aventurados. 

Vivemos numa época em que as pessoas confundem os dois conceitos. O secularismo nos ensina que para ser felizes temos que estar alegres em todo instante, e evitar a todo custo a tristeza. E assim, saímos pelo mundo em busca de momentos que nos deixam em êxtase. Muitos encontram a alegria nas compras, nos shows, nas baladas, no sexo desenfreado, nas drogas, e em outras coisas mais. Entretanto, não encontram a tão almejada felicidade, porque se esquecem de que esta transita em uma dimensão sobrenatural.

A palavra “bem-aventurado” é repetida nove vezes no Sermão da Montanha, onde é possível entender que mais do que ser alegre, o bem-aventurado é útil, prestável, bem-sucedido na vida espiritual. Pelo decorrer do texto, podemos tomar estas “bem-aventuranças” como quadro do progresso espiritual de uma alma.

Naquela ocasião, antes de anunciar os preceitos do reino, Jesus apontou que ser “bem-aventurado” é ser mais do que alegre. O verso 4 é bem claro. “Significa ser enriquecido por Deus, e esse enriquecimento é no caráter, não nas possessões. É 'o que sou', e não 'o que tenho', que me torna verdadeiramente enriquecido ou bem-aventurado” (Goodman).

Portanto, mais do que alegria momentânea e fugaz, queremos a bem-aventurança e a felicidade que só Jesus Cristo pode dar. O nosso Brasil precisa melhorar em alguns quesitos para que sejamos um povo realmente feliz.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Olhando para o Alvo

"Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que Lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus." (Hebreus 12:2)

Em 1954, nos Jogos do Império Britânico, em Vancouver, na corrida de 1.600 metros, dois grandes atletas competiam: Roger Bannister e John Landy. Landy, na frente, era seguido por Bannister, a uma curta distância. Os dois campeões se aproximavam da chegada. A multidão se levanta eletrizada. Landy sabia que seu competidor estava logo atrás, buscando alcançá-lo, mas onde estava ele?

Precisamente antes da chegada, Landy volta sua cabeça para localizar o competidor. Bannister, aproveitando esse momento psicológico, arremessou-se pelo outro lado, num último esforço. Uma estátua em Vancouver perpetuou esse instante no granito. Ela retrata um atleta rompendo com o peito a fita de chegada, enquanto o outro, a centímetros de distância dele, tem sua cabeça voltada para trás. Ele esquecera o alvo e preocupara-se com quem vinha atrás, por isso perdera a corrida.

Hebreus 11 menciona uma "nuvem de testemunhas" formada por veteranos da mesma corrida como que encorajando seus sucessores. Hebreus 12:1 desafia os que correm a deixar toda distração de lado. O verso 2, então, enfatiza o maior de todos os estímulos: "olhando para Jesus". Apenas três palavras, mas nelas está o segredo da vida.

Precisamos seguir em frente, olhando sempre para Jesus nas Escrituras. Olhando para Jesus crucificado como nosso substituto. Olhando para Jesus ressuscitado para encontrar segurança em Seu nome. Olhando para Jesus glorificado como nosso advogado. Olhando para Jesus revelado pelo Espírito Santo para, em comunhão com Ele, ter a purificação de nosso coração poluído e receber a iluminação de nossas trevas. Para experimentar a transformação da vontade rebelde e desenvolver resistência para enfrentar os assaltos do mundo, da carne e do diabo.

Venceremos olhando para Jesus, não para nós mesmos nem para nossos pensamentos, desejos e propósitos. Para Jesus, não para a piedade. Para Jesus, não para a posição na igreja ou para as doutrinas que professamos. Para Jesus, não para os irmãos, pois ao seguir seres humanos podemos errar o caminho. Para Jesus, não para os obstáculos da jornada. Para Jesus, não para tesouros temporais. Para Jesus, não para os pecados. Para Jesus, não para a lei. Para Jesus, não para as provações, a depressão ou as tristezas.

Como prosseguiremos? Olhando para Jesus hoje, outra vez e sempre! Ele é o nosso Alvo.