sexta-feira, 29 de julho de 2016

Punição: uma retribuição necessária

"Se os justos recebem a punição que merecem na terra, quanto mais o ímpio e o pecador!" (Provérbios 11:31)

Como um cristão, eu, certamente, acredito em punição. A justiça bíblica exige que os indivíduos sejam tidos por responsáveis. Em toda a história do Israel antigo, transgredir a lei de Deus era convidar punição rápida, específica e certa. Quando uma lei era quebrada, o desequilíbrio resultante só podia ser corrigido quando o transgressor fosse punido e “pagasse” por seu erro. Vejamos a questão do estupro, tão comum ainda nos tempos modernos.

[Estupro é indubitavelmente uma abominação. Não conheço um só homem ou mulher que considere qualquer caso de violência sexual como algo natural, desejável ou benigno. Não. Bem, ao menos essa é a realidade no Ocidente. Cultura de estupro, como gritam por aí as feministas, é o que verificamos entre islâmicos, para os quais mulheres que andam sozinhas na rua ou sem cobrir o corpo como eles consideram ser devido estão “disponíveis” e “pedindo” por assédio. Isso sem falar na taharrush, a “brincadeira” comum em países islâmicos e cada dia mais frequente na Europa (vide réveillon da Alemanha) que consiste em vários homens cercarem mulheres na rua xingá-las, roubá-las, espanca-las, tocá-las indevidamente e, sim, estuprá-las.

Mas o feminismo surgido a partir da terceira onda (anos 60, inspirado pelos pensadores da nova esquerda) é algo curioso (e contraditório): não dão nenhum pio sobre os estupros coletivos cometidos na Suécia e na Alemanha por imigrantes, mas pregam que a totalidade dos homens no Ocidente é culpada por cada estupro individual registrado. Natural, o pensamento de esquerda é coletivista, então a culpa é coletivizada de modo a se adequar ao espantalho de homem criado pelo feminismo.

Eis que um caso abominável despertou a ira das feministas pelos motivos errados. 33 homens estupraram uma adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro. E o que eu leio entre esquerdistas e isentões de plantão? "A culpa é dos homens!" "Isso é causado por uma sociedade patriarcal e conservadora!" "Esses homens não são doentes, eles se sentem no direito de estuprar mulheres" "É a cultura do estupro". Não, nada disso cabe na situação!

Diferente do mantra “todo homem é um potencial estuprador”, homens abominam o estupro. Acuse um homem de estuprador no meio da rua e veja se ele não será linchado em poucos minutos pela revolta e pelo asco popular. Solte um estuprador na cadeia em meio a assassinos, ladrões e traficantes e observe quanto tempo ele resistirá sem ser espancado e sodomizado por seus pares. A monstruosidade de um estupro é tamanha que nem mesmo outros criminosos a toleram. Homens que estupram são, antes de tudo, perversos, não necessariamente maníacos ou psicopatas no sentido clínico, mas, inegavelmente, são perversos. 33 homens não estupraram uma mulher somente por acharem ter o "direito" de estuprar mulheres apenas por elas serem mulheres. 33 homens estupraram uma mulher por serem pervertidos, o que ainda conta com o inquestionável agravante de estarem em bando.

Por outro lado, essa ênfase em culpabilizar homens como um todo, desperta-me a atenção para outro ponto importantíssimo: enquanto esquerdistas e isentões acusam uma coletividade imaginária de culpabilizar a vítima (o que não vi ninguém fazer, pois estupro não é algo justificável), eximem os indivíduos realmente culpados por tamanha barbaridade. Mais grave ainda: esses que culpam o espantalho da masculinidade são os mesmos que esperneiam vigorosamente sempre que se tenta aprovar leis que visam endurecer a punição de criminosos, sobretudo dos que cometem crimes hediondos. Duvido que não existam menores de idade envolvidos no estupro coletivo! Mas o que a esquerda dirá? Que um barbado de dezesseis anos não sabe o que está fazendo? Que é uma vítima da sociedade por ter crescido em um ambiente pouco acolhedor, sem acesso à educação e blá blá blá? Não! O que cria monstros não é a pobreza, mas impunidade, a falta de rigor das leis (o que, ademais, é extremamente preconceituoso com a ampla maioria dos pobres e miseráveis).

Vocês que pregam a inimputabilidade para crimes hediondos com base em idade, cor da pele ou renda é que são os verdadeiros culpados das atrocidades nossas de cada dia, sejam elas estupros, homicídios, latrocínios, whatever. São vocês, herdeiros de Marcuse e outros pensadores da nova esquerda que pregavam a ascensão do lumpemproletariado (ou lumpesinato, ou seja, os que estão à margem da sociedade, os excluídos ou que se sentem excluídos) para fazer a tão sonhada revolução, os verdadeiros culpados por cada barbárie que presenciamos.

É importante ainda ressaltar que, falar em "cultura do estupro" no ocidente é o mesmo que promover a banalização do estupro. A partir do momento em que se equaliza uma cantada tosca e grosseira à barbaridade da violência sexual, está-se tripudiando da dor das verdadeiras vítimas e questionando a gravidade do terror ao qual estas foram submetidas. A propósito, não são apenas as mulheres que temem andar sozinhas nas ruas tarde da noite ou em qualquer horário em locais de pouco movimento. Homens também temem e muito por sua segurança, pois vivemos em um país no qual cerca de 60.000 homicídios são registrados por ano! E são homens os mais vitimizados por homicídios e latrocínios.

Não precisamos de feminismo e trigger warnings para nos defender de maníacos e outros monstros a solta. [...] Não vai ser saindo nua em praça pública com "ser vadia é ser livre" pixado no peito que se vai intimidar estupradores. Precisamos de punição ágil e dura para os que cometem crimes.] (Thais Gualberto)

Embora os sociólogos modernos tomem a ofensiva diante deste conceito elementar de retribuição, a punição é essencial. Se justiça significa cobrar a dívida de alguém, então a justiça é negada quando a punição merecida não é recebida. E no final das contas, isto arruína o papel de alguém como um ser humano moral, responsável…

Neste sentido bíblico, a punição não é apenas justa, mas muitas vezes redentiva – para o ofensor, para a vítima, e para a sociedade como um todo. (Extraído da obra The God of Stones and Spiders, de Charles Colson)

domingo, 24 de julho de 2016

Viver é perigoso

A minha vida está sempre em perigo, mas não me esqueço da tua lei. Salmo 119:109

Paisagem do sertão tatuada na alma, buritis plantados no peito, sabedoria disfarçada de curiosidade, escondendo para revelar e revelando para esconder, fingindo que nada sabe e desconfiando de muita coisa, criando significados de cada som, ele encantou e ainda encanta. No dizer de Carlos Drummond de Andrade, João era “tudo escondido, florindo como flor é flor, mesmo não semeada”, “mapa com acidentes deslizando para fora”, que “guardava rios no bolso, cada qual com a cor de suas águas”.

João Guimarães Rosa era assim, enigmático e misterioso, mas sempre um guia cheio de sensibilidade. Com sua prosa inventiva, especialmente na voz do jagunço Riobaldo, personagem do romance Grande Sertão: Veredas, o escritor mineiro nos avisou mais de uma vez: “Viver é perigoso!” Disse mais: “Viver é muito perigoso… Porque aprender a viver é que é o viver mesmo… Travessia perigosa, mas é a da vida.” E continua: “Viver – não é? – é muito perigoso. Porque ainda não se sabe.”

Sim, viver é muito perigoso, porque você vai encontrando coisas desconhecidas pela frente, porque pode ser assediado pelo fracasso, porque pode ser dominado pela desilusão, porque o tempo é mais curto do que os sonhos, porque o fim poder vir antes do começo, porque você pode perder e não reencontrar a fé, porque pode ter mais tristezas do que alegrias, porque pode não saber o caminho, porque pode ser ferido pelas pedras e pelos espinhos, porque pode não entender direito quem você é, porque o inimigo está espreitando em cada curva, porque pode não perceber que Deus está lá esperando por você.

Viver é muito perigoso, mas não viver é ainda mais. Jogar é muito perigoso, mas ficar sentado é ainda mais. Andar de avião é muito perigoso, mas não viajar é ainda mais. Abrir-se para o mundo é muito perigoso, mas fechar-se para a vida é ainda mais. Dormir é muito perigoso, mas ficar com insônia é ainda mais. Trabalhar é muito perigoso, mas ficar ocioso é ainda mais. Relacionar-se é muito perigoso, mas isolar-se é ainda mais. Apaixonar-se é muito perigoso, mas não amar é ainda mais. Casar é muito perigoso, mas continuar sozinho é ainda mais. Ter filho é muito perigoso, mas matar o DNA é ainda mais. Viver é muito perigoso, mas morrer é ainda mais.

Você tem medo de viver? Apesar de todos os perigos, você pode viver com segurança se encontrar refúgio no abrigo do Senhor, se buscar paz no santuário celestial, se verificar o caminho no mapa da eternidade, se seguir as indicações das placas, se convidar o anjo para ser o companheiro de jornada, se confiar a alma ao protetor da vida. Viver é muito perigoso, mas não viver é ainda mais perigoso. Viver é perigoso se você tiver medo de viver.

domingo, 10 de julho de 2016

Consumismo é desespero

“Não ameis o mundo nem o que nele existe. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo: as paixões da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens não provém do Pai, mas do mundo”. (1 João 2:15-16)

Flávio Gikovate é confidente de alguns dos empresários e executivos mais bem-sucedidos do país. Na sua entrevista denominada de “O consumismo da elite é desespero” concedida à Revista Época, o psiquiatra fala sobre as angústias da elite que frequenta seu consultório e o estresse do mundo moderno. Nessa conversa, ele analisa a gastança dos brasileiros ricos, mas de um ponto de vista diferente da moda que impera hoje. Por incrível que pareça, podemos observar algumas verdades bíblicas importantes, embora expressa de maneira involuntária pelo psiquiatra.

Em primeiro lugar, ele responde a uma moça que lhe havia perguntado se era possível ser feliz sendo pobre. Ele cita estudos de Harvard que mostram que se faltar dinheiro para o básico – saúde, comida – provavelmente o indivíduo não consegue ser feliz. Algum para o supérfluo pode até ser importante, mas a partir de um ponto para cima ele pode atrapalhar bastante. O consumismo é muito mais fonte de infelicidade do que de felicidade, disse. “O prazer trazido é efêmero, uma bolha de sabão – e em seguida vem outro desejo. Ele gera vaidade, inveja, uma série de emoções que estão longe de qualquer tipo de felicidade. E tudo vira comparação”. 

Interessante ler ele comentar que, a liberdade sexual advinda com a chegada da pílula anticoncepcional e a emancipação sexual dos anos 60 prometia “adoçar” as pessoas com o lema “Faça amor, não faça guerra”, mas, em vez disso, trouxe infelicidade. Sexo e amor são coisas diferentes. Segundo Gikovate, é triste ver que os ideólogos daquela revolução estavam totalmente errados porque a emancipação sexual aumentou a rivalidade entre os homens e entre as mulheres, criou um clima de competição e atiçou tudo que tinha de ruim no ser humano. Foi um agravador terrível do consumismo. Em países de Terceiro Mundo – e, intelectualmente, aqui no Brasil é quase Quarto Mundo –, a elite só piorou nesse tempo. É uma elite medíocre, ignorante, esnobe. Na Europa e nos EUA, o exibicionismo da riqueza é muito menor. Na Europa, as pessoas consomem qualidade, não quantidade. Elas têm uma bolsa cara, mas não várias bolsas, para fazer disputa. Aqui há um comportamento subdesenvolvido e medíocre. E totalmente competitivo. As festas de casamento e de 15 anos são patéticas. A próxima festa tem de ser maior. Isso é sem fim. É sofrimento, é infelicidade. A quantidade e o volume com que as pessoas correm atrás dessas coisas é desespero.

Segundo o psiquiatra, desde o início, o erótico está acoplado ao consumismo. Nos anos 20, foi preciso introduzir novos produtos que não tinham a ver com necessidades, como o xampu. A ideia que tiveram foi acoplar um desejo natural a um desejo que se queria criar. Então botavam uma mulher de cabelos "bonitos" para vender xampu. O consumismo sempre esteve relacionado ao erótico, não ao romântico. O romântico é o anticonsumismo. As boas relações amorosas levam as pessoas a uma tendência brutal ao menor consumismo. A verdadeira revolução, se vier, vai estar mais ligada ao amor do que ao sexo.

Flávio, que há pelo menos 30 anos atende algumas das pessoas mais bem-postas do país, explica que entre o mundo dos ricos e o do povo as diferenças são pequenas. Os conflitos são sentimentais, mais do que sexuais. Problema de família, briga de irmãos. Empresários têm muitos problemas de sucessão. O pai tem dificuldade de soltar a rédea e o filho tem a frustração de estar com 40 anos e não ter assumido os negócios. Outras vezes são problemas de ordem financeira, mesmo. O cara está indo mal, fica angustiado, tem os problemas familiares que derivam disso. Tem as tensões societárias, etc. Administrar uma empresa é complicado, quando vai bem tem problema, quando vai mal tem problema. 

As pessoas dizem que não são escravas do dinheiro, mas são escravas do trabalho, o que é a mesma coisa, pois trabalho é dinheiro. E isso gera estresse. O estresse vem da ameaça, então, numa empresa em que você é cobrado o tempo todo, vive com medo de ser demitido, cria um clima muito mais grave de ameaça que o necessário. As pessoas ficam com o pensamento acelerado e isso empobrece a reflexão. Tem-se a sensação de que o tempo ficou curto, de que estão sempre devendo alguma coisa. A pessoa se sente sempre em falta com um livro que não leu, um filme que não viu, o bem que não adquiriu, uma festa que não participou. 

É preciso esvaziar a cabeça. É preciso haver uma libertação desse mundo. Se a vida fosse um pouco menos competitiva, seria possível abrir mão de muitos remédios psiquiátricos. 

Outra análise que pode ser polêmica refere-se às grandes transformações de que a humanidade precisa. Segundo o psiquiatra, elas “estão ligadas à mudança no papel da mulher”. Quando cursava faculdade, disse, havia 78 homens e duas mulheres. Hoje, as faculdades têm em média 60% de mulheres. É porque os homens estão mais folgados e as mulheres, mais guerreiras. Mas isso vai dar numa série de desequilíbrios, segundo Gikovate. Não sei se as mulheres vão gostar de sustentar os homens, nem se os homens vão gostar de ser sustentados. No ambiente de trabalho não tem problema nenhum, ao contrário, muitos empresários acham que as mulheres trabalham melhor. Mas em casa vai dar problema. Como faz para ter filho? Quem vai cuidar? Como vai terminar isso, ninguém sabe. A verificar. Mas não pense que é uma variável desprezível. A independência econômica da mulher desequilibra em muito o mundo.

A maior felicidade das pessoas ainda é quando conseguem estabelecer vínculos amorosos de qualidade no que fazem. Tanto faz ser executivo ou não. Muitos invertem, fazem aquilo que dá dinheiro, não o que amam. Gostar do que se faz e ter uma boa parceria sentimental talvez sejam as duas principais fontes de felicidade nesse nosso mundo. Entretanto, é bom ter sempre em mente que “se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens” (1 Coríntios 15:19)

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Caminho da felicidade

"Não declines nem para direita nem para a esquerda, retira o teu pé do mal". (Provérbios 4:27)

A palavra mal no original hebraico é beliya’al. Significa destruição. O conselho divino de hoje é: “retira o teu pé da destruição.”

Embora o ser humano de nossos dias tenha diante de si uma infinidade de caminhos, do ponto de vista bíblico, só existem dois: o bem e o mal, a felicidade e a destruição, a vida e a morte. Rejeitar um, implica de maneira natural aceitar o outro. Ninguém pode permanecer na neutralidade.

O provérbio de hoje, é o clímax do capítulo quatro que apresenta os benefícios de viver com sabedoria. A sabedoria provê vida (v. 3), proteção (v.6), prosperidade (v.8), vida longa (v.10) e evita tropeços (v.12).

Viver com sabedoria é andar no caminho que conduz a felicidade. Todos os seres humanos desejam ser felizes. Por que muitos chegam ao fim da jornada e descobrem que desperdiçaram a vida tentando ser feliz? Para ser feliz não basta desejar, é preciso achar o caminho. Este não pode ser estabelecido pela criatura, finita e limitada por sua própria humanidade. A fonte de informação precisa ser absoluta, concreta e ilimitada. Essa Fonte é Jesus.

Quando ele esteve nesta terra, Tomé lhe perguntou: “Como saber o caminho?” E Jesus respondeu: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” João 14:4 e 5.

Andar no caminho é andar com Jesus. Todos os dias, a toda hora, sempre. Não olhar nem para esquerda nem para a direita, significa não soltar seu braço poderoso, não se afastar dele nem perdê-Lo de vista. Tê-Lo presente nas diferentes atividades da vida.

Viver de outro modo é caminhar rumo a autodestruição. Este é um caminho sedutor, imperceptível e dissimulado. Viver sem Cristo é entrar no mundo de sombras, confusão, tristeza e desespero.

Hoje é um dia para rever os passos. Para onde estou indo? O que motiva as minhas ações? Quais são as intenções íntimas por trás das palavras socialmente aceitáveis que meus lábios pronunciam? Preciso retirar o meu pé do mal?

Encare os desafios deste novo dia. Sem temor. Com a certeza de que sua vida e seus projetos estão nas mãos de Deus