terça-feira, 28 de junho de 2016

O seu é melhor

"Bebe a água de tua própria cisterna e das correntes do teu poço" (Provérbios 5:15)

Desejar o que pertence ao vizinho é próprio da natureza humana. Se algum dia você se surpreender desejando algo alheio, não se assuste. Isso é prova de que você é apenas um ser humano.

O problema começa quando você permite que esse desejo faça ninho em sua cabeça e tome conta do seu coração. Existem pessoas que podem cair até no perigoso terreno da obsessão.

A ambição é saudável desde que seja o anelo de alcançar um alvo na vida. Uma pessoa sem ambição entra no terreno da mediocridade e mergulha de cabeça no fracasso. Empoeirado e enferrujado, envelhece sem ter chegado a lugar nenhum, após ter dado voltas e mais voltas em torno dos seus lamentos e queixumes.

Quando a ambição transforma-se no desequilibrado desejo de querer tudo para si, você está diante de uma doença, que trás frustração e amargura. Ninguém precisa lutar contra os outros. Não faça da vida uma competição contra rivais que só existem em sua mente. O mundo é vasto e existe um universo de oportunidades para todos. Cada um pode realizar seus sonhos, sem atrapalhar os sonhos alheios. Permita-se ser feliz com a vitória dos outros.

A cobiça é uma doença da alma. O remédio não está apenas nas mãos de um psicólogo porque não é só uma alteração da mente. É uma ferida do espírito precisa do médico divino.

O livro de provérbios é uma coleção de conselhos dados por Deus para uma vida plena e saudável. O Senhor não esta preocupado somente com o seu corpo, mas com todas as áreas de sua vida, e Ele sabe que quando a criatura é dominada pelo vírus da cobiça, não pode ser feliz. A vida transforma-se na permanente dor de achar que o que os outros possuem é melhor. Deixa de observar e desfrutar as coisas belas da vida para concentrar-se em admirar as consecuções de todo mundo, menos as bênçãos que recebeu de Deus.

Jesus quer que você seja feliz. Quer curar as feridas ocultas do coração, que ninguém vê, e ninguém conhece, mas que sangram, incapacitando-o de ser um ser humano realizado e próspero.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

O sucesso está mudando

"Não acumuleis para vós outros tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde ladrões arrombam para roubar. Mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde a traça nem a ferrugem podem destruir, e onde os ladrões não arrombam e roubam..." (Mateus 6:19-20)

Tradicionalmente, o que se convencionou chamar de sucesso é medido pelo fato de ter casa própria e carro. Mas isso já não é mais assim. A cada dia, aumenta o número de jovens que optam em não adquirir este tipo de bens.

Diversos estudos especializados mostraram que cada vez menos pessoas da chamada ’geração Y’ (que hoje têm cerca de 30 a 35 anos) compram casa. Sem falar no número ainda menor de interessados em adquirir um automóvel. Na realidade, eles não fazem quase nenhum tipo de gasto grande, sem contar os iPhones, é claro.

Nos Estados Unidos, jovens de até 35 anos são conhecidos como ’a geração dos alugadores’. Por que isso acontece? Alguns sociólogos têm certeza de que os jovens de hoje estão mais atentos, sabendo que podem enfrentar crises financeiras e, por isso, temem fazer grandes financiamentos.

Mas isso não é o principal. O fundamental é que a ’geração Y’ se diferencia da geração de seus pais quanto aos valores. São muito diferentes. Os jovens redefiniram sucesso. Antes, dizia-se que alguém de sucesso era aquele com casa própria e pelo menos um carro. Mas agora valoriza-se quem investe seu dinheiro em experiências, viagens e aventuras. 

Jovens vêm deixando conscientemente de comprar bens móveis e imóveis, preferindo recorrer ao aluguel. Hoje em dia, as pessoas preferem horários de trabalho mais flexíveis, independência econômica e geográfica ao que antes era tido como prosperidade e estabilidade. As coisas materiais estão deixando de despertar o interesse das pessoas. Para que ter um carro se você pode usar o transporte público, táxi, bicicleta ou Uber? Sobretudo nas grandes cidades, há alternativas ao uso do transporte motorizado próprio.

Para que comprar uma casa em um lugar lindo para poder descansar, se você pode, através de plataformas como ’Airbnb’, encontrar um lugar em qualquer lugar do Planeta? Não é necessário sequer fazer um contrato formal de aluguel, nem comprar uma casa no país onde você deseja viver naquele momento. É o mesmo que acontece com os bens imóveis na cidade natal. Em primeiro lugar, a pessoa não sabe por quanto tempo mais irá morar no mesmo lugar em que vive atualmente. Em segundo lugar, para que se comprometer com um financiamento de 40 anos se, por um lado, isso significa viver o resto da vida como se estivesse pagando aluguel? No fim das contas, o mais provável é que a pessoa mude seu local de trabalho muitas vezes do decorrer dos anos, e quando se vive de aluguel, não há nada que impeça alguém de se mudar para um novo bairro, mais próximo do local de trabalho. A revista Forbes já disse que os jovens contemporâneos mudam de trabalho em média três vezes por ano. 

O próprio conceito de propriedade das coisas já não é mais a mesmo. O crítico James Gamblin, colunista da revista Atlantis explica o fenômeno da seguinte maneira: "Durante os últimos dez anos, psicólogos fizeram várias investigações que demonstram que, levando em conta a felicidade e a sensação de bem estar, é muito melhor gastar dinheiro adquirindo novas experiências do que comprando coisas. Isso é o que deixa as pessoas mais felizes"

Falta agora aos jovens da geração Y começarem a ajuntar tesouros nos céus para que a felicidade deles seja completa.

sábado, 11 de junho de 2016

Amor pelos bichos

Deus os abençoou, e lhes disse: “[…] Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra”. (Gênesis 1:28)

Se você gosta de bichos, talvez tenha ouvido falar de Ângelo Machado, médico, entomólogo, educador, escritor e autor de muitos sucessos infantis. Nascido em Belo Horizonte, Ângelo atribui o início de sua carreira de entomólogo ao amor pelas libélulas, aqueles insetos com corpo alongado e dois pares de asas semitransparentes.

Quando foi perguntado qual é a graça de estudar as libélulas, ele explicou: “A libélula é o animal mais bonito do mundo. As asas transparentes, os olhos grandes, a leveza, a rapidez do voo, elas são lindas. Outro motivo é a biologia, que é muito interessante, porque ela passa parte de sua vida dentro d’água, onde bota os ovos.”

A ideia para o enredo de O Menino e o Rio, um dos títulos mais famosos de Ângelo Machado, surgiu a partir da pergunta de um menino de sete anos durante uma palestra em uma escola. “Por que todos os rios são sujos?”, quis saber o garotinho, que morava em Belo Horizonte e só conhecia rios poluídos. Na imaginação do menino, os rios eram naturalmente sujos, e os homens, em sua bondade, os limpavam para poder beber de suas águas. O livro se inicia com a interrogação do menino, que vira personagem e é levado a conhecer um rio limpo.

Machado também procura valorizar a fauna brasileira. Ele fez uma pesquisa em cem livros de ecologia, com 64 espécies animais, e constatou que apenas 33% pertenciam à nossa fauna. Assim, segundo o naturalista, as crianças aprendem a gostar dos bichos e das plantas dos outros, deixando de valorizar as espécies que vivem aqui. Não há nada de errado em apreciar os elefantes e leões, por exemplo, mas é bom aprender a conhecer e a desenhar as onças e os tamanduás.

Entre suas iniciativas para diminuir as impressões negativas das crianças sobre os animais, ele escreveu uma nova versão para a história de Chapeuzinho Vermelho, intitulada Chapeuzinho Vermelho e o Lobo-Guará. (A palavra guará, em tupi, significa “vermelho”.) Nessa história, o lobo-guará, que se alimenta mais de fruta do que de carne, entra na casa da vovozinha e vai devorar Chapeuzinho, quando vê uma melancia na fruteira e pergunta: “Chapeuzinho Vermelho, para que essa melancia tão grande?” Ela diz: “É para você comer.” Aí, em vez de devorar a menina, ele come a melancia e outras frutas.

No texto de hoje, o autor de Gênesis diz que Deus colocou o homem como um protetor dos animais. Ter domínio sobre as aves, os peixes e os animais não significa liberdade para maltratá-los, mas a obrigação de cuidar bem deles. Você não precisa ser um Ângelo Machado, mas deve amar a natureza, as libélulas e os lobos-guarás.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

O estupro na Bíblia

“Vejam, o dia do Senhor virá, quando no meio de vocês os seus bens serão divididos. Reunirei todos os povos para lutarem contra Jerusalém; a cidade será conquistada, as casas saqueadas e as mulheres violentadas. Metade da população será levada para o exílio, mas o restante do povo não será tirado da cidade. Depois o Senhor sairá para a guerra contra aquelas nações, como ele faz em dia de batalha”. (Zacarias 14:1-3)

O caso abominável de 33 homens estuprarem uma adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro provocou muita indignação na nossa sociedade. Muitas frases foram vistas nas redes sociais: “A culpa é dos homens!”; “Isso é causado por uma sociedade patriarcal e conservadora!”; “Esses homens não são doentes, eles se sentem no direito de estuprar mulheres”; “É a cultura do estupro”. Acontece que nada disso cabe na situação!

A Bíblia fala da violência sexual contra as mulheres. Várias vezes o estupro é mencionado. Se pesquisarmos a palavra “estupro” não a encontraremos, porém, a violência sexual é mencionada em outros textos além de Zacarias 14 (Deuteronômio 22; Juízes 19; 2 Samuel 13). Embora os preceitos bíblicos não têm a clarividência presente na nossa cultura moderna, embrionariamente são fundamentos para a aplicação atual. O texto citado dá a ideia de que a violência contra a mulher é algo vergonhoso. Nele a violência pode ser vista como um castigo por parte de Deus pelo mal comportamento do povo. O povo de Israel havia deixado de lado os preceitos de Deus expressos na sua Palavra, por isso Zacarias profetizou o castigo. Pode parecer que as mulheres eram abusadas com o consenso de Deus, porém, isso não tem procedência em nenhum texto bíblico, porque logo a seguir no verso 3 o Senhor promete combater contra quem pratica esse mal.

Cabe a nós refletirmos se a nossa sociedade não tem sido tolerante com a violência contra a mulher. Não conheço um só homem ou mulher que considere qualquer caso de violência sexual como algo natural, desejável ou benigno. Na cultura islâmica pode ser que as mulheres que andam sozinhas na rua ou sem cobrir o corpo sejam consideradas “disponíveis” e “pedindo” por assédio. Mas essa não deve ser a realidade no Ocidente.

Por outro lado, não se pode socializar a culpa dos que praticam tal ato, pois a Palavra de Deus é clara que cada pessoa individualmente é responsável pelos pecados que praticam. “...cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus” (Romanos 14:12). É preciso entender que os monstros que praticam tal absurdo não foram criados pela sociedade, mas pela impunidade e falta de rigor das leis.

É importante ainda ressaltar que, falar em “cultura do estupro” no ocidente é o mesmo que promover a banalização do estupro. A partir do momento em que se equaliza uma cantada tosca e grosseira à barbaridade da violência sexual, está se tripudiando da dor das verdadeiras vítimas e questionando a gravidade do terror ao qual estas foram submetidas. Não são apenas as mulheres que temem andar sozinhas nas ruas tarde da noite ou em qualquer horário em locais de pouco movimento. Homens também temem e muito por sua segurança.

Portanto, é a maldade que se encontra dentro do coração dos homens que os levam a cometerem loucuras. Além do mais, Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem o que não deviam, exatamente por se afastarem dos ensinamentos bíblicos. “Tornaram-se cheios de toda sorte de injustiça, maldade, ganância e depravação. Estão cheios de inveja, homicídio, rivalidades, engano e malícia.” (Romanos 1:28-29)

Não tenho dúvida. A solução para o mal é voltarmos para Deus. “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra”. (2 Crônicas 7:14)