domingo, 27 de março de 2016

Páscoa de vitória

Ele foi humilde e obedeceu a Deus até a morte – morte de cruz. Por isso Deus deu a Jesus a mais alta honra. (Filipenses 2:8) 

Dias atrás eu recebi uma mensagem de uma pessoa que havia sido dispensada após uma entrevista de emprego. Ela estava em prantos. O motivo maior da sua tristeza não era a vaga que perdera, mas a sensação de rejeição que se apoderara de seus pensamentos. 

Faz parte da nossa natureza a necessidade de sermos aceitos no meio da sociedade, de um grupo de amigos, ou de uma equipe de trabalho. Ninguém consegue ser feliz se sentindo excluído. 

A espécie humana sempre exerceu a prática da seleção. Selecionamos o local de viver, o que comprar, com quem procriar, com quem fazer amizade e se divertir. Mas as seleções que fazemos têm suas consequências: A primeira delas é que satisfazemos, ou não, os nossos anseios. A outra é que, de uma forma ou de outra, provocamos a dor da rejeição em quem não selecionamos. Muitos já sentiram essa dor. 

Jesus Cristo sofreu essa dor. Ele veio para o seu próprio país, mas o seu povo o rejeitou. (João 1:11). Ele veio para salvar a humanidade, mas os homens o rejeitaram, em vez de receberem-no como Redentor dos pecados. 

Jesus tinha um propósito firme de ser o Salvador do mundo. Essa era a sua missão desde o princípio. Era preciso enfrentar a rejeição e a morte expiatória. Ele sabia disso, mas nada o fez desistir do seu ideal. Contudo, o resultado daquela rejeição foi glorioso, pois a pedra (Jesus) que os construtores rejeitaram veio a ser a mais importante de todas. (Salmos 118:22) 

Mas para isso Jesus persistiu até ao fim. Morreu pregado na cruz, ressuscitou vitorioso como o Cabeça da Igreja e conta com bilhões de seguidores em todo mundo. Ele não se esmoreceu diante de tanta rejeição. 

Quando enfrentamos rejeição, somos tentados a desistir. Mas não foi assim que Jesus nos ensinou com sua vida. Pelo contrário, ele nos mostrou que quando se tem um objetivo a perseguir, nada, mas absolutamente nada, pode ser motivo de desistência. 

Portanto, não podemos parar, fugir ou ficar triste diante da rejeição. Em vez disso, celebremos a Páscoa como o dia da vitória, assim como o foi para Cristo. Vamos levantar a cabeça, renascer das cinzas e ressurgir com ele. 

Tenha uma Páscoa de vitória!

quarta-feira, 23 de março de 2016

Ideologia de gênero

"Deus, portanto, criou os seres humanos à sua imagem, à imagem de Deus os criou: macho e fêmea os criou." (Gêneses 1:27)

Uma das principais associações médicas de pediatria dos Estados Unidos publicou uma dura nota contra a teoria de gênero – também chamada de ideologia de gênero – como fundamento de políticas públicas. A declaração do American College of Pediatricians alerta educadores e parlamentares para que rejeitem qualquer medida que condicione as crianças a aceitarem como normal “uma vida que personifique química e cirurgicamente o sexo oposto”. A nota do grupo médico afirma, enfaticamente que “os fatos, não a ideologia, é que determinam a realidade”.

Leia uma tradução da íntegra da associação:

1 – A sexualidade humana é uma característica biológica binária objetiva: “XY” e “XX” são marcadores genéticos saudáveis – e não marcadores genéticos de uma desordem. A norma da concepção humana é ser masculino ou feminino. A sexualidade humana é planejadamente binária com o propósito óbvio da reprodução e da prosperidade da nossa espécie. Esse princípio é autoevidente. As desordens extremamente raras no desenvolvimento sexual, que incluem, entre outras, a feminização testicular e a hiperplasia adrenal congênita, são todas desvios medicamente identificáveis da norma binária sexual, e são com razão reconhecidas como desordens da formação humana. Indivíduos que as portam não constituem um terceiro sexo.

2 – Ninguém nasce com um gênero. Todos nascem com um sexo biológico. O gênero (uma consciência e um senso de si mesmo como homem ou mulher) é um conceito sociológico e psicológico, e não biologicamente objetivo. Ninguém nasce com a consciência de si como homem ou mulher: essa consciência se desenvolve com o tempo e, como todo processo de desenvolvimento, pode ser prejudicada por percepções subjetivas da criança, relacionamentos e experiências adversas desde a infância. Pessoas que se identificam como “se sentissem do sexo oposto” ou “nem masculinas nem femininas, algo entre os dois” não constituem um terceiro sexo. Elas permanecem, biologicamente, homens e mulheres.

3 – A crença de uma pessoa de ser algo que ela não é, na melhor das hipóteses, é um sinal de pensamento confuso. Quando um menino biologicamente saudável acredita que é uma menina, ou uma menina biologicamente saudável acredita que é um menino, existe um problema psicológico objetivo, que está na mente, não no corpo, e deve ser tratado dessa forma. Essas crianças sofrem de disforia de gênero, formalmente conhecida como transtorno de identidade de gênero, uma desordem mental reconhecida na edição mais recente do Manual Diagnóstico e Estatístico da American Psychiatric Association. A psicodinâmica e as teorias de aprendizagem social dessa desordem nunca foram refutadas.

4 – A puberdade não é uma doença e a injeção de hormônios bloqueadores da puberdade pode ser perigosa. Reversíveis ou não, hormônios bloqueadores de puberdade induzem um estado de enfermidade – a ausência de puberdade – e inibem o crescimento e a fertilidade em uma criança anteriormente saudável biologicamente.

5 – Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico, 98% dos meninos e 88% das meninas confusos com seu gênero aceitam o seu sexo biológico naturalmente ao passar pela puberdade.

6 – Crianças que usam bloqueadores de puberdade para personificar o sexo oposto precisarão de hormônios do sexo oposto no final da adolescência. Esses hormônios estão associados com graves riscos para a saúde, incluindo pressão alta, coágulos sanguíneos, AVC e câncer, mas não se limitando a isso.

7 – As taxas de suicídio são vinte vezes maiores entre adultos que usam hormônios do sexo oposto e passam por cirurgias de mudança de sexo, mesmo na Suécia, que é um dos países de maior ação afirmativa LGBQT. Que pessoa razoável e compassiva condenaria crianças a esse destino, sabendo que depois da puberdade 88% das meninas e 98% dos meninos aceitarão o seu sexo real e terão saúde física e mental?

8 – Condicionar as crianças a acreditar que uma vida inteira de personificação química e cirúrgica do sexo oposto é normal e saudável é abuso infantil. Apoiar a discordância de gênero como normal através da educação pública e de políticas legais confundirá as crianças e os pais, levando mais crianças a procurar “clínicas de gênero”, onde tomarão drogas bloqueadoras da puberdade. Por sua vez, isso garantirá que elas “escolherão” uma vida toda de hormônios cancerígenos e tóxicos e provavelmente considerarão passar por uma mutilação cirúrgica desnecessária de partes saudáveis do seu corpo ao chegar à vida adulta.

O texto original encontra-se aqui.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Política não se discute

Você já perdeu alguma amizade por causa de discussões políticas? Já vi muitas pessoas destruírem amizades por causa de política e depois se decepcionarem.

Existe um ditado que diz que política e religião não se discutem. Segundo a psicologia moral, as pessoas são muito diferentes ao fazerem seus julgamentos morais. E existem dois tipos de julgamentos: O racional e o emocional. O momento político por que passamos no Brasil, hoje, oferece ótimos exemplos para entender o que sejam esses julgamentos.

Segundo Lawrence Kohlberg, o julgamento moral é como um pensamento racional. Ele conduziu seus estudos por meio de dilemas morais, situações em que temos de escolher entre opções difíceis.

Por exemplo, um homem deve roubar um remédio caríssimo, que é a única esperança de salvar sua esposa doente, uma vez que esgotou todas as possibilidades de obtê-lo por meios legais? Ou o correto é deixar que ela morra para não cometer um crime?

Kohlberg queria entender o porquê, as razões, que levavam as pessoas a julgar um fato como moralmente certo ou errado. E classificou as formas dessas racionalizações em três estágios do desenvolvimento moral.

Crianças pequenas, normalmente, vivem em um estágio chamado pré-convencional, em que o julgamento moral depende apenas da aprovação pelos adultos. Bom e certo é aquilo que os pais aprovam. Mau é o que resulta em bronca ou castigo.

Com a idade e o amadurecimento as pessoas chegam a um estágio convencional em que a moral é ditada por leis. Bom e certo é seguir o código de conduta, da família ou da sociedade. Mau é desobedecer esse código.

Segundo Kohlberg, a maioria das pessoas chega apenas ao estágio convencional. Mas há mais um, o estágio pós-convencional, que apenas uma pequena parcela da população atingiria.

Nesse estágio, há uma distinção entre lei e moral. Passa a ser possível identificar o moralmente certo através de princípios éticos abstratos que nem sempre concordam com a lei.

Por exemplo, tomemos a nomeação do ex-presidente Lula para ministro do governo Dilma.

A nomeação de um ministro é um ato discricionário da presidente. Ou seja, ela tem liberdade para escolher conforme sua conveniência.

A menos que fique provado que a nomeação se deu para outra finalidade, como a mudança de foro das investigações contra Lula, ela está respaldada na lei. E provar intenção é quase sempre impossível.

Portanto, salvo prova em contrário, a nomeação é legal.

Mas será que é moral? Muitos dirão que não.

Como outro exemplo, tomemos a atitude do Juiz Moro ao tornar pública as gravações de conversas de Lula.

Há uma grande polêmica sobre a legalidade desse ato. Especialmente a respeito da gravação que envolve a presidente da república. Juristas vão debater se o ato foi legal ou não.

Se foi legal, foi só um ato comum que, pelo conteúdo disponibilizado, ganhou grande relevância.

Mas, se foi ilegal, aí sim, terá sido um ato moral.

Se o Juiz Moro se arriscou, em atitude que possa vir a ser interpretada como ilegal, para tornar público um flagrante de conspiração e obstrução da justiça entre presidente e ministro, este é um ato moral.

Ato nobre em que um indivíduo aceita riscos pessoais para defender um ideal de verdade e justiça.

Esses são bons exemplos dos estágios convencional e pós-convencional de Kohlberg. Nem sempre o que é legal coincide com que é moral, segundo os princípios éticos que deveriam nortear nossos mais nobres julgamentos.

Já a teoria sobre psicologia moral de Jonathan Haidt bate de frente com a de Kohlberg.

Segundo Haidt, não importam as razões que usamos para justificar nossos julgamentos morais. Eles acontecem, simplesmente, como uma resposta emocional.

Em seus estudos, Haidt abandonou os dilemas que requeriam explicações e empregou vinhetas. Pequenas descrições de situações e atitudes, desenhadas para elicitar uma resposta moral. Por exemplo, relatos que envolvem incesto, desrespeito a símbolos nacionais, inobservância a ritos religiosos, etc.

Em todos esses relatos, muitos indivíduos apresentavam fortes reações, com julgamentos morais claros, mesmo sendo incapazes de justificar, racionalmente, os motivos para tais reações.

Por essa teoria, nós primeiro julgamos, com base em disposições emocionais, intuitivas, e depois elaboramos alguma racionalização que tente explicar o julgamento.

A razão, assim, seria uma espécie de assessora de imprensa, que tem de se virar para justificar as decisões irracionais que saem do gabinete.

E isso explica por que as discussões sobre alguns temas, como política, nunca levam a nada.

Para fazer um julgamento sobre alguma questão política você usará uma intuição moral. Depois, com base nesta intuição, oferecerá um argumento para outra pessoa.

Esta, por sua vez, não reagirá racionalmente ao seu argumento, mas fará um julgamento emocional. E é com base nesse julgamento, não no seu argumento, que oferecerá um contra-argumento.

Qualquer um que já tenha debatido política sabe muito como isso funciona. E só assim, mesmo, para explicar algumas coisas.

Por exemplo, como explicar que pessoas que saíram às ruas pedindo o impeachment de Collor, agora defendam com unhas e dentes que impeachment é golpe?

Como explicar que tantos militantes de esquerda usem o mesmo argumento dos de direita? O argumento, claro, é o de que a corrupção deve ser perdoada em nome de um bem maior, também conhecido por “conquistas sociais” ou o “rouba, mas faz”.

Como explicar que os revolucionários de outrora são os reacionários de hoje, lutando para manter o status quo no poder e paralisar os movimentos legítimos das ruas?

Ao mesmo tempo, como explicar que quem defende a voz das ruas hoje são os mesmos que a ignoravam antes?

Fica óbvio que os argumentos estão a serviço das emoções, e não o contrário.

Haidt deve estar certo. Não há razão que fale ao coração. Por isso, política não se discute. Caso contrário, corremos o risco de perder a amizade.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Síndrome do orgulho

Acaso não é esta a grande Babilônia que eu construí como capital do meu reino, com o meu enorme poder e para a glória da minha majestade? (Daniel 4:30)

A palavra “síndrome” existe desde o tempo do médico grego Galeno, que viveu no 2º século d.C. O termo não descreve uma doença específica, mas indica um grupo de sinais, sintomas e fenômenos de uma condição médica. Conhecemos bem expressões como “síndrome de Down” e “síndrome do pânico”. Porém, existem outras síndromes. Uma delas é a “síndrome do orgulho”. Sabe o que isso significa?

Laurence Turner, professor de homilética no Newbold College, ilustra essa síndrome. Ele conta que do lado de fora da porta de seu escritório se encontrava um nervoso estudante de teologia. O rapaz hesitava em bater. Sabia que do outro lado existia um aparelho de vídeo. E lá estava o professor. Dias antes, diante de uma sala lotada de colegas e uma câmera, ele pregara um sermão. Agora era a hora do julgamento. Como o próprio aluno avaliaria seu desempenho?

Esse tipo de experiência produz uma humildade quase universal entre os estudantes. Um deles, de fato, disse: “Esse não sou eu!” Um dia, porém, chegou à sala do professor um jovem estudante cheio de alegria e sentou-se para a autoavaliação. Enquanto assistia à sua própria mensagem, ele proferiu vários “améns”. Então o professor perguntou: “Como você avaliaria essa pregação?” Ele virou-se, radiante, e disse: “Excelente! Absolutamente magnífica!”

Mudemos o foco para a cena de um poderoso governante em pé diante dos jardins suspensos de seu palácio. Ele contempla a obra que mandara construir e a acha esplendorosa. Olha para o caminho processional sagrado, vê o muro de um quilômetro de cumprimento, decorado com 575 animais mitológicos, e o acha magnífico. Congratula-se por sua própria grandeza.

Um ano antes, ele tivera um sonho com uma árvore majestosa que havia crescido até o céu. Essa árvore, que simbolizava ele mesmo, seria derrubada por causa de seu orgulho e sua arrogância. Apesar do conselho do intérprete do sonho, ele não se humilhou.

As palavras de autocongratulação ainda estavam em sua boca quando uma voz vinda do céu decretou o fim de sua autoridade real. Ele “passou a comer capim como os bois. Seu corpo molhou-se com o orvalho do céu”, os “cabelos e pelos cresceram como as penas de uma águia, e as suas unhas como as garras de uma ave” (Daniel 4:33).

Finalmente, num lampejo de bom senso, esse ex-poderoso governante olhou para o céu, glorificou o Altíssimo e recuperou a majestade.

Você sofre da síndrome do orgulho? Se sim, olhe para o céu com humildade antes que sua árvore seja derribada e sua autoridade seja tirada.