domingo, 28 de fevereiro de 2016

Não despreze a instrução

“O insensato despreza a instrução do seu Pai, mas o que atende a repreensão consegue prudência.” (Provérbios 15:5)

O expediente tinha chegado ao fim naquela tarde e Frederik esperava impaciente o elevador. Não sabia se iria direto para casa ou andaria sem rumo como nas outras tardes. Aos 55 anos de idade sentia-se fracassado. Não fora esse o tipo de vida que tinha sonhado. Era um homem público, porém, não era pública a dor e a frustração que constantemente subiam à sua mente e explodiam em seu coração.

Naquelas intermináveis tardes, vagueando sem rumo, sentado em alguma praça, parado em qualquer esquina ou vendo a noite chegar em algum bar, Frederik sempre chegava a conclusão de que a causa de seu fracasso era o seu temperamento. Nunca ouviu ninguém. Rejeitou o conselho de seus pais. Discutiu com seus professores. Seus amigos eram amigos desde que não interferissem em suas opiniões. De repente, aos 55 anos descobriu que a pior tolice de sua vida, fora “desprezar a instrução” e não atender a repreensão.

Por que sou assim? Perguntava-se angustiado. O que ele não sabia é que todos os seres humanos nascem assim. Não é próprio da nossa natureza ouvir conselhos, aceitar instruções ou assimilar a repreensão. O homem natural prefere “quebrar a cara sozinho”. Já de criança larga a mão do pai e corre como um cabritinho até bater no canto da mesa e cair no chão. Então chora a lágrima que ao longo da vida, chorará em silêncio para esconder os cacos dispersos de seus sonhos destruídos.

Frederick era ateu. Achava que Deus estava morto. Sua maneira de pensar, herdara de Nietze, que lera quando jovem, ao descobrir que o seu pai colocara-lhe o nome de Frederick em homenagem ao filósofo alemão.

Numa tarde do mês de outubro, achou um folheto com um título que chamou sua atenção: Deus, está morto? Foi assim que despertou o seu interesse para estudar a Bíblia. Surpreendeu-se porque se confrontou com verdades que não conhecia. Naqueles conceitos bíblicos, estava o segredo do sucesso. Descobriu que “o insensato despreza a instrução”, e com humildade aplicou as instruções bíblicas na sua vida que passou a ter sentido.

Portanto, não despreze a instrução.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Interpretação de sonhos

No segundo ano de seu reinado, Nabucodonosor teve sonhos; sua mente ficou tão perturbada que ele não conseguia dormir. (Daniel 2:1)

Babilônia, a poderosa cidade-estado acadiana construída às margens do rio Eufrates e cujas ruínas se encontram a cerca de 85 quilômetros de Bagdá, era uma terra de sonhos e sonhadores. Ali reis e profetas sonharam com o passado, o presente e o futuro do mundo.

Mesmo tendo um império para controlar e reinos para conquistar, Nabucodonosor se dava ao luxo de sonhar. Os sonhos (note o plural) mencionados no verso acima foram apenas os primeiros de uma série. O rei sonhou com uma estátua gigantesca feita de vários materiais (Daniel 2:31-33), uma “pedra que se soltou de uma montanha” e destruiu a estátua (2:45), “uma árvore muito alta no meio da terra” (4:10), e sabe-se lá mais o quê.

Depois, no primeiro ano de Belsazar, “Daniel teve um sonho, e certas visões passaram por sua mente, estando ele deitado em sua cama” (7:1). O profeta sonhou com “os quatro ventos do céu agitando o grande mar” e animais estranhos saindo das águas: um leão com asas de águia, um urso com três costelas entre os dentes, um leopardo com quatro asas e quatro cabeças, um animal aterrorizante com dentes de ferro (7:2-7). Mais tarde, teve outros sonhos e visões.

Sonhos, muitos sonhos, sonhos dentro de sonhos. E a interpretação? Como entender o significado de tanta atividade onírica? Como definir o próprio sonho? Seria uma imaginação do inconsciente? A realização de um desejo? Uma tentativa da psiquê de encontrar equilíbrio? Um mero subproduto da atividade cerebral? A edição de um filme que a mente deseja gravar no cérebro?

Quando o rei ficou perturbado com seus sonhos, cujo conteúdo ele esquecera, os magos, encantadores, astrólogos e adivinhos de Babilônia tentaram descobrir o que se passara dentro da cabeça do monarca enquanto ele dormia. Porém, fracassaram. Se hoje, depois de tantos estudos científicos, filosóficos e psicanalíticos, ainda não sabemos direito o que é o sonho e como interpretá-lo, imagine na época! Nem o melhor Freud babilônico podia decifrar o significado daquele cenário cheio de imagens, ideias e sensações. “Mas”, disse Daniel (2:28), “existe um Deus nos céus que revela os mistérios.”

A vida, às vezes, é como um sonho estranho, cheio de animais e bichos exóticos, em que nada parece fazer sentido. Contudo, o Espírito divino pode interpretar a paisagem onírica e dar coerência aos fatos. Ele mostra o rumo da história, o fio da narrativa, o fluxo dos acontecimentos. Quando você não conseguir decifrar os sonhos que passam pela sua cabeça, recorra ao Deus que revela os mistérios.

Assim como Deus revelou os sonhos de Faraó a José do Egito, assim como revelou os sonhos do rei da Babilônia ao profeta Daniel, Deus pode revelar a você os mistérios dos seus sonhos.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

A família em crise

Conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono. (Romanos 13:11)

A desintegração da família moderna está também relacionada com a mudança do papel da mulher. As aspirações das modernas filhas de Eva estão agora focalizadas fora do lar. O número de mulheres empregadas é assustador. Atrelado a isso está o materialismo. A afluência e a propaganda em nossa sociedade têm tornado mais fácil que as famílias tenham mais coisas. Isso cria apetite para termos ainda mais, o que demanda mais renda, mais trabalho, mais separação da família. Como resultado dessa enorme babilônia, vivemos numa cultura em que as pessoas presenteiam coisas uns aos outros, mas dão menos de si. E dar coisas se tornou uma forma de acalmar a consciência, por falta de tempo para os filhos, esposa, esposo.

Além disso, convivemos com um sistema social de apoio enfraquecido. A batalha hoje é entre a família, de um lado, e a cultura, do outro. Quase todas as forças na sociedade estão em oposição à família. Precisando de ajuda para fortalecer seu lar, não olhe para a sociedade. As pessoas que são consideradas mais inteligentes, as mais invejadas, as mais bem-sucedidas, belas e famosas, todas elas agem como se estivessem organizadas por uma grande força opositora para vulgarizar e ridicularizar a família. Observe os programas de TV, as novelas, os “medalhões” da sociedade, os considerados mais espertos, altamente pagos, caricaturando a importância dos pais.

É claro que não é possível destruir a família e preservar seus valores. Portanto, à fragilidade da família moderna acrescente o enfraquecimento da moralidade. A sociedade em geral, por intermédio dos meios de comunicação, tem praticamente forçado as pessoas a aceitar como normal os comportamentos mais bizarros. O conceito de pecado, se não desapareceu completamente, é tratado como uma ficção. Bem e mal são determinados pela cultura, não por uma norma moral imutável, independentemente do homem.

O que fazer? Talvez a necessidade primária seja fortalecer a liderança espiritual masculina. Deve haver um reavivamento espiritual entre cônjuges e pais. Se a família deve sobreviver intacta nessa selva, é necessário que haja líderes apontados e treinados por Deus. Há necessidade de homens que saibam efetivamente guiar o lar através do território inimigo, minado de todos os lados.

A você pai, conclamo: desperte-se e assuma a liderança espiritual de sua família. Diante de Deus, somos o cabeça do lar. É possível vencer a crise que hoje assola a família.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Use o seu potencial

Então o Senhor lhe perguntou: “Que é isso em sua mão?” (Êxodo 4:2)

Parecia um dia como todos os outros. Nada de extraordinário estava previsto. Moisés só contava com a presença das ovelhas. Mas Deus gosta de surpresas. De repente, o Senhor apareceu numa teofania de fogo na sarça, transformando um lugar comum em terreno sagrado (Êxodo 3:1-5).

Deus tinha uma missão para Moisés. Contudo, o ex-príncipe do Egito havia perdido o sonho. Estava feliz em apenas cuidar da família e liderar ovelhas. Não queria mais saber de êxodo. Não acreditava em si mesmo e talvez até duvidasse do poder de Yahweh. Deus apareceu para resgatar o sonho que havia colocado no coração dele. Tarefa difícil. Deus sabia que era o momento certo, Moisés achava que havia passado a hora. Deus entendia que Moisés estava pronto para a missão, Moisés pensava que não tinha mais potencial para um grande desafio. Deus chegou a ficar irado (4:14).

Entre outros argumentos, o Senhor perguntou o que Moisés tinha na mão. Era uma vara de pastor. Deus a transformou em serpente e em vara de novo. Deu-lhe vida e a restituiu à sua forma natural. E disse-lhe para levá-la, pois com ela faria “os sinais miraculosos” (v. 17). O poder não estava na vara nem mesmo em Moisés, mas em Deus. Um cajado nas mãos de Moisés era apenas um objeto para apascentar ovelhas; nas mãos de Deus, era um instrumento para subjugar reis e a natureza. O potencial na verdade não era de Moisés, mas de Deus.

Adaptando uma ilustração, uma bola de basquete em minhas mãos vale 100 reais; nas mãos de Michael Jordan, vale 50 milhões de dólares. Uma raquete de tênis em minhas mãos significa alguns minutos de exercício; nas mãos de Roger Federer, representa um Grand Slam. Uma funda nas mãos de um menino não passa de um brinquedo; nas mãos de Davi, foi uma poderosa arma para derrubar gigantes. Cinco pães e dois peixes nas mãos de um garoto são apenas alguns sanduíches; nas mãos do Mestre, tornam-se alimento para milhares. Pregos em minhas mãos serviriam somente para ferir; nas mãos de Jesus, serviram para efetuar a salvação do mundo. Tudo depende das mãos de quem tem o potencial.

Moisés tinha o que era necessário para servir o Senhor. Nas mãos de Deus, seu objeto de trabalho se transformaria em um instrumento de milagres, libertação e salvação. Nas mãos certas, uma simples vara pode abrir o mar, dividir a história, inspirar sonhos de liberdade. Você pode pensar que não serve para nada, talvez não acredite mais em seu potencial, mas Deus insiste: “Com o que tem nas mãos, você fará milagres.” Nas mãos de um servo de Deus, um cajado tem mais poder do que um cetro real. Afinal, o poder divino sempre foi mais importante do que a tecnologia humana. O que você tem nas mãos? Use o seu potencial.