domingo, 31 de janeiro de 2016

A flor da honestidade

O Senhor me tratou conforme o meu justo coração; conforme a honestidade das minhas mãos, recompensou-me. (Salmos 18:20)

Conta-se que por volta do ano 250 a.c, na China antiga, um príncipe da região norte do país, estava às vésperas de ser coroado imperador, mas, de acordo com a lei, ele deveria se casar.Sabendo disso, ele resolveu fazer uma "disputa" entre as moças da corte ou quem quer que se achasse digna de sua proposta. No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes e lançaria um desafio. Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe. Ao chegar em casa e relatar o fato à jovem, espantou-se ao saber que ela pretendia ir à celebração, e indagou incrédula : 

- Minha filha, o que você fará lá? Estarão presentes todas as mais belas ricas moças da corte. Tire esta ideia insensata da cabeça, eu sei que você deve estar sofrendo, mas não torne o sofrimento uma loucura. E a filha respondeu : 

- Não, querida mãe, não estou sofrendo e muito menos louca, eu sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é minha oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do príncipe, isto já me torna feliz. À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de fato, todas as mais belas moças, com as mais belas roupas, com as mais belas jóias e com as mais determinadas intenções. Então, finalmente, o príncipe anunciou o desafio : 

- Darei a cada uma de vocês, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida minha esposa e futura imperatriz da China. A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valorizava muito a especialidade de "cultivar" algo, sejam costumes, amizades, relacionamentos etc... 

O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura a sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse na mesma extensão de seu amor, ela não precisava se preocupar com o resultado. Passaram-se três meses e nada surgiu. A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido. Dia após dia ela percebia cada vez mais longe o seu sonho, mas cada vez mais profundo o seu amor. Por fim, os seis meses haviam passado e nada havia brotado. 

Consciente do seu esforço e dedicação a moça comunicou a sua mãe que,independente das circunstâncias retornaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe. Na hora marcada estava lá, com seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores. Ela estava admirada, nunca havia presenciado tão bela cena. 

Finalmente chega o momento esperado e o príncipe observa cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa. As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reações. Ninguém compreendeu porque ele havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado. Então, calmamente o príncipe esclareceu: 

- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz. A flor da honestidade, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis.

A honestidade é como uma flor tecida em fios de luz, que ilumina quem a cultiva e espalha claridade ao redor. 

- Que esta nos sirva de lição e independente de tudo e todas as situações vergonhosas que nos rodeiam, possamos ser luz para aqueles que nos cercam.

Autor desconhecido

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A soberba

Em sua presunção o ímpio não busca o Senhor; não há lugar para Deus em nenhum dos seus planos. (Salmos 10:4)

O ser humano é soberbo por natureza. O seu orgulho o aprisiona e o impede de encontrar Deus. Considera-se superior aos outros: em honestidade, sabedoria, esperteza, etc. Não tem humildade para reconhecer suas limitações como criatura. Prefere ser seu próprio Deus, determinar seus valores e fixar seus conceitos morais.

O resultado desta atitude soberba e atrevida é a corrupção. Ele torna-se perverso. Perversidade é a maximização da maldade. Quando você acha que já conhece toda a maldade humana, o perverso ainda o surpreende. Por que? Porque ele não conhece limites. Ele impõe suas próprias regras. Decide chamar ao bem, mal e ao mal, bem. Inverte os valores.

Quem determina o que é moral ou imoral? A sociedade por voto da maioria? O governo? A igreja? Cada um? Todas estas instituições são mutantes porque têm como componente principal o ser humano que hoje é e amanhã não é mais. Mas por causa de sua temporalidade a criatura procura algo concreto para aferrar-se. No fundo do seu ser ele anela permanência e essa permanência só pode ser encontrada em Deus. Mas aí surge o drama do incrédulo. Ele nega a existência de Deus porque inconscientemente acha que Deus é um atentado contra sua liberdade e ao mesmo tempo precisa dele na sua desesperada temporalidade.

A Bíblia é o único livro de valores absolutos, portanto, é o único lugar onde podemos achar valores morais permanentes, mas a soberba não permite ao perverso buscar a Deus. Prefere olhar para dentro de si ou para os seus feitos. Investe o seu tempo em buscar qualquer outra coisa, mas não a Deus.

Quanto tempo de seu programa diário você dedica a Deus? Somente Ele é capaz de preencher o vazio de qualquer coração. Somente Deus é capaz de colocar ordem em qualquer vida e trazer esperança aonde só existe desespero. Por isso, hoje, antes de começar suas atividades, lembre-se de voltar para os valores de Deus.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Tudo tem um preço

"O preguiçoso mete a mão no prato e não quer ter o trabalho de a levar a boca." (Provérbios 19:24)

Pedro Lima, amigo de velhos tempos, contou-me que, encontrou um camponês, dono de um bom pedaço de terra, sentando, fumando um cigarro de palha e queixando-se de sua terrível situação financeira.

- Aqui dá milho? – perguntou Pedro.
- Dá não sinhô. – respondeu o camponês, com o seu sotaque típico do interior.
- Dá mandioca?
- Dá não sinhô.
- Dá soja, feijão, alguma outra coisa?
- Dá não sinhô.
- Mas você já plantou?
- Plantei não sinhô.

Pode-se colher algo que não foi plantado? É possível passar a vida lamentando a triste “sorte” e esperando de braços cruzados que o “destino” seja misericordioso com a gente. “O preguiçoso mete a mão no prato” – afirma Salomão. Ele deseja, anseia, quer, sonha e espera, como todo ser humano. Vê o prato das oportunidades ao seu alcance. Contempla como outros, fartam-se com os manjares deliciosos da prosperidade, felicidade e do êxito. Ele até coloca a mão no prato, mas não se dá o trabalho de levar a comida à boca. Quer que tudo aconteça por acaso.

A sabedoria leva a pessoa entender que todo sonho tem um preço e que o preço do sonho é o trabalho. Construir um casamento feliz, por exemplo, requer esforço. O caminho mais fácil é o divórcio. Ser aprovado num exame, requer horas de estudo, a desculpa mais simples é dizer que a prova estava muito difícil. Educar filhos moral e emocionalmente sadios, requer horas de paciência e dedicação, a saída mais atrativa é achar que providenciando recursos materiais para os filhos, a paternidade foi cumprida. Fazer dinheiro é fruto do trabalho e do domínio próprio, a solução mais cômoda é jogar na loteria.

A figura que Salomão usa para descrever o preguiçoso é engraçada, mas, usando a ironia, mostra a realidade de muita gente que não está disposta a pagar o preço dos sonhos. Antes de iniciar suas atividades hoje, pense: O que você poderia fazer para melhorar pelo menos em três aspectos de sua vida. Pense na vida espiritual, familiar e profissional. Você está disposto a pedir a Deus, sabedoria para dar prioridade, as coisas que são realmente prioritárias? Dá trabalho? Sem dúvida! É difícil? Certamente! 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Mesa no deserto

Poderá Deus preparar uma mesa no deserto? (Salmo 78:19)

A pergunta estava no ar: “Será que Deus pode preparar uma mesa no meio do deserto?” A resposta circulava entre o povo: “Não. Deus não pode. E, se pudesse, não iria preparar.” Esse era o pensamento de pessoas que haviam testemunhado milagres colossais. Mas não era de se estranhar. Afinal, quando esquecemos o que Deus fez, a descrença é o estado normal que domina nossa mente.

Não sei se você já esteve no deserto. Eu estive e não gostei. Trata-se de um lugar solitário, árido, hostil, amedrontador. Areia por toda parte, sol inclemente, calor sufocante, paisagem desolada, o deserto é terra de abandono e morte. É preciso ter espírito de beduíno, couro de lagarto ou “tanque” de camelo para sobreviver na imensidão do nada, sem oásis e sem água.

Marcados por déficit de umidade, perdendo mais água do que recebendo e ocupando um terço (33%) da superfície da Terra, os desertos não têm vegetação suficiente para sustentar a vida. Por isso, em geral, são lugares desabitados. A própria palavra deserto, originada do latim desertum (“lugar abandonado”), foi utilizada durante muito tempo para descrever uma área despovoada. A expressão “ilha deserta” é uma lembrança dessa época. Somente mais tarde, o termo ganhou a conotação de aridez.

Em nossa vida, muitas vezes enfrentamos o deserto, longe da civilização e dos recursos que nos trazem comodidade. Você não está mais na situação confortável anterior e ainda não alcançou o destino. Saiu do Egito, mas não chegou à terra prometida. Fora do espaço familiar e adentrando um terreno desconhecido, sente—se deslocado, abandonado, descartado.

O deserto pode ser a espera por um emprego, o resultado de um exame médico, a conta bancária no vermelho, um filho desgarrado, o casamento desmoronando, um sonho esmagado, a perda de uma pessoa querida, a rotina vazia, uma depressão paralisante, um pesadelo interminável. Desertos existenciais são diversificados e preparados para testar todos os tipos de pessoas.

Entretanto, é no deserto que você percebe seus limites, desconfia de sua sabedoria, abandona a independência, reconhece seus fracassos, enfrenta a tentação, luta com Deus, desafia o diabo, descobre uma força que não conhecia, perde as ilusões, é purificado das vaidades e sai com uma nova visão da vida.

Qual é o seu deserto? Sua vida tem sido como o Atacama ou o Saara? Você também acha que Deus não pode preparar uma mesa no deserto? Para Deus, o deserto é apenas uma boa paisagem para criar um oásis. O deserto é o lugar para descobrir que você é menor do que pensava e que Deus é maior do que você imagina.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Felicidade na vitrine

Não sei dizer do que mais gostei no livro "O Arroz de Palma", de Francisco Azevedo. O livro é delicado e simples; seus personagens são repletos de defeitos e virtudes, com abundância daquilo que existe de mais humano em nós. Tia Palma e Antonio, os personagens centrais, parecem nossos chegados, e tia Palma não peca pelo excesso de palpitações. Um dia, a pitoresca senhorinha vai passear na casa de Antonio. Chegando lá, se depara com o arroz_ que tem uma história linda_ exposto dentro de um pote de cristal no restaurante do sobrinho. Sábia, pega o rapaz pelo braço e aconselha baixinho:

"O arroz é tua felicidade. Não deves fazer alarde dela. A felicidade desperta mais inveja que a riqueza."

Tia Palma tinha razão. Expôr a felicidade é vaidade. Não basta ser feliz, ter afetos à sua volta, comida à mesa, teto, paz? É preciso expôr para validar?

Com o tempo a gente aprende: A alegria incomoda. E desperta desejos. Sempre haverá alguém querendo experimentar um pouquinho do seu arroz_ esse, que você valoriza tanto.

Não é pecado ser feliz. Não há nada de errado em irradiar alegria. O perigo é usar isso para alimentar o ego. Felicidade e ego não combinam, e é aí que muita gente se dá mal. Felicidade é benção. O arroz é benção. Mas quando você se engana colocando-o num pedestal e se infla por possuí-lo, ele deixa de ser dádiva. Passa a ser instrumento de sua vaidade, e atiça a cobiça.

Não precisamos ser publicitários de nosso bem estar. Não é preciso estardalhaço para mostrar ao mundo nossa vitória_ contra a solidão, contra a baixa estima, contra o tédio. É fácil vestir um personagem e mostrar a perfeição, mas aprendi que quem tem certeza de que é possuidor de riquezas não fica mostrando por aí. Não precisa postar no facebook nem viver de aparências.

Se você não deseja inveja à sua volta, permita-me um conselho: Cuide de seus canteiros com humildade. Exercite o encantamento do agricultor que se maravilha com o desabrochar da roseira mas não tenta esconder os espinhos nem as pragas.

Toquinho, em "À sombra de um Jatobá", cantou lindamente : "Poucas coisas valem a pena, o importante é ter prazer... longe do amor de quem nos finge amar..."

Preste atenção à sua volta. Você não precisa de bajuladores, de um milhão de amigos que reafirmem quem você é. O importante é ter poucos e bons afetos, aquela turminha que sabe do seu sabor, de suas lutas diárias e vitórias merecidas.

Gosto de gente sem agrotóxico. Que não tem vergonha de sua casca "mais ou menos" e se perdoa pelas pragas. Que não tem medo de expôr suas fragilidades do mesmo modo que se vangloria de suas virtudes.

Gente que não se infla para parecer maior do que é. Gente que se humaniza e se aproxima de mim.

Que não faz alarde de sua felicidade, mas valoriza o que vale a pena _ como a sombra de um Jatobá...

Por Fabíola Simões