terça-feira, 11 de outubro de 2016

As crianças podem ser felizes?‏

"Até a criança se dá a conhecer pelas suas ações, se a sua conduta é pura e reta." (Provérbios 20:11)

Pode parecer demasiado filosófica, mas a questão é: As crianças podem ser felizes? Alguns estudiosos do comportamento humano dizem que sim e que tudo depende de um bom trabalho de parentalidade positiva por parte dos pais. O processo pode ser árduo mas não é impossível. É preciso seguir alguns princípios básicos, entre eles a liderança empática. Isso significa que eles até podem ser os príncipes e as princesas em casa, mas os reis e as rainhas devem ser os pais.

É preciso ginástica mental e um bom treino para lidar com as birras, as exigências, as respostas obstinadas, as mentiras a que se tem que reagir na pressa da manhã e entre o cansaço do fim o dia, mas no final, a palavra cooperar liga tudo: valores, amor, obediência, crescimento saudável.

Nós pais sabemos que nem sempre os sermões e ralhetes recebidos quando crianças nos ajudaram a ser uma pessoa melhor. É, por isso, importante que os pais vivam honestamente os seus valores e que sejam fiéis àquilo em que acreditam, pois não poderíamos ser melhores modelos para os nossos filhos. É em casa que os miúdos aprendem a ser, a ajudar e cooperar e também a tratarem de si. É em casa que eles aprendem a estar em comunidade e é neste espaço que deverão sentir-se seguros e não ameaçados.

A medição de forças entre pais e filhos não faz sentido. Há uma autoridade parental que tem que ser mostrada e explicada às crianças. A nossa missão é orientá-los no seu crescimento, certos que eles têm o direito de estarem zangados conosco, frustrados ou chateados com alguma decisão que possamos ter tomado. Mas não é por estarem assim que vamos mudar de ideia. Somos empáticos porque percebemos como eles se sentem mas não significa isso que temos de ceder ou fazer-lhes a vontade quando, o melhor para eles, é mantermos a decisão.

Não existem relações perfeitas entre pais e filhos. Perfeição é a possibilidade de estarmos em melhoria contínua e para isso há cinco princípios que ajudam ao processo de construção de uma relação equilibrada e saudável.

O respeito mútuo é um deles. Não é porque eu sou o pai/mãe dos meus filhos que eles me devem respeito. O respeito ganha-se e ensina-se, não é um dado adquirido. Existindo esse respeito, então a relação não precisa de se apoiar nas ameaças e palmadas nem no laisser faire, laisser passer e procura por outras formas de estratégias. Há ainda o vínculo, que se refere à relação que pais e filhos têm entre si. Segue-se a liderança empática, a disciplina e a parentalidade pró-ativa, quando os pais sabem em que fase do crescimento psicológico e emocional os filhos estão. Assim conseguem manter-se tranquilos e preparados para ajudar os filhos.

Aos pais que têm o sentimento de culpa de que poderiam fazer mais e melhor, especialistas aconselham a lembrarem de que andamos muito distraídos, muito cansados, e no limite. E, por isso mesmo, gerimos menos bem o stress e, então, os miúdos acabam sofrendo também.

Seria importante que os pais dessem corpo aos valores que são importantes na sua família. Se quero que o meu filho seja uma pessoa curiosa é importante, então deve sair com ele e levá-lo a conhecer a história da minha cidade, por exemplo. Se quero que o meu filho tenha um estilo de vida saudável, que goste e respeite a natureza, posso levá-lo a passear de bicicleta para uma floresta, trazer folhas e começar um herbário, por exemplo.

Não há processos instantâneos para resolver estas questões. Comportamentos não mudam do dia para a noite. Ninguém nasce ensinado. E quando se conhece estas dicas e as aplicamos, então a cooperação e a mudança de comportamento dos miúdos é quase automática.

Não há casos perdidos quando se fala em educar. O melhor momento pode ser hoje. O importante é renovar a forma como estamos na relação parental e começar, finalmente, a desfrutar dela a 100%. E sim, relações equilibradas, com espaço para negociação são relações saudáveis e penso que é isso que qualquer pai e mãe desejam.