sábado, 10 de setembro de 2016

Esquerdismo e o comportamento do cristão

“E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.” (Gênesis 6:5)

Recentemente comecei a reparar nas manifestações de rua e redes sociais uma certa mágoa por parte daqueles que se sentem prejudicados com a troca de governo. A insistência em continuar titulando o processo de impeachment como golpe, mesmo com todos pareceres jurídicos contrários, o medo do retrocesso cultural e da volta do conservadorismo, a falsa alegação de ameaça à democracia, dentre outras manifestações, fez me perceber a necessidade de aprofundar mais o estudo sobre o que venha ser o esquerdismo e qual a sua influência no comportamento do cristão.

Encontrei um artigo que aponta que pessoas de esquerda são mais inteligentes que as de direita. Embora não concorde com a afirmação, esses estudiosos concluíram em sua publicação no Journal of Psychological Science que “as habilidades cognitivas são fundamentais na formação de impressões de outras pessoas e na abertura da mente. Indivíduos com menores capacidades cognitivas gravitam em torno de ideologias conservadoras que mantêm as coisas como elas são, porque isso lhe dá um senso de ordem”. Entretanto, é notório que os esquerdistas têm dificuldade em transformar essa inteligência em algo prático para a sociedade. É possível facilmente observar pela história que as grandes inovações criadas pelo homem não tiveram origem em países que adotaram o esquerdismo. Os países socialistas e comunistas são os que possuem indústrias menos pujantes, embora possam ter boas escolas e universidades. Sob a ótica da democracia, observa-se que a maioria das ditaduras foram ou são de esquerda.

Por outro lado, deparei-me com algo interessante no livro The Liberal Mind: The Psychological Causes of Political Madness. Nele, o autor e psiquiatra forense Lyle Rossiter explica de forma acadêmica as causas psicológicas do esquerdismo, mostrando todas as questões ligadas à formação da personalidade. Rossiter classifica os esquerdistas em dois tipos: benignos e radicais. Os radicais são aqueles cujas ações causam dano a outros indivíduos. De qualquer forma, os esquerdistas benignos – que seriam os moderados – dão sustentação aos esquerdistas radicais. Pude notar que ambos não possuem comportamentos condizentes com os princípios bíblicos.

The Liberal Mind traz o primeiro exame profundo da loucura política mais relevante em nosso tempo: os esforços da esquerda radical para regular as pessoas desde o berço até o túmulo. Isso é exatamente o oposto da democracia que tanto pregam. Segundo o psiquiatra, “para salvar-nos de nossas vidas turbulentas, os esquerdistas radicais recomendam a negação da responsabilidade pessoal; incentivam a auto piedade e outro-comiseração; promovem a dependência ao Estado; pregam a indulgência sexual; racionalizam a violência; não reconhecem publicamente os erros cometidos; justificam o roubo como parte da luta contra os capitalistas opressores; ignoram a grosseria; prescrevem reclamação e imputação de culpa de seus erros a outrem; denigrem o matrimônio e a família; legalizam todos os abortos; etc. Já os menos radicais desafiam a tradição social e religiosa como forma de se opor ao status-quo; declaram a injustiça da desigualdade; se rebelam contra os deveres da cidadania, principalmente àqueles que se referem ao respeito às autoridades constituídas. Por fim, ambos apoiam uma total inversão de valores culturais, mesmo quando estes são derivados de princípios bíblicos.

O político de esquerda, geralmente populista, promete: garantir o bem-estar material de todos; fornecer saúde e educação para todos; proteger a autoestima de todos; corrigir todas as desvantagens sociais e políticas, assim como eliminar todas as distinções de classe. Em outras palavras, esse político, com a ajuda da mídia,  promete uma sociedade utópica como se fosse possível estabelecer um “céu” aqui na terra.

A partir dos anos 70, muitos cristãos de boa fé se enveredaram pela Teologia da Libertação, um movimento inclusivista de teologia política, que engloba várias correntes de pensamento que interpretam os ensinamentos de Jesus Cristo em termos de uma libertação de injustas condições econômicas, políticas ou sociais. O cristão verdadeiro sabe que Jesus Cristo não prometeu solução para os problemas sociais, pelo contrário, ele disse que no mundo teríamos aflições (João 16:33). Somente por meio da salvação oferecida por Jesus Cristo é que o homem chegará ao céu. Nenhum outro pode prometer justiça social simplesmente porque “não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; e não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos.” (Romanos 3.10-18)

O radicalismo, e aqui incluo todo tipo, com suas ações ataca os fundamentos da liberdade civilizada. Dadas as suas metas irracionais, métodos coercitivos e fracassos históricos, juntamente aos seus efeitos perversos sobre o desenvolvimento do caráter, não pode haver dúvida da existência da irracionalidade no radicalismo. Só uma agenda irracional defenderia uma destruição sistemática dos fundamentos que garantem a liberdade organizada. Sem levar em consideração a questão religiosa, apenas um homem irracional iria desejar que o Estado decidisse sobre sua vida, ao invés de exigir que este crie condições de segurança para que o próprio homem possa fazê-lo. Só uma agenda irracional tentaria, deliberadamente ou não, desincentivar o crescimento do cidadão por meio dos seus próprios esforços, sem depender eternamente do Estado. Em uma sociedade democrática, composta por pessoas livres e competitivas, só um irracional iria visualizar uma comunidade composta por vítimas exploradas por vilões exploradores.

É bem verdade que a humanidade se encontra sob total depravação, mas só Cristo pode curá-la. O cristão verdadeiro sabe disso. “Quem do imundo tirará o puro? Ninguém” (Jó 14:4). Também chamada de “corrupção total”, esta depravação indica que toda criatura humana, em sua condição atual, ou seja, após a queda, é caracterizada pelo pecado, que a corrompe e contamina, incluindo a mente. Por isso, afirma-se que ninguém é capaz de realizar o que é verdadeiramente bom aos olhos de Deus. Em contrapartida, o ser humano é escravo do pecado, por natureza hostil e rebelde para com Deus, espiritualmente cego para a verdade, incapaz de salvar a si mesmo ou até mesmo de se preparar para a salvação. Se há injustiça social, somente a intervenção direta de Deus pode mudar a situação. A oração e a pregação do Evangelho são as melhores contribuições que cristão pode dar à sociedade. Essas armas são incomparavelmente mais eficientes do que palavras de ordem contra o governo.

Portanto, as ações humanas voltadas para melhorar o mundo sem a intervenção divina são totalmente incompatíveis com os preceitos bíblicos e estão fadadas ao fracasso. “Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem” (Marcos 7:21-23). O homem por si só jamais endireitará o próprio homem, mas Jesus Cristo sim.