sábado, 6 de agosto de 2016

Queremos felicidade

“Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados” (Mateus 5:4)

O termo “bem-aventurado” significa mais do que o estado emocional representado pela palavra “alegre”. Ele inclui um bem-estar espiritual, baseado na aprovação de Deus e, desse modo, antecipando um destino mais do que alegre, ou seja, feliz, conforme descrito nos Salmos 1. 

Ontem, após a abertura dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, percebi nas redes sociais a grande manifestação de pessoas que se diziam “felizes” porque o Brasil mostrou para o mundo a criatividade do seu povo por meio daquela linda e exuberante festa. Nós realmente estávamos precisando de um momento glorioso para levantar a autoestima. Então comecei a pensar o quanto somos bons para fazer festa, embora estejamos em meio a tantos problemas sócio-político-econômicos.

Todos nós queremos ser felizes, não queremos apenas ser alegres. Felicidade e alegria são emoções diferentes. A felicidade independe da alegria, embora ambas se complementem. Por isso, uma pessoa que chora pode ser feliz. Por outro lado, nem todos que se alegram são felizes. Ontem estávamos alegres com a festa, não significando necessariamente que estávamos felizes.

A alegria depende das circunstâncias. Em geral está ligada a um fato ou ação positivos, ao êxtase e ao momento presente. Um dia podemos estar alegres e no outro tristes. Podemos estar alegres, por exemplo, por uma criança que nasce. Consequentemente, podemos estar tristes quando perdemos um ente querido. Porém, em ambas as situações podemos ser felizes.

A felicidade é perene, está ligada à confiança – em Deus, para os cristãos – e a um sentimento de paz interior. Independe das circunstâncias, não é passageira, fugaz. O contexto do verso acima indica que “os que choram” estão chorando por causa do pecado e do mal, especialmente os deles mesmos, e também por causa da falha da humanidade em dar glória a Deus apropriadamente. No entanto, Jesus afirmou que mesmo assim eles são bem-aventurados. 

Vivemos numa época em que as pessoas confundem os dois conceitos. O secularismo nos ensina que para ser felizes temos que estar alegres em todo instante, e evitar a todo custo a tristeza. E assim, saímos pelo mundo em busca de momentos que nos deixam em êxtase. Muitos encontram a alegria nas compras, nos shows, nas baladas, no sexo desenfreado, nas drogas, e em outras coisas mais. Entretanto, não encontram a tão almejada felicidade, porque se esquecem de que esta transita em uma dimensão sobrenatural.

A palavra “bem-aventurado” é repetida nove vezes no Sermão da Montanha, onde é possível entender que mais do que ser alegre, o bem-aventurado é útil, prestável, bem-sucedido na vida espiritual. Pelo decorrer do texto, podemos tomar estas “bem-aventuranças” como quadro do progresso espiritual de uma alma.

Naquela ocasião, antes de anunciar os preceitos do reino, Jesus apontou que ser “bem-aventurado” é ser mais do que alegre. O verso 4 é bem claro. “Significa ser enriquecido por Deus, e esse enriquecimento é no caráter, não nas possessões. É 'o que sou', e não 'o que tenho', que me torna verdadeiramente enriquecido ou bem-aventurado” (Goodman).

Portanto, mais do que alegria momentânea e fugaz, queremos a bem-aventurança e a felicidade que só Jesus Cristo pode dar. O nosso Brasil precisa melhorar em alguns quesitos para que sejamos um povo realmente feliz.