sábado, 11 de junho de 2016

Amor pelos bichos

Deus os abençoou, e lhes disse: “[…] Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra”. (Gênesis 1:28)

Se você gosta de bichos, talvez tenha ouvido falar de Ângelo Machado, médico, entomólogo, educador, escritor e autor de muitos sucessos infantis. Nascido em Belo Horizonte, Ângelo atribui o início de sua carreira de entomólogo ao amor pelas libélulas, aqueles insetos com corpo alongado e dois pares de asas semitransparentes.

Quando foi perguntado qual é a graça de estudar as libélulas, ele explicou: “A libélula é o animal mais bonito do mundo. As asas transparentes, os olhos grandes, a leveza, a rapidez do voo, elas são lindas. Outro motivo é a biologia, que é muito interessante, porque ela passa parte de sua vida dentro d’água, onde bota os ovos.”

A ideia para o enredo de O Menino e o Rio, um dos títulos mais famosos de Ângelo Machado, surgiu a partir da pergunta de um menino de sete anos durante uma palestra em uma escola. “Por que todos os rios são sujos?”, quis saber o garotinho, que morava em Belo Horizonte e só conhecia rios poluídos. Na imaginação do menino, os rios eram naturalmente sujos, e os homens, em sua bondade, os limpavam para poder beber de suas águas. O livro se inicia com a interrogação do menino, que vira personagem e é levado a conhecer um rio limpo.

Machado também procura valorizar a fauna brasileira. Ele fez uma pesquisa em cem livros de ecologia, com 64 espécies animais, e constatou que apenas 33% pertenciam à nossa fauna. Assim, segundo o naturalista, as crianças aprendem a gostar dos bichos e das plantas dos outros, deixando de valorizar as espécies que vivem aqui. Não há nada de errado em apreciar os elefantes e leões, por exemplo, mas é bom aprender a conhecer e a desenhar as onças e os tamanduás.

Entre suas iniciativas para diminuir as impressões negativas das crianças sobre os animais, ele escreveu uma nova versão para a história de Chapeuzinho Vermelho, intitulada Chapeuzinho Vermelho e o Lobo-Guará. (A palavra guará, em tupi, significa “vermelho”.) Nessa história, o lobo-guará, que se alimenta mais de fruta do que de carne, entra na casa da vovozinha e vai devorar Chapeuzinho, quando vê uma melancia na fruteira e pergunta: “Chapeuzinho Vermelho, para que essa melancia tão grande?” Ela diz: “É para você comer.” Aí, em vez de devorar a menina, ele come a melancia e outras frutas.

No texto de hoje, o autor de Gênesis diz que Deus colocou o homem como um protetor dos animais. Ter domínio sobre as aves, os peixes e os animais não significa liberdade para maltratá-los, mas a obrigação de cuidar bem deles. Você não precisa ser um Ângelo Machado, mas deve amar a natureza, as libélulas e os lobos-guarás.