sexta-feira, 13 de maio de 2016

A outra metade

Então o Senhor Deus declarou: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda.” (Gênesis 2:18)

A imagem de Dilma Rousseff durante seu discurso ao deixar o cargo, cercada de colaboradores, boa parte deles mulheres, destoa do governo que tomou posse poucas horas mais tarde. A foto que ilustra a equipe de Michel Temer revela que todos os 21 ministros nomeados pelo presidente são homens, em uma configuração que não era vista no Brasil desde o governo de Ernesto Geisel, nos anos 1970.

A questão da presença de mulheres na política brasileira e o sexismo camuflado por essa ausência não é novidade no país. No entanto, o tema vem sendo levantado com mais frequência por militantes desde a eleição de Dilma Rousseff, antes mesmo do processo de impeachment. “Desde o começo do mandato ou até durante a campanha ela sofreu agressões que um homem não sofreria no lugar dela”, afirma Luise Bello, gerente de conteúdo da ONG Think Olga, uma organização pelo empoderamento feminino por meio da informação.

“A sociedade tem ainda que trabalhar e evoluir para olhar as mulheres como iguais em todos os âmbitos, incluindo a política”, finaliza a representante das Nações Unidas. Mas veja o que Deus Criador dessa criatura tão fenomenal quer nos ensinar por meio da historinha a seguir.

O lugar era, literalmente, paradisíaco: clima agradável, paisagem deslumbrante, ambiente perfeito. O dono, no auge de sua vitalidade, olha para os lados e ali tem tudo o que poderia querer: palmeiras, árvores carregadas de frutas, animais exóticos, aves coloridas, um rio tranquilo, pedras preciosas. No entanto, ele sente um vazio inexplicável. Tudo era bom, mas algo não estava bem. O que estava faltando para ele ser feliz? Alguém com o mesmo padrão intelectual, mental e emocional dele.

Então o Criador põe em ação o clímax do plano. Corpo musculoso, rosto simétrico, pele aveludada, neurônios capazes de fazer mais de 100 trilhões de sinapses perfeitas, número muito superior aos 300 bilhões de estrelas que cintilam na Via Láctea, o primeiro homem se deita e cai num sono profundo. Quando abre os olhos, fica extasiado e, dando expressão a sentimentos mistos de amor e (auto)descoberta, compõe o primeiro poema da humanidade, mais interessado em rimas do pensamento do que de palavras: “Até que enfim! Osso dos meus ossos, carne da minha carne! Seu nome será mulher [ishah], pois foi feita do homem [ish].”

A partir daí, a história da mais linda das criaturas da Terra teve altos e baixos, glórias e vergonhas, aplausos e vaias. Explorada, minimizada e ignorada por muitos, a mulher foi também valorizada, maximizada e notada por outros tantos. Sua trajetória é o gráfico da história da própria humanidade. O que muitos ignoram é que ela não é uma ajudante inferior, mas alguém que apoia e completa. Afinal, a palavra “auxiliadora” (ezer), combinação de duas raízes com o sentido de “resgatar”, “salvar”, “fortalecer”, é sempre usada no Antigo Testamento num contexto de uma ajuda poderosa e vital. De seus 21 usos, o termo se refere duas vezes à primeira mulher, três vezes a aspectos militares e 16 vezes ao próprio Deus como ajudador.

Por isso, homem e mulher são iguais em termos de status, importância, valor, bênçãos, promessas, espiritualidade, adoração, utilidade e responsabilidade. Porém, o design, o estilo, as atitudes, os papéis, a contribuição e os interesses são diferentes. Se os homens são árvores, as mulheres são flores. O homem foi criado para dominar o planeta, a mulher foi moldada para embelezar a Terra. Os homens são construtores do mundo, as mulheres são arquitetas da sociedade. O homem é racional, a mulher é intuitiva. Se o pensamento dele é mais objetivo, a perspectiva dela é mais global. A mulher lê sinais não verbais, o homem entende mensagens claras. Homens partilham atividades, mulheres compartilham momentos. Assim como anjos de uma só asa não voam, o homem e a mulher só ganham as alturas juntos.

Será que diante da grave crise política a outra metade do ser humano - a mulher - não teria algo a contribuir para o governo?