quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Interpretação de sonhos

No segundo ano de seu reinado, Nabucodonosor teve sonhos; sua mente ficou tão perturbada que ele não conseguia dormir. (Daniel 2:1)

Babilônia, a poderosa cidade-estado acadiana construída às margens do rio Eufrates e cujas ruínas se encontram a cerca de 85 quilômetros de Bagdá, era uma terra de sonhos e sonhadores. Ali reis e profetas sonharam com o passado, o presente e o futuro do mundo.

Mesmo tendo um império para controlar e reinos para conquistar, Nabucodonosor se dava ao luxo de sonhar. Os sonhos (note o plural) mencionados no verso acima foram apenas os primeiros de uma série. O rei sonhou com uma estátua gigantesca feita de vários materiais (Daniel 2:31-33), uma “pedra que se soltou de uma montanha” e destruiu a estátua (2:45), “uma árvore muito alta no meio da terra” (4:10), e sabe-se lá mais o quê.

Depois, no primeiro ano de Belsazar, “Daniel teve um sonho, e certas visões passaram por sua mente, estando ele deitado em sua cama” (7:1). O profeta sonhou com “os quatro ventos do céu agitando o grande mar” e animais estranhos saindo das águas: um leão com asas de águia, um urso com três costelas entre os dentes, um leopardo com quatro asas e quatro cabeças, um animal aterrorizante com dentes de ferro (7:2-7). Mais tarde, teve outros sonhos e visões.

Sonhos, muitos sonhos, sonhos dentro de sonhos. E a interpretação? Como entender o significado de tanta atividade onírica? Como definir o próprio sonho? Seria uma imaginação do inconsciente? A realização de um desejo? Uma tentativa da psiquê de encontrar equilíbrio? Um mero subproduto da atividade cerebral? A edição de um filme que a mente deseja gravar no cérebro?

Quando o rei ficou perturbado com seus sonhos, cujo conteúdo ele esquecera, os magos, encantadores, astrólogos e adivinhos de Babilônia tentaram descobrir o que se passara dentro da cabeça do monarca enquanto ele dormia. Porém, fracassaram. Se hoje, depois de tantos estudos científicos, filosóficos e psicanalíticos, ainda não sabemos direito o que é o sonho e como interpretá-lo, imagine na época! Nem o melhor Freud babilônico podia decifrar o significado daquele cenário cheio de imagens, ideias e sensações. “Mas”, disse Daniel (2:28), “existe um Deus nos céus que revela os mistérios.”

A vida, às vezes, é como um sonho estranho, cheio de animais e bichos exóticos, em que nada parece fazer sentido. Contudo, o Espírito divino pode interpretar a paisagem onírica e dar coerência aos fatos. Ele mostra o rumo da história, o fio da narrativa, o fluxo dos acontecimentos. Quando você não conseguir decifrar os sonhos que passam pela sua cabeça, recorra ao Deus que revela os mistérios.

Assim como Deus revelou os sonhos de Faraó a José do Egito, assim como revelou os sonhos do rei da Babilônia ao profeta Daniel, Deus pode revelar a você os mistérios dos seus sonhos.