quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

As cinco linguagens do amor

"Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine. (...) O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. (...)Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. (...) Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor" (1 Coríntios 13:1,4,7,13).

Provavelmente, esse texto que o apóstolo Paulo escreveu à igreja de Corinto, seja o que melhor define o amor. Amor é aquele sentimento que faz duas pessoas se sentirem bem juntas, dividirem sonhos e caminharem na mesma direção. O amor supera qualquer barreira e dificuldade, porém, muitos casais que se amam, acabam sofrendo por não conseguirem entender um ao outro.

Diante disso, o autor Gary Chapman mostra em seu livro "As cinco linguagens do amor", a razão que faz as pessoas ficarem tão insatisfeitas em seus relacionamentos (mesmo se amando). Ele explica que as pessoas falam linguagens "afetivas" diferentes, assim como acontece nos idiomas. Ou seja: todos nós somos diferentes na forma de demonstrar amor e em como queremos ser amado(a)s; e para que haja uma harmonia, é preciso identificar qual a nossa "linguagem do amor" e a do outro.

Todos nós somos como "vasos vazios" que precisam ser preenchidos com amor, porém, nem sempre isso acontece, pois a forma com que recebemos amor é diferente. Então, ao descobrir a sua linguagem do amor e do seu parceiro, será possível você expressar amor da maneira com que ele(a) se sinta amado(a), e também fazê-lo(a) entender como você quer receber amor.

Talvez você seja uma pessoa que se sente amada quando seu parceiro diz palavras carinhosas, mas ele(a) nem deve saber disso, por isso ele(a) demonstra amor ajudando você em tarefas do dia a dia, por exemplo. Essa é uma atitude boa, mas você continuará insatisfeito, com seu "vaso vazio", até que ele(a) descubra a sua linguagem do amor.

A virada de ano é um bom momento para descobrirmos ou lembrarmos as cinco linguagens do amor. Você já sabe qual a sua linguagem do amor? E a linguagem de quem você ama? Veja abaixo quais são as cinco linguagens do amor: (Se possível, leia junto com seu(sua) companheiro(a):

1) Palavras de afirmação – São palavras carinhosas, que demonstram atenção, consideração e cuidado com a pessoa amada. Por exemplo: Elogios verbais: "O jantar estava ótimo!"; Afirmações: "Essa roupa ficou linda em você!"; e Incentivos: "Fique tranquilo(a), vai dar tudo certo".

2) Qualidade de tempo – É quando se dedica um tempo exclusivo, ainda que pequeno, sem interrupções. Conversas de qualidade, um passeio na praça, um café em um lugar diferente ou até mesmo assistir um filme no sofá de casa. Na verdade, não importa muito o que se faz, e sim com quem se faz.

3) Presentes – Neste caso, o que menos importa é o valor financeiro. Você pode colher uma flor, comprar uma pizza, dar uma caixa de bombons etc. Para a pessoa que se sente amada nessa linguagem, estes simples gestos significam: "Ele(a) se lembrou de mim - pensou em mim".

4) Gestos de serviço – Nesta linguagem, o que você faz fala mais alto. Lavar a louça do jantar vale mais do que aquela caixa de bombons finos que você comprou para ele(a); consertar a fechadura é mais importante do que levá-lo(a) ao cinema; levar o lixo para fora é mais relevante do que gravar músicas românticas.

5) Toque físico – O importante é saber quando, como e onde tocar a pessoa. Exemplos: dar beijos em momentos que ele(a) não espera; colocar a mão em seu ombro em uma situação difícil; abraçá-lo(a) de forma aconchegante quando ele(a) sentir medo ou insegurança.

Eu sei que muitas pessoas dirão: "Ah, eu tenho todas estas 5 linguagens do amor!" Mas é importante você identificar com seu(a) parceiro(a) qual a linguagem principal de cada um. Pois, ainda que você diga "eu te amo" em todas as linguagens, ele(a) continuará sentindo falta de algo. Use a linguagem correta e se aperfeiçoe a cada dia, ao colocá-las em prática. Você verá que seu relacionamento será bem mais saudável e o coração de vocês terá espaço apenas para o amor!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Feliz 2017

"Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria." (Salmo 90:12)

Agora que mais um ano novo se aproxima, que tal relembrarmos um pouquinho de como contar os nossos dias.

Ninguém gostaria de saber o dia da sua morte, não é verdade? Não sou mórbido, mas resolvi descobrir o meu dia final. Abri a página de um relógio da morte na internet e inseri meus dados. Marquei meu estado mental como “normal”. Apareceu uma tumba com o famoso RIP (rest in peace, “descanse em paz”) no canto superior esquerdo, junto de uma caveira sobre as engrenagens de um relógio no canto inferior direito, indicando a data fatal: domingo, 23 de abril de 2034. Eu teria apenas 656.571.713 segundos. Testei o modo “pessimista”. A data regrediu em 16 anos. Agora, eu morreria na quinta, 8 de março de 2018. Experimentei a categoria “otimista”. O relógio me permitiu viver até 6 de junho de 2058. 

Desconfiado de que talvez desse para barganhar alguns dias com a personagem da foice, acessei outro relógio da morte com praticamente o mesmo nome, mas agora “.org”, e não “.com”. Considerando que o pessoal do mundo “.org” supostamente tem vida mais tranquila, quem sabe eu viveria mais. Esqueça! Mesmo eu marcando direto no estilo de vida “otimista”, o relógio me garantiu apenas 80 anos, 11 meses e 2 dias. Data fatídica: sexta-feira, 14 de junho de 2041. Nesse caso, eu teria 10.209 dias, 14 horas, 42 minutos e 11 segundos de vida. Resolvi ficar com o primeiro relógio.

Feliz Ano Novo!
Moisés, o autor do Salmo 90, escreveu que devemos aprender a contar nossos dias. Será que ele estava falando de um relógio da morte? Não. O que ele queria dizer é que devemos aprender a aproveitar a vida. Como? Aqui estão sete sugestões:

• Tenha consciência de que o tempo passa rápido e a vida voa.

• Entenda que nunca é tarde para aprender a viver com sabedoria.

• Viva um dia de cada vez, semana após semana, mês após mês, ano a ano.

• Aproveite as oportunidades que aparecerem hoje e que podem não voltar amanhã.

• Fique do lado do bem e faça o bem cada dia.

• Imagine-se viajando no tempo e avançando 50 anos rumo ao futuro; então olhe para trás, visualize sua vida e, se ela não estiver levando você na direção de seus sonhos, trate de corrigir a rota.

• Saiba que você não tem controle sobre o total de seus dias na Terra.

A vida é como uma nota de 100 reais. Você pode gastá-­­la do jeito que quiser. Mas saiba que só pode gastar uma vez. Aprenda a contar bem os seus dias porque você terá que dar conta de cada um deles.

Feliz Ano Novo!

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Propósito de vida

"Antes de formá-lo no ventre eu o escolhi; antes de você nascer, eu o separei e o designei profeta às nações." (Jeremias 1:5)

Alguns anos atrás, o movimento “Vida com Propósitos”, iniciado pelo pastor Rick Warren, saiu das igrejas e alcançou a mídia e o meio corporativo, tornando-se um fenômeno mundial. Um de seus livros, Uma Vida com Propósitos, vendeu mais de 30 milhões de cópias no mundo e se tornou um dos mais traduzidos da história editorial.

Nesse livro, Warren destaca que Deus tem cinco propósitos para nossa vida e que o significado da vida surge quando os seguimos. São eles: (1) você foi planejado para agradar a Deus; (2) você foi criado para pertencer à família de Deus; (3) você foi criado para ser como Cristo; (4) você foi moldado para servir; e (5) você foi criado para desempenhar uma missão. Na visão do autor, o supremo propósito geral da vida é glorificar a Deus.

Assim como para Jeremias, Deus traçou um destino para cada pessoa. O verso acima deixa isso bem claro. Ele tem um plano elevado para cada um de nós. Você não é um acidente, uma obra do acaso, um erro da natureza.

Séculos antes de Rick Warren aparecer no mapa, Deus revelou seu propósito para a vida de um jovem chamado Jeremias, que nasceu no ano 627 a.C. Jeremias foi o último profeta de Judá antes do exílio. Ele profetizou por cerca de 40 anos.

Jeremias provavelmente tivesse entre 18 e 20 anos quando Deus lhe comunicou o propósito para sua vida. O jovem reclamou: “Ah, Senhor Deus, não me escolha. Não sou a pessoa certa. Sou apenas um adolescente. Não sei nem falar direito.” Ele sentiu um senso de incompetência devido à idade. Jeremias era o que se costumava chamar de na‘ar, um jovem solteiro, alguém que supostamente deveria ficar em silêncio diante dos mais maduros.

No entanto, a desculpa não impressionou Deus, que respondeu: “Eu o conheço desde o momento em que você era apenas um traço na ultrassonografia.” Na concepção hebraica, conhecer é um ato criativo, um envolvimento que leva à ação.

Então, Deus tocou a boca do profeta e o tornou efetivo. Ele toca nosso ponto fraco e o transforma em ponto forte. Onde os erros, problemas e fracassos humanos se multiplicam, os acertos, as soluções e os sucessos divinos se excedem. Assim, não diga que você é novo ou velho demais. Aceite o ideal de Deus para você, pois quem aceita o plano de Deus encontra o propósito da vida.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O efêmero e o eterno

"A relva murcha, e as flores caem, mas a palavra de nosso Deus permanece para sempre." (Isaías 40:8)

A poetisa Cecília Meireles, uma das mais talentosas vozes líricas da literatura brasileira, estreou na vida no dia 7 de novembro de 1901, no Rio de Janeiro, em meio a perdas. Seu pai morreu três meses antes do nascimento dela, e a mãe faleceu três anos depois.

Isso fez com que Cecília, criada pela avó, escrevesse mais tarde: “Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.” Marcada na infância pelo silêncio e a solidão, a poetisa completou: “A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade.”

Antes de Cecília, que começou a revelar sua sensibilidade poética aos 9 anos, outros poetas chegaram à mesma conclusão de que a vida é finita, efêmera, transitória, curta demais para realizar nossos sonhos de eternidade. A vida é frágil como a flor, rápida como o vento, incerta como as ondas. Criados de pó, voamos celeremente para o nada.

Os escritores bíblicos usaram uma série de metáforas para expressar a finitude do ser humano. Para Moisés, os homens “são breves como o sono” e transitórios “como a relva” (Sl 90:5). No Salmo 102:11, um poeta hebreu anônimo (talvez Davi) compara seus dias a “sombras”. No salmo seguinte, Davi assinala que o homem “floresce como a flor do campo, que se vai quando sopra o vento” (Sl 103:15, 16). Numa passagem clássica, o profeta Isaías (40:6-8) proclama que “toda a humanidade é como a relva”, que murcha, “e toda a sua glória como as flores do campo”, que caem. No Novo Testamento, Pedro cita Isaías para enfatizar a ideia da transitoriedade (1Pe 1:24), e Tiago (4:14) afirma que a vida é “como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa”.

Entretanto, no mesmo contexto em que reconhecem a fugacidade da vida humana, os escritores bíblicos ressaltam a eternidade de Deus. Por isso, diante da nossa finitude, temos que buscar a infinitude do Criador. É preciso aprender a contar os dias, viver com sabedoria, não se apegar demais ao que é transitório e buscar o que é permanente. Afinal, somente o Senhor do tempo pode colocar a eternidade em nosso coração e a imortalidade em nosso corpo. Se você confiar no Deus infinito, ainda que seja efêmero como a flor, se tornará eterno como os diamantes.

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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Tempos selvagens

"Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis." (2 Timóteo 3:1)

A cultura ocidental, em constante mudança, apresenta uma mistura de valores. Tem coisas boas e outras ruins. Sim, a cultura atual não é 100% má. Apesar de os pessimistas verem apenas o lado negativo, é possível identificar aspectos positivos, como a liberdade, a tolerância às diferenças, a tecnologia e a ciência. Mas há uma coisa que é 100% ruim e continua a piorar: a cultura da impiedade.

Vivendo no 1º século, o apóstolo Paulo olhou para o mundo da época e ficou desolado, pois viu que, com o passar do tempo, a cultura da impiedade tendia a se aprofundar. Em sua segunda carta a Timóteo (3:1-5), ele apresenta um catálogo impressionante das características que marcariam o fim dos tempos. O velho apóstolo queria blindar seu jovem seguidor contra as tendências que via ao redor. Imagine se ele vivesse hoje!

Na paráfrase A Mensagem, a linguagem de Paulo parece ainda mais vívida: “Não seja ingênuo. Tempos difíceis vêm por aí. À medida que o fim se aproxima, os homens vão se tornando egocêntricos, loucos por dinheiro, fanfarrões, arrogantes, profanos, sem respeito para com os pais, cruéis, grosseiros, interesseiros sem escrúpulos, irredutíveis, caluniadores, sem autocontrole, selvagens, cínicos, traiçoeiros, impiedosos, vazios, viciados em sexo e alérgicos a Deus. Eles vão fazer da religião um espetáculo, mas nos bastidores se comportam como animais.”

Note que esses indivíduos “selvagens”, “cínicos” e “vazios” são “alérgicos a Deus”. Gostam do que Deus não gosta, sentem prazer no que Deus abomina, amam o que Deus odeia, priorizam o que Deus despreza, ignoram o que Deus observa, esquecem-se do que Deus lembra. Talvez esse seja o problema principal. Deus faz mal para eles, pois seu sistema imunológico religioso e ético está enfraquecido. Não suportam a santidade. Desejam parecer religiosos, mas não querem ser transformados. Assim, a religião se torna um espetáculo, uma farsa, uma imitação barata.

Uma característica dessa cultura é o amor mal direcionado, voltado para o objeto errado. As pessoas são “amantes” do mundo, não “amantes” de Deus – termo que, em algumas versões, aparece cinco vezes nos primeiros versos do capítulo 3. Voltados para o “eu”, marcados por uma fé distorcida, eles rejeitam a verdade.

Não se iluda, aconselha Paulo. Tempos “selvagens” vêm por aí. As coisas estão piorando. E a melhor maneira de enfrentar a cultura da impiedade é buscar a Escritura inspirada, que é útil para corrigir nossos erros (v. 16) e promove a cultura da piedade. Para um tempo “sem noção”, busquemos a noção para todos os tempos.

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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Sucesso com Deus

“Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês”, diz o Senhor, “planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro.” Jeremias 29:11

O projeto de Deus para você não é diferente do projeto para o povo judeu no passado. A incrível promessa do texto de hoje, feita para os judeus do 6º século a.C., vale para você também. Deus planeja fazer você “prosperar” e lhe dar “esperança e um futuro”. Quem não quer prosperar e ter sucesso?

Ter sucesso não é errado. Contudo, não devemos assimilar os conceitos populares de sucesso. O cristão não considera o sucesso um fim em si, não o busca de forma antiética e não o usa de maneira egoísta. Ele está disposto a colocar Deus e as pessoas acima do sucesso. Se o verdadeiro sucesso não é apenas alcançar o que o mundo valoriza, o que é então?

1. Sucesso é realizar o potencial pessoal. O sucesso não deve ser medido pelas conquistas dos outros, mas pelo próprio progresso.

2. Sucesso é transpor com graça e bom humor os obstáculos. A vida é cheia de desafios e durezas. Quem aprende a sorrir e vai em frente com perseverança, apesar das dificuldades, é um vencedor.

3. Sucesso é alcançar o alvo que Deus motivou você a estabelecer para sua vida. Planos altruístas são ingredientes importantes do sucesso.

4. Sucesso é viver além do nível material. O sinal básico de uma vida bem-­sucedida não é uma empresa próspera, uma casa bonita, carro do ano ou uma coleção de joias caras, mas a conquista de uma dimensão espiritual mais profunda.

5. Sucesso é fazer diferença positiva na comunidade e no mundo. Todos nós temos a capacidade de deixar marcas positivas nas pessoas com quem entramos em contato.

6. Sucesso é cumprir o propósito para o qual Deus criou você. Glorificar a Deus ao ser transformado à imagem de Cristo é a síntese desse propósito.

7. Sucesso é transcender o imediato e ganhar a dimensão da eternidade. A maior evidência de sucesso é Deus manifestar o desejo de gravar nosso DNA em sua memória e nos considerar indispensáveis para viver eternamente em sua comunidade de amor. Ao alcançar a vida eterna, podemos conquistar os sonhos adiados.

Tente conquistar o sucesso, mas não fique obcecado por ele, pois, como alertou o psicólogo austríaco Viktor Frankl, “o sucesso, como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer […] como um efeito colateral não premeditado de nossa dedicação pessoal a um caminho que é maior que nós mesmos”. Você foi programado para Deus, e Deus é o sucesso absoluto.


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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Supervencedor

"Em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou." (Romanos 8:37)

Apesar do nome, Victor sentia-se derrotado e fracassado. Quando olhava para o passado, via erros assustadores, que frequentemente emergiam em sua consciência para assombrá-lo. Mesmo sendo cristão, vivia atormentado.

Certo dia, um pregador falou sobre um dos capítulos mais incríveis da Bíblia, Romanos 8, e enfatizou que, em Cristo, todo perdedor é um vencedor. “Você é super/ultra/mega vitorioso porque Deus está a seu lado e nada pode separá-lo do amor de Cristo”, ele disse, apontando o dedo para Victor. A mensagem atingiu o rapaz como um raio. Seria possível convencer um perdedor de que, na verdade, ele é um vencedor?

Em Romanos 8, a partir do verso 31, o apóstolo formula uma série de perguntas retóricas para nos convencer de que somos vencedores. O apóstolo nos desafia a pensar em todos os inimigos e obstáculos possíveis. Pegue todos eles e coloque-­­os de um lado. Pegue Deus e coloque do outro. Quem vence? Paulo sabia que os líderes judeus, os judaizantes, os romanos e os poderes invisíveis do mal estavam contra ele. Mas sabia também que a onipotência divina estava a seu favor.

Você é supervencedor, Paulo raciocina, porque Deus já deu seu Filho para morrer por você. Ele usa o argumento do maior para o menor. Se Deus deu o presente máximo, não vai dar o mínimo? Ele deu tudo o que você precisava para ter a vida eterna. Por isso, dará também tudo o que precisar para guiá-lo, protegê-lo e moldá-lo, até você chegar à glória eterna. Se ele deu o seu Filho, o resto é “café pequeno”, como se diz em Minas.

Você é supervencedor, diz Paulo, porque ninguém pode condená-lo. O diabo pode acusar, porém não condenar. A boa notícia não é apenas que Cristo morreu em seu lugar, mas que, no julgamento, você não será condenado. Pode parecer que o apóstolo estava sendo ingênuo. Afinal, Roma era um império brutal, que condenava quem queria. Contudo, quando Deus declara você justo, ninguém pode declará-lo culpado, porque Deus tem a última palavra. A salvação não depende de você, mas do que Jesus fez por você.

Por fim, diz o apóstolo, você é superconquistador porque ninguém tem o poder de fazer Deus parar de amá-lo. A dimensão do espaço ou a do tempo não pode separá-lo de Deus.

Victor ouviu Romanos 8 e voltou eufórico para casa. Passou de perdedor a supervencedor. Você também pode ser supervencedor porque Deus está a seu lado e ele nunca perde.

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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Estratégia de guerra

"Houve então uma guerra no céu. Miguel e seus anjos lutaram contra o dragão, e o dragão e os seus anjos revidaram." (Apocalipse 12:7)

O livro A Arte da Guerra, escrito no 4º século a.C. por Sun Tzu, é um influente tratado de estratégias militares. Usado por diversos generais ao longo da história, como Napoleão e Mao Tsé-Tung, transformou-se também em inspiração para economistas e administradores, que aplicam as táticas do sábio chinês no mundo dos negócios.

A obra, permeada pelo pensamento taoísta, é composta por 13 capítulos. Para muitos aspectos discutidos nela, podemos achar paralelos em outro clássico, a Bíblia, que contém orientações valiosas para vencermos a maior de todas as guerras.

No capítulo 3, por exemplo, o autor diz: “Se você conhece o inimigo e a si mesmo, lutará cem batalhas sem perigo de derrota. Se não conhece o inimigo, mas conhece a si mesmo, tem chances iguais de vitória ou derrota. Se não conhece nem o inimigo e nem a si próprio, será derrotado em todas as batalhas.” O manual do guerreiro cristão diz: “Sejam sóbrios e vigiem. O diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor” (1Pe 5:8).

Tzu observa que, assim como “a água não tem forma constante”, “na guerra também não existem condições constantes”, e é preciso observar as táticas do inimigo. Nosso manual adverte que “o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz” (2Co 11:14).

Para Tzu, “a invencibilidade está na defesa; a possibilidade de vitória, no ataque”. Ele recomenda a estratégia ofensiva. Paralelamente, nosso manual diz: “As armas com as quais lutamos não são humanas; pelo contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas” (2Co 10:4).

O estrategista chinês recomenda a energia, o ímpeto, a velocidade e a eficiência. Ele motiva o guerreiro a ser invencível. Nosso manual diz: “Fortaleçam-se no Senhor e no seu forte poder” (Ef 6:10). “Não tema, pois estou com você; não tenha medo, pois sou o seu Deus” (Is 41:10).

De acordo com Tzu, o guerreiro deve se adaptar ao terreno e buscar os espaços que aumentem suas chances de vitória. A estratégia bíblica ensina: “Se você fizer do Altíssimo o seu refúgio, nenhum mal o atingirá” (Sl 91:9, 10). Para os ataques com fogo, tema de um dos capítulos de Tzu, a estratégia bíblica recomenda: “Usem o escudo da fé, com o qual vocês poderão apagar todas as setas inflamadas do Maligno” (Ef 6:16). Ao discutir a utilização de agentes secretos, Tzu reforça que a inteligência ou espionagem é essencial. Estratégia bíblica: “Os anjos não são, todos eles, espíritos ministradores enviados para servir aqueles que hão de herdar a salvação?” (Hb 1:14).

Se você usar a arte divina da guerra espiritual, será vitorioso. Ninguém pode derrotar quem segue a estratégia do Senhor dos exércitos.

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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Reinvente a vida

Embora sendo Filho, ele aprendeu a obedecer por meio daquilo que sofreu. Hebreus 5:8

No poema “Reinvenção”, Cecília Meireles escreveu: “A vida só é possível reinventada.” De fato, toda pessoa vitoriosa tem que se reinventar constantemente. Os heróis e campeões são “reinventores”, pois a vida apresenta obstáculos a cada momento. Alguns mudam de profissão, outros mudam de lugar, outros ainda mudam de atitude, mas todos passam por reinvenções.

Uma das palavras que melhor definem a reinvenção da vida é resiliência, termo que entrou para o dicionário da psicologia nas últimas décadas. Resiliência é o poder de recuperar a forma física, emocional e espiritual depois de ter sido esticado, pressionado e torcido durante um período de tensão. É ser jogado na lona pelos golpes da vida, levantar, limpar o sangue do nariz e nocautear o inimigo. É voltar à tona e nadar quando a vida tenta nos submergir no mar das dificuldades. É ter a capacidade de suportar choques sem romper ou danificar permanentemente o sistema.

A pessoa resiliente sofre e enfrenta desafios igual a todo mundo, mas usa as dificuldades para se tornar forte como o aço. Às vezes, essa capacidade emocional, espiritual e moral aparece somente depois de experiências amargas, decepções profundas e exposição a fatores de risco. Nos últimos anos, muitos estudos têm sido feitos sobre o poder da resiliência. Alguns deles sugerem que um ambiente positivo e apoiador ajuda a desenvolver a resiliência. Outros mostram que a resiliência é mais visível num contexto de crise, perda e desvantagem.

Em 1964, o psicólogo Victor Goertzel e sua esposa Mildred escreveram um livro intitulado Cradles of Eminence (Berços da Eminência) no qual estudaram 400 personagens eminentes, como Winston Churchill, Albert Schweitzer e Liev Tolstói, na tentativa de descobrir o que contribuiu para sua excelência. Concluíram que a maioria vinha de um ambiente desafiador. Em 2004, Ted Goertzel, filho do casal, publicou uma nova edição da obra e acrescentou muitos outros nomes mais recentes, como Nelson Mandela, Teresa de Calcutá e Oprah Winfrey, chegando à mesma conclusão.

Na Bíblia, encontramos muitos heróis, como Jó, Abraão, Jacó, José, Moisés, Davi, Elias, Noemi, Rute, Ester, Pedro e Paulo, que tiveram perdas, passaram por crises, sofreram pressões, mas desenvolveram resiliência, deram a volta por cima e conseguiram reinventar a vida. Eles confiaram em Deus e se tornaram exemplos de superação.

O maior exemplo de resiliência do mundo é o próprio Jesus, que sofreu imensamente, morreu, ressuscitou e voltou, glorificado, à sua forma original. Cristo pode ajudá-lo a se tornar resiliente e reinventar a vida.

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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Carro na estrada

"Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino." (1 Coríntios 13:11)

Bem-sucedidos, entrando na meia-idade, Antônio e Angelina haviam construído os fundamentos do lar com oração. No entanto, agora que o filho e a filha estavam na adolescência, os problemas começavam a aparecer. Comportamento imaturo, rebeldia, decisões erradas, displicência com a vida espiritual…

Antônio entrou em pânico. Ele se perguntava: “Será que as coisas podem dar errado mesmo quando os pais fazem tudo certo? Qual é o equilíbrio entre liberdade e controle? Que mundo é este? Onde está a responsabilidade dos jovens?”

Ele não tinha se preparado para essa fase, que chegara muito rápido. Achava que, fazendo o básico, tudo daria certo automaticamente. Contudo, não foi bem assim. Diante dos primeiros desafios, tentou controlar os filhos com zelo excessivo, o que nunca tinha feito, mas as coisas apenas pioraram. Foi então que chegou ao consultório do conselheiro cristão em busca de ajuda. “Socorro!”, parecia estar escrito em seu rosto. Depois de uma hora de conversa, o conselheiro percebeu o que estava acontecendo. Antônio era superprotetor.

O conselheiro explicou que, nessa fase, os pais precisam intensificar a vida de oração, soltar os filhos e supervisionar de longe, estabelecer regras claras, delegar tarefas, cobrar responsabilidade, entender que as criancices são temporárias e saber que, no fim, criar filhos é uma maneira de aprender a confiar mais no poder de Deus e menos em nossas habilidades. “Quando o filho está envolvido em comportamentos autodestrutivos como o uso de álcool e drogas, o controle deve ser retomado com firmeza pelos pais, que precisam agir sem meias medidas”, explicou o conselheiro. “Afinal, como diz um ditado judaico, ‘não enfrente um problema pela metade’. Mas, se não é o caso, então é preciso deixá-los crescer.”

Notando que Antônio ainda não estava convencido, o conselheiro olhou pela janela, apontou para o carro novo do cliente e disse: “Você comprou um carro novo, não é? Você poderia deixá-lo na garagem ou colocá-lo na estrada. Por que resolveu colocá-lo para rodar? ” Antônio entendeu que um filho é igual a um carro novo, que não foi feito para ficar a vida inteira na garagem. Por outro lado, concluiu que não se deixa um carro novo o tempo todo na rua.

Se você tem filhos adolescentes, saiba que um dia deixarão as coisas de meninos. Coloque-os na “estrada” para “rodar” e confie na ajuda divina.

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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O segredo da alegria

Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: alegrem-se! Filipenses 4:4

A alegria no Senhor é força, sustentação, âncora, reserva de ânimo, motivação para viver. Porém, como é difícil cultivar esse estado de espírito! Os amantes do pessimismo e do mau humor parecem ser prisioneiros da “distimia”, um tipo de depressão que se caracteriza, entre outras coisas, pela perda do prazer e pelo sentimento de negatividade.

No entanto, o apóstolo Paulo afirma que devemos nos alegrar “sempre”. Os mais desconfiados poderiam dizer: “É impossível ficar sempre alegre neste mundo cheio de problemas! Será que é isso mesmo que ele quis dizer? Não seria para nos alegrarmos apenas durante o fim de semana?” Para não deixar dúvidas, o apóstolo repete a ordem: “Alegrem-se!”

Outros podem argumentar: “Mas eu trabalho num lugar apertado, quase sem ar, rodeado de pessoas desagradáveis. O apóstolo falou isso porque não enfrentou as dificuldades que eu enfrento.” Pois bem, Paulo estava na prisão quando escreveu Filipenses, carta em que repete 16 vezes as palavras “alegria” e “alegrar-se”. Ele sabia que a alegria não depende do conforto, lugar ou espaço. A alegria está em Deus. E Deus se dispõe a morar em nosso coração. Os cinco segredos do apóstolo para manter a alegria aparecem nos versos seguintes.

Primeiramente, não ande ansioso por coisa alguma, mas apresente tudo a Deus por meio da oração e de ações de graças. Fazendo isso, “a paz de Deus, que excede todo o entendimento”, guardará o seu coração e a sua mente em Cristo Jesus (v. 6, 7).

Em segundo lugar, tenha um padrão de pensamento positivo. Pense a respeito de “tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama”, tudo o que for “excelente ou digno de louvor” (v. 8). Focalizar o lado luminoso da vida deve ser um hábito diário.

Em terceiro lugar, adapte-se às circunstâncias. Paulo disse: “Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade” (v. 12).

Em quarto lugar, tenha a certeza de que Deus lhe concederá poder para enfrentar todos os desafios. “Tudo posso naquele que me fortalece”, diz o apóstolo (v. 13).

Finalmente, acredite que Deus proverá o que você precisa. “O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus” (v. 19).

Você não se alegra focalizando os motivos para tristeza, mas conectando-se à fonte da alegria. Então, alegre-se no Senhor!

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terça-feira, 11 de outubro de 2016

As crianças podem ser felizes?‏

"Até a criança se dá a conhecer pelas suas ações, se a sua conduta é pura e reta." (Provérbios 20:11)

Pode parecer demasiado filosófica, mas a questão é: As crianças podem ser felizes? Alguns estudiosos do comportamento humano dizem que sim e que tudo depende de um bom trabalho de parentalidade positiva por parte dos pais. O processo pode ser árduo mas não é impossível. É preciso seguir alguns princípios básicos, entre eles a liderança empática. Isso significa que eles até podem ser os príncipes e as princesas em casa, mas os reis e as rainhas devem ser os pais.

É preciso ginástica mental e um bom treino para lidar com as birras, as exigências, as respostas obstinadas, as mentiras a que se tem que reagir na pressa da manhã e entre o cansaço do fim o dia, mas no final, a palavra cooperar liga tudo: valores, amor, obediência, crescimento saudável.

Nós pais sabemos que nem sempre os sermões e ralhetes recebidos quando crianças nos ajudaram a ser uma pessoa melhor. É, por isso, importante que os pais vivam honestamente os seus valores e que sejam fiéis àquilo em que acreditam, pois não poderíamos ser melhores modelos para os nossos filhos. É em casa que os miúdos aprendem a ser, a ajudar e cooperar e também a tratarem de si. É em casa que eles aprendem a estar em comunidade e é neste espaço que deverão sentir-se seguros e não ameaçados.

A medição de forças entre pais e filhos não faz sentido. Há uma autoridade parental que tem que ser mostrada e explicada às crianças. A nossa missão é orientá-los no seu crescimento, certos que eles têm o direito de estarem zangados conosco, frustrados ou chateados com alguma decisão que possamos ter tomado. Mas não é por estarem assim que vamos mudar de ideia. Somos empáticos porque percebemos como eles se sentem mas não significa isso que temos de ceder ou fazer-lhes a vontade quando, o melhor para eles, é mantermos a decisão.

Não existem relações perfeitas entre pais e filhos. Perfeição é a possibilidade de estarmos em melhoria contínua e para isso há cinco princípios que ajudam ao processo de construção de uma relação equilibrada e saudável.

O respeito mútuo é um deles. Não é porque eu sou o pai/mãe dos meus filhos que eles me devem respeito. O respeito ganha-se e ensina-se, não é um dado adquirido. Existindo esse respeito, então a relação não precisa de se apoiar nas ameaças e palmadas nem no laisser faire, laisser passer e procura por outras formas de estratégias. Há ainda o vínculo, que se refere à relação que pais e filhos têm entre si. Segue-se a liderança empática, a disciplina e a parentalidade pró-ativa, quando os pais sabem em que fase do crescimento psicológico e emocional os filhos estão. Assim conseguem manter-se tranquilos e preparados para ajudar os filhos.

Aos pais que têm o sentimento de culpa de que poderiam fazer mais e melhor, especialistas aconselham a lembrarem de que andamos muito distraídos, muito cansados, e no limite. E, por isso mesmo, gerimos menos bem o stress e, então, os miúdos acabam sofrendo também.

Seria importante que os pais dessem corpo aos valores que são importantes na sua família. Se quero que o meu filho seja uma pessoa curiosa é importante, então deve sair com ele e levá-lo a conhecer a história da minha cidade, por exemplo. Se quero que o meu filho tenha um estilo de vida saudável, que goste e respeite a natureza, posso levá-lo a passear de bicicleta para uma floresta, trazer folhas e começar um herbário, por exemplo.

Não há processos instantâneos para resolver estas questões. Comportamentos não mudam do dia para a noite. Ninguém nasce ensinado. E quando se conhece estas dicas e as aplicamos, então a cooperação e a mudança de comportamento dos miúdos é quase automática.

Não há casos perdidos quando se fala em educar. O melhor momento pode ser hoje. O importante é renovar a forma como estamos na relação parental e começar, finalmente, a desfrutar dela a 100%. E sim, relações equilibradas, com espaço para negociação são relações saudáveis e penso que é isso que qualquer pai e mãe desejam.

sábado, 8 de outubro de 2016

Deus e as tragédias

"Alegrai-vos com os que se alegram; chorai com os que choram;" (Romanos 12:15)

O Furacão Matthew fez mais de 842 mortos no Haiti. É este o balanço até o momento em que escrevo. Matthew já chegou à costa dos Estados Unidos e deixa para trás um rasto de destruição. Os números continuam a ser revistos pois em muitas das zonas afetadas, os acessos são muito difíceis e as autoridades não recolheram ainda todos os dados. O Haiti já havia sofrido um terremoto em 2010.

Vejo muitas amigos dando a entender estarem revoltados com Deus com o fato de que centenas de pessoas boas, desprevenidas, cidadãos de bem, foram apanhados numa tragédia e morreram de forma terrível, deixando para trás famílias, filhos, entes queridos. Muitas perguntam, “Onde está Deus quando tudo isto acontece?” “Se Deus é pessoal, soberano, todo-poderoso, onisciente, amoroso e bom, como então podemos explicar a ocorrência das tragédias, calamidades, doenças, sofrimentos, que atingem bons e maus ao mesmo tempo?”

Muito bem, se você se interessa pelas respostas à essas questões, vamos recorrer a um texto escrito por Augustus Nicodemus Lopes, intitulado Carta a Bonfim: Deus e as tragédias. Segundo esse autor, “qualquer tentativa que um cristão que crê que a Bíblia é a Palavra de Deus faça para entender as tragédias, desastres, catástrofes e outros males que sobrevêm à humanidade, não pode deixar de levar em consideração dois componentes da revelação bíblica, que são a realidade da queda moral e espiritual do homem e o caráter santo e justo de Deus.”

Diz assim a carta: [Lemos em Gênesis 1—3 que Deus criou o homem, macho e fêmea, à sua imagem e semelhança, e que os colocou no jardim do Éden, com o mandamento para que não comessem do fruto proibido. O texto relata como eles desobedeceram a Deus, seduzidos pela astúcia e tentação de Satanás, e decaíram assim do estado de inocência, retidão e pureza em que haviam sido criados. As consequências, além da queda daquela retidão com que haviam sido criados, foram a separação de Deus, a perda da comunhão com ele, e a corrupção por inteiro de suas faculdades, como vontade, entendimento, emoções, consciência, arbítrio. Pior de tudo, ficaram sujeitos à morte, tanto espiritual, que consiste na separação de Deus, como a física e a eterna, esta última sendo a separação de Deus por toda a eternidade.

Este fato, que chamamos de “queda,” afetou não somente a Adão e Eva, mas trouxe estas consequências terríveis a toda a sua descendência, isto é, à humanidade que deles procede, pois eles eram o tronco e a cabeça da raça humana. Em outras palavras, a culpa deles foi imputada por Deus aos seus filhos, e a corrupção de sua natureza foi transmitida por geração ordinária a todos os seus descendentes. Desde cedo na história da Igreja cristã esta doutrina, que tem sido chamada de “pecado original”, foi questionada por gente como Pelágio, que afirmava que o pecado de Adão e Eva afetou somente a eles mesmos, e que seus filhos nasciam isentos, neutros, sem pecado, e sem culpa e sem corrupção inata. Tal ideia foi habilmente rechaçada por homens como Agostinho, Lutero, Calvino e muitos outros, que demonstraram claramente que o ensino bíblico é o que chamamos de depravação total e transmitida, culpa imputada e corrupção herdada. As consequências práticas para nós hoje são terríveis. Por causa desta corrupção inata, com a qual já nascemos, somos totalmente indispostos para com as coisas de Deus; somos, por natureza, inimigos de Deus e, portanto, filhos da ira. É desta natureza corrompida que procedem os nossos pecados, as nossas transgressões, as desobediências, as revoltas contra Deus e sua Palavra.

Agora chegamos no ponto crucial e mais relevante para nosso assunto. Entendo que a Bíblia deixa claro que os nossos pecados, tanto o original quanto os pecados atuais que cometemos, por serem transgressões da lei de Deus, nos tornam culpados e, portanto, sujeitos à ira justa de Deus, à sua justiça retributiva, pela qual ele trata o pecador de acordo com o que ele merece. Ou seja, a humanidade inteira, sem exceção – visto que não há um único justo, um único que seja inocente e sem pecado – está sujeita ao justo castigo de Deus, o que inclui – atenção! – a morte, as misérias espirituais, temporais (onde se enquadram as tragédias, as calamidades, os desastres, as doenças, o sofrimento) e as misérias espirituais (que a Bíblia chama de morte eterna, inferno, lago de fogo, etc.).

A Bíblia revela com muita clareza, e sem a menor preocupação de deixar Deus sujeito à crítica de ser cruel, déspota e injusto, que ele mesmo é quem determinou tragédias e calamidades sobre a raça humana, como parte das misérias temporais causadas pelo pecado original e as transgressões atuais. Isto, é claro, se você acredita realmente que a Bíblia é a Palavra de Deus, e não uma coleção de ideias, lendas, sagas, mitos e estórias politicamente motivadas e destinadas a justificar seus autores. De acordo com a Bíblia, foi Deus quem condenou a raça humana à morte no jardim (Gn 2.17; 3.19; Hb 9.27). Foi ele quem determinou a catástrofe do dilúvio, que aniquilou a raça humana com exceção da família de Noé (Gn 6.17; Mt 24.39; 2Pe 2.5). Foi ele quem destruiu Sodoma, Gomorra e mais várias cidades da região, com fogo caído do céu (Gn 19.24-25). Foi ele quem levantou e enviou os caldeus contra a nação de Israel e demais nações ao redor do Mediterrâneo, os quais mataram mulheres, velhos, crianças e fizeram prisioneiros de guerra (Dt 28.49-52; Hab 1.6-11). Foi ele quem levantou e enviou contra Israel povos vizinhos para saquear, matar e fazer prisioneiros (2Re 24.2; 2Cr 36.17; Jr 1.15-16). Foi ele quem ameaçou Israel com doenças, pestes, fomes, carestia, seca, pragas caso se desviassem dos seus caminhos (Dt 28). Foi ele quem enviou as dez pragas contra o Egito, ferindo, matando e trazendo sofrimento a milhares de egípcios, inclusive matando os seus primogênitos (Ex 9.13-14). Foi o próprio Jesus quem revelou a João o envio de catástrofes futuras sobre a raça humana, como castigos de Deus, próximo da vinda do Senhor, conforme o livro de Apocalipse, tais como guerras, fomes, pestes, pragas, doenças (Apocalipse 6—9), entre outros. Foi o próprio Jesus quem profetizou a chegada de guerras, fomes, terremotos, epidemias (Lc 21.9-11) e a destruição de Jerusalém, que ele chamou de “dias de vingança” de Deus contra o povo que matou o seu Filho, nos quais até mesmo as grávidas haveriam de sofrer (Lc 21.20-26). E por fim, Deus já decretou a catástrofe final, a destruição do mundo presente por meio do fogo, no dia do juízo final (2Pe 3.7; 10-12).

Isto não significa, na Bíblia, que o sofrimento das pessoas é sempre causado por uma culpa individual e específica. Há casos, sim, em que as pessoas foram castigadas com sofrimentos temporais em virtude de pecados específicos que cometeram, como por exemplo o rei Uzias que foi ferido de lepra por causa de seu pecado (2Cr 26.19; cf. também o caso de Miriã, Nm 12.10). O rei Davi perdeu um filho por causa de seu adultério (2Sm 12.14). Mas, em muitos outros casos, as tragédias, catástrofes, doenças e sofrimentos não se devem a um pecado específico, mas fazem parte das misérias temporais que sobrevêm à toda a raça humana por conta do estado de pecado e culpa em geral em que todos nós nos encontramos. Deus traz estas misérias e castigos para despertar a raça humana, para provocar o arrependimento, para refrear o pecado do homem, para incutir-lhe temor de Deus, para desapegar o homem das coisas desta vida e levá-lo a refletir sobre as coisas vindouras. Veja, por exemplo, a reflexão atribuída a Moisés no Salmo 90, provavelmente escrito durante os 40 anos de peregrinação no deserto. Veja frases como estas:

Tu reduzes o homem ao pó e dizes: Tornai, filhos dos homens... Tu os arrastas na torrente, são como um sono, como a relva que floresce de madrugada; de madrugada, viceja e floresce; à tarde, murcha e seca. Pois somos consumidos pela tua ira e pelo teu furor, conturbados. Diante de ti puseste as nossas iniquidades e, sob a luz do teu rosto, os nossos pecados ocultos. Pois todos os nossos dias se passam na tua ira; acabam-se os nossos anos como um breve pensamento...

Não devemos pensar que aquelas pessoas que ficam doentes, passam por tragédias, morrem em catástrofes – como os passageiros do vôo AF 447 do Rio de Janeiro a Paris em 2010 – eram mais pecadoras do que as demais ou que cometeram determinados pecados que lhes acarretou tal castigo. Foi o próprio Jesus quem ensinou isto quando lhe falaram do massacre dos galileus cometido por Pilatos e a tragédia da queda da torre de Siloé que matou dezoito (Lc 13.1-5). Ele ensinou a mesma coisa no caso do cego relatado em João 9.3-4. Os seus discípulos levantaram o problema do sofrimento do cego a partir de um conceito individualista de culpa, ponto que foi rejeitado por Jesus. A cegueira dele não se deveu a um pecado específico, quer dele, quer de seus pais. As pessoas nascem cegas, deformadas, morrem em tragédias e acidentes, perdem tudo que têm em catástrofes, não necessariamente porque são mais pecadoras do que as demais, mas porque somos todos pecadores, culpados, e sujeitos às misérias, castigos e males aqui neste mundo.

No caso do cego, Jesus disse que ele nascera assim “para que se manifestem nele as obras de Deus” (Jo 9.3). Sofrimento, calamidades, etc., não são somente um prelúdio do julgamento eterno de Deus; há também um tipo de sofrimento no qual Deus é glorificado por meio de Cristo em sua graça, e assim se torna, portanto, um exemplo e um prelúdio da salvação eterna. As tragédias servem para levar as pessoas a refletir sobre a temporalidade e fragilidade da vida, e para levá-las a refletir nas coisas espirituais e eternas. Muitos têm encontrado a Deus no caminho do sofrimento.

Por último, preciso deixar claro duas coisas. Primeira, que nada do que eu disse acima me impede de chorar com os que choram, e sofrer com os que sofrem. Somos membros da mesma raça, e quando um sofre, sofremos com ele. Segunda, é preciso reconhecer que a revelação bíblica é suficiente, mas não exaustiva. Não temos todas as respostas para todas as perguntas que se levantam quando um acidente destes acontece. Não sabemos, por exemplo, porque foi o vôo AF 447 e não outro que caiu no oceano matando todos os seus ocupantes. Não conhecemos a vida de seus passageiros e nem os propósitos maiores e finais de Deus com aquela tragédia. Só a eternidade o revelará. Temos que conviver com a falta destas respostas neste lado da eternidade. Mas, é preferível isto a aceitar respostas que venham a negar o ensino claro da Bíblia sobre Deus, como por exemplo, especular que ele não é soberano e nem onisciente e onipotente. Posso não saber os motivos específicos, mas consola-me saber que Deus é justo, bom e verdadeiro, e que todas as suas obras são perfeitas e retas, e que nele não há engano.]

Diante disso, temos convicção de que as tragédias ocorrem como parte das misérias e castigos temporais resultantes das nossas culpas, de nossos pecados, como raça pecadora que somos. Pode ser qualquer pessoa reta diante de Deus que esteja no meio das tragédias, ainda assim, Deus não comete qualquer injustiça, pois mesmo esta pessoa é pecadora. Não existem inocentes diante de Deus. Pensemos nisto, antes de ficarmos indignados contra Deus diante do sofrimento humano.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Ensine a criança

"Eduque a criança no caminho em que deve andar, e até o fim da vida não se desviará dele" (Provérbios 22;6)

Chegamos novamente no mês em que se comemora o Dia da criança. Muito temos a aprender para melhor educá-las. Vejam a seguir alguns conselhos de pesquisadores de Harvard.

Nesta era de tecnologia, descobrimos que a educação dos filhos é um pouco diferente dos tempos antes do iPod, iPhone, computadores, Internet, e todos as outras modernidades incríveis que nos consomem. As crianças brincavam nas ruas. Jogavam bola nos campos. Brincavam do lado de fora até que as luzes de rua se acendiam e elas sabiam que tinham que ir para dentro de casa. Nós estamos criando crianças muito diferentes agora do que há vinte ou trinta anos. Mas, talvez seja hora de voltar ao básico.

Este é um mundo novo. As crianças nascidas nessa era automaticamente recebem aparelhos para entretê-las. Mas, aonde estamos errando? Psicólogos da Universidade de Harvard vêm estudando o que torna uma criança bem criada nestes tempos de mudanças. Eles concluíram que existem vários elementos que ainda são essenciais.

Para ensinar bem uma criança existem alguns segredos: Passar o tempo com seus filhos é o primeiro deles. Significa deixar tudo de lado por um tempo, ler um livro, chutar uma bola, caminhar com ele, ou apenas jogar um jogo à moda antiga. Em termos mais simples, isso significa que você interage com sua criança. Estas são as coisas das quais vão se lembrar. Elas vão se esquecer do que você comprou. Só querem passar mais tempo com seus pais.

Fale com eles em voz alta. De acordo com os pesquisadores de Harvard, “Mesmo que a maioria dos pais diga que o cuidado com seus filhos é uma prioridade de tempo, muitas vezes as crianças não estão ouvindo a mensagem”.

Passe tempo com eles para descobrir o que está acontecendo em sua vida. Verifique com professores, treinadores. Descubra se há uma mudança em seu comportamento. Permita que seu filho se sinta confortável para vir e falar com você. Seu filho precisa saber que é a prioridade em sua vida. As crianças necessitam de confirmação através de palavras. As palavras são importantes. Converse com elas e compartilhe suas histórias sobre a escola, trabalhos de casa, amigos, e assim por diante.

Mostre ao seu filho como resolver problemas sem estressar sobre o resultado. Um dos maiores presentes que você pode dar ao seu filho é a capacidade de analisar e resolver problemas. Aos poucos, e dentro de alguns limites, ensine seu filho a decidir por si mesmo o que ele quer. Você não pode resolver seus problemas o tempo todo. É saudável lhe permitir experimentar a vida através de suas próprias lentes, mas tenha cuidado, não se esqueça de estabelecer os limites. Conquistas são importantes e, ao permitir-lhe determinar o que quer, você está o presenteando com a consciência.

Você quer criar um adulto produtivo? Então permita que ele venha até você e compartilhe seus problemas, e oriente-o a fazer as melhores escolhas possíveis. É difícil dar um passo atrás e ver como seu filho cometeu um erro. Mas faz parte da aprendizagem e da evolução da nossa humanidade.

Rick Weissbourd, que conduziu o estudo, diz: “Estamos muito focados na felicidade de nossos filhos. Estamos fazendo-os se concentrarem apenas em casos de sucesso. A pressão para a realização pode ter muitos resultados negativos”, diz Weissbourd, que é codiretor do projeto.

Mostre a sua gratidão a seu filho regularmente. Os pesquisadores dizem que “os estudos mostram que pessoas que praticam o hábito de expressar gratidão são mais propensas a serem úteis, generosas, compassivas, felizes, saudáveis e perdoarem com mais facilidade.” Os pais devem dar tarefas aos seus filhos e, em seguida, expressarem gratidão por suas realizações. É importante que as crianças vejam que a gratidão é um dom notável. Sempre que fizerem algo, honre-as e reconheça-as pelo seu desempenho.

Como pais, é nosso dever ensinar nossos filhos a serem compreensivos e compassivos para com os outros. As crianças aprendem pelo exemplo. Leve-as a um abrigo. Permita-lhes testemunharem como têm sorte de terem uma casa. Ajudar seus filhos é não apenas dar-lhes uma chance de serem adultos surpreendentes, mas também remover o preconceito da intolerância e diferenças. Tudo começa em casa.

Ensine seus filhos a expandirem a sua visão. Isso remonta à mostrar-lhes gratidão. Deixe seu filho experimentar o mundo através de sua compaixão. Os pesquisadores dizem que “quase todas as crianças empatizam e se preocupam com seu pequeno círculo de familiares e amigos.”

Ensine seu filho a ser um bom ouvinte, a interagir sem o uso de tecnologia, ser compreensivo com outras pessoas fora de sua família, e não julgar qualquer pessoa com base em sua religião ou nacionalidade. Estamos em tempos cruciais da evolução humana, e esta nova geração tem a capacidade de mudar o nosso mundo. Expor seu filho a diferentes culturas ajuda a desenvolver uma pessoa amorosa, gentil e feliz.

Você é responsável por criar almas amorosas. Ajude-as a navegarem neste mundo através da compaixão, amor e bondade.

“Criar uma criança respeitosa, carinhosa e ética sempre foi um trabalho árduo. Mas é algo que todos nós podemos fazer. E nenhum trabalho é mais importante ou mais gratificante”.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

A questão do feminismo

“Marido, ame a sua esposa, assim como Cristo amou a Igreja e deu a sua vida por ela” (Efésios 5:25)

Diante da Bíblia, o feminismo é certo ou errado? Sobre o assunto, uma leitora me escreveu que “o problema do feminismo é que os homens cristãos acham que sabem exatamente qual é o jeito de tratar as mulheres. Não fazem nenhuma autocrítica ou reflexão sobre isso. Para muitos homens cristãos, eles podem pecar em qualquer outro aspecto da vida, menos nesse. Eles sabem exatamente qual é o jeito de tratar as mulheres. Nunca erraram, nunca erram, nunca errarão. Cometem qualquer pecado, menos esse”. Eu a respondi que, na verdade, muitos homens são os verdadeiros culpados pelo feminismo nesse sentido que ela relatou, porque não amam as suas esposas como Cristo amou a igreja. E eles irão responder diante de Deus pelas suas atitudes más. Se todos os homens cumprissem o seu dever bíblico de marido e pais, certamente a grande maioria dos problemas na vida familiar poderiam ser evitados.

Mas existem outras questões com relação ao feminismo que os homens não são parte ativa. Segundo o Pe Paulo Ricardo, a sociedade moderna está mergulhada no conceito de igualdade. Cada vez mais luta-se para equiparar o homem à mulher e vice-versa. Se a igualdade pretendida fosse em relação aos direitos civis, cuja necessidade é inegável, não seria, de fato, um problema. Porém, o que acontece é que esta sociedade moderna, eivada do relativismo cultural, quer transformar a mulher no novo homem e o homem na nova mulher, invertendo e pervertendo os valores mais elementares.

Deus criou o homem e a mulher em igual dignidade, mas quis que houvesse uma diferença entre os dois sexos. Esta diferença em “ser homem” e “ser mulher” faz com que exista uma complementariedade entre eles. Foram criados por Deus para formarem um conjunto, não um se sobrepondo ao outro, mas em perfeita sintonia um com outro. Lutar contra esse projeto, fazendo com que a mulher tente, por todos os meios, ocupar o lugar do homem é lutar diretamente contra o projeto de Deus, contra a natureza humana.

A liberação sexual promovida pelos métodos anticoncepcionais, longe de trazer a sensação de igualdade entre o homem e mulher, transformou a mulher numa máquina de prazer, pois agora ela sabe que pode ter uma vida sexual ativa sem a consequente gravidez. Não precisa ter compromisso com o parceiro, não precisa sentir-se segura ou amada. Ledo engano. O que se vê são cada vez mais mulheres frustradas, depressivas, ansiosas, correndo contra o tempo para manterem-se jovens, pois nada mais têm a oferecer que não o invólucro. É verdade que muitas delas tornam-se amantes do trabalho e assim se realizam profissional e financeiramente. Não obstante, olham para trás e percebem que ainda estão incompletas.

A liberdade da mulher, na verdade, transformou-se numa prisão. Hoje, elas se veem presas a estereótipos ditados pela agenda feminista, cujo maior objetivo é destruir a essência da mulher, igualando-a ao homem. Transformando seus úteros em lugares estéreis e varrendo para debaixo do tapete o instinto natural da espécie: a maternidade. Infelizmente, nesse sentido o feminismo não é bíblico.

Portanto, urge que cada mulher, criada à semelhança de Deus, recupere o seu lugar na Criação. Que a mulher seja mulher em toda sua plenitude! E que marido, ame a sua esposa, assim como Cristo amou a Igreja e deu a sua vida por ela. 

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Uma nova etapa em minha vida

“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé.” (2 Timóteo 4:7)

Quando Paulo se aproximava do final do seu ministério apostólico, ele escreveu ao irmão e amigo Timóteo a segunda carta da qual constava a frase acima. Com essas três metáforas, Paulo sinalizou o fim do seu ministério. Sua preocupação não era a de que ele havia sido bem-sucedido, mas, em vez disso, que ele havia sido fiel ao seu Senhor. 

Tendo essa frase em mente, quero comentar sobre um dia especial que parecia distante, mas que chegou com muita rapidez. Foi o dia 19/9/2016, data em que eu encerrei a minha carreira como servidor do Banco Central do Brasil e parti para uma nova etapa em minha vida. Fiz isso olhando aquele órgão público pelo retrovisor e comparando-o a um lindo jardim. Lembrei que as plantas não florescem, nem dão frutos sem que sujemos nossas mãos e derramemos o nosso suor para plantá-las e cultivá-las. Esse jardim é o presente que juntamente com demais colegas de trabalho ajudamos a construir para o Brasil. 

Na despedida, deixei um texto com meus colegas onde dizia que estava saindo realizado e com muita satisfação. Que com orgulho poderia afirmar que o Banco Central, ao contrário de alguns órgãos públicos, não costuma frequentar manchetes de jornais devido a atos ilícitos, corrupção, improbidade administrativa e outros delitos praticados por seus servidores. Disse também que é muito difícil deixar o convívio diário com quem você gosta e tem prazer em estar junto. Eu manifestei a minha gratidão pela dedicação e entusiasmo com que todos vêm construindo uma instituição cada vez melhor, mais eficiente e mais útil à sociedade. 

Certamente, os valores organizacionais daquela casa são motivos de alegria para todos os seus servidores. Fazer parte daquele time foi motivo de honra. Lembrei-os de que as pessoas passam pela Instituição, mas as suas contribuições permanecem. Estava saindo de cabeça erguida e com a sensação de dever cumprido.

Confessei a eles a minha amizade sincera, a minha gratidão e o meu muito obrigado de coração a Deus e a todos com quem tive a oportunidade e satisfação de compartilhar a agradável jornada de 23 anos. Deixei também dois pensamentos de autores que muito admiro e que procuro colocar em prática no dia-a-dia:

"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isto existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis"! (Fernando Pessoa)

"Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade". (Mário Quintana)

Prometi a eles que continuaria fazendo parte do time, mas na plateia, torcendo pelo sucesso de cada um e por uma instituição que cumpre de forma eficaz a missão tão importante para nosso País. O sucesso daquela casa continuará sendo também o meu sucesso. Que sejam preservados os princípios e os prestígios tão duramente conquistados.

Enfim, dei um abraço caloroso em cada um dos presentes na festinha de despedida. Foi difícil conter a emoção. A vontade era de continuar e fazer muito mais, principalmente no momento em que estamos vivenciando mudanças na direção política e econômica da nossa Nação. Mas a vida passa, a fila anda, e nós devemos seguir o caminho olhando sempre para frente.

Assim como Paulo, a minha preocupação hoje não é a de que tenha sido ou não bem-sucedido em minha carreira, mas que eu seja fiel ao meu Senhor em todas as minhas atitudes.

domingo, 11 de setembro de 2016

O cristão deve ser conservador

"Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão." (Mateus 24:35)

Quando Jesus Cristo discorria no Sermão da Montanha sobre os últimos acontecimentos que antecederiam a sua volta, ele deixou claro que seus discípulos deveriam ser mais cautelosos com os falsos pregadores e mestres, para que ninguém os enganasse com ensinamentos não bíblicos. Um dos maiores sinais da volta de Cristo é o abandono do conservadorismo, prática que está sendo largamente aceita hoje nas igrejas. Os sinais são passageiros, mas a palavra de Deus permanece. É isto que Cristo quis dizer quando proferiu a frase que é subtítulo desse artigo.

Se você escolheu ser um cristão genuíno, você escolheu ser conservador. Infelizmente para muitos cristãos hoje em dia essa é uma péssima notícia, porque "o termo 'conservador' denota a adesão a princípios e valores atemporais, que devem ser conservados a despeito de toda mudança histórica. O conservadorismo é um termo usado para descrever posições político-filosóficas, alinhadas com o tradicionalismo e a transformação gradual, que em geral se contrapõem a mudanças abruptas (cuja expressão máxima é o conceito de revolução) de determinado marco econômico e político-institucional ou no sistema de crenças, usos e costumes de uma sociedade." (Wikipédia)

Segundo Ciro Sanches Zibordi, autor do livro "Evangelhos que Paulo jamais pregaria", muitos cristãos da atualidade não podem nem ouvir o termo “conservador”. Associam-no a farisaísmo, legalismo, fanatismo e posturas extremistas quanto a usos e costumes. Pensam que o conservador é aquele crente retrógrado, inimigo de tudo o que é novo, que parece viver em seu “mundinho”, como se pertencesse a uma religião ascética. Entretanto, à luz da Palavra de Deus, todo salvo em Cristo deve ser conservador. Por quê? Porque conservar, do ponto de vista bíblico, não significa ter uma falsa santidade, estereotipada, que faz dos usos e costumes a causa, e não o efeito. Antes, implica observância à sã doutrina, a qual nos leva a ter santidade interna e externa. Em 2 Timóteo 1.13 está escrito: “Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e na caridade que há em Cristo Jesus”. A Bíblia nos manda guardar, conservar, o que temos recebido do Senhor (1 Timóteo 6.20; 2 Timóteo 1.14). E, para as igrejas da Ásia que estavam agradando ao Senhor Jesus, Ele transmitiu mensagens que implicavam manutenção, conservação (Apocalipse 2.25; 3.11). 

"Pôs o elmo de salvação sobre sua cabeça" (Isaías 59:17) 
Mas, por que muitos não querem ser conservadores? Ser conservador não é apenas ter aparência de piedade (Colossenses 2.20-22), tampouco se isolar da sociedade. Jesus, o Homem mais santo que andou na terra, não se afastava dos pecadores (Lucas 5.32; João 2.1-11). Ele ensinou que a nossa luz deve brilhar em meio às trevas (Mateus 5.16). Ser conservador também denota reter o bem, manter o que é bom, verdadeiro (1 Tessalonicenses 5.21). E sabemos que as verdades da Palavra de Deus são inegociáveis, porém isso não significa que devamos abrir mão das estratégias lícitas de evangelização (1 Coríntios 6.12; 9.22). O verdadeiro conservador não é legalista ou coisa parecida. Ele não é um fanático, um estereótipo de crente, tampouco se opõe a tudo o que é novo (Eclesiastes 7.16,17; 1 Tessalonicenses 5.21). Ele apenas protege a sua cabeça com o capacete da salvação, guardando-a das incertezas e dúvidas provocadas pelo modismo desses últimos dias. (Efésios 6:17)

Por outro lado, o conservador também não é como alguns crentes da atualidade, os quais desprezam o fato de o Senhor atentar para a globalidade do ser humano, pensando que Ele não se preocupa com o nosso exterior. O Senhor olha para a nossa totalidade: espírito, alma e corpo, nessa ordem (1 Tessalonicenses 5.23). Mas, a bem da verdade, enquanto alguns crentes afirmam que têm liberdade para fazerem o que bem entendem, deixando de observar a santificação plena, existem aqueles que consideram tudo pecaminoso. Estes também estão enganados, posto que ignoram o fato de os mandamentos de Deus não serem pesados (1 João 5.3), sendo a sua vontade agradável (Romanos 12.2) e o seu fardo leve (Mateus 11.30). A Palavra do Senhor condena o extremismo (Eclesiastes 7.16,17), inclusive o extremismo político recheado de palavras de ordem. Por isso, as igrejas que se prezam conservam a verdade; guardam e cumprem a Palavra de Deus (João 14.23; Apocalipse 3.8,10). Não são legalistas, exigindo dos seus membros uma santificação inatingível, posto que Deus respeita as nossas limitações, como disse o salmista, inspirado pelo Espírito: “ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó” (Salmos 103.14).

Deus deseja que todos os cristãos verdadeiros conservem o modelo das sãs palavras (João 14.23; Apocalipse 1.3; 3.8; Salmos 119.11), a santidade e a pureza (Apocalipse 3.4), a boa consciência (1 Timóteo 1.19; 3.9), a fé (2 Timóteo 4.7,8) e, sobretudo, o poder do Espírito Santo (1 Tessalonicenses 5.19). Mas há uma nova geração, formada por cristãos não-chamados ou desviados da verdade que querem um evangelho fácil, baseado na graça barata, sem mudança exterior, “sem religiosidade”, como dizem. E esses buscam mudanças (Provérbios 24.21) e consideram os cristãos conservadores ultrapassados, retrógrados ou legalistas. Temos visto de um lado cristãos seguidores do legalismo, que condenam pessoas sem misericórdia. De outro, estão aqueles que desprezam a sã doutrina; que “vivem e deixam viver”. Será que os cristãos da nova geração sabem que igreja de Cristo nasceu conservadora? Ah, eles ouviram falar... Mas não querem saber de passado. Eles querem uma igreja moderna, sem limites! Para eles, por que não usar a dança de rua e o funk dentro das igrejas, já que são grandes atrativos para a juventude? E isso já está acontecendo em algumas pseudo-igrejas. Uso esse termo contundente porque tenho convicção de que a verdadeira igreja de Cristo não aceita esses injustificáveis modismos.

Essa nova geração de cristãos não quer ser conservadora. Prefere pregar mensagens de autoajuda, que agradam os ouvidos (2 Timóteo 4.1-5), e não a mensagem da cruz (1 Coríntios 1.18-22). Tais cristãos, em geral muito jovens, mas também neófitos — pois há muitos jovens de valor! —, são insubmissos à Palavra. Entram na igreja, mas a igreja não entra neles. Alguns sequer são eleitos por Deus. Muitos apoiam o abortismo, o gaysismo, o feminismo, o desrespeito às leis e autoridades, dentre outros modismos. Existem aqueles que, se pudessem, alterariam o texto bíblico para adaptá-lo aos seus interesses. Mas para esses está escrito: "Se alguém lhes acrescentar algo [às palavras da profecia], Deus lhe acrescentará os flagelos descritos neste livro. Se alguém tirar alguma palavra deste livro de profecia, Deus tirará dele a sua parte na árvore da vida e na Cidade Santa." (Apocalipse 22:18-19)

Muitos chegam ao absurdo de classificar esses modismos de avivamento. Avivamento não é buscar inovações — ainda que haja boas inovações. Mas, sim, renovação; implica recuperar o que foi perdido, (Lamentações 5.21; 2 Crônicas 29.20-36). Se as igrejas atuais quiserem continuar sendo igrejas que fazem a diferença neste mundo tenebroso, precisam ser conservadoras, equilibradas, biblicocêntricas (Provérbios 4.26,27). Afinal, embora a Palavra de Deus não exija nada além do que de fato possamos fazer, também não ensina as pessoas a viverem uma vida libertina, sem regras. “Faze-me andar na verdade dos teus mandamentos”, disse o salmista (Salmos 119.35).

sábado, 10 de setembro de 2016

Esquerdismo e o comportamento do cristão

“E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.” (Gênesis 6:5)

Recentemente comecei a reparar nas manifestações de rua e redes sociais uma certa mágoa por parte daqueles que se sentem prejudicados com a troca de governo. A insistência em continuar titulando o processo de impeachment como golpe, mesmo com todos pareceres jurídicos contrários, o medo do retrocesso cultural e da volta do conservadorismo, a falsa alegação de ameaça à democracia, dentre outras manifestações, fez me perceber a necessidade de aprofundar mais o estudo sobre o que venha ser o esquerdismo e qual a sua influência no comportamento do cristão.

Encontrei um artigo que aponta que pessoas de esquerda são mais inteligentes que as de direita. Embora não concorde com a afirmação, esses estudiosos concluíram em sua publicação no Journal of Psychological Science que “as habilidades cognitivas são fundamentais na formação de impressões de outras pessoas e na abertura da mente. Indivíduos com menores capacidades cognitivas gravitam em torno de ideologias conservadoras que mantêm as coisas como elas são, porque isso lhe dá um senso de ordem”. Entretanto, é notório que os esquerdistas têm dificuldade em transformar essa inteligência em algo prático para a sociedade. É possível facilmente observar pela história que as grandes inovações criadas pelo homem não tiveram origem em países que adotaram o esquerdismo. Os países socialistas e comunistas são os que possuem indústrias menos pujantes, embora possam ter boas escolas e universidades. Sob a ótica da democracia, observa-se que a maioria das ditaduras foram ou são de esquerda.

Por outro lado, deparei-me com algo interessante no livro The Liberal Mind: The Psychological Causes of Political Madness. Nele, o autor e psiquiatra forense Lyle Rossiter explica de forma acadêmica as causas psicológicas do esquerdismo, mostrando todas as questões ligadas à formação da personalidade. Rossiter classifica os esquerdistas em dois tipos: benignos e radicais. Os radicais são aqueles cujas ações causam dano a outros indivíduos. De qualquer forma, os esquerdistas benignos – que seriam os moderados – dão sustentação aos esquerdistas radicais. Pude notar que ambos não possuem comportamentos condizentes com os princípios bíblicos.

The Liberal Mind traz o primeiro exame profundo da loucura política mais relevante em nosso tempo: os esforços da esquerda radical para regular as pessoas desde o berço até o túmulo. Isso é exatamente o oposto da democracia que tanto pregam. Segundo o psiquiatra, “para salvar-nos de nossas vidas turbulentas, os esquerdistas radicais recomendam a negação da responsabilidade pessoal; incentivam a auto piedade e outro-comiseração; promovem a dependência ao Estado; pregam a indulgência sexual; racionalizam a violência; não reconhecem publicamente os erros cometidos; justificam o roubo como parte da luta contra os capitalistas opressores; ignoram a grosseria; prescrevem reclamação e imputação de culpa de seus erros a outrem; denigrem o matrimônio e a família; legalizam todos os abortos; etc. Já os menos radicais desafiam a tradição social e religiosa como forma de se opor ao status-quo; declaram a injustiça da desigualdade; se rebelam contra os deveres da cidadania, principalmente àqueles que se referem ao respeito às autoridades constituídas. Por fim, ambos apoiam uma total inversão de valores culturais, mesmo quando estes são derivados de princípios bíblicos.

O político de esquerda, geralmente populista, promete: garantir o bem-estar material de todos; fornecer saúde e educação para todos; proteger a autoestima de todos; corrigir todas as desvantagens sociais e políticas, assim como eliminar todas as distinções de classe. Em outras palavras, esse político, com a ajuda da mídia,  promete uma sociedade utópica como se fosse possível estabelecer um “céu” aqui na terra.

A partir dos anos 70, muitos cristãos de boa fé se enveredaram pela Teologia da Libertação, um movimento inclusivista de teologia política, que engloba várias correntes de pensamento que interpretam os ensinamentos de Jesus Cristo em termos de uma libertação de injustas condições econômicas, políticas ou sociais. O cristão verdadeiro sabe que Jesus Cristo não prometeu solução para os problemas sociais, pelo contrário, ele disse que no mundo teríamos aflições (João 16:33). Somente por meio da salvação oferecida por Jesus Cristo é que o homem chegará ao céu. Nenhum outro pode prometer justiça social simplesmente porque “não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; e não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos.” (Romanos 3.10-18)

O radicalismo, e aqui incluo todo tipo, com suas ações ataca os fundamentos da liberdade civilizada. Dadas as suas metas irracionais, métodos coercitivos e fracassos históricos, juntamente aos seus efeitos perversos sobre o desenvolvimento do caráter, não pode haver dúvida da existência da irracionalidade no radicalismo. Só uma agenda irracional defenderia uma destruição sistemática dos fundamentos que garantem a liberdade organizada. Sem levar em consideração a questão religiosa, apenas um homem irracional iria desejar que o Estado decidisse sobre sua vida, ao invés de exigir que este crie condições de segurança para que o próprio homem possa fazê-lo. Só uma agenda irracional tentaria, deliberadamente ou não, desincentivar o crescimento do cidadão por meio dos seus próprios esforços, sem depender eternamente do Estado. Em uma sociedade democrática, composta por pessoas livres e competitivas, só um irracional iria visualizar uma comunidade composta por vítimas exploradas por vilões exploradores.

É bem verdade que a humanidade se encontra sob total depravação, mas só Cristo pode curá-la. O cristão verdadeiro sabe disso. “Quem do imundo tirará o puro? Ninguém” (Jó 14:4). Também chamada de “corrupção total”, esta depravação indica que toda criatura humana, em sua condição atual, ou seja, após a queda, é caracterizada pelo pecado, que a corrompe e contamina, incluindo a mente. Por isso, afirma-se que ninguém é capaz de realizar o que é verdadeiramente bom aos olhos de Deus. Em contrapartida, o ser humano é escravo do pecado, por natureza hostil e rebelde para com Deus, espiritualmente cego para a verdade, incapaz de salvar a si mesmo ou até mesmo de se preparar para a salvação. Se há injustiça social, somente a intervenção direta de Deus pode mudar a situação. A oração e a pregação do Evangelho são as melhores contribuições que cristão pode dar à sociedade. Essas armas são incomparavelmente mais eficientes do que palavras de ordem contra o governo.

Portanto, as ações humanas voltadas para melhorar o mundo sem a intervenção divina são totalmente incompatíveis com os preceitos bíblicos e estão fadadas ao fracasso. “Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem” (Marcos 7:21-23). O homem por si só jamais endireitará o próprio homem, mas Jesus Cristo sim.

sábado, 3 de setembro de 2016

PT e Cristianismo: Uma união impossível

“Pois tu formaste os meus rins; entreteceste-me no ventre de minha mãe. Eu te louvarei, porque de um modo tão admirável e maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.” (Salmos 139:13-14)

Já faz algum tempo que o Partido dos Trabalhadores, o PT, tem mostrado com toda a clareza o que é, o que pensa, o que faz e o que pretende fazer. Quem possui a fé cristã, e conserva ainda que uma mínima capacidade de raciocínio, consegue perceber a total incompatibilidade entre cristianismo e petismo. Já dizia o Papa Pio XI que ninguém pode ser ao mesmo tempo católico e comunista, nem mesmo católico e socialista, pois os fundamentos da fé cristã e seus princípios se opõem diametralmente aos princípios das doutrinas comunista e socialista.

Basta abrir os olhos e ver o que o PT tem feito e defendido para se concluir que o pensamento e a prática desse partido são contrários à nossa fé.

O PT tem como metas e programa de governo, entre outras coisas:

1) a legalização do aborto; 
2) o “casamento” de homossexuais; 
3) a liberalização da maconha e outras drogas; 
4) a criminalização da “homofobia”. (Uma pessoa que fale contra o homossexualismo poderá ser presa) 


Tudo isso, sem contar a aprovação em 2005 da Lei de Biossegurança, que foi sancionada pelo presidente Lula, que permite a destruição de embriões humanos, a pretexto de se fazer pesquisas científicas, reduzindo o ser humano a uma cobaia ou rato de laboratório. Sem contar ainda, toda a já comprovada roubalheira do governo petista que armou o maior e mais vasto sistema de corrupção que já existiu na história do Brasil.

Por tudo isso, não é possível ser cristão e petista ao mesmo tempo, como não é possível ser cristão e ateu ao mesmo tempo, como não é possível ser cristão e macumbeiro ao mesmo tempo… Pois ninguém pode servir a dois senhores. Um cristão que queira ser coerente com sua fé não pode se filiar, votar ou apoiar este partido e quem quer que seja que por ele se candidate ou nele permaneça, pois todas essas idéias e ações não são o pensamento de um ou outro petista, mas sim o ensinamento e o programa do partido. Se alguém diz ser contrário ao aborto, ao casamento de homossexuais e à liberação da maconha, por uma questão de coerência e princípio deve abandonar o PT e/ou partidos similares, que levantam estas bandeiras, pois se aí permanece, prova que compartilha as mesmas metas por conivência ou é um oportunista.

O que realmente comprova que um cristão é fiel a Cristo, e à Santa Igreja nos assuntos acima referidos, é defender a vida de maneira incondicional, e jamais fazer parte de ou permanecer em uma organização ou partido que sejam contrários a quaisquer princípios da fé que professamos.

Muitos políticos, militantes e simpatizantes do petismo ou de partidos comunistas, alegam a sua presença ou apoio a este partido citando o apoio direto ou indireto de alguns padres ou bispos a esse partido. A esses devemos lembrar sempre a palavra de Nosso Senhor que diz que um cego não pode guiar outro cego. Se há padres ou mesmo bispos mal orientados que, em contradição com os ensinamentos de Cristo e da Igreja, assumem uma atitude de apoio a partidos abortistas e gaysistas, nós em consciência não devemos neste ponto segui-los, pois, como dizia o Papa João Paulo II, um cristão não pode ser favorável ao aborto de nenhum modo, nem apoiá-lo pelo seu voto, ajudando a elevar ao poder um partido contrário à vida. Deus está ativo na vida de um ser humano desde quando no útero de sua mãe. 

O petismo e o comunismo em geral são quase uma religião que em suas premissas se opõem ao cristianismo. Não se pode apoiar o projeto deste partido a pretexto das coisas boas que faz ou diz fazer, uma vez que nega às crianças por nascer o mais fundamental dos direitos, que é o direito à vida, e atenta contra a sacralidade da família, defendendo o gaysismo e “uniões alternativas”, querendo equipará-las à família criada e santificada por Deus.

Se alguém, apesar de estar consciente de tudo isso, quiser ficar ou apoiar o PT ou candidatos pertencentes a esse partido, deveria ao menos ter a hombridade de rasgar o batistério e deixar a Igreja de Cristo em paz.

Pe. Rodrigo Maria