domingo, 13 de dezembro de 2015

A Chegada

Por Max Lucado

O barulho e o movimento começaram mais cedo do que de costume na cidade. Quando a noite deu lugar à madrugada, já havia gente nas ruas. Os vendedores se colocavam nas esquinas das avenidas mais trafegadas. Os lojistas abriam as portas de suas lojas. As crianças acordavam com o latido alvoroçado dos cães vadios e das queixas dos jumentos que puxavam as carroças.

O dono da hospedaria levantara mais cedo do que a maioria dos habitantes da cidade. Afinal de contas, a hospedaria estava cheia, com todas as camas ocupadas. Todo tapete ou esteira disponível tinha sido usado. Logo todos os fregueses começariam a levantar e haveria muito trabalho a fazer.

Nossa imaginação se inflama pensando na conversa do estalajadeiro com sua família à mesa do café. Alguém mencionou a chegada do casal jovem na noite anterior? Alguém cuidou deles? Alguém comentou a gravidez da moça no jumento? Talvez. Talvez alguém falou no assunto. Mas, na melhor das hipóteses, ele foi levantado e não discutido. Não havia tanta novidade assim sobre eles. Tratava-se possivelmente de uma das várias famílias que não pudera ser recebida naquela noite.

Além disso, quem tinha tempo para falar sobre eles quando havia tanta excitação no ar? César Augusto fez um favor à economia de Belém quando decretou que houvesse um recenseamento. Quem podia lembrar-se de uma época em que se fizesse tanto comércio na cidade?

Não, é duvidoso que alguém tivesse mencionado a chegada do casal ou atentasse na condição da moça. Todos estavam ocupados demais. O dia já raiara. O pão diário precisava ser feito. As tarefas da manhã tinham de ser feitas. Havia tanto para fazer que ninguém tinha tempo para ficar imaginando que o impossível acontecera.

Deus entrara no mundo como um bebê.

Mas se alguém entrasse no curral de ovelhas na periferia de Belém naquela manhã, que cena peculiar contemplaria.

O estábulo cheira como todos fazem. O mau cheiro provocado pela urina, excremento e ovelhas paira forte no ar. O chão é duro, o feno escasso. Teias de aranha pendem do teto e um ratinho atravessa correndo o chão sujo.

Não podia haver um lugar menos adequado a um nascimento.

De um lado se encontra um grupo de pastores. Eles estão sentados silenciosamente no solo, talvez perplexos, talvez reverentes, mas sem dúvida extasiados. Sua vigília noturna fora interrompida por uma explosão de luz dos céus e uma sinfonia de anjos. Deus vai até aqueles que têm tempo para ouvi-lo — e assim, naquela noite sem nuvens, ele fora até os simples pastores.

Junto à jovem mãe se assenta o pai cansado. Se alguém está cochilando, esse é ele. Não consegue lembrar-se da última vez em que pôde sentar-se. E agora que a excitação diminuiu um pouco, agora que Maria e o bebê estão confortáveis, ele se apóia na parede do estábulo e sente seus olhos se fecharem. Ele ainda não entendeu tudo. O mistério do evento o intriga. Mas não tem no momento energia para lutar com as perguntas. O importante é que a criança está bem e Maria a salvo. A medida que o sono vem, ele lembra do nome que o anjo lhe dissera para usar... Jesus. "Nós o chamaremos Jesus."

Maria está bem desperta. Como parece jovem! Sua cabeça repousa sobre o couro macio da sela de José. A dor foi embora como por encanto. Ela olha para o rostinho da criança. Seu filho. Seu Senhor. Sua Majestade. Neste ponto da história, o ser humano que melhor compreende quem é Deus e o que ele está fazendo é uma adolescente num estábulo mal cheiroso. Ela não pode tirar os olhos dele. De alguma forma Maria sabe que está carregando Deus nos braços. Esse é então ele. Ela lembra as palavras do anjo. "O seu reinado não terá fim."

Ele parece qualquer coisa menos um rei. Seu rosto é avermelhado, lembrando uma ameixa seca. Seu choro, embora forte e saudável, continua sendo ainda o de um bebê indefeso, lancinante e agudo. Ele depende absolutamente de Maria para seu bem-estar.

Majestade em meio ao mundanismo. Santidade misturada à imundície do excremento e suor das ovelhas. A divindade entrando no mundo no chão de um estábulo, através do útero de uma adolescente e na presença de um carpinteiro.

Ela toca a face do Deus-menino. Como foi longa a sua jornada!

Esta criança superara o universo. Os trapos que o aquecem eram os mantos da eternidade. A sala dourada de seu trono fora esquecida em favor de um curral de ovelhas imundo. E os anjos adoradores foram substituídos por pastores bondosos mas perplexos.

Enquanto isso a cidade fervilha. Os mercadores não sabem que Deus visitou o seu planeta. O estalajadeiro jamais creria que enviara Deus para o frio lá fora. E o povo zombaria de quem quer que dissesse que o Messias jaz nos braços de uma jovenzinha na periferia de sua cidade. Eles estavam todos ocupados demais para sequer considerar essa possibilidade.

Os que não assistiram à chegada de Sua Majestade naquela noite, não perderam a oportunidade por causa de atos perversos ou malícia; de modo algum, eles a perderam simplesmente porque não estavam olhando.

Pouco mudou nesses últimos dois mil anos, não é ?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Ore e trabalhe

“Não havendo bois, o celeiro fica limpo, mas pela força do boi há abundância de colheitas”. (Provérbios 14:4)

Se você quer uma vida tranquila e sem esforço, não se atreva a sonhar. Esta é a mensagem do texto de hoje. Para que haja abundância de colheita e os celeiros estejam sempre cheios é necessário ter bois e estes envolvem, tempo para cuidá-los, trabalho para alimentá-los e esforço para ensiná-los a arar a terra. Sem esforço, não há bois e sem bois não há abundância.

Existem inúmeras pessoas sentadas na arquibancada da vida vendo passar o trem que leva os vencedores. Outro dia encontrei uma pessoa de trinta anos que me mostrou no papel um projeto que poderia trazer benefício, satisfação e dinheiro.

“O que falta para colocar estes planos na ação?” – perguntei. “Dinheiro – foi à resposta. – Envolve bastante dinheiro.” “Você já procurou alguém que queira investir no projeto?” Não, disse. – Estou orando para que Deus envie alguém que consiga ver as vantagens deste plano.

Nenhum sonho funciona, a menos que você o faça funcionar. Aquela pessoa colocava tudo “nas mãos de Deus”, mas esquecia que ele também tinha mãos. Ora, se Deus lhe deu mãos é porque Ele espera que você faça algo. Busque a Deus sim! Busque-O todos os dias. Consulte com Ele, procure orientação divina. Não esqueça que você pode fazer mais numa hora com Deus, que numa vida inteira sem Ele. Depois de buscar a força que vem de Deus, parta para a luta. Não continue ajoelhado, esperando que Deus “envie alguém”. Bata portas, gaste a sola do sapato, sue a camiseta, crie oportunidades.

É verdade que umas poucas pessoas vencem porque um dia se lhes apresentou uma oportunidade extraordinária, mas a maioria dos vencedores realizou seus sonhos porque se propuseram fazê-lo. A pessoa que aprende a depender de Deus cria oportunidades. Não as encontra por acaso.

Hoje é um novo dia. Corra atrás dos seus sonhos. Com uma mão segure o braço poderoso de Deus e com a outra trabalhe, incansável, destemida e aguerridamente. Por mais que as circunstâncias lhe pareçam adversas, apesar de que pode estar ferido por algum golpe que a vida lhe deu, não fique de braços cruzados, esperando. Trabalhe.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Cair sim, levantar também

"Porque sete vezes cairá o justo e se levantará; mas os perversos são derrubados pela calamidade." (Provérbios 24:16)

Este mundo é um mundo de guerra. Não falo da guerra entre nações. Este mundo vive um conflito espiritual de conseqüências eternas. Há um acusador que tenta desfigurar o caráter de Deus. Apresenta-O como um Deus tirano, cruel, intransigente e que não se preocupa por Suas criaturas. Outras vezes o projeta como um Deus complacente, permissivo e sem personalidade, simples energia ou força motivadora. Milhares de seres humanos aceitam fascinados este tipo de idéias. Compram livros, discos e vídeos. Assistem a seminários e participam de congressos onde Deus não passa de uma ideia geradora da vida e mais nada.

Quando esse tipo de estratégia não lhe dá resultado, o inimigo persegue. No livro de provérbios, Deus faz uma advertência a ele e a todos os instrumentos humanos que se atrevem a atacar aos que confiam no Senhor. “Não te ponhas de emboscada ó perverso, contra a habitação do justo, nem assoles o lugar do seu repouso”, diz o verso quinze e depois vem o texto de hoje “porque sete vezes cairá o justo e se levantará.”

Esta é uma das mais extraordinárias promessas da Bíblia. Os seus inimigos podem fazer o que quiser para destruir você. Podem usar da fraude, da mentira, da intriga ou da violência. Podem feri-lo. Destruí-lo jamais. Sete vezes você pode beijar a lona, mas se confiar em Jesus as sete vezes levantar-se-á, até que eles não terão mais forças para continuar atacando você.

É verdade que há momentos em que a flecha inimiga penetra perto do coração. Eu sei que há horas em que humanamente você sente que não tem mais forças para resistir. Tudo parece escuro. O temor invade seu coração. Nesses momentos levante os olhos em direção de Jesus. Quem confia nEle, nunca está derrotado. Ele venceu a própria morte. Emergiu da tumba e silenciou as gargalhadas do inimigo para sempre.

Esta dor vai passar. Esta tormenta é passageira. Já vem o sol de um novo dia, não desespere, não desista. Logo, logo seus inimigos servirão de estrado para os seus pés. 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

De todo coração

"Louvar-te-ei, Senhor, de todo o meu coração; contarei todas as tuas maravilhas." (Salmos 9:1)

A vitória ainda não havia chegado. Não havia aplausos, medalhas, nem reconhecimento público. O Salmista ainda não podia apalpar a taça de campeão, mas podia olhá-la com os olhos da fé e louvar ao Senhor pelas maravilhas que ainda não tinham acontecido.

Se ele gastasse o tempo reclamando e queixando-se, talvez nada sucedesse. Mas o Salmista é capaz de louvar pelo sol que sairá amanhã, ainda que ele esteja hoje mergulhado nas sombras.

Seu louvor não nasce do dever. Não cumpre apenas uma obrigação. Não se deixa levar pelo mero formalismo. Louva “de todo coração”. Meio coração não é coração. Um coração dividido rasga a vida pela metade, desintegra e mata. Um coração dividido não consegue louvar.

Ninguém pode servir a dois senhores. Com meio coração você cai no terreno da pantomima. Seu louvor está destituído de autenticidade, e se você não é capaz de olhar para frente com os olhos da fé, e com todo seu coração, não verá as “Suas maravilhas”.

Mas, segundo o verso de hoje, para Davi não era suficiente louvar. Ele acrescenta “contarei as tuas maravilhas”. Ninguém será vigoroso na vida espiritual, a menos que conte as maravilhas de Deus a todos aqueles com quem se relaciona.

Na Parábola da Moeda perdida, quando a mulher achou a sua moeda, a primeira coisa que fez foi juntar aos seus amigos, vizinhos e parentes para contar-lhes a “maravilha”. Só guardam silêncio as pessoas em cujas vidas, Deus não opera maravilhas.

O que você perdeu? Uma moeda? O lar, o emprego, o filho, a paz do coração? Vá a Deus, louve o Seu nome de todo o coração. Agradeça pelas maravilhas que ainda não recebeu, mas que é capaz de enxergar pela fé e aguarde, pacientemente porque Deus não falha aos filhos sinceros.

Louve a Deus. Não use intermediários. “Louvar-te-ei, Senhor”, diz o Salmista. Louve-O com todo seu ser. Não seja espiritual pela metade. Agradeça ao Senhor pelas maravilhas futuras que acontecerão na sua vida.