segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Não quero mais ser evangélico

Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. (Mateus 5.16)

Ser evangélico, pelo menos no Brasil, não significa mais ser praticante e pregador do Evangelho de Jesus Cristo, mas, a condição de membro de um segmento do Cristianismo, com cada vez menor relacionamento histórico com a Reforma Protestante. O significado de ser pastor evangélico, então, é melhor nem falar, para não incorrer no risco de ser grosseiro.

Não quero mais ser evangélico! Quero voltar para Jesus Cristo, para a boa notícia que Ele é e ensinou. Quero voltar a ser adorador do Pai porque, segundo Jesus, é este os que o Pai procura e, não, por mão de obra especializada ou por “profissionais da fé”. Quero voltar à consciência de que o Caminho, a Verdade e a Vida é uma Pessoa e não um corpo de doutrinas e/ou tradições, nascidas da tentativa de dissecarmos Deus; de que, estar no caminho, conhecer a verdade e desfrutar a vida é relacionar-se intensamente com essa Pessoa: Jesus de Nazaré, o Cristo, o Filho do Deus vivo. Quero os dogmas que nascem desse encontro: uma leitura bíblica que nos faça ver Jesus Cristo e não uma leitura bibliólatra. Não quero a espiritualidade que se sustenta em prodígios, no mínimo discutíveis, e sim, a que se manifesta no caráter.

Chega dessa “diabose”! Quero voltar à graça, à centralidade da cruz, onde tudo foi consumado. Quero voltar à consciência de que fomos achados por Ele, que começou em cada filho Seu algo que vai completar: quero voltar às orações e jejuns, não como fruto de obrigação ou moeda de troca, mas, como namoro apaixonado com o Ser amado da alma resgatada. Quero voltar ao amor, à convicção de que ser cristão é amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos: quero voltar aos irmãos, não como membros de um sindicato, de um clube, ou de uma sociedade anônima, mas, como membros do corpo de Cristo. Quero relacionar-me com eles como as crianças relacionam-se com os que as alimentam – em profundo amor e senso de dependência: quero voltar a ser guardião de meu irmão e não seu juiz. Quero voltar ao amor que agasalha no frio, assiste na dor, dessedenta na sede, alimenta na fome, que reparte, que não usa o pronome “meu”, mas, o pronome “nosso”.

Para que os títulos: “pastor”, “reverendo”, “bispo”, “apóstolo”, o que eles significam, se todos são sacerdotes? Quero voltar a ser leigo! Para que o clericalismo? Quero voltar a ser servo, aos dons do corpo que correm soltos e dão o tom litúrgico da reunião dos santos; ao, “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu lá estarei” de Mateus 18.20. Que o culto seja do povo e não dos dirigentes – chega de show! Quero voltar aos presbitério e diaconato, não como títulos, mas, como função: os que, sob unção da igreja local, cuidam da ministração da Palavra, da vida de oração da comunidade e para que ninguém tenha necessidade, seja material, espiritual ou social. Chega de ministérios megalômanos onde o povo de Deus é mão de obra ou massa de manobra!

Para que os templos, o institucionalismo, o denominacionalismo? Quero voltar às catacumbas, à igreja local. Por que o pulpitocentrismo? Quero voltar ao “instruí-vos uns aos outros” (Cl 3. 16).

Por que a pressão pelo crescimento? Jesus Cristo não nos ordenou a sermos uma Igreja que cresce, mas, uma Igreja que aparece: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. “(Mt 5.16). Vamos anunciar com nossa vida, serviço e palavras “todo o Evangelho ao homem… a todos os homens”. Deixemos o crescimento para o Espírito Santo que “acrescenta dia a dia os que haverão de ser salvos”, sem adulterar a mensagem.

“Tornai vós para mim, e eu tornarei para vós diz o Senhor dos exércitos”. Seja um patrocinador desta obra, seja um colaborador de Cristo!

Que Deus te abençoe!

Por Ariovaldo Ramos

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Coro IPN 55 anos

Nos seus lábios estejam os altos louvores de Deus, nas suas mãos, espada de dois gumes. (Salmos 149:6)

É com base nesse imperativo divino que o Coro IPN vem traçando a sua história ao longo de 54 anos de rendição àquele que é digno de toda honra e louvor. 

No dia 30 de agosto, às 19h, no templo da Igreja Presbiteriana Nacional, na W5 906 Sul, Brasília (DF), é dia de comemoração do 55º Aniversário do Coro IPN, com a apresentação do musical “Cantando o Evangelho, cantando a nossa história”.

Toda honra e glória pertencem ao Senhor. Louvar a Deus por todos esses anos sem interrupção não são méritos humanos e sim frutos da preciosa mão de Deus. Durante essa trajetória, várias estações do ano se passaram, muitas lutas, muitas vitórias e muitas alegrias. 

O alvo primordial do Coro IPN é louvar e bendizer ao supremo Criador. O desejo constante de todos os seus componentes é que quando o Coro IPN estiver entoando as lindas melodias de louvor sempre embasadas na Palavra, vidas possam ser tocadas, curadas e construídas por Deus.

Expressamos aqui nossa gratidão a Deus, aos Pastores, aos nossos Maestros, e àqueles que direta ou indiretamente contribuem para o crescimento deste Ministério.

Desde a época do rei Davi e de Asafe, o músico, muito tempo atrás, os músicos haviam dirigido os hinos de louvor e de agradecimento a Deus (Neemias 12:46). É nesse objetivo que o Coro IPN direciona todos os seus esforços e energia. Os seus cantores, pessoas das mais diferentes idades e classes sociais, têm tido a oportunidade de aprender a adoração com talento, recebendo nos lábios um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus; para que muitos possam ver essas coisas, temerem e confiarem no Senhor (Salmo 40: 3). São de grande brilhantismo as ocasiões em que o Coro IPN executa as tradicionais cantadas de Natal e de Páscoa, além das frequentes participações nos cultos dominicais.

Em todas as coisas somos mais do que vencedores, mas para isso precisamos trabalhar. No Coro IPN não seria diferente. O louvor contagiante é resultado direto de uma disciplina de orações e ensaios durante todo o ano, apesar da vida agitada que todos temos. Mas tudo é muito gratificante e para glória de Deus. Por meio de Jesus, pois, desejamos que o Coro IPN ofereça a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome (Hebreus 13:15).

Venha compartilhar conosco desse momento de grande alegria. Sua presença muito nos alegrará! Que Deus possa abençoar a sua vida com os nossos cânticos preparados com muito amor e carinho!

Dias complexos

"Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele." (Provérbios 22:6)

As influências e pressões de muitas novas propostas têm interferido fortemente na vida das pessoas, famílias e instituições, inclusive na vida da Igreja. Temos vivido numa época em que o mundo está complicado, deixando muitas pessoas confusas e instituições em crise. 

Verdades fundamentais, que outrora eram cridas como absolutas e das quais não se podia abrir mão, desde as últimas décadas do século XX vem sendo minadas por meio de diversos movimentos chamados pós-modernistas. Dentre eles, o pluralismo religioso. 

Hoje em dia, segundo uma das pressuposições desse pluralismo religioso, não existe a verdade absoluta, mas verdades, pois tudo se tornou relativo. Ficando assim, na dependência direta de quem interpreta e defende um determinado assunto o que seria a sua verdade. E daí, o que é verdade para um pode não ser verdade para o outro. Pelo que, nenhum interlocutor pode reivindicar ser o detentor da “verdade verdadeira" ou, ao mesmo tempo, todos são detentores de suas verdades. 

Conscientes dessa situação não podemos acomodar, haja vista que dentre toda essa relativização encontram-se, também, as verdades fundamentais e históricas do nosso cristianismo, pois, segundo tais entendimentos nenhuma religião, inclusive o cristianismo, seria o depositário da verdade. É ou não e um tempo complicado e difícil? 

Dentre tantos outros exemplos de relativismo, certamente já ouvimos alguém ou muitas pessoas dizerem que “todos os caminhos levam a Deus”. Essa afirmação faz parte dessa relativização ferrenha, pois vem da boca daqueles que defendem as várias verdades em contraposição e ataque aqueles que creem na unica Verdade e no único Caminho de acesso ao Pai e ao Seu Reino. 

Essa proposta diabólica cai por terra quando nos atentamos à pregação de Jesus sobre o dia do Juízo Final descrito em Mateus 25:31-46. Naquele dia, realmente, todos estarão diante do trono do Filho de Deus, mas para serem julgados, O texto bíblico é claro a respeito disso, quando diz que ”... todas as nações serão reunidas em sua presença, (Mateus 25:32), porém, ”...ele separará uns dos outros, como o pastor separa os cabritos das ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, a esquerda” e, como veredito final o Justo Juiz dirá aos que estiverem a Sua direita “Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo" (Mateus 25:34); bem como, aos que estiverem a Sua esquerda ”Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mateus 25:41 ). E assim, uns irão para o castigo eterno (condenação), e outros para a vida eterna (salvação) - inferno e céu, respectivamente (Mateus 25:46). 

Pois bem, considerando que a modernidade nos apresenta propostas de uma conduta hipócrita e nos estimula a viver sob padrões “politicamente corretos", precisamos crer, pregar e colocar em prática, mais do que nunca, os ensinamentos bíblicos e devemos ensinar aos nossos filhos o caminho em que devem andar para que nunca se afastem dele.

Como servos de Deus fomos chamados e capacitados justamente para esse fim: para falar da verdade e para vivê-la. Como um povo da verdade, devemos com amor, fé e oração quebrar o silencio e rejeitarmos a vida de padrões duplos propostos nas mais diversas áreas da pós-modernidade. 

Rev. Walter Mello

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Envelhecer segundo a Bíblia

Coroa dos velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são os pais. (Provérbios 17:6)

O homem de sessenta anos descobriu que estava com AIDS, e quase enlouqueceu. Comprou veneno para ratos, tomou uma quantidade expressiva e morreu. Foi o fim de uma história triste, marcada por decisões erradas.

Encontraram o cadáver cinco dias depois. Havia uma nota ao lado e dizia: “Tive muitas oportunidades de aceitar a Jesus e O rejeitei. Hoje descobri que tenho uma doença fatal. Vou morrer. Apesar disso, sinto que Jesus me chama, mas para que entregar-lhe o coração, se a minha vida já não vale nada?”

Este homem tinha um irmão gêmeo. Ambos tiveram os mesmos pais, receberam a mesma educação, foram instruídos nas mesmas escolas e amados do mesmo modo. Aos catorze anos, um deles aceitou a Jesus e o outro não. O primeiro passou a viver seguindo os conselhos divinos. Constituiu uma família feliz, teve três filhos que hoje são profissionais realizados e Deus lhe deu cinco netos. Hoje, ele vê que seus netos são a sua coroa e seus filhos a sua glória. A promessa divina é uma realidade na sua experiência.

O irmão gêmeo porém teve uma vida e um final diferente: três matrimônios fracassados, não teve filhos e cometeu suicídio ao descobrir que estava com AIDS, como resultado da vida promíscua que vivera. Teve muitas oportunidades para decidir e decidiu errado.

Todos nos aproximamos irremediavelmente da velhice. Na Bíblia encontramos promessas maravilhosas para aqueles que envelhecem seguindo as instruções divinas. Para estes cada etapa da vida é especial e da sua cadeira de balanço, um dia, podem observar a família, que construíram. A morte não os assusta porque tem o coração cheio de esperança.

Hoje é um dia para avaliar o caminho que você transita. Para onde vai? Quem orienta os seus passos? É sua vida o desenvolvimento instintivo do impulso e o fruto de seu esforço, guiado por padrões limitados a este mundo ou é a obediência aos princípios de vida de um Deus que nunca falha? Responda para si e lembre-se: “Coroa dos velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são os pais”.

sábado, 15 de agosto de 2015

Digno de ser louvado

Grande é o Senhor e mui digno de ser louvado, na cidade de nosso Deus. (Salmos 48:1)

Os nossos corações se enchem de alegria nestes dias em que comemoramos o 55º aniversário da Igreja Presbiteriana Nacional (IPN). Este momento nos dá a oportunidade para refletir sobre o que a nossa querida Igreja pode significar para a sociedade. 

Há muitas evidências de como Deus a tem abençoado, por isso devemos ser gratos a ele. A IPN tem uma história de amor por evangelismo e missões, e também por comunhão e amor fraternal, além do zelo pela Palavra. É um privilégio fazer parte desta grande família!

Deus há de continuar realizando o seu propósito por meio desta comunidade. Mesmo que sob lutas, obstáculos e dificuldades, temos de nos lembrar que somos instrumentos nas suas mãos para abençoar e construir vidas. 

Este é o plano individual de Deus para nós membros do corpo de Cristo! Ele quer usar a nossa vida para estender a influência da Igreja no mundo e para ser um canal de bênçãos na sociedade. O nosso amor e dedicação é fundamental. O amor é a demonstração viva de que somos verdadeiros discípulos de Cristo: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (João 13.35).

Que Deus continue a nos abençoar. Que possamos fazer a nossa parte e o amor de Deus seja conhecido e experimentado. Parabéns a todos que já fazem parte desta comunidade e nela congrega para servir ao Grande Deus Criador do Universo.

A você que ainda não se sente integrado a esta família, eu o convido a louvar o nosso Deus. Muitos gostam de adorar pequenos deuses, marionetes que aprovem o que a criatura faz e estejam sempre ao seu serviço. Este tipo de deus não faz bem. Pode acalmar a consciência, aliviar a dor por um instante, mas não é a solução definitiva para os problemas do mundo em que vivemos. Mas nós gostamos de louvar o grande Deus soberano, eterno e pessoal. 

Por que ele deve ser louvado? Por que ele faz questão de se relacionar com a humanidade. Não é um Deus distante. Não se omite. Não é apenas uma força destituída de personalidade. Deus é amor e criou o ser humano por amor. Por amor compartiu a sua vida por meio de Jesus Cristo e, diante disto, a criatura sente imenso desejo de enaltecer seu nome, celebrá-lo, cantar louvores e glorificá-lo sempre. É justamente isso que fazemos quando nos reunimos em congregação. 

Nos tempos em que o Salmo 48 foi escrito, Jerusalém – que também é o nome da linda canção entoada pelos corais da IPN no grande culto comemorativo (assista pela Internet: www.ipn.org.br) – era considerada a “cidade de Deus”, o local de adoração. Mas hoje, a igreja é esse local. Há algo especial quando os filhos de Deus se juntam para louvar. O Espírito de adoração é contagioso. Você pode estar todo carregado de problemas, triste e aflito, mas quando você entra na “casa de Deus” e se junta aos outros adoradores, repentinamente passa a perceber a grandeza de Deus.

E para que tudo isto? Apenas para que Deus se sinta bem? Não, quem mais ganha com isso é você, porque se o seu Deus é grande, não existe problema que ele não possa resolver. Experimente isso. Procure uma igreja e louve ao Senhor digno de ser louvado.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

O suicida

Eu escrevo essas coisas a vocês que creem no Filho de Deus, para que vocês saibam que têm a vida eterna (I João 5:13).

Alguém que comente suicídio perde a vida eterna?

Em primeiro lugar, o suicídio não é uma saída àqueles que sofrem. Deus é capaz de trazer bálsamo às emoções e restaurar a alegria de viver. 

Entretanto, é preciso saber o que significa ter a vida eterna. No dia em que o mundo foi criado, Deus já havia escolhido os que terão a vida eterna. A vida eterna é um dom gratuito, recebido por meio da união com Jesus Cristo. Deus, por causa do seu amor, trabalha para que os escolhidos se tornam seus filhos, pois este é o seu prazer e a sua vontade soberana (Livro de Efésios).

Toda pessoa nasce espiritualmente morta e sem a vida eterna. Deus dá vida àqueles que ele escolheu. Nesse momento, os escolhidos passam a enxergar a Verdade e são convencidos do pecado por obra exclusiva do Espírito Santo (João 16:8). Em seguida, Deus inicia neles o trabalho da regeneração e continua até que esteja completo no dia da volta de Jesus Cristo (Filipenses 1:6). Durante essa nova vida, os escolhidos – ou eleitos – eventualmente cometem pecados porque ainda não atingiram a plenitude da santidade; mas não vivem na prática do pecado, pois são nascidos de Deus e neles permanece a divina semente (1 João 3:9). Por si sós, eles não têm como evitar o pecado. Somente Deus pode impedir que caiam na fé e só ele pode apresentá-los sem defeito e cheios de alegria na sua gloriosa presença (Judas 1:24). Que gloriosas promessas!

Então, se a salvação, ou a vida eterna, é obra realizada inteiramente por Deus, obviamente permanecer salvo também o é. São essas as divinas obras que dão segurança e tranquilidade aos eleitos. Não é o que fazem ou deixem de fazer que lhes garante a salvação. Pelo contrário, o estilo de vida dos eleitos é pautado pela salvação e pela obra da regeneração que os fazem permanecer salvos até o fim. O cometimento eventual de um pecado – qualquer que seja – não tira a salvação dos eleitos, exatamente por causa dessa eterna segurança. 

O suicida não é um pecador pior do que aquele, por exemplo, que maltrata seu corpo até a morte com o uso de drogas, estresses ou falta de cuidados com a saúde. Muitos morrem repentinamente e sequer têm tempo para se arrepender. No entanto, Deus, pela sua infinita misericórdia e soberania, pode ter escolhido salvar a ambos. 

Sendo assim, afirmar categoricamente que o suicida perde a vida eterna seria uma afronta à soberania de Deus.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Idolatria moderna

"Prata e ouro são os ídolos deles, obra das mãos de homens." (Salmo 115:4)

Corretamente entendida, a tecnologia deveria ser uma evidência de Deus e dos recursos com os quais Ele dotou Suas criaturas. Todo avanço e descoberta deveriam ser vistos como um testemunho dAquele que é o autor da inteligência e mantenedor da vida. Contudo, a tecnologia tornou-se uma idolatria e inimiga da reverência e da meditação. E, em última instância, a idolatria é a celebração do autismo humano.

Nas Escrituras, o culto idólatra não é primariamente uma questão de orar para estátuas de pedra, madeira, ouro, prata ou bronze. O culto aos ídolos é a celebração da criação humana como a maior realização de que somos capazes. O que está errado com a idolatria não é apenas que ela seja uma deslealdade a Deus e ofensiva a Ele. O problema com o culto aos ídolos é que ele é fútil. Na realidade, é uma maneira indireta de adorarmos a nós mesmos. A idolatria, porém, nunca nos ajudará a crescer e amadurecer. O resultado mais funesto dela é que a vida se torna vazia, sem mesmo nos apercebermos disso.

Em sentido final, o culto às nossas realizações se torna enfadonho porque não somos capazes de nos elevar acima de nós próprios. Curiosamente, nós podemos olhar para um lago, para as montanhas, o mar, as flores ou o céu estrelado por horas e não nos sentirmos enfadados. Mas quanto tempo você pode olhar para qualquer produto humano, seja um computador, iPad, avião, carro? Rapidamente nos cansamos daquilo que o ser humano pode inventar. Quando crianças, facilmente nos cansávamos de nossos brinquedos. Como adultos, a reação não é diferente. Não importa quão complicados e deslumbrantes sejam nossos “brinquedinhos”, quando os comparamos com a grandeza e complexidade do Universo, eles se tornam insignificantes.

Nas Escrituras, os ídolos não são nada. De fato, a palavra hebraica para “ídolo” equivale a “vento”. Alguns de nossos ídolos são concretos; outros, abstratos: máquinas, dinheiro, posses, prazer, trabalho, posições, poder, aparência. Mas não importa o que sejam, não podemos confiar neles mais do que podemos confiar no vento. Ore hoje com o salmista: “Tu me farás ver os caminhos da vida; na Tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente” (Salmo 16:11).

sábado, 8 de agosto de 2015

ComPAIxão

O Senhor me disse: Você é meu filho; hoje eu me tornei seu pai. (Salmos 2:7) 

“Papai, meus coleguinhas dizem que os pais deles são heróis”, mas eu digo que eu tenho dois pais heróis e que os homenageio todos os dias. Parabéns papai! 

Todos nós passamos por algum tipo de perda em algum momento de nossas vidas. Quando isso acontece, procuramos um braço amigo para nele encontrarmos abrigo. Na maioria das vezes, é o nosso pai que nos oferece alegremente os seus braços. Quase sempre nos recorremos a ele porque ele tem comPAIxão. 

Quando uma criança perde um brinquedinho, ela corre para os braços do papai, na esperança de que o probleminha seja resolvido. Quando um adolescente perde a medalha nos jogos olímpicos da escola, ele corre para os braços do pai, na certeza de neles encontrar o alento. Quando um jovem está apaixonado, ele corre para os braços do pai, à procura de uma estratégia de conquista. Enfim, para muitos, o pai é o refúgio em todo tempo. Assim, ele sempre merece o nosso carinho e atenção. 

Felizes são aqueles que ainda podem contar com os serenos braços de seu papai para neles descansar, na certeza de ali estarem seguros, de ali estar o seu refúgio, a sua torre, a sua fortaleza. Mais felizes ainda são os que confiam no Pai celestial, pois assim podem ter a certeza de que jamais estarão sós. 

Parafraseando o salmista, os que são filhos de Deus podem dizer: 

O Pai é o nosso refúgio e a nossa força, socorro que não falta em tempos de aflição. Por isso, não teremos medo, ainda que a economia seja abalada, e as riquezas caiam nas profundezas do oceano. Não teremos medo, ainda que os corruptos se agitem e rujam, e os medrosos tremam violentamente. 

Há uma atitude que alegra a casa do Pai. O Pai vive na sua casa, e ela nunca será destruída; todos os dias, Ele a protegerá. As pessoas ficam apavoradas, e os líderes políticos ficam indecisos. O Pai age, e todos o procuram. 

O Pai Todo-Poderoso está do nosso lado; Ele é o nosso refúgio. Venham, vejam o que o Pai tem feito! Vejam que coisas maravilhosas ele pode fazer por vocês! 

Ele pode acabar com as revoltas no mundo inteiro; pode quebrar os aviões de guerra, despedaçar os mísseis e destruir as armas. Ele diz: “Parem de lutar e fiquem sabendo que eu sou o Pai. Eu sou o Pai de todos, o Pai do mundo inteiro.” Esse é o Pai Celestial que com sua grande comPAIxão diz agora assim para você: 

“Vem filho amado / Vem em meus braços descansar / E bem seguro te conduzirei / Ao meu altar / Ali falarei contigo / Com meu amor te envolverei / Quero olhar em teus olhos / Tuas feridas sararei / Vem filho amado / Vem como estás” (Diante do Trono) 

Você pode estar passando por um momento difícil. Digo a você, com toda sinceridade, que o melhor lugar como refúgio são os braços do Pai Celestial. Neles você pode se deleitar no conforto da sua Palavra. Corra agora para os braços do Pai Celestial!

domingo, 2 de agosto de 2015

O que é importante

"Eu sei, ó Senhor, que não cabe ao homem determinar o seu caminho, nem o que caminha o dirigir os seus passos." (Jeremias 10:23)

Uma vez estava conversando com um amigo. Ele me contava que sua esposa e ele acabaram de ter um bebê. Enquanto conversávamos, chegou o pai do meu amigo e lhe disse que seu bebê parara de respirar e que fora levado para o hospital, com urgência. No mesmo instante, meu amigo entrou no carro de seu pai e se foi.

Por um momento fiquei onde estava, sem me mover, mas logo tratei de pensar no que deveria fazer: seguir meu amigo ao hospital? Minha presença, disse a mim mesmo, não serviria de nada, pois a criança certamente estaria sob cuidados de médicos e nada havia que eu pudesse fazer para mudar a situação.

Oferecer meu apoio moral? Talvez, mas tanto ele quanto sua esposa vinham de famílias numerosas e sem dúvida estariam rodeados de amigos e familiares que lhes ofereceriam apoio e conforto necessários, acontecesse o que acontecesse. A única coisa que eu faria indo até lá, era atrapalhar.

Decidi que mais tarde veria o meu amigo. Quando dei a partida no meu carro, percebi que o meu amigo havia deixado o seu carro aberto e com as chaves na ignição. Decidi, então, fechar o carro e ir até ao hospital para lhe entregar as chaves.

Como imaginei, a sala de espera estava repleta de familiares que os consolavam. Entrei sem fazer ruído e fiquei junto à porta pensando o que deveria fazer. Não demorou muito e surgiu um médico que se aproximou do casal e, em voz baixa, comunicou o falecimento do bebê.

Durante os instantes que ficaram abraçados - a mim pareceu uma eternidade - choravam, enquanto todos os demais ficaram ao redor daquele silêncio de dor. Ao me ver ali, aquela mãe me abraçou e começou a chorar. Também meu amigo se refugiou em meus braços e me disse: "Muito obrigado por estar aqui!".

Durante o resto da manhã fiquei no hospital, vendo meu amigo e sua esposa segurar nos braços seu bebê, despedindo-se dele. Isso foi o mais importante que já fiz na minha vida. Aquela experiência me deixou três lições.

Primeira lição - O mais importante que fiz na vida, ocorreu quando não havia absolutamente nada, nada que eu pudesse fazer. Nada daquilo que aprendi na universidade, no MBA, nos cursos de especialização no Exterior, nem todo o racional que utilizei para planejar, analisar, decidir, executar, serviram-me naquelas circunstâncias: duas pessoas receberam uma desgraça e eu nada poderia fazer para remediar. A única coisa que poderia fazer era esperar e acompanhá-los.

Segunda lição - Estou convencido que o mais importante que já fiz na minha vida esteve a ponto de não ocorrer, devido às coisas que aprendi, aos conceitos do racional que aplicava na minha vida pessoal assim como fazia na profissional. Ao aprender a pensar, quase me esqueci de sentir. Hoje, não tenho dúvida alguma de que deveria ter subido naquele carro sem vacilar e acompanhado meu amigo ao hospital.

Terceira lição - Aprendi que a vida pode mudar em um instante. Intelectualmente todos nós sabemos disso, mas acreditamos que os infortúnios acontecem somente com os outros. Assim, fazemos nossos planos e imaginamos nosso futuro como algo tão real como se não houvesse espaços para outras ocorrências. Mas ao acordarmos de manhã, esquecemos que podemos perder o emprego, sofrer uma doença ou cruzar com um motorista embriagado e outras mil coisas podem alterar nosso futuro num piscar de olhos.

Às vezes, para algumas pessoas, é necessário viver uma tragédia para recolocar as coisas em perspectiva. É muito importante que se busque um equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal e familiar. Nenhum emprego, por mais importante e gratificante que seja, compensa perder férias, romper relacionamentos ou passar um dia festivo longe da família. Aprendi também que o mais importante da vida não é ganhar dinheiro, nem ascender socialmente, nem receber honras. O mais importante da vida está nas coisas simples do dia-a-dia e, principalmente, em perceber que o real sucesso transcende de longe o simples agir como profissional.

Por Washington Sorio