terça-feira, 28 de abril de 2015

Vida abundante‏

O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. (João 10:10)

Quando Jesus se referiu à vida abundante, estava falando de uma vida equilibrada; uma vida que garanta ao indivíduo crescer à imagem de Cristo. Jesus veio a este mundo para que as pessoas tenham nEle uma vida significativa, intencional, alegre e eterna. Jesus nos promete uma vida muito melhor do que poderíamos imaginar (1 Coríntios 2:9 e Efésios 3:20).

Antes de começarmos a ter visões de casas luxuosas, carros caros, cruzeiros por todo o mundo e mais dinheiro do que poderíamos gastar, precisamos parar e pensar sobre o que Jesus ensina a respeito da vida abundante. A Bíblia nos diz que a riqueza, prestígio, posição e poder neste mundo não são as prioridades de Deus para nós (1 Coríntios 1:26-29). Logo, a vida abundante não consiste de uma abundância de coisas materiais. Se fosse esse o caso, Jesus teria sido o mais rico dos homens. Mas não foi o que aconteceu (Mateus 8:20).

Vida abundante é a vida eterna, uma vida que se inicia no momento em que recebemos a Salvação e continua eternamente. “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3). Esta definição não menciona quantidade de dias, saúde, prosperidade, família ou ocupação. Na verdade, a única coisa que menciona é o conhecimento de Deus, que é a chave para uma vida verdadeiramente abundante.

A abundância é espiritual, não material. De fato, Deus nos garante que não precisamos nos preocupar com o que vamos comer ou vestir (Mateus 6:25-32, Filipenses 4:19). Bênçãos físicas podem ou não ser parte de uma vida centrada em Deus. A riqueza ou pobreza não é uma indicação certa da nossa posição com Deus. Salomão tinha todas as bênçãos materiais disponíveis a um homem, e ainda achou tudo insignificante (Eclesiastes 5:10-15). Paulo, por outro lado, estava contente em quaisquer circunstâncias físicas em que se encontrava (Filipenses 4:11-12).

A vida abundante ou eterna é determinada por uma relação íntima com Deus. Quando recebemos Jesus, recebemos também a vida eterna (1 João 5:11-13). Ela gira em torno de crescer “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pedro 3:18). Isso nos ensina que a vida abundante é um processo contínuo de aprender, praticar e amadurecer, bem como de falhar, recuperar, ajustar, resistir e superar. A vida abundante será plena quando não mais precisarmos lutar contra o pecado que tanto nos assedia.

Apesar de sermos naturalmente desejosos de coisas materiais, a nossa perspectiva sobre a vida deve ser revolucionada (Romanos 12:2), e o nosso entendimento de “abundância” deve ser transformado. A vida abundante consiste de uma abundância de amor, alegria, paz, e demais frutos do Espírito (Gálatas 5:22-23). Vida abundante não consiste numa grande quantidade de “coisas” ou longevidade. Vida abundante é vida eterna e, por assim ser, o nosso interesse está no que é eterno, e não temporal. Paulo nos adverte: “Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus” (Colossenses 3:2-3).

terça-feira, 21 de abril de 2015

A heresia da prosperidade

Faça todo o possível para conseguir a completa aprovação de Deus, como um trabalhador que não se envergonha do seu trabalho, mas ensina corretamente a verdade do evangelho. (2 Timóteo 2:15) 

Uma das razões para sermos enganados pela teologia da prosperidade - que na verdade deveria chamar-se heresia da prosperidade - é o desconhecimento das Escrituras. Tanto pregadores quanto suas audiências ignoram os rudimentos da interpretação bíblica. Tais pregadores falam aquilo que as pessoas querem ouvir. A razão do êxito deles está na mensagem atrativa para a cultura materialista: casa melhor, no lado certo da cidade; carro novo; negócios lucrativos; roupas de grife; férias exóticas. Basta ouvir os “testemunhos” para ficarmos alarmados. E tudo isso “canonizado” com o uso perverso de textos bíblicos forçados para se ajustar a uma pressuposição completamente estranha à Palavra de Deus. Cria-se assim o ambiente para que a ênfase pragmática e materialista da cultura acabe triunfando. Prova-se então a verdade de que, se a religião não nos transforma, nós a transformaremos para que ela se adapte às nossas opiniões e simpatias.

Paulo recomenda ensinar e usar corretamente a Palavra. Em outra tradução bíblica, o verso “procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” expressa o termo grego traduzido por “manejar” que significa “cortar em linha reta”. Isso nos sugere responsabilidade no uso das Escrituras. O pecado mortal dos falsos mestres é o abuso da Palavra de Deus. Nós não somos como muitas pessoas que entregam a mensagem de Deus como se estivessem fazendo um negócio qualquer. Pelo contrário, foi Deus quem nos enviou, e por isso anunciamos a sua mensagem com sinceridade na presença dele, como mensageiros de Cristo. (2 Coríntios 2:17). Esse abuso é traduzido como “mercadejar” ou “adulterar”. Devemos lembrar, contudo, que o correto conhecimento da Palavra de Deus não se limita aos ministros. Se as audiências da “teologia da prosperidade” tivessem pelo menos uma perspectiva bíblica da vida, não seriam ludibriadas por mensagens tão espúrias. Eis a razão de muitas pessoas "decepcionadas" com Deus.

Pode-se confiar no discurso dos pregoeiros da prosperidade? A mensagem deles não passa em um simples teste bíblico. Promete Deus saúde e cura em qualquer circunstância? Paulo não foi capaz de curar alguns de seus associados: Epafrodito (Filipenses 2:27), Timóteo (1 Timóteo 5:23) e Trófimo (2 Timóteo 4:20). 

Ele mesmo sofreu de uma enfermidade física (Gálatas 4:13-15). Três vezes orou por libertação, sem receber cura (2 Coríntios 12:8-10). Além disso, seria a pobreza sinal de maldição, como alegado pela heresia da prosperidade? Paulo declarou-se pobre, sem nada possuir (2 Coríntios 6:10). E Jesus, que não teve onde reclinar a cabeça (Mateus 8:20)? Será que eles também não tinham fé? Como harmonizar a ambição da prosperidade com as advertências bíblicas quanto aos perigos da riqueza (Mateus 19:24; Lucas 12:33-34; Hebreus 13:5; Colossenses 3:5)?

"Se o Amor de Deus para com seus filhos é medido por nossa saúde, riqueza e conforto nesta vida, Deus odiou o Apóstolo Paulo." (John Piper)

Tenha bastante cuidado com certos "sermões" e palestras que você tem ouvido para depois não se "decepcionar" com Deus.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

O silêncio pecaminoso‏

Texto de autoria de Helder Nozima, publicado no reformaecarisma.wordpress.com

Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito. (1 Timóteo 2:1-2) 

O silêncio nos púlpitos e no ensino da Igreja é culpa dos pastores e líderes. Mas os liderados não podem se omitir da culpa pela ausência de orações em favor do Brasil. Hoje não há um único movimento nacional de orações pelo país e por nossas autoridades. Quebramos assim o mandamento bíblico que nos mostra como podemos ter uma vida tranquila e mansa.

Por que o Brasil vive uma onda de violência tão grande, a ponto de morrerem mais pessoas aqui do que em guerras sangrentas em outros países? Por que não temos tranquilidade para investir e prosperar economicamente? Por que a piedade e o respeito se tornaram raros, enquanto o país mergulha na sensualidade de prazeres carnais e na irreverência desmedida com tudo e com todos? A culpa é de quem? Do Governo? Antes de culparmos os outros, assumamos que a culpa é minha e é sua, de todos os cristãos filhos de Deus que oram e suplicam pouco pelo país e por nossas autoridades. Quando fazemos isso, não é mesmo?

Apenas colhemos o que plantamos. A Bíblia nos mostra o caminho para a transformação da sociedade. Mas o silêncio dos púlpitos acaba produzindo o silêncio dos fiéis em seus quartos e cultos. Como nunca se prega sobre o país, tendemos a pensar que esse tipo de assunto não faz parte da vida cristã. De modo bem torto, concordamos com todos os militantes ateus que falam que a fé deve ser completamente excluída da política.

Nas poucas vezes que pude visitar igrejas norte-americanas, pude ver que lá não é assim. Vi pastores comentando sobre política durante os cultos e fazendo orações pelas autoridades nacionais e municipais. Vi orações serem feitas sobre assuntos debatidos no Congresso americano e até sobre protestos em países islâmicos. E tudo isso no culto dominical: era um momento de oração rotineiro. Se um fiel de lá quiser orar pelo país na vida diária, ele saberá pelo que orar. E no Brasil?

Como resolver isso? Talvez um movimento de oração, o Desperta Débora, tenha uma resposta. Nos anos 90, mães começaram a se encontrar para interceder a Deus pela vida dos seus filhos. Baseados no exemplo bíblico de Débora, elas foram “despertas” e começaram a orar. Tenho certeza que as mães que foram fiéis em oração terão muitas histórias maravilhosas para contar sobre como Jesus salvou e preservou seus filhos ao longo desses últimos 20 anos.

Hoje é preciso que nos inspiremos em outra figura bíblica, e sugiro o profeta Daniel. Nele vejo o que falta a líderes e a fiéis. Como profeta, ele não teve receio de apontar o pecado e aconselhar reis poderosos.

Portanto, ó rei, aceita o meu conselho e põe termo, pela justiça, em teus pecados e em tuas iniquidades, usando de misericórdia para com os pobres; e talvez se prolongue a tua tranquilidade. (Daniel 4:27)

Tu, Belsazar, que és seu filho, não humilhaste o teu coração, ainda que sabias tudo isto. E te levantaste contra o Senhor do céu, pois foram trazidos os utensílios da casa dele perante ti, e tu, e os teus grandes, e as tuas mulheres, e as tuas concubinas bebestes vinho neles; além disso, deste louvores aos deuses de prata, de ouro, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra, que não vêem, não ouvem, nem sabem; mas a Deus, em cuja mão está a tua vida e todos os teus caminhos, a ele não glorificaste. (Daniel 5:22-23)

Daniel não foi somente um profeta e um confrontador ousado. Ele foi também um homem que orava intensamente pelo seu povo.

Falava eu ainda, e orava, e confessava o meu pecado e o pecado do meu povo de Israel, e lançava a minha súplica perante a face do SENHOR, meu Deus, pelo monte santo do meu Deus (Daniel 9:10)

O que nos falta é isso. Precisamos nos reunir para orar pelo país. Para confessar o nosso pecado individual e os pecados do nosso povo. Para suplicar, ou seja, orar intensamente, pedir intensamente pela transformação do Brasil. Sem isso, que mudança podemos esperar?

O que nos falta é resolvermos fazer isso. No momento em que tomarmos uma decisão, aí sim começaremos a fazer.

Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se. (Daniel 1:8)

Resolve, “Daniel”! Aí sim o Senhor vai nos usar para mudar o Brasil.

Amor em família

Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo. (Gálatas 6:2)

[A história de Yibin City, da província de Sichuan, na China, prova que o amor da família supera barreiras.

Fang Mei Qiu é deficiente física e tem 14 anos de idade, mas não perde um dia de aula. Tudo graças a sua avó de 66 anos, que oferece a ela um “transporte” para ir à escola todos os dias de manhã. Juntas, eles andam quatro quilômetros de estradas de montanha, à pé.

Fang Mei nasceu com as rótulas dos joelhos danificadas, tornando-se incapaz de suportar seu próprio peso. Por isso, ela não pode ficar mais do que alguns minutos em pé sem sentir uma dor excruciante, e muito menos andar à pé para a escola. Ela constantemente precisa de ajuda para se locomover. Infelizmente, seu pai a deixou quando era apenas um bebê e sua mãe se casou de novo em seguida, deixando Fang Mei sob os cuidados de seus avós. Enquanto o avô está muito velho e doente para fazer a maioria das coisas, a avó cuida das necessidades da menina e do resto da casa.

A avó acorda às 5 da manhã todos os dias. Às 7 da manhã, elas começam sua jornada para a escola com Fang Mei nas costas da avó, parando para descansar pelo menos cinco vezes durante a caminhada. Leva uma hora e meia para viajar os dois quilômetros de ida, e para voltar, a mesma distância e o mesmo tempo. E elas nunca se atrasam: a avó garante que elas chegam à escola 8h30, que é quando começa o primeiro horário. Elas vêm fazendo isso há cinco anos.

A tarefa a que a avó se compromete todo dia é difícil, mesmo para alguém que é muito mais jovem e mais forte. Aos 66 anos, é complicado pensar como essa senhora consegue. Entretanto, ela disse que só se preocupa em como Fang Mei vai administrar sua vida quando o casal de idosos morrer.

Por sua vez, Fang Mei disse que faz tudo que pode para fazer o trajeto mais fácil para avó. Ela tenta suportar seu peso em duas muletas de bambu artesanais, e tenta andar durante o tempo que ela pode. Ela também estuda muito, por isso, todos os esforços da avó vão valer a pena um dia.

Depois que a história apareceu nos meios de comunicação chineses, as autoridades locais decidiram intervir e ajudar. A família mudou-se para uma casa mais perto da escola e deram a Fang Mei uma cadeira de rodas para poder se movimentar sozinha. As autoridades também convocaram instituições médicas locais para analisar se a condição da jovem pode ser melhorada.]

Li essa reportagem no site da UOL e não me contive em lágrimas. Isso sim é colocar a Palavra de Deus em prática!

terça-feira, 14 de abril de 2015

Orações ouvidas

“Se eu no coração contemplara a vaidade, o Senhor não me teria ouvido”. (Salmos 66:18)

O versículo no hebraico poderia ser traduzido: “Se eu tivesse iniquidade no meu coração, o Senhor não teria ouvido”. Em qualquer caso, Davi estava apresentando uma condição sob a qual sua oração não seria eficaz e não seria ouvida. A palavra hebraica traduzida por “contemplara” é raah, que significa apenas “ver”. Em outras palavras, se eu olho para minha vida e vejo pecado e o alimento, minhas orações são um exercício de futilidade. 

Isto significa que, se o pecado está presente em nossa vida, Deus recusa ouvir nossas orações? Não. Se fosse assim, toda oração seria fútil. Todavia, se nosso coração está endurecido em um espírito de impenitência, nossas orações não são apenas fúteis, mas também um escárnio de Deus. 

Davi recordou a si mesmo que há um tempo em que a oração é um ato presunçoso, arrogante, detestável e odioso perpetrado contra o Todo-Poderoso. Este salmo se abre com 17 versículos de alegria e de louvor a Deus por suas realizações poderosas. De repente, aparece no versículo 18 o lembrete sombrio de como toda a história poderia ter sido diferente. Somos alertados da importância de achegar-nos apropriadamente a Deus em oração. Se há algo pior do que não orar, é orar em uma atitude indigna. 

Outras passagens da Escritura refletem esta atitude. Salmos 109:7 sugere que a oração dos ímpios deve ser considerada pecado. João 9:31 afirma especificamente que o Senhor não ouve pecadores. Provérbios 15:29 diz: “O Senhor está longe dos perversos, mas atende à oração dos justos”. Provérbios 28:9 diz que a oração do desobediente ou rebelde é “abominável” para o Senhor. É repulsiva ou detestável para ele. 

Por outro lado, Tiago nos diz que a oração do justo realiza muito (5:16). Não somos justos em nossa vida diária, mas estamos vestidos da justiça de Cristo. Por isso, no que diz respeito à nossa posição diante de Deus, somos justos. 

Às vezes, os teólogos definem um conceito por dizerem o que algo não diz e o que ele realmente diz. O que o salmista não estava dizendo era que, se tivesse sido culpado de pecado, o Senhor não o teria ouvido. O salmista estava dizendo que, se tivesse pecado em seu coração, Deus não o teria ouvido. 

Portanto, para termos nossas orações ouvidas por Deus, precisamos nos arrepender dos nossos pecados e sermos justificados por Cristo por meio da fé.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Maioridade penal

Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele. (Provérbios 22:6)

Em 2010 meu irmão com 42 anos, pai de três filhos, cidadão exemplar, foi assassinado dentro de sua própria casa por um delinquente que havia saído há poucos dias do internato de menores infratores. Ele havia completado 18 anos um dia antes de cometer mais um latrocínio, embora houvesse cometido outro quando ainda menor. Foi preso e condenado à prisão, mas teve sua pena reduzida por ter sido o seu primeiro delito após adquirir a maioridade. O crime anteriormente cometido não lhe havia sido imputado pelo fato de que era menor de idade. A ficha dele estava limpa quando completou 18 anos e, portanto, foi julgado como réu primário. Ficou poucos meses na prisão. 

Sou a favor da redução da maioridade penal, pois sei que a atual situação que passa nossa sociedade torna necessária uma atitude urgente. Cidadãos de bem estão tendo o desprazer de verem suas famílias serem ceifadas de forma cruel por criminosos que sabem exatamente o que estão fazendo na certeza da impunidade. 

As famílias e o Estado têm a obrigação de educar as crianças e adolescentes. Esta é a recomendação no texto bíblico acima. É preciso que haja mais investimento na educação. As escolas deveriam ser um local agradável onde a consciência cívica e a convivência em sociedade fossem facilmente assimiladas. O governo deveria possibilitar a prática de esportes e outras artes, de forma que as crianças ocupassem o seu tempo e tivessem o prazer de crescer como uma pessoa de bem. Os pais deveriam se preocupar menos com o trabalho e consumo e dedicar mais tempo para estar com seus filhos e transmitir a eles um ensinamento sadio. O que não pode é continuar as crianças jogadas nas ruas, à mercê de bandidos que as usam para praticarem todo tipo de delitos.

Muitos que criticam a redução da maioridade penal não têm contato com a realidade da falta de segurança em que estamos vivendo. Não assistem os telejornais ou simplesmente fecham os olhos para o que está acontecendo com os cidadãos e cidadãs de bem.

O correto seria educar, ou ter educado a criança. Como isso não foi possível na época certa, agora é necessária a punição. O que não pode acontecer são as duas coisas: a falta de educação e a falta de punição. Sem punição a atos ilícitos, nenhuma sociedade cresce com segurança e respeito mútuo. Nossas crianças e jovens precisam entender que o crime não compensa, e que a sua prática é passível de punição. A impunidade gera mais violência.

Os argumentos a favor da redução da maioridade penal são bastantes convincentes. Juridicamente, a mudança do artigo 228 da Constituição de 1988 não seria inconstitucional. O artigo 60 da Constituição, no seu inciso 4º, estabelece que as PECs não podem extinguir direitos e garantias individuais. Defensores da PEC 171 afirmam que ela não acaba com direitos, apenas impõe novas regras. 

Os jovens “de hoje” têm consciência de que não podem ser presos e punidos como adultos. Por isso continuam a cometer crimes. A redução da maioridade penal iria proteger os jovens do aliciamento feito pelo crime organizado, que tem recrutado menores de 18 anos para atividades, sobretudo, relacionadas ao tráfico de drogas. Por outro lado, há uma incongruência muito grande na legislação brasileira: se uma pessoa com 16 anos pode votar e contribuir para o futuro da Nação, certamente ela pode ser responsabilizada pelos seus atos. O Brasil precisa alinhar a sua legislação à de países desenvolvidos onde até adolescentes acima de 12 anos podem ser submetidos a processos judiciais da mesma forma que adultos.

A Bíblia não cita a idade em que o pecador pode ou não ser punido pelos seus atos. Dentre as instruções que Deus deu a Noé, logo após o Dilúvio, está uma considerada muito dura para vários povos: “O ser humano foi criado parecido com Deus, e por isso quem matar uma pessoa será morto por outra” (Gênesis 9:6). Os leigos criticam a justificativa que embasou a PEC da redução da maioridade penal, mas o embasamento bíblico é pertinente e encontra-se em Ezequiel 18: “— Imaginem que [um homem honesto] tenha um filho que rouba, mata e faz coisas que o pai nunca fez. [...] Será que ele vai viver? Não! Não vai! Ele fez todas essas coisas vergonhosas e morrerá por causa delas. Esse filho será culpado da sua própria morte.” Observa-se que a Bíblia recomenda que o infrator seja punido, independentemente da sua idade.

A Palavra de Deus é dura, mas eficaz. Deus é bom e misericordioso, porém, se quisermos viver em uma sociedade decente, temos que atentar para os seus princípios.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

É Pascoa! Celebrai.

Então Jesus afirmou: — Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim nunca morrerá. Você acredita nisso? (João 11:25-26)

A ressurreição de Jesus vem confirmar e cumprir profecias de centenas de anos anteriores. Eis a razão pela qual a fé cristã assume lugar especial no coração do homem. Esta é a diferença entre Jesus Cristo e todos os outros que se diziam vindos de Deus. Desta forma, Buda, Maomé e outros não ressuscitaram. Jesus é o único e verdadeiro filho de Deus, o Salvador da humanidade. Todos os outros morreram e passaram, mas Jesus ressuscitou e está vivo, salvando e fazendo milagres mediante o Espírito Santo. Este é um motivo especial para celebrarmos.

Para quem ainda não teve oportunidade de ler, vou reproduzir a seguir partes de um texto publicado pela revista Veja desta semana, de autoria de Adriana Dia Lopes, sob o título “Ressurreição: o grande dogma do cristianismo”. Lembrando que o texto foi escrito por uma pessoa leiga, porém bem pautado nas Escrituras Sagradas.

“Por que, depois de pouco menos de 2 000 anos, a crença na ressurreição de Jesus Cristo, um dos mais extraordinários mistérios da fé, ainda exerce efeito tão arrebatador? Disse o apóstolo Paulo, o grande disseminador das palavras de Jesus, em suas cartas aos coríntios, anotadas no Novo Testamento: ‘Se Cristo não foi ressuscitado, nós não temos nada para anunciar e vocês não têm nada para crer. (...) Se Cristo não foi ressuscitado, a fé que vocês têm é uma ilusão. (...) Se Cristo não ressuscitou, os que morreram crendo nele estão perdidos. (...) Se a nossa esperança em Cristo só vale para esta vida, nós somos as pessoas mais infelizes deste mundo’. A ideia da ressurreição foi a faísca do cristianismo, que então deixou de ser uma seita do Império Romano para se transformar na maior religião do planeta.

Três dias haviam se passado da morte agonizante de Jesus na cruz do Gólgota, ponto final do calvário. Era uma madrugada de domingo, Páscoa judaica. Ainda estava escuro, e Maria Madalena foi ao sepulcro ungir o corpo de Jesus com especiarias. Ao se aproximar, viu o túmulo aberto e saiu correndo para avisar os discípulos. Eles entraram e encontraram o sepulcro vazio. Apenas a mortalha que envolvia o corpo de Cristo estava lá. Maria Madalena, dizem os textos sagrados do cristianismo, permanecera distante, chorando, quando dirigiu o olhar em direção ao túmulo e avistou dois anjos, que lhe perguntaram: ‘Mulher, por que você está chorando?’. Ela respondeu: ‘Levaram embora meu Senhor e não sei onde o puseram’. Maria Madalena então olhou para trás e viu uma figura humana em pé que ela pensou se tratar do jardineiro, à qual se dirigiu: ‘Se o tirou daqui, diga onde o colocou e eu irei buscá-lo’. A resposta veio curta: ‘Maria’. Nesse momento ela reconheceu Jesus e respondeu: ‘Mestre’. Descrita no Evangelho de São João, essa história, tão singela quanto misteriosa, resistiu e se fortaleceu com a passagem dos milênios.

Para os cristãos, a ressurreição tem mais valor do que os sermões e os milagres de Jesus em vida. Como disse São Paulo aos coríntios, sobre ela foi erguida toda a catedral de fé do cristianismo. Sem ela, toda a esperança humana se resume aos limites da vida terrena. Com ela, a vida terrena é uma vida vicária, uma vida no lugar da verdadeira vida eterna. 

Do ponto de vista do proselitismo religioso, do convencimento dos fiéis, a ressurreição é vital pela transcendência. Ela é a garantia de uma graça concedida a toda a humanidade - a da vida eterna. ‘Sob o aspecto antropológico da fé, a doutrina da ressurreição é a resposta à vontade mais primitiva do ser humano, a da imortalidade’, diz monsenhor Antonio Luiz Catelan Ferreira, teólogo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. O cristianismo conquistou o paganismo romano com a promessa da vida eterna, de mãos dadas com o Cristo ressurrecto. Nas palavras do filósofo marxista alemão Ernst Bloch (1885-1977): ‘Não foi a moralidade do Sermão da Montanha que permitiu ao cristianismo conquistar o paganismo romano, e sim a crença de que Jesus se erguera dos mortos. Numa era em que os senadores romanos competiam para ver quem tinha mais sangue de cordeiro na própria toga - acreditando que isso evitaria a morte -, o cristianismo competia pela vida eterna, e não pela moralidade’.

De fato, a Páscoa é o maior acontecimento de todos os tempos, reconhecida por bilhões de pessoas em praticamente todos os países. Não fique fora desta celebração, venha! Dia 05/04/2015, às 19h, na Igreja Presbiteriana Nacional, quadra 906, Asa Sul, Brasília.