terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Está tudo bem!

Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. (Romanos 8:28)

"Está tudo bem!" Por que a maioria das pessoas respondem assim quando lhes perguntam como estão? Será que não são sinceras as pessoas que assim respondem mesmo quando a vida lhes parece um caos?

Para respondemos as questões, vamos considerar o pensamento proposto por R. C. Sproul em seu livro “A mão invisível”, p. 155-156: “Imaginemos se Cristo aparecesse diante de nós e anunciasse que daquele momento em diante nada de mal jamais nos aconteceria. Certamente nos sentiríamos aliviados. Um anúncio assim vindo de Cristo seria um grande passo para nos libertar dos ataques da ansiedade. A vida sem medos e ansiedades seria um prazer absoluto. A essência do medo e da ansiedade é a de que alguma coisa ruim nos aconteça, que venhamos a sofrer de algum tipo de mal físico, como doenças, ferimentos, acidentes, perda de bens ou finanças, etc., ou que soframos em consequência da ação moral maligna de alguém contra nós ou das consequências de nossos próprios atos. 

Viver em um ambiente no qual não há mal de nenhum tipo, físico ou moral, seria literalmente o ‘paraíso’. Mas, no presente momento, vivemos na terra. Estamos ainda no vale de lágrimas e andamos pelo vale da sombra da morte. Atravessamos esse vale temendo o mal, a despeito da coragem do salmista. Davi podia afirmar que não temia nenhum mal porque podia dizer também que Deus estava com ele. Era a certeza da presença de Deus que dissipava o seu temor. [...] Mas nós não vemos Jesus com nossos olhos nem ouvimos a sua voz com nossos ouvidos anunciando que deste dia em diante nenhum mal nos acometerá. Todavia, [...] temos a promessa de Cristo que nenhum mal nos assaltará. Como assim? Para responder a isso, temos de voltar a nossa atenção para um dos textos mais confortadores do Novo Testamento: ‘Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito’ (Romanos 8.28). Percebemos que aqui Paulo não diz que todas as coisas que nos acontecem são coisas boas. De fato, coisas más acontecem conosco. Coisas dolorosas. Coisas que esmagam o nosso espírito. Coisas que deixam feridas e cicatrizes. Coisas que evocam aflições e nos arrastam para dentro da casa do luto. Apesar disso, todas essas coisas que acontecem estão trabalhando para o nosso bem. Isso quer dizer que, no fim das contas, é bom que tais coisas aconteçam conosco.”

Por isso é que os crentes na Bíblia sempre respondem: Está tudo bem! Mesmo quando nada vai bem. Isso não é falta de sinceridade, mas uma demonstração de fé.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Espiritualidade sadia

Se obedecemos aos mandamentos de Deus, então temos certeza de que o conhecemos. Se alguém diz: “Eu o conheço”, mas não obedece aos seus mandamentos, é mentiroso, e não há verdade nele. Porém, se obedecemos aos ensinamentos de Deus, sabemos que amamos a Deus de todo o nosso coração. É assim que podemos ter certeza de que estamos vivendo unidos com Deus: Quem diz que vive unido com Deus deve viver como Jesus Cristo viveu. (I João 2:3-7)

No Carnaval 2015 aproveitamos o período para participamos de um retiro espiritual cujo principal assunto estudado foi a vivência de uma espiritualidade sadia. 

“Segundo diversas confissões religiosas, a espiritualidade traduz o modo de viver característico de um crente que busca alcançar a plenitude da sua relação com o transcendental”. Muitas pessoas avaliam a sua espiritualidade pela capacidade de se comunicarem ou de se unirem com seres sobrenaturais. Outros a medem pelo nível de conhecimento que possuem das divindades. Mas pela ótica de Deus, não são esses aspectos considerados relevantes para medir a saúde espiritual. 

Viver uma espiritualidade sadia é viver de forma coerente com os mandamentos do Criador do homem. É a obediência irrestrita aos princípios estabelecidos por Ele. O conhecimento que adquirimos quando lemos ou ouvimos a Palavra de Deus é um parâmetro para medir a saúde da nossa espiritualidade. Mas não pára aí. Se por um ato de fé e coragem tomamos a atitude de obedecer aos mandamentos do Senhor, essa atitude passa a ser o primeiro sinal de uma espiritualidade sadia. 

O segundo sinal é a manifestação dos frutos do Espírito Santo. Uma árvore boa produz bons frutos. O amor, a alegria, a paz, a paciência, a delicadeza, a bondade, a fidelidade, a humildade e o domínio próprio são frutos produzidos pelo Espírito Santo na pessoa que se dispôs a viver uma espiritualidade sadia.

Para os que creem, não há nada de errado em se emocionar diante das manifestações sobrenaturais de Deus e nem em procurar o conhecimento racional do Seu caráter. Essas atitudes são maravilhosas, mas não serão elas que mostrarão a espiritualidade saudável. É preciso que haja a manifestação tácita dos frutos do Espírito Santo, dentre eles o amor como o principal. 

Entretanto, só manifestaremos os frutos do Espírito Santo se obedecermos os mandamentos de Jesus e tivermos comunhão íntima com ele. Sem essa comunhão jamais alcançaremos uma espiritualidade sadia. 

Jesus Cristo sempre nos convida a vivermos uma espiritualidade sadia por meio da obediência aos seus mandamentos.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Se meu sonho se concretizar...

Meu é o conselho e a verdadeira sabedoria, eu sou o Entendimento, minha é a fortaleza. (Provérbios 8:14)

“Um jovem casal me escreveu em desespero: ‘Estamos casados há seis anos e simplesmente não está dando certo. Você conhece um bom terapeuta cristão na nossa área?’

Por que esse casal escreveria para mim, um psicólogo profissional treinado e licenciado, em vez de pedir a um presbítero de sua igreja que se reunisse com os dois? Será que eles foram atraídos por meu título? Por meu caráter? Por que a maioria das pessoas que têm problemas pensam imediatamente em procurar ‘ajuda profissional’? Por que não procuram entre os sábios homens e mulheres cristãos? A maioria de nós não consultaria presbítero sobre ataques de pânico ou lutas sexuais, da mesma forma que não pediria ao pastor que obturasse o canal de um dente. Por quê?

Nossa cultura comprou a mentira de que os problemas pessoais não têm uma natureza diferente da dos problemas físicos. Nos dois tipos de problema, achamos que há alguma coisa errada que só pode ser consertada por um perito cuja compreensão exceda a sabedoria oferecida pela Bíblia. Perdemos de vista inteiramente o fato de que qualquer problema não-físico é, no seu cerne, um problema moral que tem suas raízes no relacionamento da pessoa com Deus.

Produzimos, portanto, uma geração de terapeutas, um exército de conselheiros treinados para combaterem problemas que eles mal compreendem porque passaram mais tempo nas salas de aula, tornando-se competentes, do que na presença de Deus tornando-se presbíteros. Perdemos interesse em desenvolver mentores, homens e mulheres sábios que sabem como chegar ao verdadeiro cerne das coisas e que têm o poder de trazer recursos sobrenaturais para agir sobre o que está errado.

Se meu sonho se concretizar, toda a nossa cultura mudará. Como um terremoto que muda dramaticamente a paisagem, assim meu sonho, se concretizado, alterará profundamente nossas mais queridas instituições. Ele despedaçará nossas premissas mais profundamente enraizadas de como devemos viver nossas vidas.

Tudo que não é material mudará. Coisas que têm base em fatos científicos e em procedimentos testados empiricamente naturalmente não serão afetadas. As técnicas cirúrgicas e projetos de engenharia para construir arranha-céus não serão mudados pela revolução com que sonho, como também não mudará o uso legítimo de medicamentos para ataques de pânico, disfunções obsessivo-compulsivas e alguns casos de depressão.

Mas, a maneira como ‘fazemos’ igreja, como influenciamos vidas, como provemos liderança social e moral, como vivemos juntos em famílias e em comunidades — isso será radicalmente, alterado.

Em meu sonho, eu vejo: uma geração de conselheiros, presbíteros sábios que são mais valorizados do que especialistas treinados para nos ajudar a responder aos desafios da vida; homens e mulheres piedosos cujo poder e sabedoria atingem mais profundamente as nossas almas do que o conhecimento e a habilidade de um perito. Se é para meu sonho se realizar, será preciso um milagre de Deus, não o pseudo-milagre do tipo espalhafatoso que detona um movimento mas do tipo sólido, profundo que pode dar início a uma reforma. Já tivemos movimentos o suficiente, acontecimentos suficientes daqueles que criam enormes séquitos e chegam às manchetes. Mas não temos tido nenhuma reforma por bom número de anos. Talvez tenha chegado a hora.

Antevejo uma geração na qual pastores e presbíteros, gozem novamente de alta consideração porque pastoreiam e presbiteram; na qual, líderes cristãos não sofrem mais a exigência de administrar ministérios do modo que executivos constroem corporações, antes, são reverenciados como homens de influência piedosa. Posso ver um exército de homens e mulheres sábios distribuídos entre o povo de Deus, armados apenas com discernimento delicado e sabedoria penetrante — qualidades de caráter que foram forjadas nas chamas do sofrimento. São esses os que pagaram um preço que poucos estão dispostos a pagar. E o pagaram continuamente por anos, sem alívio. Esses homens são PAIS, essas mulheres são MÃES, pessoas piedosas cuja quieta presença é sentida e valorizada.”

(Texto retirado do livro O silêncio de Adão, de Larry Crabb, pp. 38-40)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Decisões melhores

Os homens jogam os dados sagrados para tirar a sorte, mas quem toma a decisão mesmo é Deus, o Senhor. (Provérbios 16:33)

Cada pessoa depara-se com decisões de consequências imediatas e de longo prazo. Decisões inteligentes podem ser feitas na certeza de que Deus nos dirige em todos os passos, pois procuramos fazer a sua vontade orando, estudando a Bíblia e escutando o Espírito Santo, o Conselheiro divino. Ainda que as Escrituras ofereçam conselhos precisos sobre muitos assuntos de nossa vida diária, parecem silenciar em outros.

Seja qual for caso, nós podemos nos beneficiar dos princípios oferecidos por Paulo aos cristãos coríntios do século I que enfrentaram o dilema moral de comer carne sacrificada aos ídolos.

É preciso perceber se a nossa ação não vai levar outra pessoa a pecar pelo nosso exemplo. (1 Coríntios 8:13)

Temos que ter a consciência de que a ação que iremos praticar irá conceder força e encorajamento para nossa própria vida. (1 Coríntios 6:12; 10:23)

É preciso questionar se a nossa ação vai realmente glorificar a Deus. (1 Coríntios 10:31)

Além de estarmos pautados nos princípios bíblicos, é preciso exercitar a paciência antes de praticarmos qualquer ação, principalmente quando estamos sob pressão. 

“A paciência nos ajuda a tomar decisões melhores porque nos mantém longe das histórias amedrontadoras que prejudicam nosso julgamento. As piores e mais apavorantes fantasias invadem nossa mente, causando tensão e pânico ante uma situação imaginária. É impossível fazer uma escolha adequada nesse estado. Se tivermos paciência, enfrentaremos a vida da seguinte maneira: algo está acontecendo, e o resultado tanto pode ser ruim quanto bom. De qualquer forma, o importante é saber lidar com ele. Ficar nervoso ou estressado prejudicará nossa ação. Como disse Mark Twain: ‘Os piores problemas que tive em minha vida foram aqueles que nunca aconteceram.’ Desperdicei uma grande quantidade de tempo e energia me preocupando com coisas que nunca chegaram a acontecer,
só porque não tive paciência para ver como elas seriam de fato. Por isso, foi um grande alívio descobrir que quanto mais eu exercito a paciência, melhor posso avaliar uma situação antes de me inquietar e entrar em pânico." (M.J.Ryan)

Se a prática da paciência não nos trouxer outra recompensa além da capacidade de tomar decisões melhores, especialmente em uma crise, ela própria já terá valido a pena. Com paciência podemos melhor perceber se estamos seguindo os princípios bíblicos. Agindo assim, certamente não sairemos do plano perfeito que Deus traçou para as nossas vidas.