terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Paz de espírito

Mas o Espírito de Deus produz o amor, a alegria, a paz, a paciência, a delicadeza, a bondade, a fidelidade, a humildade e o domínio próprio. E contra essas coisas não existe lei. (Gálatas 5:22-23)

Um dos frutos gerados pelo Espírito Santo é a paciência. Conforme escreve M.J. Ryan em seu livro The Power of Patience, versão em português O Poder da Paciência, Ed. Sextante, “a paciência proporciona paz de espírito. Quando a cultivamos, nosso estado interior se assemelha mais a um lago tranquilo do que a um rio turbulento. Em vez de ficarmos com raiva, em pânico ou ansiosos nas inevitáveis situações de estresse – um voo cancelado, um prazo final perdido por um colega de trabalho, o marido ou a esposa que se esquecem de fazer algo que lhes pedimos –, nos tornamos capazes de analisar essas situações por uma perspectiva que nos permite manter a serenidade. 

Adotando essa atitude, em vez de sermos desagradáveis – resmungando, reclamando e aborrecendo todos os que nos cercam –, passamos a ser pessoas com quem os outros podem contar sempre que precisarem. O padre jesuíta e escritor Anthony de Mello dá bem a ideia dessa atitude quando escreve: ‘Está tudo bem, está tudo bem. Embora esteja um caos, está tudo bem.’ 

Se somos pacientes, conseguimos manter a calma em nosso íntimo, não importa o que esteja acontecendo ao nosso redor. Confiamos na capacidade que temos de lidar com as situações que se apresentarem, e essa confiança nos dá uma grande paz de espírito.” 

Outro fruto é o domínio próprio ou autocontrole, que se parece muito com a paciência. “Com paciência, nós nos controlamos. Em vez de nos deixarmos dominar por nossas emoções, temos liberdade interior para escolher como reagir a um determinado acontecimento. A paciência é como a quilha de um barco: ela nos permite manter a estabilidade nos mares mais revoltos da vida enquanto continuamos a nos mover na direção que desejamos.”

Hoje a minha oncologista lembrou-me bem que a eficiência do tratamento contra o câncer é proporcional ao nível de paz em que se encontra o paciente. O grande segredo para adquirir a paciência que traz a paz de espírito é entender que Deus tem um propósito eterno para cada pessoa. O Criador tem o mundo em suas mãos e nada acontece com ninguém sem que antes ele tenha cuidadosamente planejado. O Senhor executa os seus propósitos nas obras da criação e seus planos não falham. Ele governa todos os anjos do céu e todos os moradores da terra. Não há ninguém que possa impedi-lo de fazer o que quer; e nem obrigá-lo a explicar o que faz. (Daniel 4:35) 

Quando assimilamos essa verdade, passamos a possuir a verdadeira paz de espírito, na certeza de que Aquele que segura as nossas mãos é soberano e está no controle do Universo.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O inverno vem e vai

O inverno já foi, a chuva passou, e as flores aparecem nos campos. É tempo de cantar;... (Cântico dos Cânticos 2:11-12)

“Assim como todos os seres vivos, as pessoas atravessam estações – a primavera das novas possibilidades, quando tudo parece excitante e fresco; o verão da realização, quando estamos cheios de energia e criatividade; o outono do desencantamento, quando começamos a perder o interesse; e o inverno do descontentamento, quando nos sentimos vazios, com medo de ter perdido o entusiasmo pela vida.” (Ryan M.J)

Todos nós vivenciamos esse processo, mas muitas pessoas não o percebem. Por isso, tentam permanecer sempre na primavera e no verão e recorrem a medicamentos, distrações ou a qualquer recurso para impedir de entrarem no outono ou no inverno.

É preciso lembrar que o outono e o inverno também fazem parte do processo de crescimento de qualquer ser vivo. Somente quando nos desapegamos dos maus hábitos das estações passadas é que criamos espaço para o novo.

O jardineiro sabe que os ciclos da natureza são necessários. Não podemos plantar uma semente na estação errada e esperar que ela floresça na certa. Não se pode puxar as folhas ou abrir as pétalas do botão para acelerar o desabrochar de uma rosa. Tudo tem que acontecer no seu devido tempo. Nós também precisamos respeitar o tempo.

Quando nos lembramos de que “há tempo para todo propósito debaixo do céu” (Eclesiastes 3:1), deixamos de tentar fazer a vida ser diferente do que é. O outono e o inverno duram o tempo necessário, mas sempre acabam, assim como a primavera e o verão. Esta é a lei da natureza.

Nos países de clima temperado, o inverno é utilizado para a realização da poda da videira e tem por objetivo prepara-la para a frutificação. Essa “limpeza” é essencial para que a videira produza boas uvas, que se transformarão em bons vinhos.

Tal qual a videira, nós também precisamos ser “podados” para nos preparar para a primavera de bons frutos. “Coisas como examinar o que é importante para nós, que dons possuímos e que tipo de legado queremos deixar. O inverno é a época ideal para nos prepararmos para o que virá, mesmo que ainda não saibamos muito bem o que será”. 

Você pode estar passando por um momento de inverno pessoal. Você pode não saber o dia que ele acabará, mas pela fé você pode visualizar a primavera. O inverno vem e vai. E quando ele passar, as flores virão, e você poderá cantar louvores de gratidão ao Jardineiro que tem cuidado todos os dias de você.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Na bigorna

Alegrem-se por isso, se bem que agora é possível que vocês fiquem tristes por algum tempo, por causa dos muitos tipos de provações que vocês estão sofrendo. Essas provações são para mostrar que a fé que vocês têm é verdadeira. Pois até o ouro, que pode ser destruído, é provado pelo fogo. Da mesma maneira, a fé que vocês têm, que vale muito mais do que o ouro, precisa ser provada para que continue firme. E assim vocês receberão aprovação, glória e honra, no dia em que Jesus Cristo for revelado. (1 Pedro 1:6-7)

A bigorna é usada para moldar e fabricar ferramentas, facas, grades e inúmeros objetos, aquecendo-se o ferro forjado até atingir o nível de calor denominado rubro, no qual o metal fica bastante elástico e pode ser trabalhado com pancadas fortes e constantes de diversos tipos de martelo.

Muitas vezes o ferreiro Deus nos coloca na bigorna para sermos remodelados. Segundo Max Lucado, em seu livro Moldado por Deus, o ferreiro sabe o tipo de instrumento que deseja. Sabe o tamanho, a forma e a força.

Passar pela bigorna dói, exige desconforto. Ser derretido como um ferro velho e moldado como novo é um processo lento. Entretanto, para que sejam completamente removidas as cicatrizes, as rachaduras e as impurezas, é preciso que o metal continue na bigorna o tempo necessário. Quanto maiores as imperfeições, maior é o tempo na bigorna. 

Mas “com passar do tempo, uma mudança ocorre: o que não tinha corte se torna afiado; o que era torto, fica reto; o fraco ganha resistência; o inútil passa a ter valor.”

A hora da bigorna pode ser uma doença, a morte de um ente querido, a separação, a dificuldade financeira. Você pode estar passando pela bigorna. Eu estou. Mas a enfrentamos com fé. Não adianta fugir. Seria como tentar fugir de Deus.

O ferreiro Deus só concluirá seu trabalho quando a ferramenta estiver perfeita para uso. O último estágio da preparação só chega quando Ele percebe que a ferramenta não possui mais rachaduras. Então, Ele a mergulha na água fria, que é o refrigério por ele mesmo providenciado.

Após o refrigério, a ferramenta chega à conclusão de que é preferível passar na bigorna, a estar totalmente esquecida, jogada num canto e imprestável para seu Mestre. Mas enquanto se passa na bigorna, é preciso visualizar o resultado futuro com os olhos da fé. Foi assim que Jesus, Pedro, Davi, Elias, Paulo... suportaram a bigorna até o fim. 

Certamente, a bigorna é necessária para aqueles que se dispõem a ser uma ferramenta útil na obra de Deus. 

“Se Deus colocar você na sua bigorna, agradeça. Isso significa que ele acha que ainda vale a pena remodelar você.” (Max Lucado)

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Tudo porque alguém orou!

As duas irmãs mandaram [alguém] dizer a Jesus: — Senhor, o seu querido amigo Lázaro está doente! (João 11:3)

Hoje completa 11 dias. A cirurgia foi um sucesso. A recuperação está sendo ótima. Sinto-me fortalecido fisicamente e, principalmente, na fé. O trabalho da equipe cirúrgica e os cuidados médicos pós-cirúrgicos foram perfeitos. Mas o esforço mais essencial continua sendo realizado por aqueles que têm nos coberto em orações. Essas pessoas que oram mantêm vivas as fogueiras da fé e, muitas vezes, nem sabemos os nomes. 

O versículo acima mostra nos a atitude de uma pessoa importante, não por conta de quem foi, mas sim pelo que fez. Ela foi até Jesus em nome de um amigo que estava enfermo. Enquanto outras se preocupavam com o aspecto físico de Lázaro, essa pessoa – que não sabemos o nome – se preocupou com o aspecto espiritual, pois tinha certeza que Jesus é o Médico dos médicos e, sem a intervenção dEle, a mais competente equipe médica falha. Todos têm um papel importante na cura de um enfermo, mas o mais vital é daquele que intercede a Jesus. 

A oração é um item valioso na cura de um doente. Se lermos a história com cuidado, perceberemos que a cura de Lázaro começou quando a oração foi feita por essa pessoa a Jesus. Interessante que esse intercessor usa o termo “o seu querido amigo Lázaro está doente”. Ele não baseou a sua petição no amor imperfeito do doente, mas confiou tão somente no amor perfeito do Mestre. “O poder da oração não depende daquele que faz a oração, mas daquele que a escuta” (Max Lucado)

Ao orarmos, devemos sempre nos lembrar de pedir algo a Jesus tendo por base o Seu amor, porque assim a resposta é certa. Muitos almejam receber as bênçãos divinas baseando suas orações no amor próprio, que é falho e imperfeito. Depois questionam porque não obtêm a resposta. O intercessor de Lázaro agiu de forma correta e obteve prontamente a resposta de Jesus: “— O resultado final dessa doença não será a morte de Lázaro. Isso está acontecendo para que Deus revele o seu poder glorioso; e assim, por causa dessa doença, a natureza divina do Filho de Deus será revelada.” (João 11:4)

Em vista disso, podemos ter a certeza que não somos ignorados no céu. Jesus ouve e responde as nossas orações. Ele ouve quando suplicamos pelo aflito, pelo necessitado, pelo doente, pelo encarcerado, pelo asilado, pelo alcoólatra, pelo drogado. Jesus ouve e responde simplesmente porque ele ama e quer que todos estejam bem. Ele é bom. Ele é muito bom. Ele é bom demais! 

“Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguém alegre? Cante louvores.” (Tiago 5:13) 

Graças a Deus, hoje estou alegre e posso cantar louvores! Tudo porque alguém orou! 

Muito obrigado pela sua oração.