domingo, 8 de novembro de 2015

Há uma guerra em mim

“Não o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio.” (Romanos 7:15-20) 

Dizer que não fez nada de errado, mesmo tendo cometido um crime, tornou-se uma das afirmações muito comum. Nos dias de hoje os criminosos não sentem tanto “o peso na consciência”. Alguns deles nem consciência têm, ou seja, falta-lhes o senso do certo e do errado. Por exemplo, há pessoas que cometem o pecado da corrupção sem darem conta disso. 

Corrupção é o ato ou efeito de se corromper, oferecer algo para obter vantagem em negociata onde se favorece uma pessoa e se prejudica outra. Segundo Calil Simão, é pressuposto necessário para a instalação da corrupção a ausência de interesse ou compromisso com o bem comum: A corrupção social ou estatal é caracterizada pela incapacidade moral dos cidadãos de assumir compromissos voltados ao bem comum. Vale dizer, os cidadãos mostram-se incapazes de fazer coisas que não lhes tragam uma gratificação pessoal. 

Cometemos corrupção quando queremos muito ir a um show e alguém propõe nos arrumar uma carteirinha de estudante sem sermos estudante. Aí, aceitamos acreditando que não estamos fazendo mal a ninguém quando pagamos a meia entrada. Mas estamos. Além de cometermos o crime de falsidade ideológica, estamos tomando o lugar de um estudante que efetivamente tem direito, principalmente agora, que entrou em vigor a lei que limita em 40% a quantidade de ingresso de meia entrada. 

Cometemos corrupção quando aceitamos que um amigo nosso nos permite passarmos na sua frente diante de uma fila de mais de duas horas de espera em uma exposição. Às vezes até ficamos gratos pela “gentileza” dele. Cometemos corrupção quando precisamos ir ao banco, mas a única vaga disponível no estacionamento é a de deficiente, que não é o nosso caso, e então ali estacionamos “porque vamos tirar dinheiro no caixa e não vamos demorar nada.” 

Cometemos corrupção quando o nosso carro é parado em uma blitz e, ao percebermos que esquecemos de pagar o licenciamento, tomamos a iniciativa de negociar com os policiais uma saída “alternativa”. Cometemos corrupção quando na hora de pagar o dentista, nós aceitamos o desconto oferecido por ele para pagar sem nota fiscal. Cometemos corrupção quando deixamos de registrar empregados para não pagar impostos e achamos a atitude compreensível pois, afinal, os encargos trabalhistas são extremamente elevados. 

Cometemos corrupção quando apresentamos atestado médico falso para faltar ao trabalho ou escola, e achamos que isso não é tão grave assim, já que todo mundo faz de vez em quando. Cometemos corrupção quando paramos o carro em fila dupla para pegar as crianças na escola, e achamos isso normal, pois os outros precisam entender que temos que pegar os nossos filhos. Cometemos corrupção quando queremos ser mais esperto que os outros e forçamos a ultrapassagem na fila de carros que estão aguardando a vez para fazerem o retorno. 

Muitas vezes fazemos tudo isso porque somos forçamos pelo “sistema”, com aquela desculpa de que todo mundo faz, que problema há? Mas depois nos arrependemos. É bem verdade que a maioria das pessoas não querem ser tachadas de corruptas, mas nem todas conseguem verdadeiramente vencer a corrupção. Há uma guerra dentro de nós. Se fazemos o que não desejamos, é porque não somos mais nós que fazemos, mas o pecado que habita em nós. Conforme disse o Paulo, sabemos que nada de bom habita em nós, isto é, em nossa carne. Porque temos o desejo de fazer o que é bom, mas não conseguimos realizá-lo. Pois o que fazemos não é o bem que desejamos, mas o mal que não queremos fazer, esse continuamos fazendo. Ora, se fazemos o que não queremos, já não somos nós que o fazemos, mas o pecado que habita em nós. A carne gosta do pecado, mas o espírito o odeia. É por isso que existe a guerra entre a carne e o espírito. Vencerá aquele que alimentarmos melhor. 

Quem você quer que vença a guerra que há dentro de você? A carne ou o espírito?