domingo, 15 de novembro de 2015

Dizer "sim" a Deus

“Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus.” (Mateus 5:20)

A cada dia ouço notícias sobre comportamentos preocupantes de pessoas que deveriam saber que estão agindo errado. Os ataques de Paris, por exemplo, comprovam que as pessoas perderam totalmente o senso de humanidade. O desastre de Mariana mostra o pouco caso com a segurança das famílias e com a preservação do meio ambiente. A Operação Lava Jato escancara a falta de zelo com o bem público. Diariamente assistimos a reportagens sobre assaltos, homicídios, estupros e invasão a propriedades, muitos acontecidos à luz do dia e diante de câmaras de vídeos. Na maioria das vezes, os culpados parecem estar cegos em seus erros, ou sem entender como seriam capazes de cometer tais atrocidades. Mas outros já nem escondem o rosto numa demonstração de completa falta de vergonha na cara.

Como membro de uma comunidade que procura seguir os preceitos divinos – mas longe de atingir a perfeição – fico pensando como algumas pessoas são capazes de cometerem atrocidades contra o próximo, ou até mesmo contra a Nação – como no caso de desvios de recursos públicos, que se fossem corretamente aplicados poderiam evitar que muitas pessoas morressem nos corredores dos hospitais por falta de atendimento – e ainda acharem que não estão cometendo pecados. Confesso que, em alguns momentos, eu também me vejo com medo de cair em tamanha cegueira e, pior, colocar em risco o testemunho da Palavra de Deus.

Mas afinal de contas, porque Jesus disse que a minha justiça deve exceder a dos fariseus, homens conhecedores da lei? Como posso pretender ter mais sabedoria do que os meus pais? Como posso saber mais sobre o mundo do que os meus professores? Será que poderia ter uma melhor compreensão da moral e da verdade do que meus líderes governamentais? Se eu os vejo tropeçarem em erros morais aparentemente óbvios, como poderia escapar do mesmo destino?

Após recentemente confidenciar este pavor a um ente querido, eu me lembrei que pecados terríveis ou estilo de vida nada condizente com os preceitos divinos não aparecem do nada. Os desvios de verbas não são feitos sem premeditação. Matar em nome de uma religião é a prova completa de cegueira espiritual. Adultério não é cometido por acaso. O divórcio não acontece do nada. Calúnia e injúria não são feitas sem intenção. O pecado sempre começa como uma pequena semente que, enterrada, cria raízes e aflora com o tempo. Eu posso optar por alimentá-la... ou simplesmente deixá-la morrer.

Sei que a minha natureza pecaminosa é tão forte quanto o impulso do Espírito Santo, mas posso escolher a quem dar vazão. Muitas vezes tenho que ter discernimento de qual ação piedosa preciso exercer no momento para contrabalancear a força do pecado: Pode ser a humildade, a pureza, a ocupação da mente com o trabalho, a compaixão, a fidelidade, etc. Muitas vezes fico cansado, irritado, lascivo, e orgulhoso e então, fico vulnerável para tomar decisões que violam as minhas consciências, decisões pequenas que parecem sem sentido, mas com consequências que tomam dimensões gigantescas.

Eventualmente, a vida torna-se uma explosão de pecado e, confuso, clamo: “Onde foi que perdi o controle?”

O conforto que tenho é que viver corretamente é um processo. Eu não vou acordar numa manhã e, de repente, achar que estou totalmente livre de cometer pecados, mas enquanto não atingir a perfeição, tenho a certeza de que “se andarmos na luz, como [Deus] está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (I João 1:7-9)

Se eu digo “sim” a Deus quando ele me mostra como posso permanecer fiel a ele em meu estilo de vida, tenho a certeza de que ele irá me fortalecer para dizer “não" às escolhas que possam infernizar a minha vida.