sábado, 17 de outubro de 2015

A ética do amor

"Estejam vigilantes, mantenham-se firmes na fé, sejam homens de coragem, sejam fortes. Façam tudo com amor." (I Coríntios 16:13-14 - NVI)

Dois homens, Antonio e José, estavam sentados no banquinho da praça de uma cidade interiorana na qual habitavam em sua maioria cidadãos aposentados. Ali, enquanto colocavam a conversa em dia e relembravam os áureos anos de trabalho duro, Dona Matilde, uma senhora também aposentada, saía de uma agência bancária e cruzava a praça rumo ao supermercado. 

A velhinha havia acabado de sacar todos os seus recursos financeiros e, passando em frente àqueles senhores, os cumprimentou gentilmente, enquanto caminhava com um pouco de dificuldade. Planejava ela utilizar os seus recursos para comprar a cesta de alimentos para o mês. Em seguida, como de costume, passaria na farmácia onde iria adquirir os medicamentos necessários para controlar a sua hipertensão.

O dois homens haviam acabado de comentar sobre a situação caótica em que o mundo, especialmente o Brasil, estava metido com a falta de ética e moral envolvendo grande parte da população. Chegaram a refletir sobre a vantagem de terem passados todos aqueles anos como cidadãos íntegros, pagadores dos impostos e cumpridores de suas obrigações, embora pecadores como todos os homens.

Diziam entre si que, diante de tanta injustiça e imoralidade, ainda valeu-lhes a pena permanecerem íntegros e fiéis aos princípios adquiridos durante toda a vida. Um deles chegou a citar a célebre frase de Rui Barbosa: "De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto." Mas, felizmente, concluíram que apesar de tudo que ouviam nos noticiários, ainda não haviam chegado ao ponto de se envergonharem da honestidade.

Entretanto, ao verem Dona Matilde passar com sua bolsa cheia de dinheiro, comentavam baixinho entre eles sobre a fragilidade daquela velhinha. E resolveram comparar os seus conceitos de ética.

José disse: - Eu bem que poderia roubar todo o dinheiro de Dona Matilde. Mas não vou fazer isso porque colocarei a perder toda a minha reputação de cidadão de bem conquistada com muito sacrifício nesses anos todos; seria preso e ficaria mal visto na cidade; minha família me repreenderia fortemente por dar mal exemplo aos meus filhos e netos. Por fim, não dormiria em paz, enquanto não devolvesse todo o dinheiro com mil pedidos de desculpas. Isso para mim é ética!

Já Antonio, colocou a sua visão sobre ética de forma diferente: - Eu também poderia roubar Dona Matilde, e não teria nenhum desses problemas que você elencou, José, porque não tenho familiares; não me importo com os que pensam sobre mim; não ficaria com a consciência pesada, pois já cometi pecados horrorosos; não ficaria preso, porque a lei me protege por ser um idoso. O meu conceito sobre ética é este, José, um pouco diferente do seu, pois se roubasse Dona Matilde, estaria tirando dela todo o sustento, deixando-a moribunda e doente. A minha preocupação é com o mal que estaria cometendo a ela, e não a mim!

Caro leitor, qual dos dois estava correto com relação ao conceito de ética? Os dois estavam corretos. Entretanto, quero lhe dizer que José enxergava a ética sob a ótica do egoísmo. Eles estava preocupado consigo mesmo, e com sua reputação. Por outro lado, a motivação de Antonio foi completamente diferente. Ele praticava a ética sob a ótica do amor, a verdadeira ética ensinada por nosso Senhor Jesus Cristo e recomendada pelo Apóstolo Paulo aos irmãos da cidade de Coríntios.

Qual é a nossa ética? A do egoísmo ou a do amor?