quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Infantolatria

Eduque a criança no caminho em que deve andar, e até o fim da vida não se desviará dele. (Provérbios 22:6)

Amo muito as crianças. Tenho três filhos maravilhosos e aguardo ansiosamente a chegada dos netos. Uma colega de trabalho me falou que eu preciso arranjar um neto para ter coragem de me aposentar. Achei ótima a ideia. Portanto, não me interpretem mal, pois o que escrevi a seguir é para refletirmos um pouco na nossa condição de país e avós. Acho que alguns exageram no agrado às crianças.

Em alguns lares, as atividades da família são definidas em função dos filhos, assim como o cardápio de qualquer refeição. As músicas ouvidas no carro e os programas assistidos na televisão precisam acompanhar o gosto dos pequenos, nunca dos adultos. Em resumo, são as crianças que comandam o que acontece e o que deixa de acontecer em casa. Quando isso acontece e elas já têm mais de dois anos de idade, é hora de acender uma luz de alerta. Eis aí um caso de infantolatria.

"Muitos afirmam que a mulher venceu, pois emancipou-se e foi para o mercado de trabalho, mas não: é a criança que entra no século 21 como a vitoriosa. Esta é a semente da infantolatria", explica a psicanalista Márcia Neder, pesquisadora do Núcleo de Pesquisa de Psicanálise e Educação da Universidade de São Paulo (Nuppe-USP) e autora do livro "Déspotas Mirins – O Poder nas Novas Famílias", da editora Zagodoni.

Em poucas palavras, Márcia define infantolatria como "a instituição da mãe como súdita do filho e o adulto se colocando absolutamente disponível para a criança. [...] Um bebê não tem poder para determinar como será a dinâmica familiar. Se isso acontece, é porque os pais promovem".

A verdade é que existe um período em que os filhos podem reinar na família, mas ele é curto. "Quando o bebê nasce e chega em casa, precisa ser colocado no centro das ações, pois precisa ser decifrado, entendido. Ele deve perder o trono no final do primeiro, no máximo ao longo do segundo ano de vida, para entender que existe o outro, com necessidades e vontades diferentes das dele", esclarece Vera Blondina Zimmermann, psicóloga do Centro de Referência da Infância e Adolescência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A infantolatria ganha espaço quando os pais não sabem ou não conseguem fazer essa adequação da criança à realidade que a cerca e a mantêm no centro das atenções por tempo indefinido. "Em uma família com relacionamento saudável, o filho entra e tem que ser adaptado à dinâmica da casa, à rotina dos adultos", afirma a psicóloga.

Sabendo disso tudo, os pais têm condições de se preparar para evitar os estragos na criação dos filhos. O melhor caminho é seguir os princípios divinos registrados nas Escrituras Sagradas, especialmente no livro de Provérbios. 

Que Deus possa abrir os nossos olhos para entendermos isso.