terça-feira, 1 de setembro de 2015

Adoradores do Pai

“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.” (João 4.23)

Quero parabenizar a todos que contribuíram para que o Coro IPN (e orquestra) pudesse alegrar a igreja e a comunidade em geral ao apresentar, no dia 30/8/2015, a linda cantata em celebração aos seus 55 anos. De fato, foi um trabalho de excelência e muito gratificante no qual cada um (maestro, corista, instrumentista, sonoplasta, na maioria amadores, e diretoria) pode oferecer o seu melhor para Deus. Quero agradecer a todos que nos honraram com sua presença e também àqueles que assistiram a apresentação pela Internet

Embora o pouco tempo de convívio com a equipe, senti-me muito honrado em ter participado da festividade ao lado de irmãos fundadores e de outros que há anos veem contribuindo para a existência desse maravilhoso Coro. A comunhão com eles me proporcionou grande alegria e júbilo. Os momentos de ensaios e confraternizações me fizeram sentir integrado ao corpo de Cristo. Foram momentos nos quais pude observar a compreensão e o apoio mútuos enquanto vencíamos as dificuldades técnicas. O exercício dessa comunhão foi muito importante para o fortalecimento espiritual do grupo e certamente refletiu-se na boa apresentação. Os corais de igreja têm como objetivo principal glorificar a Deus, pregar a Palavra por meio dos cânticos e propagar a arte musical como incentivo ao louvor congregacional. 

Os amantes da arte procuram ressaltar, porém, que a comunhão só não basta para a perfeita realização do ministério musical na igreja. Argumentam que é necessária a devida vocação. De certo, o canto coral oferece maior prazer a quem o executa com habilidade. É muito gratificante fazer parte de um grupo sabendo que sua presença ali contribui para uma boa apresentação. Por isso, a atenção ao lado artístico é importante. Frequentar assiduamente aos ensaios, ouvir e aprender bem a música, e assistir às aulas de canto são obrigações de um bom corista. Afinal, o coral executa música, que é uma arte. Desprezar as indicações artístico-musicais dos maestros é fazer o trabalho de forma relaxada, não oferecendo o melhor para Deus. Coral que não canta com esmero está exposto à crítica, e nunca consegue transmitir plenamente a mensagem de seus hinos, além do que, seus componentes se sentem desmotivados em dele participar.

Entretanto, quero destacar que cantar, mesmo sendo com a maior perfeição, sem demonstrar o verdadeiro amor ao companheiro de conjunto transforma essa atividade em apenas uma recreação. Na igreja, é preciso equilíbrio entre o espiritual e o técnico. O corista não pode deixar que a preocupação excessiva com a técnica o transforme exclusivamente em um artista na Casa de Deus. Em vez disso, ele deve ter paciência e, se possível, estar pronto a transmitir com amor o seu conhecimento musical àqueles que se encontram em dificuldade. Não cabe ao corista opinar sobre a vocação do outro. Isso é função do maestro.

Não obstante, reconhecer a responsabilidade de executar o dom musical da melhor maneira possível, e de forma consagrada, é a performance mais apresentável do corista que se propõe ser adorador do Pai. Ele deve saber que é um instrumento e, portanto, deve estar afinado e consagrado, pronto para ser usado pelo Espírito Santo. O corista adorador é humilde, obediente, trabalha com o sentimento de conjunto e procura sempre ajudar ao outro. Para ele, o templo não é apenas um lugar de ajuntamento social, mas de comunhão, de oferta viva, santa e agradável a Deus. O espaço reservado para o coral no dia da apresentação não é apenas um palco, mas, o lugar lhe confiado para pregar, exortar, consolar e adorar. É assim que a música cantada fala ao mundo, à igreja e ao próprio Deus! É assim que se comportam os adoradores do Pai.