sexta-feira, 3 de julho de 2015

O que é ser perfeito?

"Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos [...] para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque Ele faz nascer o seu Sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? [...] Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste." (Mateus 5:43-48)

Esse é o contexto imediato do conhecido texto que nos recomenda ser perfeitos como Deus. Observe a palavra “portanto”. Ela indica a importância do contexto, pois aquilo que se anuncia no verso 48 é uma conclusão daquilo que o precede. E o que vem antes? Uma descrição de Deus. Note, porém, que não temos aqui uma descrição da natureza de Deus, mas de Seu modo de agir em relação às pessoas, amigos e inimigos. Ele demonstra misericórdia a todos. “Deus é amor”, diz 1 João 4:16. Além disso, “Deus não faz acepção de pessoas” (Atos 10:34). Ele revela bondade para bons e maus. Essa é a suprema essência da maturidade, que é o significado da palavra “perfeito” na língua original. É esse tipo de perfeição que Jesus espera ver em Seus discípulos. Como vimos, essa conclusão é confirmada em Lucas 6:36, a passagem paralela, ao dizer: “Sede misericordiosos, assim como o vosso Pai é misericordioso.”

Perfeccionistas estão fora de foco quanto ao significado bíblico de perfeição. Esse não tem nada que ver com impecabilidade moral absoluta. A perfeição à qual Jesus convida Seus seguidores não é alcançada com ações meritórias, mas apenas por uma atitude de amor e misericórdia em relação a todos. Em resumo, o termo “perfeito”, em Mateus, não significa impecavelmente perfeito, porque isso, queiramos ou não, só será alcançado na glorificação, embora esse ideal seja desejável e mereça nossos esforços. Ser perfeito refere-se à nossa integridade e maturidade como discípulos de Cristo. Como Warren W. Wiersbe observa, “o Pai ama Seus inimigos e procura transformá-los em filhos, e devemos auxiliá-Lo nessa tarefa”.

Mateus 5:48 é o clímax dos conselhos de Cristo à Sua audiência de religiosos que confiavam nas exterioridades, na letra da lei, sem demonstrar interesse em seu espírito. É claro que a pretensão de obter perfeição moral com base em normas e regulamentos é muito mais fácil do que exercer misericórdia e amor, como Deus. Você quer ter como alvo de sua vida a perfeição divina? Peça hoje a Deus para ajudá-lo a amar os outros assim como Ele ama.