sexta-feira, 26 de junho de 2015

O luxo hipnotiza

"Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos?" (Mateus 6:31)

Ao completar 20 anos, uma pessoa, na cultura atual, terá sido alvo de aproximadamente um milhão de comerciais. Se “pela contemplação somos transformados”, podemos imaginar por que o consumismo tornou-se uma compulsão. As pessoas são praticamente hipnotizadas para comprar produtos e serviços, sem nenhuma atenção para sua verdadeira necessidade, segurança, efeitos sobre o meio ambiente ou descarte. O consumismo é resultado de um processo de “doutrinamento”, determinado por imensas fortunas gastas em propagandas para se criar o desejo.

Muitos já não têm em seus lares espaço para as quinquilharias que compraram. Seria a palavra “psicose” muito forte para descrever a irracionalidade que se espalhou como câncer e tomou conta da espécie humana? Todos os eventos da vida tornaram-se reféns do consumismo, com intermináveis “datas comemorativas” inventadas pela ganância. Tudo passou a ser controlado por uma lavagem cerebral bem calculada. O tempo, o precioso elemento da vida, é gasto em longas horas de trabalho, trocado por dinheiro, para se contrair mais dívidas comprando inutilidades, para se viver em função do luxo. O luxo hipnotiza. Crianças e adolescentes se tornam cada vez mais exigentes, persuadidos de que o valor próprio depende da grife daquilo que usam. Todos os produtos foram “erotizados” por celebridades dos esportes, da música, do cinema ou da TV.

Na cultura moderna, as pessoas ultrapassaram os limites da sanidade para viver o alvo ridículo de tentar imitar os estereótipos criados pelos “ricos e famosos”, os “chiques e bonitos”, muitos deles desorientados, precisando eles mesmos de séria ajuda. Na obsessão por lucro, faz-se propaganda de produtos sem consideração ao fato de que podemos nos tornar dependentes, obesos ou doentes como resultado de seu consumo.

Jesus nos desafiou a viver de forma simples, por escolha pessoal. Segundo Ele, são os pagãos que vivem em ansiedade, presos à vaidade e modismo do que anseiam como substitutos de Deus. Os filhos do reino devem aprender a relativizar as vozes da cultura, suas opiniões, lógica, sabedoria e promessas. Somos desafiados a termos tempo para o convívio com as pessoas queridas e recursos para servir às reais necessidades de outros.