quinta-feira, 16 de abril de 2015

O silêncio pecaminoso‏

Texto de autoria de Helder Nozima, publicado no reformaecarisma.wordpress.com

Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito. (1 Timóteo 2:1-2) 

O silêncio nos púlpitos e no ensino da Igreja é culpa dos pastores e líderes. Mas os liderados não podem se omitir da culpa pela ausência de orações em favor do Brasil. Hoje não há um único movimento nacional de orações pelo país e por nossas autoridades. Quebramos assim o mandamento bíblico que nos mostra como podemos ter uma vida tranquila e mansa.

Por que o Brasil vive uma onda de violência tão grande, a ponto de morrerem mais pessoas aqui do que em guerras sangrentas em outros países? Por que não temos tranquilidade para investir e prosperar economicamente? Por que a piedade e o respeito se tornaram raros, enquanto o país mergulha na sensualidade de prazeres carnais e na irreverência desmedida com tudo e com todos? A culpa é de quem? Do Governo? Antes de culparmos os outros, assumamos que a culpa é minha e é sua, de todos os cristãos filhos de Deus que oram e suplicam pouco pelo país e por nossas autoridades. Quando fazemos isso, não é mesmo?

Apenas colhemos o que plantamos. A Bíblia nos mostra o caminho para a transformação da sociedade. Mas o silêncio dos púlpitos acaba produzindo o silêncio dos fiéis em seus quartos e cultos. Como nunca se prega sobre o país, tendemos a pensar que esse tipo de assunto não faz parte da vida cristã. De modo bem torto, concordamos com todos os militantes ateus que falam que a fé deve ser completamente excluída da política.

Nas poucas vezes que pude visitar igrejas norte-americanas, pude ver que lá não é assim. Vi pastores comentando sobre política durante os cultos e fazendo orações pelas autoridades nacionais e municipais. Vi orações serem feitas sobre assuntos debatidos no Congresso americano e até sobre protestos em países islâmicos. E tudo isso no culto dominical: era um momento de oração rotineiro. Se um fiel de lá quiser orar pelo país na vida diária, ele saberá pelo que orar. E no Brasil?

Como resolver isso? Talvez um movimento de oração, o Desperta Débora, tenha uma resposta. Nos anos 90, mães começaram a se encontrar para interceder a Deus pela vida dos seus filhos. Baseados no exemplo bíblico de Débora, elas foram “despertas” e começaram a orar. Tenho certeza que as mães que foram fiéis em oração terão muitas histórias maravilhosas para contar sobre como Jesus salvou e preservou seus filhos ao longo desses últimos 20 anos.

Hoje é preciso que nos inspiremos em outra figura bíblica, e sugiro o profeta Daniel. Nele vejo o que falta a líderes e a fiéis. Como profeta, ele não teve receio de apontar o pecado e aconselhar reis poderosos.

Portanto, ó rei, aceita o meu conselho e põe termo, pela justiça, em teus pecados e em tuas iniquidades, usando de misericórdia para com os pobres; e talvez se prolongue a tua tranquilidade. (Daniel 4:27)

Tu, Belsazar, que és seu filho, não humilhaste o teu coração, ainda que sabias tudo isto. E te levantaste contra o Senhor do céu, pois foram trazidos os utensílios da casa dele perante ti, e tu, e os teus grandes, e as tuas mulheres, e as tuas concubinas bebestes vinho neles; além disso, deste louvores aos deuses de prata, de ouro, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra, que não vêem, não ouvem, nem sabem; mas a Deus, em cuja mão está a tua vida e todos os teus caminhos, a ele não glorificaste. (Daniel 5:22-23)

Daniel não foi somente um profeta e um confrontador ousado. Ele foi também um homem que orava intensamente pelo seu povo.

Falava eu ainda, e orava, e confessava o meu pecado e o pecado do meu povo de Israel, e lançava a minha súplica perante a face do SENHOR, meu Deus, pelo monte santo do meu Deus (Daniel 9:10)

O que nos falta é isso. Precisamos nos reunir para orar pelo país. Para confessar o nosso pecado individual e os pecados do nosso povo. Para suplicar, ou seja, orar intensamente, pedir intensamente pela transformação do Brasil. Sem isso, que mudança podemos esperar?

O que nos falta é resolvermos fazer isso. No momento em que tomarmos uma decisão, aí sim começaremos a fazer.

Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se. (Daniel 1:8)

Resolve, “Daniel”! Aí sim o Senhor vai nos usar para mudar o Brasil.