terça-feira, 21 de abril de 2015

A heresia da prosperidade

Faça todo o possível para conseguir a completa aprovação de Deus, como um trabalhador que não se envergonha do seu trabalho, mas ensina corretamente a verdade do evangelho. (2 Timóteo 2:15) 

Uma das razões para sermos enganados pela teologia da prosperidade - que na verdade deveria chamar-se heresia da prosperidade - é o desconhecimento das Escrituras. Tanto pregadores quanto suas audiências ignoram os rudimentos da interpretação bíblica. Tais pregadores falam aquilo que as pessoas querem ouvir. A razão do êxito deles está na mensagem atrativa para a cultura materialista: casa melhor, no lado certo da cidade; carro novo; negócios lucrativos; roupas de grife; férias exóticas. Basta ouvir os “testemunhos” para ficarmos alarmados. E tudo isso “canonizado” com o uso perverso de textos bíblicos forçados para se ajustar a uma pressuposição completamente estranha à Palavra de Deus. Cria-se assim o ambiente para que a ênfase pragmática e materialista da cultura acabe triunfando. Prova-se então a verdade de que, se a religião não nos transforma, nós a transformaremos para que ela se adapte às nossas opiniões e simpatias.

Paulo recomenda ensinar e usar corretamente a Palavra. Em outra tradução bíblica, o verso “procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” expressa o termo grego traduzido por “manejar” que significa “cortar em linha reta”. Isso nos sugere responsabilidade no uso das Escrituras. O pecado mortal dos falsos mestres é o abuso da Palavra de Deus. Nós não somos como muitas pessoas que entregam a mensagem de Deus como se estivessem fazendo um negócio qualquer. Pelo contrário, foi Deus quem nos enviou, e por isso anunciamos a sua mensagem com sinceridade na presença dele, como mensageiros de Cristo. (2 Coríntios 2:17). Esse abuso é traduzido como “mercadejar” ou “adulterar”. Devemos lembrar, contudo, que o correto conhecimento da Palavra de Deus não se limita aos ministros. Se as audiências da “teologia da prosperidade” tivessem pelo menos uma perspectiva bíblica da vida, não seriam ludibriadas por mensagens tão espúrias. Eis a razão de muitas pessoas "decepcionadas" com Deus.

Pode-se confiar no discurso dos pregoeiros da prosperidade? A mensagem deles não passa em um simples teste bíblico. Promete Deus saúde e cura em qualquer circunstância? Paulo não foi capaz de curar alguns de seus associados: Epafrodito (Filipenses 2:27), Timóteo (1 Timóteo 5:23) e Trófimo (2 Timóteo 4:20). 

Ele mesmo sofreu de uma enfermidade física (Gálatas 4:13-15). Três vezes orou por libertação, sem receber cura (2 Coríntios 12:8-10). Além disso, seria a pobreza sinal de maldição, como alegado pela heresia da prosperidade? Paulo declarou-se pobre, sem nada possuir (2 Coríntios 6:10). E Jesus, que não teve onde reclinar a cabeça (Mateus 8:20)? Será que eles também não tinham fé? Como harmonizar a ambição da prosperidade com as advertências bíblicas quanto aos perigos da riqueza (Mateus 19:24; Lucas 12:33-34; Hebreus 13:5; Colossenses 3:5)?

"Se o Amor de Deus para com seus filhos é medido por nossa saúde, riqueza e conforto nesta vida, Deus odiou o Apóstolo Paulo." (John Piper)

Tenha bastante cuidado com certos "sermões" e palestras que você tem ouvido para depois não se "decepcionar" com Deus.