segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Se meu sonho se concretizar...

Meu é o conselho e a verdadeira sabedoria, eu sou o Entendimento, minha é a fortaleza. (Provérbios 8:14)

“Um jovem casal me escreveu em desespero: ‘Estamos casados há seis anos e simplesmente não está dando certo. Você conhece um bom terapeuta cristão na nossa área?’

Por que esse casal escreveria para mim, um psicólogo profissional treinado e licenciado, em vez de pedir a um presbítero de sua igreja que se reunisse com os dois? Será que eles foram atraídos por meu título? Por meu caráter? Por que a maioria das pessoas que têm problemas pensam imediatamente em procurar ‘ajuda profissional’? Por que não procuram entre os sábios homens e mulheres cristãos? A maioria de nós não consultaria presbítero sobre ataques de pânico ou lutas sexuais, da mesma forma que não pediria ao pastor que obturasse o canal de um dente. Por quê?

Nossa cultura comprou a mentira de que os problemas pessoais não têm uma natureza diferente da dos problemas físicos. Nos dois tipos de problema, achamos que há alguma coisa errada que só pode ser consertada por um perito cuja compreensão exceda a sabedoria oferecida pela Bíblia. Perdemos de vista inteiramente o fato de que qualquer problema não-físico é, no seu cerne, um problema moral que tem suas raízes no relacionamento da pessoa com Deus.

Produzimos, portanto, uma geração de terapeutas, um exército de conselheiros treinados para combaterem problemas que eles mal compreendem porque passaram mais tempo nas salas de aula, tornando-se competentes, do que na presença de Deus tornando-se presbíteros. Perdemos interesse em desenvolver mentores, homens e mulheres sábios que sabem como chegar ao verdadeiro cerne das coisas e que têm o poder de trazer recursos sobrenaturais para agir sobre o que está errado.

Se meu sonho se concretizar, toda a nossa cultura mudará. Como um terremoto que muda dramaticamente a paisagem, assim meu sonho, se concretizado, alterará profundamente nossas mais queridas instituições. Ele despedaçará nossas premissas mais profundamente enraizadas de como devemos viver nossas vidas.

Tudo que não é material mudará. Coisas que têm base em fatos científicos e em procedimentos testados empiricamente naturalmente não serão afetadas. As técnicas cirúrgicas e projetos de engenharia para construir arranha-céus não serão mudados pela revolução com que sonho, como também não mudará o uso legítimo de medicamentos para ataques de pânico, disfunções obsessivo-compulsivas e alguns casos de depressão.

Mas, a maneira como ‘fazemos’ igreja, como influenciamos vidas, como provemos liderança social e moral, como vivemos juntos em famílias e em comunidades — isso será radicalmente, alterado.

Em meu sonho, eu vejo: uma geração de conselheiros, presbíteros sábios que são mais valorizados do que especialistas treinados para nos ajudar a responder aos desafios da vida; homens e mulheres piedosos cujo poder e sabedoria atingem mais profundamente as nossas almas do que o conhecimento e a habilidade de um perito. Se é para meu sonho se realizar, será preciso um milagre de Deus, não o pseudo-milagre do tipo espalhafatoso que detona um movimento mas do tipo sólido, profundo que pode dar início a uma reforma. Já tivemos movimentos o suficiente, acontecimentos suficientes daqueles que criam enormes séquitos e chegam às manchetes. Mas não temos tido nenhuma reforma por bom número de anos. Talvez tenha chegado a hora.

Antevejo uma geração na qual pastores e presbíteros, gozem novamente de alta consideração porque pastoreiam e presbiteram; na qual, líderes cristãos não sofrem mais a exigência de administrar ministérios do modo que executivos constroem corporações, antes, são reverenciados como homens de influência piedosa. Posso ver um exército de homens e mulheres sábios distribuídos entre o povo de Deus, armados apenas com discernimento delicado e sabedoria penetrante — qualidades de caráter que foram forjadas nas chamas do sofrimento. São esses os que pagaram um preço que poucos estão dispostos a pagar. E o pagaram continuamente por anos, sem alívio. Esses homens são PAIS, essas mulheres são MÃES, pessoas piedosas cuja quieta presença é sentida e valorizada.”

(Texto retirado do livro O silêncio de Adão, de Larry Crabb, pp. 38-40)