domingo, 13 de dezembro de 2015

A Chegada

Por Max Lucado

O barulho e o movimento começaram mais cedo do que de costume na cidade. Quando a noite deu lugar à madrugada, já havia gente nas ruas. Os vendedores se colocavam nas esquinas das avenidas mais trafegadas. Os lojistas abriam as portas de suas lojas. As crianças acordavam com o latido alvoroçado dos cães vadios e das queixas dos jumentos que puxavam as carroças.

O dono da hospedaria levantara mais cedo do que a maioria dos habitantes da cidade. Afinal de contas, a hospedaria estava cheia, com todas as camas ocupadas. Todo tapete ou esteira disponível tinha sido usado. Logo todos os fregueses começariam a levantar e haveria muito trabalho a fazer.

Nossa imaginação se inflama pensando na conversa do estalajadeiro com sua família à mesa do café. Alguém mencionou a chegada do casal jovem na noite anterior? Alguém cuidou deles? Alguém comentou a gravidez da moça no jumento? Talvez. Talvez alguém falou no assunto. Mas, na melhor das hipóteses, ele foi levantado e não discutido. Não havia tanta novidade assim sobre eles. Tratava-se possivelmente de uma das várias famílias que não pudera ser recebida naquela noite.

Além disso, quem tinha tempo para falar sobre eles quando havia tanta excitação no ar? César Augusto fez um favor à economia de Belém quando decretou que houvesse um recenseamento. Quem podia lembrar-se de uma época em que se fizesse tanto comércio na cidade?

Não, é duvidoso que alguém tivesse mencionado a chegada do casal ou atentasse na condição da moça. Todos estavam ocupados demais. O dia já raiara. O pão diário precisava ser feito. As tarefas da manhã tinham de ser feitas. Havia tanto para fazer que ninguém tinha tempo para ficar imaginando que o impossível acontecera.

Deus entrara no mundo como um bebê.

Mas se alguém entrasse no curral de ovelhas na periferia de Belém naquela manhã, que cena peculiar contemplaria.

O estábulo cheira como todos fazem. O mau cheiro provocado pela urina, excremento e ovelhas paira forte no ar. O chão é duro, o feno escasso. Teias de aranha pendem do teto e um ratinho atravessa correndo o chão sujo.

Não podia haver um lugar menos adequado a um nascimento.

De um lado se encontra um grupo de pastores. Eles estão sentados silenciosamente no solo, talvez perplexos, talvez reverentes, mas sem dúvida extasiados. Sua vigília noturna fora interrompida por uma explosão de luz dos céus e uma sinfonia de anjos. Deus vai até aqueles que têm tempo para ouvi-lo — e assim, naquela noite sem nuvens, ele fora até os simples pastores.

Junto à jovem mãe se assenta o pai cansado. Se alguém está cochilando, esse é ele. Não consegue lembrar-se da última vez em que pôde sentar-se. E agora que a excitação diminuiu um pouco, agora que Maria e o bebê estão confortáveis, ele se apóia na parede do estábulo e sente seus olhos se fecharem. Ele ainda não entendeu tudo. O mistério do evento o intriga. Mas não tem no momento energia para lutar com as perguntas. O importante é que a criança está bem e Maria a salvo. A medida que o sono vem, ele lembra do nome que o anjo lhe dissera para usar... Jesus. "Nós o chamaremos Jesus."

Maria está bem desperta. Como parece jovem! Sua cabeça repousa sobre o couro macio da sela de José. A dor foi embora como por encanto. Ela olha para o rostinho da criança. Seu filho. Seu Senhor. Sua Majestade. Neste ponto da história, o ser humano que melhor compreende quem é Deus e o que ele está fazendo é uma adolescente num estábulo mal cheiroso. Ela não pode tirar os olhos dele. De alguma forma Maria sabe que está carregando Deus nos braços. Esse é então ele. Ela lembra as palavras do anjo. "O seu reinado não terá fim."

Ele parece qualquer coisa menos um rei. Seu rosto é avermelhado, lembrando uma ameixa seca. Seu choro, embora forte e saudável, continua sendo ainda o de um bebê indefeso, lancinante e agudo. Ele depende absolutamente de Maria para seu bem-estar.

Majestade em meio ao mundanismo. Santidade misturada à imundície do excremento e suor das ovelhas. A divindade entrando no mundo no chão de um estábulo, através do útero de uma adolescente e na presença de um carpinteiro.

Ela toca a face do Deus-menino. Como foi longa a sua jornada!

Esta criança superara o universo. Os trapos que o aquecem eram os mantos da eternidade. A sala dourada de seu trono fora esquecida em favor de um curral de ovelhas imundo. E os anjos adoradores foram substituídos por pastores bondosos mas perplexos.

Enquanto isso a cidade fervilha. Os mercadores não sabem que Deus visitou o seu planeta. O estalajadeiro jamais creria que enviara Deus para o frio lá fora. E o povo zombaria de quem quer que dissesse que o Messias jaz nos braços de uma jovenzinha na periferia de sua cidade. Eles estavam todos ocupados demais para sequer considerar essa possibilidade.

Os que não assistiram à chegada de Sua Majestade naquela noite, não perderam a oportunidade por causa de atos perversos ou malícia; de modo algum, eles a perderam simplesmente porque não estavam olhando.

Pouco mudou nesses últimos dois mil anos, não é ?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Ore e trabalhe

“Não havendo bois, o celeiro fica limpo, mas pela força do boi há abundância de colheitas”. (Provérbios 14:4)

Se você quer uma vida tranquila e sem esforço, não se atreva a sonhar. Esta é a mensagem do texto de hoje. Para que haja abundância de colheita e os celeiros estejam sempre cheios é necessário ter bois e estes envolvem, tempo para cuidá-los, trabalho para alimentá-los e esforço para ensiná-los a arar a terra. Sem esforço, não há bois e sem bois não há abundância.

Existem inúmeras pessoas sentadas na arquibancada da vida vendo passar o trem que leva os vencedores. Outro dia encontrei uma pessoa de trinta anos que me mostrou no papel um projeto que poderia trazer benefício, satisfação e dinheiro.

“O que falta para colocar estes planos na ação?” – perguntei. “Dinheiro – foi à resposta. – Envolve bastante dinheiro.” “Você já procurou alguém que queira investir no projeto?” Não, disse. – Estou orando para que Deus envie alguém que consiga ver as vantagens deste plano.

Nenhum sonho funciona, a menos que você o faça funcionar. Aquela pessoa colocava tudo “nas mãos de Deus”, mas esquecia que ele também tinha mãos. Ora, se Deus lhe deu mãos é porque Ele espera que você faça algo. Busque a Deus sim! Busque-O todos os dias. Consulte com Ele, procure orientação divina. Não esqueça que você pode fazer mais numa hora com Deus, que numa vida inteira sem Ele. Depois de buscar a força que vem de Deus, parta para a luta. Não continue ajoelhado, esperando que Deus “envie alguém”. Bata portas, gaste a sola do sapato, sue a camiseta, crie oportunidades.

É verdade que umas poucas pessoas vencem porque um dia se lhes apresentou uma oportunidade extraordinária, mas a maioria dos vencedores realizou seus sonhos porque se propuseram fazê-lo. A pessoa que aprende a depender de Deus cria oportunidades. Não as encontra por acaso.

Hoje é um novo dia. Corra atrás dos seus sonhos. Com uma mão segure o braço poderoso de Deus e com a outra trabalhe, incansável, destemida e aguerridamente. Por mais que as circunstâncias lhe pareçam adversas, apesar de que pode estar ferido por algum golpe que a vida lhe deu, não fique de braços cruzados, esperando. Trabalhe.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Cair sim, levantar também

"Porque sete vezes cairá o justo e se levantará; mas os perversos são derrubados pela calamidade." (Provérbios 24:16)

Este mundo é um mundo de guerra. Não falo da guerra entre nações. Este mundo vive um conflito espiritual de conseqüências eternas. Há um acusador que tenta desfigurar o caráter de Deus. Apresenta-O como um Deus tirano, cruel, intransigente e que não se preocupa por Suas criaturas. Outras vezes o projeta como um Deus complacente, permissivo e sem personalidade, simples energia ou força motivadora. Milhares de seres humanos aceitam fascinados este tipo de idéias. Compram livros, discos e vídeos. Assistem a seminários e participam de congressos onde Deus não passa de uma ideia geradora da vida e mais nada.

Quando esse tipo de estratégia não lhe dá resultado, o inimigo persegue. No livro de provérbios, Deus faz uma advertência a ele e a todos os instrumentos humanos que se atrevem a atacar aos que confiam no Senhor. “Não te ponhas de emboscada ó perverso, contra a habitação do justo, nem assoles o lugar do seu repouso”, diz o verso quinze e depois vem o texto de hoje “porque sete vezes cairá o justo e se levantará.”

Esta é uma das mais extraordinárias promessas da Bíblia. Os seus inimigos podem fazer o que quiser para destruir você. Podem usar da fraude, da mentira, da intriga ou da violência. Podem feri-lo. Destruí-lo jamais. Sete vezes você pode beijar a lona, mas se confiar em Jesus as sete vezes levantar-se-á, até que eles não terão mais forças para continuar atacando você.

É verdade que há momentos em que a flecha inimiga penetra perto do coração. Eu sei que há horas em que humanamente você sente que não tem mais forças para resistir. Tudo parece escuro. O temor invade seu coração. Nesses momentos levante os olhos em direção de Jesus. Quem confia nEle, nunca está derrotado. Ele venceu a própria morte. Emergiu da tumba e silenciou as gargalhadas do inimigo para sempre.

Esta dor vai passar. Esta tormenta é passageira. Já vem o sol de um novo dia, não desespere, não desista. Logo, logo seus inimigos servirão de estrado para os seus pés. 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

De todo coração

"Louvar-te-ei, Senhor, de todo o meu coração; contarei todas as tuas maravilhas." (Salmos 9:1)

A vitória ainda não havia chegado. Não havia aplausos, medalhas, nem reconhecimento público. O Salmista ainda não podia apalpar a taça de campeão, mas podia olhá-la com os olhos da fé e louvar ao Senhor pelas maravilhas que ainda não tinham acontecido.

Se ele gastasse o tempo reclamando e queixando-se, talvez nada sucedesse. Mas o Salmista é capaz de louvar pelo sol que sairá amanhã, ainda que ele esteja hoje mergulhado nas sombras.

Seu louvor não nasce do dever. Não cumpre apenas uma obrigação. Não se deixa levar pelo mero formalismo. Louva “de todo coração”. Meio coração não é coração. Um coração dividido rasga a vida pela metade, desintegra e mata. Um coração dividido não consegue louvar.

Ninguém pode servir a dois senhores. Com meio coração você cai no terreno da pantomima. Seu louvor está destituído de autenticidade, e se você não é capaz de olhar para frente com os olhos da fé, e com todo seu coração, não verá as “Suas maravilhas”.

Mas, segundo o verso de hoje, para Davi não era suficiente louvar. Ele acrescenta “contarei as tuas maravilhas”. Ninguém será vigoroso na vida espiritual, a menos que conte as maravilhas de Deus a todos aqueles com quem se relaciona.

Na Parábola da Moeda perdida, quando a mulher achou a sua moeda, a primeira coisa que fez foi juntar aos seus amigos, vizinhos e parentes para contar-lhes a “maravilha”. Só guardam silêncio as pessoas em cujas vidas, Deus não opera maravilhas.

O que você perdeu? Uma moeda? O lar, o emprego, o filho, a paz do coração? Vá a Deus, louve o Seu nome de todo o coração. Agradeça pelas maravilhas que ainda não recebeu, mas que é capaz de enxergar pela fé e aguarde, pacientemente porque Deus não falha aos filhos sinceros.

Louve a Deus. Não use intermediários. “Louvar-te-ei, Senhor”, diz o Salmista. Louve-O com todo seu ser. Não seja espiritual pela metade. Agradeça ao Senhor pelas maravilhas futuras que acontecerão na sua vida.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Ame o próximo

E um deles, que era mestre da Lei, querendo conseguir alguma prova contra Jesus, perguntou: — Mestre, qual é o mais importante de todos os mandamentos da Lei? Jesus respondeu: — “Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente.” Este é o maior mandamento e o mais importante. E o segundo mais importante é parecido com o primeiro: “Ame os outros como você ama a você mesmo.” (Mateus 22: 35-39)

Eu vivo em uma casa geminada, e novo inquilino mudou recentemente para casa ao lado. Ainda pouca coisa eu sei sobre eles, mas uma eu já percebi: eles têm um relacionamento extremamente próximo com seus alto-falantes de graves. Se você já teve vizinhos com um sistema de som potente, você vai saber por que estou frustrado. Enquanto outras ondas sonoras batem ou são absorvidas pelos objetos ao seu redor, o som grave viaja através deles. Eu não consigo ouvir as palavras da canção, mas sinto o chão vibrar fazendo o meu coração disparar com o som. É o tipo de som que mesmo tampões de ouvidos não podem abafar, o que é especialmente irritante às 01h da manhã.

Situações como essas me tentam deixar de lado todo sermão que eu ouvi sobre a paciência, mansidão e autocontrole e começar a bater na parede com um cabo de vassoura. Mas isso é completamente antitético ao que Cristo exige. A mensagem de Jesus “amarás o teu próximo como a ti mesmo” é um verso que muitas vezes é jogado lá fora, sem nenhuma reflexão. No entanto, eu estou começando a perceber que há grandes implicações no mandamento cristão de amar alguém do jeito que eu me amo.

Como eu me amo? Bem, para começar, eu estou sempre pensando em mim mesmo. Eu penso sobre o que eu vou comer no café da manhã, o que eu preciso fazer no trabalho, o que eu preciso para comprar no mercado. Eu também amo a mim mesmo fazendo aquilo que eu mais gosto que é ler e escrever. Eu gosto de programar meu dia em torno das coisas que eu quero ou preciso realizar. Basicamente, os meus pensamentos e meus dias estão centradas em mim.

Então, quando Jesus nos diz para amar o próximo como amamos a nós mesmos, isso é uma ordem que precisa ser cumprida, embora não tenhamos facilidade para isso. Ele está dizendo que precisamos pensar nos outros, tanto quanto nós pensamos em nós mesmos. Significa que devemos lembrar das necessidades dos outros como nos lembramos das nossas. Significa buscar a felicidade, a bondade, a paz, a segurança dos outros, tanto quanto buscamos para nossas próprias vidas.

Como podemos fazer isso, especialmente àqueles que nos incomodam, nos machucam, ou talvez até mesmo nos perseguem? Quando eu penso sobre amar meus vizinhos, lembro-me do sacrifício que Cristo teve na cruz por nós. Não significam sacrifícios para quem eu amo somente, mas para com todos. O segredo para estar apto a fazer esse sacrifício é amar a Deus com todo o coração. Este é o primeiro mandamento. Quando eu concentrar todo o meu amor para com Deus, ele toma meu coração egoísta e o transforma em um coração capaz de amar os outros. O amor de Cristo é suficiente para nos fazer derramar amor altruísta para com os outros, até mesmo com aqueles vizinhos inconvenientes.

O amor altruísta não é algo que eu aprendo a exercitar sozinho. Eu preciso da ajuda de Cristo. Preciso entender os propósitos de Deus. Quem sabe Deus tem usado meus vizinhos barulhentos para condenar meu coração egoísta, para me mostrar o quanto melhor eu posso se colocar a felicidade e a paz dos outros acima do meu próprio interesse. Eu sei que não vai ser fácil para começar a amar as pessoas, tanto quanto eu me amo, mas eu sei que o primeiro passo é amar a Deus acima de tudo.

Você ama os outros como você ama a si mesmo? Sem amar a Deus em primeiro lugar, isso é impossível de acontecer. Se há alguém em sua vida que você está lutando para amar, peça a Deus para ajudá-lo a perseverar no amor e a amá-Lo melhor, também.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Edifique e não derribe!

A mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata, com as próprias mãos a derriba. (Provérbios 14:1)

Natal é tempo de luzes, alegria e colorido. Já vi arranjos natalinos deslumbrantes. Nova York é uma das cidades que muda de rosto na época do Natal. Dá a impressão de ser uma cidade invadida por luzes mágicas. Em Riverside, Califórnia, o lar de Jorge e Lina, também é um espetáculo deslumbrante cada mês de Dezembro. Lina tem um dom especial e um gosto excelente. Adorna o interior de sua casa de modo que os sonhos de qualquer criança tornam-se realidade. Lina é uma mulher que “edifica sua casa”.

As duas palavras chaves do texto de hoje são “edificar” e “derribar”. É fácil derribar. Basta pegar uma marreta e bater. Difícil é edificar, requer paciência, tempo e perseverança. Jorge e Lina contam que decorar a casa lhes toma um mês de trabalho. Jorge se encarrega de colocar as luzes exteriores e Lina cuida do interior. Desmontar tudo lhes toma apenas três ou quatro dias.

A vida é o desafio de levantar uma bela construção. Nada acontece por acaso. Precisa prestar atenção aos mínimos detalhes. Muitas pessoas escondem sua vida sem alegria nem colorido atrás da palavra destino, mas o destino não é um assunto de simples oportunidade ou de sorte, senão de escolha. A edificação pronta não é algo que se consegue apenas esperando, é preciso trabalhar.

Interessante que o autor do provérbio de hoje destaca a expressão “com suas próprias mãos”. Ninguém é culpado da derrota a não ser o próprio derrotado. A responsabilidade é pessoal. Deus lhe dá os recursos, mas é você quem edifica ou derriba.

No longo caminho da edificação pode haver momentos de desânimo e cansaço. Pode haver pequenas frustrações; muitas vezes você pode ter a impressão de que a meta está distante, mas nenhuma derrota chega só porque algo não deu certo, senão porque você desiste e abandona.

Hoje é um novo dia na história deste mundo e pode ser também um novo dia na sua experiência. Não desista. A edificação da vida não é um evento, mas um processo. Pouco a pouco, passo a passo com os olhos fixos em Deus e as mãos no trabalho você verá finalmente suas obras acabadas, deslumbrantes e bonitas. Não esqueça - “a mulher ou o homem sábio, edifica a sua casa, mas os insensatos a derribam”.

domingo, 15 de novembro de 2015

Dizer "sim" a Deus

“Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus.” (Mateus 5:20)

A cada dia ouço notícias sobre comportamentos preocupantes de pessoas que deveriam saber que estão agindo errado. Os ataques de Paris, por exemplo, comprovam que as pessoas perderam totalmente o senso de humanidade. O desastre de Mariana mostra o pouco caso com a segurança das famílias e com a preservação do meio ambiente. A Operação Lava Jato escancara a falta de zelo com o bem público. Diariamente assistimos a reportagens sobre assaltos, homicídios, estupros e invasão a propriedades, muitos acontecidos à luz do dia e diante de câmaras de vídeos. Na maioria das vezes, os culpados parecem estar cegos em seus erros, ou sem entender como seriam capazes de cometer tais atrocidades. Mas outros já nem escondem o rosto numa demonstração de completa falta de vergonha na cara.

Como membro de uma comunidade que procura seguir os preceitos divinos – mas longe de atingir a perfeição – fico pensando como algumas pessoas são capazes de cometerem atrocidades contra o próximo, ou até mesmo contra a Nação – como no caso de desvios de recursos públicos, que se fossem corretamente aplicados poderiam evitar que muitas pessoas morressem nos corredores dos hospitais por falta de atendimento – e ainda acharem que não estão cometendo pecados. Confesso que, em alguns momentos, eu também me vejo com medo de cair em tamanha cegueira e, pior, colocar em risco o testemunho da Palavra de Deus.

Mas afinal de contas, porque Jesus disse que a minha justiça deve exceder a dos fariseus, homens conhecedores da lei? Como posso pretender ter mais sabedoria do que os meus pais? Como posso saber mais sobre o mundo do que os meus professores? Será que poderia ter uma melhor compreensão da moral e da verdade do que meus líderes governamentais? Se eu os vejo tropeçarem em erros morais aparentemente óbvios, como poderia escapar do mesmo destino?

Após recentemente confidenciar este pavor a um ente querido, eu me lembrei que pecados terríveis ou estilo de vida nada condizente com os preceitos divinos não aparecem do nada. Os desvios de verbas não são feitos sem premeditação. Matar em nome de uma religião é a prova completa de cegueira espiritual. Adultério não é cometido por acaso. O divórcio não acontece do nada. Calúnia e injúria não são feitas sem intenção. O pecado sempre começa como uma pequena semente que, enterrada, cria raízes e aflora com o tempo. Eu posso optar por alimentá-la... ou simplesmente deixá-la morrer.

Sei que a minha natureza pecaminosa é tão forte quanto o impulso do Espírito Santo, mas posso escolher a quem dar vazão. Muitas vezes tenho que ter discernimento de qual ação piedosa preciso exercer no momento para contrabalancear a força do pecado: Pode ser a humildade, a pureza, a ocupação da mente com o trabalho, a compaixão, a fidelidade, etc. Muitas vezes fico cansado, irritado, lascivo, e orgulhoso e então, fico vulnerável para tomar decisões que violam as minhas consciências, decisões pequenas que parecem sem sentido, mas com consequências que tomam dimensões gigantescas.

Eventualmente, a vida torna-se uma explosão de pecado e, confuso, clamo: “Onde foi que perdi o controle?”

O conforto que tenho é que viver corretamente é um processo. Eu não vou acordar numa manhã e, de repente, achar que estou totalmente livre de cometer pecados, mas enquanto não atingir a perfeição, tenho a certeza de que “se andarmos na luz, como [Deus] está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (I João 1:7-9)

Se eu digo “sim” a Deus quando ele me mostra como posso permanecer fiel a ele em meu estilo de vida, tenho a certeza de que ele irá me fortalecer para dizer “não" às escolhas que possam infernizar a minha vida.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Passaporte carimbado

Teus olhos viam meu embrião, e em teu livro foram registrados todos os meus dias; prefixados, antes mesmo que um só deles existisse! (Salmos 139:16)

Hoje é um dia de muita tristeza para nós. Deus chamou para si um irmão querido. Pai de uma família muito amada, a família Carizzi. Há quatro meses ele caíra de uma escada em sua casa e fraturara o crânio. Havia passado três meses em coma. Após longa recuperação, quando usara todos os recursos médicos possíveis, havia voltado para casa com intuito de ali terminar o tratamento longe de possíveis infecções hospitalares. Nós nos regozijávamos pela sua recuperação quando veio a falecer vítima de pneumonia. 

É comum nesta hora os parentes da pessoa falecida ouvirem: “foi da vontade de Deus”, “chegou a hora, todos temos a nossa hora”, ou “ninguém morre de véspera.” Na verdade, quando chega a hora, não há nada que possa impedir a nossa partida. Também ninguém pode antecipá-la. Por quê?

Porque nascemos com os dias contados. O nosso passaporte está carimbado com a data de entrada e a de saída. Deus conhece a quantidade de nossos dias desde antes de sermos concebidos, e sabe tudo o que fazemos no dia-a-dia, em minuto-a-minuto, pois a nossa história “está escrita” no Livro da Vida; cada um de nossos pensamentos, cada um de nossos passos, cada uma de nossas ações. Todas as coisas só acontecem de acordo com a vontade de Deus. Ele anda junto com todas as coisas que acontecem, sejam boas e ruins. Nenhuma coisa ruim acontece sem que Deus queira, porque Deus quer que aconteça para uma finalidade, quer a gente saiba ou não. Isso se chama Providência Divina.

Sem a convicção absoluta da Soberania de Deus é impossível entender a Providência de Deus. A Providência é uma doutrina pouco estudada por alguns motivos: primeiro, por motivos filosóficos. A partir do século 18, filósofos, historiadores e cientistas começaram a falar em “mãe natureza”. Dizem que todas as coisas naturais têm uma explicação natural; a natureza explica todas as coisas que acontecem na natureza, significando que Deus não precisa participar dessa história. Ou seja, a tal da mãe natureza substitui Deus. 

Há uma coisa mais forte do que isso, que é o humanismo no sentido de “o homem é o centro de todas as coisas”. E assim o homem se torna o soberano sobre a sua vontade, a sua vida, sem precisar de Deus. Aqueles que defendem essa história da mãe natureza e do humanismo acreditam num Deus Transcendente, ou seja, num Deus que chegou, criou todas as coisas, foi para o céu e lá ficou, deixando que “mãe natureza” cuide da criação. 

Não nos preocupam aqueles que pensam assim e vivem longe de Deus; nós nos preocupamos com aqueles que estão perto de nós, dentro da nossa Igreja, que acham que o homem toma as rédeas da situação e as decisões. Vejam os livros de auto-ajuda cristã. O que é auto-ajuda? É o poder de se ajudar a ser auto-suficiente. A auto-ajuda cristã é um paradoxo, porque, ou confiamos em Deus para nos ajudar ou achamos que nós mesmos podemos resolver nossos problemas. 

Além das questões filosóficas, há as históricas. No século 20, o século da tecnologia e da comunicação, exacerbou-se o que sabemos sobre as desgraças do mundo, o que levou muita gente a achar que Deus não estava mais no controle dos fatos, da história. A importância da doutrina da Providência é sabermos que Deus está no controle de tudo e de todos. E por mais que tenhamos cuidado com a nossa vida, sem a Providência Divina nós não sobreviveríamos. “Todos esperam em ti que lhes dês alimento no devido tempo. Tu lhes dás, e eles o recolhem; abres a mão, e eles se fartam de bens. Escondes a tua face, e eles se perturbam; se retiras o seu alento, perecem e voltam a seu pó. Quando envias o teu fôlego, eles são criados, e renovas a face da terra.” (Salmos 104:27-30)

É natural lutar pela vida. Perdê-la traz muita dor aos que ficam. O que nos consola é a certeza de que nos veremos no porvir, pois o nosso Deus providenciou um lugar para juntos vivermos a eternidade. Saber que nosso passaporte está carimbado só nos faz descansar na Soberania de Deus e depender de sua Providência.

domingo, 8 de novembro de 2015

Há uma guerra em mim

“Não o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio.” (Romanos 7:15-20) 

Dizer que não fez nada de errado, mesmo tendo cometido um crime, tornou-se uma das afirmações muito comum. Nos dias de hoje os criminosos não sentem tanto “o peso na consciência”. Alguns deles nem consciência têm, ou seja, falta-lhes o senso do certo e do errado. Por exemplo, há pessoas que cometem o pecado da corrupção sem darem conta disso. 

Corrupção é o ato ou efeito de se corromper, oferecer algo para obter vantagem em negociata onde se favorece uma pessoa e se prejudica outra. Segundo Calil Simão, é pressuposto necessário para a instalação da corrupção a ausência de interesse ou compromisso com o bem comum: A corrupção social ou estatal é caracterizada pela incapacidade moral dos cidadãos de assumir compromissos voltados ao bem comum. Vale dizer, os cidadãos mostram-se incapazes de fazer coisas que não lhes tragam uma gratificação pessoal. 

Cometemos corrupção quando queremos muito ir a um show e alguém propõe nos arrumar uma carteirinha de estudante sem sermos estudante. Aí, aceitamos acreditando que não estamos fazendo mal a ninguém quando pagamos a meia entrada. Mas estamos. Além de cometermos o crime de falsidade ideológica, estamos tomando o lugar de um estudante que efetivamente tem direito, principalmente agora, que entrou em vigor a lei que limita em 40% a quantidade de ingresso de meia entrada. 

Cometemos corrupção quando aceitamos que um amigo nosso nos permite passarmos na sua frente diante de uma fila de mais de duas horas de espera em uma exposição. Às vezes até ficamos gratos pela “gentileza” dele. Cometemos corrupção quando precisamos ir ao banco, mas a única vaga disponível no estacionamento é a de deficiente, que não é o nosso caso, e então ali estacionamos “porque vamos tirar dinheiro no caixa e não vamos demorar nada.” 

Cometemos corrupção quando o nosso carro é parado em uma blitz e, ao percebermos que esquecemos de pagar o licenciamento, tomamos a iniciativa de negociar com os policiais uma saída “alternativa”. Cometemos corrupção quando na hora de pagar o dentista, nós aceitamos o desconto oferecido por ele para pagar sem nota fiscal. Cometemos corrupção quando deixamos de registrar empregados para não pagar impostos e achamos a atitude compreensível pois, afinal, os encargos trabalhistas são extremamente elevados. 

Cometemos corrupção quando apresentamos atestado médico falso para faltar ao trabalho ou escola, e achamos que isso não é tão grave assim, já que todo mundo faz de vez em quando. Cometemos corrupção quando paramos o carro em fila dupla para pegar as crianças na escola, e achamos isso normal, pois os outros precisam entender que temos que pegar os nossos filhos. Cometemos corrupção quando queremos ser mais esperto que os outros e forçamos a ultrapassagem na fila de carros que estão aguardando a vez para fazerem o retorno. 

Muitas vezes fazemos tudo isso porque somos forçamos pelo “sistema”, com aquela desculpa de que todo mundo faz, que problema há? Mas depois nos arrependemos. É bem verdade que a maioria das pessoas não querem ser tachadas de corruptas, mas nem todas conseguem verdadeiramente vencer a corrupção. Há uma guerra dentro de nós. Se fazemos o que não desejamos, é porque não somos mais nós que fazemos, mas o pecado que habita em nós. Conforme disse o Paulo, sabemos que nada de bom habita em nós, isto é, em nossa carne. Porque temos o desejo de fazer o que é bom, mas não conseguimos realizá-lo. Pois o que fazemos não é o bem que desejamos, mas o mal que não queremos fazer, esse continuamos fazendo. Ora, se fazemos o que não queremos, já não somos nós que o fazemos, mas o pecado que habita em nós. A carne gosta do pecado, mas o espírito o odeia. É por isso que existe a guerra entre a carne e o espírito. Vencerá aquele que alimentarmos melhor. 

Quem você quer que vença a guerra que há dentro de você? A carne ou o espírito?

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Salvação e fé

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2.8-9)

A Bíblia é bem clara ao afirmar que nossa salvação é totalmente pela graça: “Pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Romanos 3.23-24).

Nós só compreendemos corretamente essa verdade quando conhecemos qual a nossa condição e posição diante de Deus. Já nascemos “mortos em ofensas e pecados” (Efésios 2.1), cada um de nós é “servo do pecado” (João 8.34) e, por natureza, “... todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades como um vento nos arrebatam” (Isaías 64.6). Além dessa corrupção interior, todos nós nascemos debaixo da condenação do pecado, pois “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6.23). Em tal situação é impossível que o homem contribua, com o mínimo que seja, em sua salvação. Assim como um morto não pode fazer coisa alguma, um morto espiritual não pode fazer nenhum bem espiritual.

Por isso nossa salvação depende inteiramente de Deus, que por Sua maravilhosa graça, enviou Seu Filho ao mundo para viver e morrer em nosso lugar. E não apenas isto, é Ele quem nos ressuscita espiritualmente (Efésios 2.1) e nos traz a Cristo. Sem essa ação de Deus, operando o novo nascimento (João 3.3), ninguém viria a Cristo: “Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou o não trouxer”(João 6.44). Nem o arrependimento e a fé podem ser considerados como uma obra nossa da qual depende nossa salvação, pois a Bíblia ensina que até essas coisas são dons de Deus dados a nós: “Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também a padecer por ele, ...” (Filipenses 1.29); “Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência, e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?” (Romanos 2.4). A fé não é a causa da nossa salvação, mas o instrumento pelo qual nos apropriamos dela. Além disso, como eu disse acima, a fé, juntamente com o arrependimento, é um dom de Deus.

Talvez você concorde com tudo o que eu disse até agora, mas afirme que se o cristão não permanecer na fé e não for obediente em sua vida cristã poderá perder a salvação. No entanto, ao contrário do que a maioria dos cristãos pensam, a salvação não pode ser perdida, justamente pelo fato de a salvação ser pela graça e não depender de obras! Isso é ensinado em toda a Bíblia e aqui citarei apenas algumas passagens. Jesus disse em João 6.47: “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna”. Tudo aqui está no presente. Se alguém crê em Jesus com verdadeira fé, então ele já tem, no presente, a vida eterna. Jesus não disse que aquele que crê n’Ele terá a vida eterna, mas que já tem aqui e agora. Ora, se a vida que o cristão tem é eterna, é ilógico pensar que ela possa ter um fim ou que ele possa perdê-la, afinal, ela é eterna.

Ainda sobre isso, Jesus disse: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem. E dou-lhes a vida eterna, e elas nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai ” (João 10:27-29) . Jesus afirma que Suas ovelhas, que receberam a vida eterna, nunca hão de perecer, e ninguém (inclusive as próprias ovelhas, obviamente) poderá arrebatá-las e das mãos do Pai (e de Suas mãos, obviamente - João 10:30). Paulo também fala sobre isso em Filipenses 1:6: “Tendo por certo isto mesmo, de que aquele que em vós começou boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo”.

Mas talvez a passagem mais forte sobre o assunto se inicie no capítulo 5 de Romanos, onde Paulo começa a argumentar sobre a certeza da salvação. Do versículo 6 ao 11 Paulo apresenta um argumento incrível a respeito disso. Do versículo 12 ao 21 Paulo faz um paralelo entre Adão e Cristo, e mostra que, assim como o pecado de Adão foi imputado a todos os seus descendentes resultando em condenação, assim também a justiça de Cristo é imputada a todos aqueles que creem, resultando em salvação. Isso acontece por causa de nossa união com Cristo; nós estamos n’Ele e, graças a essa união, nossos pecados foram imputados a Cristo, e a justiça d’Ele foi imputada a nós.

Depois de um parêntese nos capítulos 6 e 7, Paulo continua o tema da certeza da salvação no capítulo 8 da mesma epístola, e inicia o capítulo dizendo: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito”. Ele continua o assunto e no versículo 30 afirma: “E aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou”. Veja o que ele afirma: os mesmos que são justificados (todos os que creem) serão glorificados, isto é, terão seus corpos transformados quando Cristo voltar. Ele não disse que apenas alguns dos justificados serão glorificados, mas que todos os que são justificados serão glorificados. E para mostrar a certeza disso, ele até coloca a glorificação como um fato já consumado, utilizando o verbo no passado: “a estes também glorificou” (e não glorificará). Paulo encerra toda esta argumentação sobre a certeza da salvação com uma passagem muito conhecida, mas pouco compreendida:

“Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu ou, antes, quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte todo o dia, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque eu estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 8:31-39) .

Paulo mostra na passagem acima que nossa salvação depende totalmente de Deus e do Seu amor por nós, que foi demonstrado na obra que Cristo realizou em favor dos Seus escolhidos. E esse amor é tão grande que absolutamente nada – nada mesmo, nem mesmo nós – pode nos separar dele! Em nenhum momento Paulo afirma que a salvação depende de nossas atitudes. O grande problema de muitos cristãos é achar que a salvação depende daquilo que fazem, e não daquilo que Deus fez em Cristo de uma vez por todas. Às vezes pensam e falam de tal forma que parecem crer que eles mesmos se salvam. No entanto, nossa salvação é, do começo ao fim, uma obra exclusiva de Deus, como Jesus, Paulo e todos os demais apóstolos demonstram várias vezes. “Do Senhor vem a salvação” (Jonas 2:9). "Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:9).

Somente quando compreendemos tudo isso é que entendemos o que significa ser salvo pela graça e podemos louvar a Deus juntamente com Paulo, humilhados e agradecidos diante do Trono da Graça: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Por que quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém” (Romanos 11:33-36) .

Se a salvação não depende em nada de nós, parece que podemos fazer o que quisermos e isso não fará diferença nenhuma. Será? Paulo responde a essa questão no capítulo 6 de Romanos, demonstrando que não é possível que aqueles que foram salvos continuem a viver no pecado, porque eles estão unidos com Cristo em Sua morte e ressurreição. Eles não apenas foram justificados, mas também regenerados. A velha natureza dos cristãos foi crucificada e agora eles têm uma nova. Não são mais servos do pecado, mas da justiça (Romanos 6:18). O prazer deles não é mais o pecado, mas a santidade. A obediência e as boas obras surgem agora naturalmente, frutos de um coração que foi transformado por Deus: “Pois somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2:10). Assim como uma árvore boa produz bons frutos, um verdadeiro cristão produz boas obras (Mateus 12:33).

Isso não significa que os que foram salvos não pecam mais, pois o próprio apóstolo João reconhece que isso ainda irá acontecer: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós [...] Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós” (I João 1:8,10). Então, nós podemos perder a nossa salvação, devido aos pecados que ainda cometemos? Não, e nessa mesma passagem João apresenta a solução: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça [...] Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; E, se, alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” (I João 1:9; 2:1-2). O sacrifício de Cristo é suficiente para nos perdoar de todos os nossos pecados, passados, presentes e futuros. Além disso, Jesus ainda está diante do Pai, como nosso Advogado.

Mas e se não confessarmos os nossos pecados a Deus, seremos perdoados? Primeiramente, aquele que foi verdadeiramente salvo confessa seus pecados a Deus. Isto é natural para ele. No entanto, é óbvio que há muitos pecados que cometemos e não lembramos. E é possível que um salvo morra sem ter confessado seus últimos pecados. Em tais casos obviamente a pessoa é perdoada, porque o perdão não está alicerçado em sua confissão, mas na obra objetiva de Cristo em Sua vida e morte. Nossos pecados foram imputados sobre Cristo e Ele já levou a condenação por eles. Por outro lado, a justiça de Cristo é imputada a nós quando cremos, e graças a isso recebemos a vida eterna. Retomando o que já foi dito, “Portanto, agora nenhuma condenação...” (Romanos 8:1).

Se nossa salvação dependesse em algum momento de nossas obras todos estaríamos perdidos, pois mesmo as nossas melhores obras que praticamos como cristãos ainda são imperfeitas. Quantas vezes ajudamos o nosso próximo com o fim de cumprir o mandamento de Cristo de amarmos o nosso próximo como a nós mesmos, mas quando olhamos para dentro de nós encontramos uma raiz de interesse próprio? Quantas vezes nós, que somos ministros de louvor, fomos tomados de orgulho em meio à adoração, pelo fato de Deus nos usar como instrumentos para edificação da igreja? Sejamos sinceros, mesmo as nossas melhores obras não chegam aos pés do que é exigido pela lei de Deus: "Conforme ao mandado da lei que te ensinarem, e conforme ao juízo que te disserem, farás; da palavra que te anunciarem te não desviarás, nem para a direita nem para a esquerda". Citando novamente o profeta Isaías: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia” (Isaías 64:6).

Resumindo tudo o que foi dito até agora, a salvação depende inteiramente de Deus e é totalmente pela Sua graça, sem nenhuma contribuição de nossa parte. A santificação não é a causa de nossa salvação, mas uma conseqüência. Só se santifica quem já foi salvo. E quem já foi salvo necessariamente se santifica. Por isso, todo aquele que foi salvo verá a Deus e pode ter certeza de sua salvação. Jesus já fez tudo por nós. Portanto, descansemos n’Ele pela fé.

domingo, 25 de outubro de 2015

Auxílo divino

"Se contra ti intentarem o mal e urdirem intrigas, não conseguirão efetuá-los." (Salmos 21:11)

Existe uma relação estreita entre os salmos vinte e vinte e um. No primeiro o povo de Deus clama por auxílio diante dos inimigos. No seguinte, o povo canta e agradece a Deus pela vitória concedida.

Você e eu, com certeza, já suplicamos o auxílio divino. Aonde mais podemos ir quando sentimos que os recursos humanos falham? O que podemos fazer quando não temos mais forças para lutar e os problemas da vida parecem devorar-nos?

A grande pergunta que precisamos responder hoje é: E depois? Quando o perigo passou e o Senhor nos concede a vitória desejada, quanto tempo paramos para agradecer a Deus?

No salmo vinte e um, Davi agradece a Deus não só pelas vitórias que já foram alcançadas mas pelas vitórias que ainda não foram concedidas. Esta é a lição de hoje. A gratidão pelas bênçãos do passado não é apenas um ato de louvor e reconhecimento, mas também um fator imprescindível de esperança. Não há como viver o futuro sem medo, se você esquecer os grandes feitos de Deus no passado. Pequenos grandes feitos. Grandes pequenos feitos. Coisas simples como o fato de ter nascido, de estar vivo, de ter uma família, de poder andar.

A ingratidão é destrutiva. Aniquila em você a capacidade de olhar para o futuro, e o faz viver em constante temor. O que o salmista afirma: “Se contra ti intentarem o mal e urdirem intrigas”. Esta é uma descrição de hipócrita rodeando o filho de Deus. Urdir é tramar, maquinar, é fazer o que aranha faz quando prepara a teia para prender a vítima. Fio a fio, dissimulada e lentamente vai preparando a armadilha mortal.

Alguém está fazendo isso com você, no trabalho, na escola ou na vizinhança? Não tema. Olhe para o passado, veja como Deus o livrou tantas vezes. Lembre-se como cada dia, sem você perceber, a mão poderosa de Deus o livra de tantos perigos. Seja grato a Deus e não tema.

Hoje, saia com esperança e volte com a certeza de que você está protegido nas mãos dAquele que sempre cuidou de você e “Se contra ti intentarem o mal e urdirem intrigas, não conseguirão efetuá-los”.

sábado, 17 de outubro de 2015

A ética do amor

"Estejam vigilantes, mantenham-se firmes na fé, sejam homens de coragem, sejam fortes. Façam tudo com amor." (I Coríntios 16:13-14 - NVI)

Dois homens, Antonio e José, estavam sentados no banquinho da praça de uma cidade interiorana na qual habitavam em sua maioria cidadãos aposentados. Ali, enquanto colocavam a conversa em dia e relembravam os áureos anos de trabalho duro, Dona Matilde, uma senhora também aposentada, saía de uma agência bancária e cruzava a praça rumo ao supermercado. 

A velhinha havia acabado de sacar todos os seus recursos financeiros e, passando em frente àqueles senhores, os cumprimentou gentilmente, enquanto caminhava com um pouco de dificuldade. Planejava ela utilizar os seus recursos para comprar a cesta de alimentos para o mês. Em seguida, como de costume, passaria na farmácia onde iria adquirir os medicamentos necessários para controlar a sua hipertensão.

O dois homens haviam acabado de comentar sobre a situação caótica em que o mundo, especialmente o Brasil, estava metido com a falta de ética e moral envolvendo grande parte da população. Chegaram a refletir sobre a vantagem de terem passados todos aqueles anos como cidadãos íntegros, pagadores dos impostos e cumpridores de suas obrigações, embora pecadores como todos os homens.

Diziam entre si que, diante de tanta injustiça e imoralidade, ainda valeu-lhes a pena permanecerem íntegros e fiéis aos princípios adquiridos durante toda a vida. Um deles chegou a citar a célebre frase de Rui Barbosa: "De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto." Mas, felizmente, concluíram que apesar de tudo que ouviam nos noticiários, ainda não haviam chegado ao ponto de se envergonharem da honestidade.

Entretanto, ao verem Dona Matilde passar com sua bolsa cheia de dinheiro, comentavam baixinho entre eles sobre a fragilidade daquela velhinha. E resolveram comparar os seus conceitos de ética.

José disse: - Eu bem que poderia roubar todo o dinheiro de Dona Matilde. Mas não vou fazer isso porque colocarei a perder toda a minha reputação de cidadão de bem conquistada com muito sacrifício nesses anos todos; seria preso e ficaria mal visto na cidade; minha família me repreenderia fortemente por dar mal exemplo aos meus filhos e netos. Por fim, não dormiria em paz, enquanto não devolvesse todo o dinheiro com mil pedidos de desculpas. Isso para mim é ética!

Já Antonio, colocou a sua visão sobre ética de forma diferente: - Eu também poderia roubar Dona Matilde, e não teria nenhum desses problemas que você elencou, José, porque não tenho familiares; não me importo com os que pensam sobre mim; não ficaria com a consciência pesada, pois já cometi pecados horrorosos; não ficaria preso, porque a lei me protege por ser um idoso. O meu conceito sobre ética é este, José, um pouco diferente do seu, pois se roubasse Dona Matilde, estaria tirando dela todo o sustento, deixando-a moribunda e doente. A minha preocupação é com o mal que estaria cometendo a ela, e não a mim!

Caro leitor, qual dos dois estava correto com relação ao conceito de ética? Os dois estavam corretos. Entretanto, quero lhe dizer que José enxergava a ética sob a ótica do egoísmo. Eles estava preocupado consigo mesmo, e com sua reputação. Por outro lado, a motivação de Antonio foi completamente diferente. Ele praticava a ética sob a ótica do amor, a verdadeira ética ensinada por nosso Senhor Jesus Cristo e recomendada pelo Apóstolo Paulo aos irmãos da cidade de Coríntios.

Qual é a nossa ética? A do egoísmo ou a do amor?

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Ensine valores

“O que é ávido por lucro desonesto, transtorna a sua casa, mas o que odeia o suborno, esse viverá.” (Provérbios 15:27)

A família recebeu a notícia como uma bomba. O pai tinha sido preso por tráfico de drogas. Eles viram tudo na televisão, na hora do jornal. O pai, sem camisa, tentando ocultar o rosto das câmaras.

A partir daquele dia muitas atitudes “misteriosas” do pai pareciam ter explicação. Ele sempre dizia que viajava por causa do trabalho, mas a realidade era outra. Homem moralista, carinhoso, esposo e pai exemplar, sempre forneceu tudo que a família precisava. Os filhos o admiravam e a descoberta da vida dupla daquele homem quase destruiu a vida da família.

Muitas pessoas não medem conseqüências quando se trata de conseguir dinheiro. O “lucro desonesto” sempre traz complicações. Nem sempre com a polícia. São complicações interiores, noites sem dormir, consciência culpada e horas infernais de angústia diante da possibilidade de ser descoberto. Tudo isso reflete-se na qualidade de vida. Não é a mesma coisa que conforto. Você compra conforto, não qualidade de vida. Ir a um SPA, gastar dinheiro em férias maravilhosas, comer em bons restaurantes e hospedar-se nos melhores hotéis, trazem apenas conforto.

Salomão declara: “o que odeia suborno, esse viverá.” Acaso a pessoa desonesta não vive? Existe, mas não vive. Viver, no sentido bíblico é mais do que sobreviver, é desfrutar de paz, tranqüilidade, sono reparador, família, valores espirituais, enfim, coisas simples, aparentemente insignificantes, que dão a vida um sentido de plenitude. Isso, não se compra. Você o recebe de graça das mãos de Deus, mediante o trabalho honesto.

Ensine esses valores. Não imponha nada. Muita gente tentou fazer isso e só conseguiu reclamações e revolta. Valores nunca se impõem, se ensina no dia a dia, no convívio, com a palavra e com o exemplo.

Pessoas sábias são reconhecidas pela coerência de suas palavras e de suas ações. Seja uma pessoa sábia com a ajuda de Deus, e faça deste dia um dia especial de formação de valores na vida dos seus amados.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Criando filhos

Por Adam Griffin

Até mesmo uma criança revela sua personalidade mediante suas ações; seu procedimento demonstrará o quanto ela é sincera e bondosa. (Provérbios 20:11) 

Quando eu era garoto, meu pai me perguntava: "O que você quer ser quando crescer?" E eu respondia com franqueza (adoravelmente, sem dúvidas), "um papai':... Em 2011, meu sonho de me tornar pai tornou-se realidade quando meu filho, Oscar, nasceu. Desde este dia, minhas esperanças e sonhos se voltaram para o que o Oscar será quando crescer. É claro que eu gosto de imaginar ele crescendo bonito, talentoso, piedoso e amável, mas não tem como saber isso ainda.... Sem dúvida, ele terá uma cabeleira decepcionante, gostará de comer e suará mesmo quando estiver frio. Para a maioria das coisas, no entanto, vou ter que esperar para ver o que ele vai ser quando crescer. 

Muitas vezes, eu sonho com o grande homem que ele pode ser e quão amável ele será para os outros. Eu sonho que técnicos, professores e pastores irão aprová-lo e até mesmo se impressionar com ele. Imagino seus colegas tendo alta consideração por ele, querendo estar perto dele o tempo todo. Eu imagino que a geração que o segue irá admirá-lo. Eu amo a ideia de que, enquanto ele se torna um homem, ele alcançará favor em tudo e com qualquer pessoa que ele entrar em contato. Alguns desses desejos são saudáveis, e alguns são orgulhosos. 

Eu tenho um forte, e certamente não-incomum desejo de que meu filho seja validado pelo amor das outras pessoas. Muitos pais querem que seus filhos ou filhas sejam pessoas amadas, mas este desejo não é o que faz João 15.19 tão transformador e importante quando confronta a maneira como preparamos nossos filhos para o futuro. Cristo diz a seus discípulos: "Se vocês pertencessem ao mundo, ele os amaria como se fossem dele. Todavia, vocês não são do mundo, mas eu os escolhi, tirando-os do mundo; por isso o mundo os odeia". E não é apenas em João 15.19. Há muitos textos nas Escrituras que descrevem a relação conflituosa que os seguidores de Deus terão com aqueles que não são crentes. 

Lendo isto, percebi que se Deus responder minhas orações para que meu filho se torne um seguidor de Cristo, as pessoas irão odiá-lo. Sem dúvida, as pessoas serão absolutamente repelidas por meu filho. 

Se Deus graciosamente salvar meu Oscar, pessoas irão chamá-lo de fanático e homofóbico. Alguns irão ridicularizá-lo como um machista da mesma forma que eles desprezam suas crenças "sexistas". Ele será desprezado como um "mente fechada" por dizer que Jesus Cristo não é apenas Deus, mas o único Deus. Ele provavelmente vai conhecer uma garota que o insulta por sua masculinidade ou por considerá-lo antiquado por esperar um casamento sem ter tido sexo. Seus colegas irão achar que ele é um puritano. Valentões irão chamá-lo de covarde. Sua integridade atrairá insultos como "caxias" (eu não sei o que isso significa). 

Os professores acharão que meu filho ignora os fatos científicos sobre nossas origens, incitando seus colegas de classe a acharem ele um idiota. Pessoas vão dizer que ele foi desviado por seus pais a um caminho ultrapassado de moralidade mascarado por um relacionamento com Deus. Consultores financeiros irão achar que ele é irresponsavelmente generoso. Quando ele tomar uma decisão, haverá aqueles que não tolerarão sua intolerância. Ele será julgado como julgador. Ele terá inimigos e eu pedirei que ele os ame, e mesmo por isso ele parecerá um tolo. 

Se você é como eu e espera que seus filhos sejam seguidores devotos e completos de Cristo, então precisamos criar uma geração que está preparada para ser distintivamente diferente de seus colegas. Em muitas formas, isto é o oposto da minha inclinação natural de como criar meu filho. Criar filhos que estão prontos para serem odiados significa criar crianças que não têm vergonha de seu amor por Deus, mesmo em meio ao ódio e à alienação. Independente dos insultos serem legítimos ou ingênuos, oro para que nossos filhos estejam prontos para manterem-se firmes em meio a um mundo que os odeia. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

É tempo de pregar

“E será pregado este Evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, vira o fim.” (Mateus 24.14; Marcos 13.10).

Nos dias 3 e 4 de outubro de 2015, será realizada na Igreja Presbiteriana Nacional, quadra 906, Asa Sul, Brasília, a VII Conferência de Evangelismo Urbano e a II ExpoCEU. Você está convidado a aproveitar o privilégio de receber a Palavra de Deus norteadora da nossa Missão como Igreja. O evento começa no sábado às 17h e tem como tema: “Trabalhemos enquanto é dia! O que você está fazendo?”, pois é tempo de pregar o Evangelho a toda criatura.

[No assim chamado Sermão Profético, Cristo ensinou que o Evangelho deveria ser pregado a todas as nações antes dele voltar. Jesus não quer dizer que cada derradeira pessoa da terra tem de se converter antes da Parousia [do grego, a Presença, indicando a volta visível de Cristo], uma vez que é evidente pelo restante das Escrituras que esse nunca será o caso. Jesus também não quer dizer que cada indivíduo sobre a terra precisa ouvir o Evangelho, antes que ele retorne. O que Ele efetivamente diz é que o Evangelho tem de ser pregado por todo o mundo, como testemunho para todas as nações. 

A ideia parece ser a de que o Evangelho será para todas as nações uma testemunha que convida a uma decisão. O Evangelho tem de se tornar uma força a ser levada em conta pelas nações do mundo. Não significa que cada membro de cada nação ouvirá o Evangelho, mas que este se tornará uma parte da vida de cada nação, de modo tal que não possa ser ignorado. O Evangelho deveria despertar fé, mas se for rejeitado, ele testificará contra aqueles que o rejeitaram. Portanto, a pregação do Evangelho reforçará a responsabilidade de cada nação com relação a ele. 

A pregação missionária do Evangelho a todas as nações é na verdade, o sinal dos tempos extraordinário e mais característico. O período entre a primeira e a segunda vinda de Cristo é a era missionária por excelência. Este é o tempo da graça, um tempo em que Deus convida e insta com todos os homens para serem salvos. Na Grande Comissão, na verdade este sinal toma a forma de uma ordem: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28.19). A promessa que segue indica que esta ordem missionária deve ser levada adiante por toda esta era:”E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século” (v. 20). Este sinal dos tempos, por essa razão deveria ser um grande incentivo para Missões. Desde o Pentecostes (a vinda do Espírito Santo), repousa sobre cada geração a obrigação solene de levar o Evangelho a cada nação. 

Mas é importante observar que este sinal não nos autoriza a marcar uma data precisa para a segunda vinda de Cristo. Quem pode estar certo de quando o Evangelho já terá sido pregado como testemunho para todas as nações? Em quantas línguas e dialetos a Bíblia ou partes da Bíblia terão de ser traduzidos antes que esse alvo seja alcançado? Quantos membros de uma nação tem de ser evangelizados, antes que se possa dizer que o Evangelho será um testemunho para essa nação? E, o que de fato, constitui uma nação? 

Temos humildemente de admitir então, que somente Deus poderá saber quando este sinal tiver sido totalmente cumprido. Entretanto, o fato de que o Evangelho está sendo pregado por todo o mundo é um sinal que nos assegura que Cristo veio e está voltando novamente, mas não nos conta exatamente quando isso ocorrerá. Enquanto isso, a igreja deve continuar a proclamar fielmente o Evangelho por todo o mundo, sabendo que Missões continuam a ser a característica peculiar desta Era até a Parousia. 

Então, enquanto vivemos nesta terra, nós nos preparamos para a vida na nova terra de Deus, com Cristo. Através de nosso serviço real estão sendo agora reunidos os materiais de construção para aquela nova terra. Bíblias estão sendo traduzidas, pessoas estão sendo evangelizadas, crentes estão sendo renovados, e culturas estão sendo transformadas. Somente a eternidade revelará o significado total do que está sendo feito para Cristo aqui.]

Por Anthony Hoekema 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Deus no controle

"Pois do Senhor é o reino, é Ele quem governa as nações." (Salmos 22:28)

A carta de Joana trazia o lamento de uma mulher que tinha perdido a autoestima a ponto de achar que estava sobrando neste mundo. Maltratada pelo esposo e desprezada pelos filhos, achava que não tinha valido a pena gastar-se ao longo da vida procurando a felicidade das pessoas que amava.

“Deus se importa comigo?”, era a pergunta dramática da angustiada mulher. Ao escrever este devocional, penso que, de uma maneira ou outra, por um motivo ou outro existem muitas Joana nesta vida. Homens e mulheres, jovens e velhos, ricos e pobres que se perguntam: “Deus se importa comigo?”

No salmo de hoje Davi apresenta ao Messias, o Senhor Jesus Cristo, como o possuidor do reino e Aquele que governa as nações. A palavra hebraica que se traduz como governar é o verbo mashal, que significa, reger, dominar, controlar.

Deus está no controle do universo, dos reinos e das nações. É verdade que este salmo, profetiza o governo eterno do Messias por ocasião de sua segunda vinda. Mas, é verdade também que hoje, embora muitas vezes tenhamos a impressão de que as coisas e as circunstâncias escaparam do controle divino, Deus continua governando. Por trás dos instrumentos humanos, o Senhor continua com as rédeas do universo e das vidas nas suas mãos.

Portanto, a pergunta de Joana tem resposta: Sim Deus não apenas se importa com você, como está no controle das circunstâncias que envolvem a sua vida. Nada acontece por acaso. Tudo tem um propósito divino.

Continue a navegar, destemido, pelo turbulento mar da existência. Embora a bússola quebre e o leme pare de funcionar, embora a noite seja escura e pareça que seu barco vai naufragar, continue adiante, porque Deus é seu guia. Se ele pode controlar os reinos e governar as nações, por que haveria de esquecer você?

Hoje é um novo dia. Um dia mais para acreditar, para lutar e para sair a procura dos sonhos porque se é verdade que Deus provê o alimento para cada passarinho é também verdade que o passarinho precisa voar a procura dele, mas lembre-se: “... do Senhor é o reino, é Ele quem governa as nações”.

domingo, 27 de setembro de 2015

Não se desvie

"Não Se desvie o teu coração para os caminhos dela, e não andes perdido nas suas veredas." (Provérbios 7:25)

Os anos que vivi na selva cumprindo parte do meu ministério me ensinaram a importância de não desviar-me do caminho. Quantas vezes escolhi caminhos errados querendo encurtar distâncias e me dei mal. Na selva isso pode ser fatal.

A vida está cheia de caminhos. Sedutores, mentirosos, falsos e enganadores. A insensatez é apresentada no livro de provérbios como uma mulher bonita que pretende levar você ao almejado vale da felicidade. A isca que ela usa é o prazer. Não existe nada de errado com o prazer porque está relacionado com os sentidos e estes foram estabelecidos pelo Criador. A felicidade envolve prazer, mas o prazer nem sempre envolve felicidade. A busca do prazer pelo prazer é loucura. O fim é perdição e morte. A realidade, no entanto, é que vivemos num mundo em que as pessoas confundem felicidade com prazer.

Provérbios trás a advertência divina sobre o perigo de desviar-se. “Não andes perdido nas suas veredas” diz, referindo-se aos caminhos sedutores da nescidade.

Não sei se você andou perdido alguma vez. Um sentimento de solidão e medo apodera-se do coração. A medida que o tempo passa e o medo aumenta, parece que você fica anestesiado. Nada mais importa. Caminha sem cuidado, não mede consequências e aproxima-se temerariamente do perigo.

Esta é a figura que o sábio descreve em Provérbios. Cada vez que o ser humano se desvia voluntariamente dos caminhos de Deus, vai caindo imperceptivelmente no terreno do cinismo. A consciência não dói mais. A pessoa fica insensível e avança perigosamente na senda de sua auto destruição.

Viva com sabedoria. Reviva seus sonhos, lute pelas pessoas que você ama, pelos valores e princípios que vem do Senhor e caminhe vitorioso na conquista dos seus ideais.

Não saia hoje para cumprir a sua agenda sem ter a certeza de que está andando nos caminhos de Deus. Aprenda a desconfiar de seus “instintos” e a ser mais obediente aos conselhos divinos.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Consolai-vos

“Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente, como também estais fazendo.” (1 Tessalonicenses 5:11)

Esta semana, a nossa repartição preparou uma homenagem com um belo mural contendo várias frases de apreço para expressar a um colega o nosso carinho e o nosso agradecimento pelo seu trabalho. Ao mesmo tempo, o gesto também tem como objetivo encorajá-lo a continuar sendo um funcionário exemplar.

Algumas das frases escritas em letras garrafais com os dizeres: “Você é incrível” ou “grande trabalho” e um texto contendo uma linda mensagem expressam os sentimentos da equipe e demonstram ao colega o quanto ele é importante. Esse tipo de homenagem faz uma diferença muito grande na motivação pessoal.

Muitas vezes, o mandamento cristão de incentivar-nos uns aos outros se torna algo que ignoramos ou esquecemos. Entretanto, este tema é encontrado em toda a Bíblia, como em Hebreus 10:24-25: “E consideremos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos encorajar-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia.” Outro exemplo pode ser encontrado em 1 Tessalonicenses 5: 9-11: “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para recebermos a salvação por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele morreu por nós para que, quer estejamos acordados quer dormindo, vivamos unidos a ele. Por isso, exortem-se e edifiquem-se uns aos outros, como de fato vocês estão fazendo.”

Nós todos sabemos como é triste passar por um momento difícil ou simplesmente ter um dia ruim. Mas a maioria de nós concordaria que nada é mais útil para melhorar o nosso humor do que uma palavra amiga, de encorajamento. Pode até mesmo partir de um estranho, mas a palavra abençoada recebida de um amigo, ou de um membro da família, ou de um colega de trabalho é muito especial.

Por outro lado, jamais permita a si mesmo emitir palavras desagradáveis. Este também é um mandamento: “Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês, mas apenas a que for útil para edificar os outros, conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem.” (Efésios 4:29)

Portanto, sempre que você tiver uma chance, tenha um momento para consolar e edificar alguém que esteja passando por momentos de aflição, pois “o coração ansioso deprime o homem, mas uma palavra bondosa o anima.” (Provérbios 12:25)

E então, quem você pode consolar hoje?

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Decisão

"A sorte se lança no regaço, mas do Senhor procede toda decisão." (Provérbios 16:33)

Quando buscamos a orientação divina, tomamos a melhor decisão. 

Como deve ser difícil para um juiz dar um veredicto sobre uma determinada ação judicial. Um caso especial envolve a disputa de filhos pelos pais ou responsáveis. Isso exige uma profunda análise da situação particular da família e das leis referentes ao assunto, formando a base para a compreensão do caso. Algumas vezes a decisão é rápida; em outras, o juiz pode precisar de um prazo maior para dar a sentença. 

O rei Salomão também teve de julgar uma questão difícil. No texto lido hoje, vemos a descrição de uma situação complexa: duas mulheres disputando um bebê, ambas alegando ser a mãe dele - numa época em que não havia exames de DNA. Na verdade, cada uma tinha um filho, mas um deles morreu. Uma das mulheres acusava a outra, alegando que esta trocara o bebê morto pelo vivo. Não havia testemunhas para depor a favor de qualquer uma das duas. 

Pois bem, o jovem Salomão ouviu a história e propôs que o corpo da criança fosse dividido. Ele fez isso para identificar quem era a verdadeira mãe, pois esta nunca permitiria tal crueldade. E assim aconteceu: enquanto uma delas teve compaixão do bebê, a outra demonstrou que não queria saber de responsabilidade e que era movida pelo ódio. Com tal proposta, Salomão pode dar um sábio veredicto. Todos que souberam disso passaram a respeitá-lo. Sua sabedoria, reconhecida depois até em outros reinos, fora dada por Deus, a pedido do próprio Salomão. Foi devido a esta sabedoria que ele pôde agir com justiça no caso da disputa pelo bebê. 

Em nossa vida, frequentemente temos de tomar decisões e nelas precisamos de sabedoria. Você está preparado para a decisão que vai tomar hoje? Se não está, Deus nos aconselha em sua Palavra a pedirmos ajuda a ele: "Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida" (Tiago 1.5).

Por Elias Torres da Silva, São Bernardo do Campo - SP

Nas mãos de Deus

Muitos propósitos há no coração do homem, mas o desígnio do Senhor permanecerá. (Provérbios 19:21)

Saulo de Tarso, educado aos pés dos mais extraordinários mestres de seu tempo, cavalgava aquela noite, caminho de Damasco, perseguindo pessoas cujo único delito era acreditar em Jesus. Jovem ainda se integrara às forças armadas de seu país e pensava que se conseguisse exterminar os “rebeldes”, acrescentaria esta vitória na sua folha de serviço. O que ele ignorava é que “muitos são os propósitos dos homens”, mas o desígnio do Senhor é soberano.

A escuridão daquela noite foi rasgada por um brilho estranho. Ninguém sabia definir de onde provinha àquela luz. O terror apoderou-se do batalhão, soldados caíram por todo lado, entre eles o capitão Saulo, beijou o chão, comeu pó e em meio ao susto ouviu uma voz doce: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” – Quem és, tu, Senhor – perguntou o atônito perseguidor, e a voz respondeu: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues”.

Aquela noite morreu Saulo. Seus planos humanos, seus projetos, suas aspirações na carreira militar, tudo foi enterrado nas areias do deserto. Aquela noite nasceu Paulo, o servo humilde, o missionário incansável, o pioneiro, o mártir, o homem que deixando a glória deste mundo, escolheu fazer parte da história do cristianismo.

O verso de hoje descreve este fato que se repete cotidianamente na vida do ser humano. O homem faz planos. Desde o seu ponto de vista esses projetos tem tudo para dar certo. Sonha, imagina o futuro, começa até a viver antecipadamente as glórias de um futuro que não chegou e de repente, tudo dá um giro inesperado. E as coisas não acontecem como esperava.

Salomão não está afirmando que a criatura não deva viver sem planos. Muitas vezes ele enfatiza a necessidade de planejar. Fazer planos é saber para onde ir. Sem isso ninguém chega a lugar nenhum. O que o verso de hoje enfatiza é a fragilidade dos planos humanos. Tudo precisa ser depositado nas mãos de Deus porque Ele, inspirando, ou permitindo, está no controle do Universo e da vida de cada homem e mulher.

Faça planos de acordo com a vontade divina. Consulte com Deus porque “muitos propósitos há no coração do homem, mas o desígnio do Senhor, permanecerá”.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Pense nEle

"Os meus olhos se elevam continuamente ao Senhor, pois Ele me tirará os pés do laço." (Salmos 25:15)

Poesia é poesia, vida é vida. Felizes aqueles que conseguem juntar ambas e fazer da vida uma poesia.

Davi era um poeta. Seus salmos são obras primas da literatura hebraica. É uma pena que as traduções tiveram que sacrificar a forma, em favor da exatidão do conteúdo.

No salmo de hoje, o salmista usa uma figura poética para expressar a importância da comunhão diária com Deus. “Meus olhos se elevam continuamente ao Senhor,” diz o salmo. Mas que significa isto em termos práticos? Devemos ficar o dia todo em estado de contemplação? Devemos sair da realidade da vida para entrar na dimensão romântica do misticismo?

Elevar os olhos ao Senhor, quer dizer: separar todos os dias, um tempo para orar, estudar a Bíblia e contar para outros, o que Ele fez em nossa vida. Isto requer esforço, porque o ser humano natural não gosta de buscar a Deus. Foge dEle. É independente. Tenta viver só, achar o seu caminho só, e nesta tentativa, acaba se machucando e machucando aos que vivem próximo dele.

Portanto, separar todos os dias tempo para a oração, a testificação e o estudo da Bíblia, requer uma atitude premeditada, direcionada e trabalhada.

É mais fácil fazer o sinal da cruz e sair correndo. Muito mais fácil é repetir uma oração de trinta segundos enquanto se dirige ao carro para ir ao trabalho e muito mais fácil ainda, é viver como se Deus não existisse.

Esta vida está cheia de arapucas. Como chegar a salvo ao destino sem a orientação divina? Nessas horas de meditação diária, recebemos o conselho divino que nos abre os olhos para enxergar o perigo e “tira os nossos pés do laço.”

Separe todos os dias um tempo para Deus. Tenha-O presente de manhã, de tarde e a noite. Acorde e durma com os pensamentos direcionados a Ele. Inclua-o em todos os seus planos, projetos e sonhos. Deixe-o participar de suas atividades diárias. Faça dEle seu sócio. Em todo tempo. Sempre. Cada minuto do dia e você começará a viver uma nova dimensão da vida.

Antes de sair hoje para o trabalho ou para a escola, repita com Davi: “Os meus olhos se elevam continuamente ao Senhor, pois Ele me tirará os pés do laço.”

Por Alejandro Bullón

domingo, 13 de setembro de 2015

Meus filhos escorregaram de minhas mãos

"Chegada a tardinha, estava o barco no meio do mar, e ele sozinho em terra. E, vendo-os fatigados a remar, porque o vento lhes era contrário, pela quarta vigília da noite, foi ter com eles, andando sobre o mar; e queria passar-lhes adiante; eles, porém, ao vê-lo andando sobre o mar, pensaram que era um fantasma e gritaram; porque todos o viram e se assustaram; mas ele imediatamente falou com eles e disse-lhes: Tende ânimo; sou eu; não temais. E subiu para junto deles no barco, e o vento cessou; e ficaram, no seu íntimo, grandemente pasmados;" (Marcos 6:47-51)

Quando um barco lotado de refugiados, a 500 metros da praia, começou a afundar, Abdullah Kurdi tentou salvar a sua família, mas, segundo as suas próprias palavras, meus filhos escorregaram de minhas mãos.

Posso imaginar, com o coração de pai e de avô, o desespero de Abduliah. Mais tarde, o corpo de um dos seus filhos, o pequeno Aylan Kurdi, de apenas três anos, foi achado morto na praia. Uma foto que chocou o mundo. E foi pensando nisso que entendi: estamos todos no mesmo barco de Abdullah Kurdi. 

Um barco açoitado por ondas bravias e ventos impetuosos, lotados de pais desesperados, tentando salvar seus filhos das drogas, da gravidez na adolescência, do alcoolismo, da mentira, da violência urbana, das más companhias e da perdição eterna. Olhamos para a foto de Aylan, morto na praia, e nos emocionamos ao pensarmos na hipótese de, se no lugar dele, estivesse um filho, neto ou sobrinho. 

A dor é tão grande que nos esquecemos que, pior, incomparavelmente pior, é a morte eterna. Nossos filhos não podem escorregar das nossas mãos. 

Não geramos filhos para povoar o inferno. Eles foram entregues a nós pelo Senhor e nós iremos entregá-los de volta ao Pai (Nosso). Quando os filhos começam a escorregar das nossas mãos? 

1. Quando não oramos por eles e com eles. 

2. Quando nossas atitudes negam as nossas palavras. 

3. Quando permitimos que eles desobedeçam a Deus, de forma sistemática, dentro das nossas casas. 

4. Quando não colocamos limites para suas ações e palavras. 

5. Quando confundimos fidelidade com cumplicidade. 

6. Quando existem tios demais e pais de menos. 

7. Quando terceirizamos apenas para a igreja o ensino bíblico. 

8. Quando não temos tempo para ouvi-los. 

9. Quando qualquer desculpa é aceita para que eles se ausentem da igreja. 

10. Quando ensinamos nossos filhos a decidirem por dinheiro. 

Onde estava Deus quando Aylan caiu no mar? 

Ele estava onde sempre esteve. 

Antes mesmo do soldado carregar seu corpo frio na praia turca, o Senhor já o havia levado no colo para casa. 

Onde está Deus agora, quando o barco da nossa casa está açoitado por ventos e ondas tão ameaçadoras, e nossos filhos estão escorregando das nossas mãos, prestes a caírem no mar? 

Ele está onde sempre esteve, pronto para vir ao nosso encontro, andando por cima das ondas, enfrentando ventos impetuosos e dizendo: 

Tende bom ânimo. Sou eu. Não temais. (Marcos 6:50) 

Por Pastor Marcelo Gualberto, diretor nacional da MPC (Mocidade para Cristo)

sábado, 12 de setembro de 2015

Façam o possível

Façam o possível para estar em paz com Deus, sem mancha e sem culpa diante dele. (2Pe 3.14)

Esse “façam o possível” de Pedro é mais brando do que o “sejam santos” do Senhor (Lv 20.7). Em vez de “façam o possível”, outras versões preferem traduzir “esforcem-se” ou “empenhem-se”.

Há um significativo contraste na carta de Pedro: no capítulo 3, ele pede aos crentes que “esforcem-se para viver sem pecar” (2Pe 3.14, CV) e no capítulo anterior ele diz que os tais falsos mestres “nunca param de pecar” (2Pe 2.14, NVI).

Outra face do contraste é que os falsos mestres são “nódoas e manchas” (2Pe 2.13, NVI) e os crentes devem se manter “sem mancha e sem culpa diante de Deus” (2Pe 3.14).

O “façam o possível” de Pedro é muito humano. Como é também humana a palavra de João na página seguinte: “Escrevo estas coisas para vos ajudar a fugir do pecado, mas se alguém pecar, lembre-se que o nosso advogado diante de Deus é Jesus Cristo” (1Jo 2.1, CIN).

O “purifica-se a si mesmo” de João (1Jo 3.3) deve estar conectado com o “esforcem-se para viver sem pecar” de Pedro (2Pe 3.14, CV). É muito melhor não se sujar, mas se isso acontecer, é muito melhor purificar-se do que continuar sujo ou desistir de vez de ser santo como Deus é santo.

Fazer o possível ou empenhar-se para estar diante de Deus sem mancha nem culpa requer muita humildade para se sentir vulnerável, muita oração para obedecer à intervenção de Deus e muito domínio próprio para negar-se a si mesmo vez após vez. O convite ao pecado (tentação) é insistente. Charles H. Spurgeon declarou há mais de 120 anos: “Estou convencido de que não há nenhuma pessoa que entrará no céu sem ter sofrido tentação”.

Deus é rico em perdoar e pronto para me dar uma oportunidade atrás da outra!

>> Retirado de Refeições Diárias com os Discípulos. Editora Ultimato.