terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Um futuro melhor

Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás. (Eclesiastes 11:1)

Aos queridos que acompanham a minha luta, informo que a cirurgia para retirada do tumor está marcada para o dia 26/12, às 7h, no Hospital Santa Luzia. Peço que continuem comigo em oração para que tudo corra bem e que eu tenha um excelente pós-operatório. Sabemos que Deus está no controle!

Quero compartilhar com vocês um pouco do capítulo 11 de Eclesiastes. O que significa lançar o pão sobre as águas? Em outra tradução bíblica (NTLH), o texto diz: “Empregue o seu dinheiro em bons negócios e com o tempo você terá o seu lucro. É assim que acontece na vida secular. Você pode pensar que na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Então, quando eu lanço um pedaço de pão hoje, amanhã ele voltará em forma de um peixe que me servirá de alimento mais completo. Dessa forma, o meu investimento voltará com lucro. 

Mas não é nesse sentido que quero compartilhar. Quero refletir sobre o lado espiritual dessa atitude. Nós pegamos um pouco do que temos ou sabemos, alimentamos alguém, uma causa, socorremos uma necessidade, semeamos uma palavra, abençoamos alguém, às vezes tiramos do bolso o que não está sobrando e doamos, assim lançamos o pão. Compartilhamos nossas dores e isso acaba consolando alguém. Enfim, doamos amor, alegria, dons, dinheiro e capacidades sem esperar recompensa. Isso é um ato de fé, que se complementa com o descanso em Deus. De repente, milagres começam acontecer: pessoas são curadas, relacionamentos são restaurados, filhos são libertos das drogas, etc. Dessa forma, uma atitude voluntária de desprendimento retorna-nos trazendo uma grande bênção.

O interessante é que o restante do texto nos manda investir hoje, pois não sabemos que necessidade poderá nos sobrevir amanhã. Ensina-nos a não ficar esperando dias melhores, mas investir já, mesmo que as nuvens estejam negras, ou que o vento esteja contrário. Pois quem não planta, não colhe.

É importante saber que Deus é quem faz as coisas acontecerem. Às vezes não entendemos porque não colhemos de imediato aquilo que semeamos, mas ele diz para confiarmos tão somente nele. Deus também nos orienta a não olhar para onde ou em quem semeamos, porque somente ele sabe em qual solo a semente frutificará.

O capítulo encerra-se orientando-nos a observar como é agradável a luz do dia, como é bom ver o sol e viver alegre, porque a vida é demasiadamente curta quando comparada com a eternidade a qual pertencemos. 

Devemos lembrar que Deus nos julgará por tudo o que fazemos. Se semearmos coisas boas enquanto é tempo, certamente colheremos um futuro melhor. Se não for nesta vida, será no porvir. Mas a decisão de semear é nossa!

Boas Festas e Feliz Ano Novo!

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A verdade que liberta

Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. (João 8:32)

O que significa esta frase: “a verdade vos libertará”? Quem é a verdade?

Nesses dias em que estou na correria para concluir os exames pré-cirúrgicos, às vezes paro ou pouco, respiro fundo, e começo a lembrar: Todas as coisas do mundo natural perecem. As riquezas levantam voo. A fama é apenas um fôlego. A juventude, a saúde e o prazer, todos eventualmente nos abandonam. E aí concluo que, se todas as coisas terminam em pó e desapontamento, elas não podem ser o bem final da existência nem as prioridades que devem absorver toda nossa atenção e energia.

Necessitamos também de vida não relacionada com a morte. Um tipo de bem que se ergue acima das coisas temporais e passageiras.

Alguns julgam que somos apenas resultado do acaso e, por isso, a vida não tem qualquer propósito. Assim, eles se entregam ao momento. Mas essa filosofia não é consistente. O grande teólogo e filósofo C. S. Lewis a analisou com lógica incrível: “Você poderia imaginar os peixes reclamando do mar pelo fato de eles estarem molhados? Se eles fizessem isso, esse fato indicaria que eles nem sempre foram criaturas aquáticas. Se somos meramente produto de um universo material, como explicar a realidade de que nunca estamos completamente felizes aqui?”

Algo dentro de nós grita por uma paz que nunca experimentamos. Sentimos saudades de um lugar onde nunca estivemos. Desejamos uma conexão que não sabemos explicar. Estas são as marcas de nossa origem. Criados por Deus, estamos longe de nosso lar, perdidos em um país distante. Blaise Pascal observou: “Quem se sentiria infeliz por não ser um rei, exceto um rei deposto? Todas as nossas misérias provam a nobreza de nossas origens. Somos filhos de Deus, mas perdemos o contato com nosso Pai.”

Jesus veio para buscar e salvar o que se perdera. Não é por acaso que Ele falou do caráter libertador da verdade. A verdade, que é o próprio Jesus Cristo, nos liberta do vazio interior, das distorções da autoestima, da solidão, da falta de propósito e do medo da morte. 

Precisamos sempre lembrar que Cristo é tudo para nós. Ele é o nosso Consolador; nosso Protetor; nosso Conhecimento; a Música da nossa vida; nosso Conselheiro; a Luz; a Rocha na qual nos erguemos; nosso constante Companheiro; Aquele que nos ouve e nos liberta para a vida.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Meu primeiro dia com câncer

Nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança. (Romanos 5:3)

Hoje, dia 10/12/2014, fui diagnosticado com neoplasia maligna do cólon (Câncer). No momento da notícia comecei a tremer dos pés à cabeça, mas com o apoio da minha família consegui pelo menos terminar de ouvir o que o médico tinha a comunicar. O mal está localizado, ou seja, não há metástase, fato que muda o tratamento de paliativo para de cura. Com a direção divina sobre as mãos dos médicos, e por meio da cirurgia sigmoidectomia por laparoscopia, a lesão será extirpada. Dependendo do resultado da biópsia, não precisarei submeter-me ao tratamento quimioterápico.

Meu coração está muito grato a Deus. Recebo com bastante submissão o desafio de enfrentar esse mal. Segundo o médico, é o tipo de câncer do aparelho digestivo mais fácil de ser tratado. Quando descoberto no início, como é o meu caso, a chance de cura é de 100%.

Conforme compartilhava com amigos, Deus me dá uma chance de crescer um pouco mais na fé. (Mais uma, pois já tive outras experiências maravilhosas com ele). Por meio de provações como essa o Senhor nos faz mais perseverante na oração. É em momento assim que nos agarramos a ele, que prontamente nos aceita pela fé tão somente nele. Consequentemente, temos paz por meio do nosso Senhor Jesus Cristo. Foi Cristo quem nos deu, por meio da nossa fé, esta vida na graça de Deus. E agora continuamos firmes nessa graça e nos alegramos na esperança de participar da glória de Deus.

Nos alegramos nos sofrimentos, pois sabemos que os sofrimentos produzem a paciência, a paciência traz a aprovação de Deus, e essa aprovação cria a esperança. Essa esperança não nos deixa decepcionados, pois Deus derramou o seu amor no nosso coração, por meio do Espírito Santo, que ele nos deu. (Romanos 5:1-3)

Amigo, conto muito com suas orações. No começo, o choque é grande, mas em momentos assim é que precisamos de um ombro amigo que nos ajude a colocar em prática a nossa fé. Precisamos exalar o perfume de Deus – a sua graça infinita. Acontecimentos assim nos fazem acordar para a realidade da vida e lembrar que somos pó. Não temos medo, porque o amor de Deus espanta todo medo.

Deus tem poder para reverter toda tribulação em bênção. Não podemos perder a esperança, pelo contrário, devemos trazer à memória tudo aquilo que nos dá esperança. E a nossa esperança está em uma vida gloriosa com Cristo. É na tribulação que extraímos a essência da genuína alegria, que nos proporciona de fato a vida abundante prometida pelo Senhor.

No final do dia, para surpresa minha, tive a imensa alegria de ouvir na porta de minha casa belos cânticos da serenata de natal entoados pelas vozes brilhantes dos queridos amigos do Coro IPN. Que força grandiosa recebida em um momento tão propício! Louvo a Deus pelo carinho de vocês!
  
Querido leitor, talvez você esteja em um vale escuro, com o corpo surrado pela doença e com as lágrimas rolando pelo seu rosto. Não perca a fé, e nem a esperança! O sol voltará a brilhar. As nuvens escuras passarão, e um tempo novo, de refrigério da parte do Senhor, virá sobre a sua vida. Tenha fé!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A falsa felicidade

Quem amar o dinheiro jamais dele se fartará; e quem amar a abundância nunca se fartará da renda; também isto é vaidade. (Eclesiastes 5:10)

“A verdadeira medida de nossa riqueza consiste em saber quanto valeríamos se perdêssemos todo o nosso dinheiro.” (J.H. Jowett)

Qual a nossa verdadeira riqueza? Em que temos confiado? Onde está colocado o nosso coração? O que nos aflige? Pelo que anseia a nossa alma? Em que está a verdadeira felicidade?

Há pessoas que pensam ter alcançado a felicidade pelo fato de terem muito dinheiro no banco. Há outras que são infelizes exatamente porque não têm muito dinheiro. Há ainda outras cujo único objetivo na vida é ganhar dinheiro, ter posição social e fama, e tudo fazem para atingir seus propósitos.

Mas, o Senhor nos deixa registrado em Sua Palavra que o amor aos prazeres deste mundo nunca nos proporciona paz. Os que agem dessa forma, nunca estão satisfeitos. Querem mais... e querem mais... e sempre desejarão mais. A sua felicidade está exatamente em galgar os cargos públicos, adquirir fama e ganhar dinheiro e não no fato de terem os bens em si. Um dia... tudo acaba, e a felicidade também!

Os que confiam no Senhor são muito mais felizes. O nosso Deus nos concede aquilo de que necessitamos e, a nossa felicidade não está em ter tudo e sim em ter o Senhor que nos dá tudo. Glórias a Deus por isso. Se temos pouco, o Senhor nos alegra o coração. Se temos muito, a alegria continua em nossas vidas. Se perdemos o pouco ou o muito, nada muda em nossas almas. A nossa felicidade permanecerá para sempre!

Nesse sentido, Paulo nos exorta quanto à postura com relação ao mundo: “...Pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar...” (I Timóteo 6:7)

Nossa passagem por este mundo pode ser melancolicamente vazia, sem termos conseguido nada que o mundo oferece, mas ganhará grande valor se entendermos que o de mais precioso neste mundo é a felicidade de conhecer a Jesus Cristo e satisfação de anunciar a sua Palavra para engrandecimento do Reino Celestial. 

Eu amo a abundância do que Deus me dá. Ele me faz muito feliz. Por que perderia tempo com coisas passageiras ou com uma felicidade enganosa? Quando aceitamos isso, nos tornamos verdadeiramente felizes.