sexta-feira, 30 de maio de 2014

Depravação total

Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia (João 6:44) 

Quão surpreendente é a depravação do homem natural! As Escrituras nos ensinam isso abundantemente. Todo cristão fiel levanta a sua voz como uma trombeta, para mostrar isto às pessoas. E a primeira obra do Espírito Santo, no coração, é convencer do pecado. 

Na Palavra de Deus, não existe uma descoberta mais terrível sobre a depravação do homem natural do que estas palavras do evangelho de João. Davi afirmou: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl 51.5). Deus falou por meio do profeta Isaías (48.8): “Eu sabia que procederias mui perfidamente e eras chamado de transgressor desde o ventre materno”. E Paulo disse: “Éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais” (Ef 2.3). Mas nesta passagem de João somos informados de que a incapacidade do homem natural e sua aversão por Cristo são tão grandes, que não podem ser vencidas por qualquer outro poder, exceto o poder de Deus. “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.44). Nunca houve um mestre como Cristo. “Jamais alguém falou como este homem” (Jo 7.46). 

Ele falava com muita autoridade, não como os escribas, mas com dignidade e poder celestial. Ele falava com grande sabedoria. Falava a verdade sem qualquer imperfeição. Seus ensinos eram a própria luz proveniente da Fonte de Luz. Ele falava com bastante amor, com o amor dAquele que estava prestes a dar a sua vida em favor de seus seguidores. Falava com mansidão, suportando a ofensa contra Ele mesmo vinda dos pecadores, não ultrajando quando era ultrajado. Jesus falava com santidade, porque era Deus “manifestado na carne”. Mas tudo isso não atraía os seus ouvintes. Nunca houve um dom mais precioso oferecido aos homens. “O verdadeiro pão do céu é meu Pai quem vos dá... Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede” (Jo 6.32, 35). 

O Salvador de que as pessoas condenadas necessitavam estava diante delas. Sua mão lhes foi estendida. Ele estava ao alcance delas. O Salvador ofereceu-lhes a Si mesmo. Oh! Que cegueira, dureza de coração, morte espiritual e impiedade desesperadora existem na pessoa não-convertida! Nada pode mudá-la, exceto a graça do Todo-Poderoso. Ó Homem destituído da graça de Deus, seus amigos o advertem, os cristãos clamam em voz alta, a Bíblia toda o exorta. Cristo, com todos os seus benefícios é colocado diante de você. Todavia, a menos que o Espírito Santo seja derramado em seu coração, você permanecerá um inimigo da cruz de Cristo e destruidor de sua própria alma, além da vida. Mas se você se sentir tocado pelo Espírito Santo, não resista! É sinal de que Deus o está levando a Cristo. 

Texto de Robert Murray M’Cheyne (1813-1843), ministro de St Peter’s Church Dundee, Escócia.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Jesus Cristo sem cruz?

Se alguém quer vir após Mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-Me. (Marcos 8:34)

Um dos enigmas com que o leitor dos evangelhos se depara é a maneira sistemática com que Jesus evitou a publicidade. Ele realizou milagres extraordinários, mas consistentemente insistiu em permanecer na penumbra. Vez após vez, Ele buscou silenciar o entusiasmo das testemunhas de Seus atos poderosos. Mesmo demônios foram impedidos de falar o que sabiam a Seu respeito (ver, por exemplo, Mc 1:34, 44; 3:12; 5:43; 7:36; 8:26).

Não parece curioso? Qual é a razão dessa atitude antipublicitária? Afinal, quando se quer atrair seguidores, a técnica comum é encorajar a "visibilidade" e atrair os holofotes. Observe, por exemplo, aqueles que declaram realizar milagres hoje. Eles não tentam manter seus alegados milagres em sigilo. Ao contrário, shows de TV são articulados para fazer propaganda. Se, após um desses pregadores eletrônicos orar e alguém, por acaso, se sentir melhor de sua artrite, o milagreiro sorri satisfeito. Chama as câmeras para focalizar a "cura". Se um pequeno alívio, que poderia ser atribuído a muitas causas, merece toda essa algazarra, imagine o que Jesus não poderia ter feito depois de ressuscitar alguém comprovadamente morto?

Nós esperaríamos que o Enviado de Deus tirasse o maior proveito de Seus poderes. Seria o caso de convocar uma entrevista coletiva com a imprensa. Na pior das hipóteses, deveria encorajar aqueles que Ele curou a divulgar os fatos. Ao contrário, Jesus dá ordens específicas para que nada fosse dito. E quando havia um "vazamento" da informação, e as multidões O buscavam, Ele procurava um lugar solitário para Se isolar. Isso não é estranho? De fato, não conheço ninguém assim. Muitas pessoas, mesmo quando não fizeram nada digno de atenção, buscam receber o "crédito" e desejam que seus supostos "feitos" sejam divulgados.

A explicação para tal atitude "politicamente incorreta" de Jesus é que em Seus dias prevalecia entre os judeus a expectativa de um Messias conquistador, que traria libertação política. Ele não permitiu que tais ideias tomassem o imaginário popular. Ele não seria um Libertador sem a cruz. Ele já havia deixado isso claro no deserto da tentação (Mt 4:8, 9). É na cruz que Sua identidade é plenamente revelada. Toda tentativa de evitar a cruz, a dEle ou a nossa, é obra do tentador.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Negócios desaparecidos

Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. (Salmo 127:1)

O Salmo 127 trata de algumas das preocupações universais do ser humano: construir, proteger, realizar. Não realizar nada, não construir e não proteger seriam atitudes consideradas insensatas. Contudo, a mensagem central desse salmo é que não há sacrifício nem trabalho humano que sejam capazes de substituir a presença de Deus.

O verso 2 não sugere que o esforço no trabalho seja errado. O que é errado é deixar Deus de fora de nossos esforços. Se o Senhor não é incluído como o fundamento daquilo que fazemos, o que fazemos não passa de árvore marcada para cair. Tudo aquilo que tem base falsa, a despeito de nossa dedicação e ansiedade, não passa de futilidade. É correr atrás do vento!

O ser humano, sem a assistência divina, facilmente pode perder o senso do que é importante. Passa a confundir o ouro verdadeiro com lata e perde o que realmente tem significado. O que ganharão afinal os homens de negócios que trabalham desde manhã até a noite e, para completar a rotina, ainda levam trabalho para casa? Alienação e distanciamento da família? Saúde debilitada? Vida abreviada? O que edificarem será com grande probabilidade mal gasto por aqueles que nada fizeram.

Ironicamente, o Salmo 127 é um dos poucos salmos atribuídos a Salomão, o velho rei de Jerusalém que, em parte de sua vida, esqueceu-se do que era prioritário. Edificou casas, plantou vinhas, entregou-se a diversões, construiu palácios e acumulou riquezas (Ec 2:3-11). Mas sua edificação, tanto literal quanto figurativa, foi destruída. Seu reino pereceu em ruínas. Seus casamentos se tornaram uma desastrosa negação de Deus e uma enorme fonte de frustração.

O que aconteceria se hoje, em vez de atolar-se em trabalho, você se desse ao luxo de completar o dia com outras atividades que talvez não lhe tragam resultados imediatos? Que tal se você, neste dia, reservasse tempo para almoçar com o cônjuge, fizesse um piquenique com os filhos, visitasse seus pais ou alguém idoso ou enfermo? Difícil? Pense no seguinte: em dez anos, tais atividades serão as mais lembradas. Os negócios e preocupações que lhe parecem tão importantes hoje terão desaparecidos, e você não terá deles a mínima lembrança. (Texto de Alejandro Bullon)

Que o Espírito Santo possa encontrar liberdade de tocar em nossos corações para entendermos isso.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Ética e política

Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus. (Romanos 3.23)

Queremos ética na política, mas não é raro ver pessoas defendê-la da boca para fora. Existem pessoas que são indignadas com a desonestidade dos políticos, mas sonegam impostos, por exemplo. Essa divisão na personalidade, essa contradição ética entre a fala honesta e a prática desonesta, percorre a sociedade brasileira de cima em baixo. Muitos dos que criticam políticos agem, na vida pessoal, da mesma forma que os criticados. 

É bom refletirmos sobre essa ambivalência. Acreditamos que a ética é o ideal, mas a prática desonesta é a realidade. Embora seja uma exceção, pregamos a ética para os outros, queremos que os políticos se demonstrem éticos, mas nos reservamos o privilégio de ser pragmáticos em benefício próprio. Esquecemo-nos de que quem nos representa, porque foi eleito por nós, nos representa também como somos.

Mudar isso é possível. Primeiro devemos começar com a educação em casa. Como pais, os nossos filhos devem saber que princípios éticos não são relativos, como pregam, mas que têm uma base única nos valores morais divinos que um dia serviram de fundamento para o surgimento das políticas democráticas. O ser humano não pode ser visto como produto do meio e da seleção natural, onde sobrevivem os mais espertos, mas um ator que influencia esse ambiente. Como pais, devemos dar o exemplo.

No estágio em que se encontra a sociedade é difícil permanecer honesto, principalmente na política. Para isso acontecer, os bem-intencionados teriam que rejeitar o apoio da banda podre que tenta manter o status quo da corrupção sob a desculpa de que “todo mundo faz assim”. Nós acreditamos que somente a fé nas Escrituras Sagradas oferece as condições necessárias para um clamor coerente por ética na política brasileira. 

Entendemos que a corrupção tem origem primariamente no coração dos seres humanos. A Bíblia afirma que não há sequer uma pessoa justa neste mundo. Jesus Cristo disse que é do coração dos homens e das mulheres que procedem “maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias” (Mateus 15.19-20). As éticas humanistas reducionistas, que analisam apenas aspectos sociológicos e antropológicos da corrupção, deixam de incluir a dimensão pessoal: egoísmo, maldade, crueldade, despotismo, avareza, inveja, cobiça. Para mudar isso, é necessária uma conversão interior dos governantes e dos governados a Deus, um arrependimento do mal e a disposição para praticar obras de justiça.

A Bíblia vê toda autoridade como procedente de Deus e digna de respeito. Mas isso tem um custo. Os governantes são “representantes” de Deus para promover o bem comum, recompensar os bons e punir os maus por meio do exercício do poder. Sendo assim, haverão de responder diante de Deus pela corrupção que praticam, pela insensibilidade e pelo egoísmo. “A visão do cargo político como sendo uma delegação divina desperta no povo o devido respeito pelas autoridades, mas, ao mesmo tempo, produz nestas autoridades o senso crítico do dever.” (Augustus Nicodemus)

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Quando o sucesso falha

Ponha a sua vida nas mãos do Senhor, confie nele, e ele o ajudará. (Salmo 37:5)

Texto de Alejandro Bullon

Voando de Toronto para Orlando, onde iria servir como tradutor para a língua portuguesa do evangelismo via satélite do pastor Mark Finley, não pude deixar de observar dois casais assentados do outro lado do corredor. As esposas iam juntas na cadeira detrás. As crianças, também juntas, estavam em bancos mais distantes. Na frente, iam os dois homens, na posição paralela ao meu assento.

Aparentemente, eram sócios que estavam saindo de férias. Mas aqueles homens pareciam distantes da família. Tinham os computadores abertos e discutiam os investimentos feitos, analisando detalhes administrativos da empresa. Pareciam estar em uma viagem de negócios, embora todos vestidos para visitar a Disney World. Pensei comigo: Qual será o significado das férias para essas esposas e filhos? Hoje, anos depois, ainda penso neles: Como estariam?

Para muitos, a magia do casamento é o sucesso financeiro. Imagine quantos cônjuges se tornam alienados um do outro e dos filhos, perseguindo a "borboleta dourada" ou a "mosca azul" do sucesso profissional e econômico, julgando que isso dará estabilidade ao casamento. E, no processo, o que realmente acontece?

Recentemente, conheci um livro extraordinário de Steven Berglas, intitulado The Success Syndrome (A Síndrome do Sucesso). O livro aponta os perigos interpessoais, emocionais e psicológicos do sucesso na sociedade moderna. Berglas observa que o "sucesso" representa, muitas vezes, o início do comprometimento moral das pessoas que lutam para alcançar o "topo" da pirâmide. A ironia é que, quando chegam lá, elas realmente chegaram ao fundo do poço em sua vida familiar, moral e espiritual. Com frequência, os filhos, o cônjuge e a família de modo geral são destruídos e deixados para trás como fragmentos abandonados à margem da estrada. Não é estranho que aquilo que julgamos ser a chave da felicidade se torne precisamente a causa de nossa infelicidade e destruição?

Por isso, as Escrituras são tão enfáticas: "Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle, e o mais Ele fará." O texto não sugere preguiça, falta de esforço, dedicação ou planejamento. Tudo o que é sugerido é que devemos ter um profundo senso do que é prioritário. As primeiras coisas em primeiro lugar. Devemos nos lembrar de que todo o sucesso alcançado fora de casa não compensará o fracasso no próprio lar.

terça-feira, 13 de maio de 2014

O mundo é dos espertos

Jesus disse: — As pessoas deste mundo são muito mais espertas nos seus negócios do que as pessoas que pertencem à luz. (Lucas 16:8)

Socialmente, em qualquer país do mundo, uns mais, outros menos, sempre há uma distância econômico-financeira entre ricos e pobres. Historicamente os ricos se enriquecem às custas dos menos favorecidos pela sorte - ou pela esperteza.

No Antigo Testamento o profeta Amós avisou: Deus não está do lado de quem explora e escraviza os pobres (Amós 5:11). A classe dirigente, rica e poderosa, dominava os tribunais e subornava os juízes, impedindo que o tribunal fizesse justiça aos mais pobres e defendesse os direitos dos menos poderosos. Parece que a realidade não mudou muito hoje! Basta conferir os noticiários. Os poderosos ganham vultosas quantias trabalhando pouco, enquanto os pobres trabalham muito, e o que ganham mal dá para o sustento.

No Novo Testamento Paulo sugere que oremos pelos administradores e autoridades da nossa sociedade. Porém, os brasileiros estão fazendo algo mais. Estão indo às ruas protestar contra as injustiças sociais, contra a violência derivada da má distribuição de renda e contra a mordomia daqueles que deveriam ser os primeiros a dar o exemplo de altruísmo. 

O Plano de salvação de Deus não faz distinção de pessoas. É para todos os homens: Ricos e pobres. Porém, o que notamos é que alguns são indiferentes aos ensinamentos divinos. O poder econômico corrompe e deixa na mente do ser humano a sensação de que ele deve continuar sendo esperto e arrogante, e que Deus é dispensável! O dinheiro é o seu deus!

Jesus nos ensina que os bens deste mundo são passageiros e precários e que devemos assegurar valores duradouros. Muitos homens e mulheres vivem apenas para esta vida terrena e, de fato, são mais espertos do que aqueles que vivem para a vida eterna. Mas Jesus nos aconselha a sermos mais eficientes nas coisas de Deus, assim como os homens do mundo o são nas coisas desta terra.

Como se vê no dia-a-dia, o mal tem vencido o bem exatamente porque os malvados são mais espertos, mais corajosos, astuciosos e mais empenhados em conseguir seus objetivos. Eles estão nas baladas, nos bailes funks, nas letras das músicas, nos filmes, nas novelas, nas ruas, na televisão, nas escolas. Por outro lado, muitos cristãos estão com medo, acomodados e indispostos a enfrentar a descrença e pregar o Evangelho genuíno. 

Diante de tanta esperteza, a mensagem do cristão precisa ser cada vez mais contundente, de impacto e com poder transformador. Só Deus para nos capacitar!

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Êxito no casamento

Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja. (Efésios 5:25)

Hoje completamos 35 anos casados. Sou mui grato a Deus pela maravilhosa esposa a quem muito amo. A graça do Senhor nos tem sustentado nesses 12.784 dias de muito amor, carinho e acima de tudo, aprendizado. Não que tenhamos alcançado a perfeição, mas a cada dia o Pai nos ensina um pouco mais a trilhar o caminho que ele idealizou para o êxito no casamento.  

O casamento não terá sucesso por causa de boas intenções, do "brilho e das cores" das coisas acumuladas, da casa, dos aparelhos, da conta bancária ou da marca do carro. Essas coisas podem ter seu lugar, mas são de valor relativo. Efésios 5:21-25 revela o segredo de um casamento bem-sucedido. Embora o texto faça referência "aos maridos", ele inclui as esposas porque trata com pessoas em relacionamento.

Os rabis diziam: "Maridos, amai vossa esposa como a vós mesmos." Os escritores clássicos da antiguidade, advertindo que os maridos amassem suas esposas, poderiam escolher entre três palavras: eros, o amor físico, philéin ou storggeo, termos para expressar a afeição dentro do círculo familiar. Mas Paulo não usou nenhuma dessas palavras conhecidas. Ele escolheu um termo tipicamente cristão: agape. "Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja." O amor é aqui qualificado por um paradigma. Amor totalmente abnegado, que busca não a própria satisfação, mas o supremo bem da pessoa amada: "Como Cristo amou." E nós sabemos como Cristo amou!

Você pode imaginar a revolução que veríamos nos lares, entre os casais, se os cônjuges manifestassem amor assim? O amor romance, amor paixão, tão decantado na lírica das canções e das novelas, falha porque é um tipo de amor basicamente egoísta, centralizado no "eu". Nele, quando se diz "eu amo você", o que se está frequentemente dizendo é: "Eu amo a mim mesmo e estou usando você." Tudo que esteja centralizado no egoísmo humano está destinado a falhar.

Sem Deus, o casamento está programado para ruir, sobrando apenas fotos amareladas. O casamento sem o amor, cujo parâmetro é a cruz, é concentrado no "eu", na realização pessoal, nos desejos pessoais, e vai falhar, porque a filosofia egoísta é suicida. Amar uma pessoa, segundo as Escrituras, significa ser uma bênção para ela, cuidando, ministrando e servindo de forma prática. Isso não depende primariamente de "romance". 

É precisamente isso que multidões não entendem. O casamento só pode sobreviver se as pessoas envolvidas nele estiverem dispostas a levar a cruz um do outro, colocando os interesses da pessoa amada antes dos seus.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Sempre abençoado

Eu digo isso para que, por estarem unidos comigo, vocês tenham paz. No mundo vocês vão sofrer; mas tenham coragem. Eu venci o mundo. (Jesus Cristo)

A maioria dos cristãos já ouviu a história do filho pródigo. O Filho Pródigo é realmente uma descrição perfeita da relação de Deus com seus filhos. Eu não sei você, mas eu tenho feito muitas coisas suficientemente estúpidas para me qualificar como um filho pródigo. Ultimamente, porém, eu me encontrei muito parecido com o filho mais velho na história contada por Jesus Cristo em Lucas 15.

Enquanto o pai fazia uma grande festa em comemoração à volta do filho pródigo, o filho mais velho estava no campo. Quando ele voltou e chegou perto da casa, ouviu a música e o barulho da dança. Então chamou um empregado e perguntou: — O que é que está acontecendo? O empregado respondeu: — O seu irmão voltou para casa vivo e com saúde. Por isso o seu pai mandou matar o bezerro gordo.

O filho mais velho ficou zangado e não quis entrar. Então o pai veio para fora e insistiu com ele para que entrasse. Mas ele respondeu: — Faz tantos anos que trabalho como um escravo para o senhor e nunca desobedeci a uma ordem sua. Mesmo assim o senhor nunca me deu nem ao menos um cabrito para eu fazer uma festa com os meus amigos. Porém esse seu filho desperdiçou tudo o que era do senhor, gastando dinheiro com prostitutas. E agora ele volta, e o senhor manda matar o bezerro gordo!

Então o pai respondeu: — Meu filho, você está sempre comigo, e tudo o que é meu é seu. Mas era preciso fazer esta festa para mostrar a nossa alegria. Pois este seu irmão estava morto e viveu de novo; estava perdido e foi achado. 

É inquietante a facilidade com que nós podemos assumir a atitude do filho mais velho. Talvez estejamos passando por momento de privações e possa nos parecer que as outras pessoas estão recebendo benefícios que tanto desejaríamos para nós também. Não é questão de inveja, mas é tentador falar com Deus da maneira como fez o filho mais velho: — Eu segui todas as regras. Eu fiz tudo certo! Porque será que o Senhor não me abençoa também?

Acontece que não enxergamos as bênçãos de Deus, pois só focamos em coisas materiais. Mas as principais bênçãos são espirituais. Ser abençoado espiritualmente não significa que somos obrigados a dançar alegremente como embriagados diante das adversidades da vida. Ser abençoado espiritualmente significa crer na salvação eterna pela graça por meio da união com Cristo. Assim, seja em momentos bons ou ruins, as bênçãos do conforto da alma estão sempre à nossa disposição. Mas temos que tomar posse delas. 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Terceirização das crianças

Eduque a criança no caminho em que deve andar, e até o fim da vida não se desviará dele. (Provérbios 22:6)

Durante quatro anos e meio, a babá Luiza, 30 anos, trabalhou na casa de um empresário paulista. Tinha sob sua responsabilidade um bebê de um ano e seis meses e outro de apenas seis meses. Dormia no emprego e, no começo, tirava folga a cada 15 dias. Até que percebeu que suas ausências não faziam bem às crianças.

“Elas eram muito apegadas a mim. Quando eu saía, não tomavam nem banho. O pai era atencioso, mas não tinha tempo de ficar com elas. Já a mãe não tinha mesmo vontade de ficar com os filhos. Uma vez, ela estava lendo uma revista e não viu quando o mais novo comeu uma lâmpada de pisca-pisca da árvore de Natal. Outra vez, deixou os dois sozinhos na sala e, quando se deu conta, o mais velho estava pendurado na sacada”, diz. Desde esse dia, a babá optou por diminuir suas folgas.

A situação vivida por Luiza é frequente no cotidiano das profissionais que tomam conta de crianças. É cada vez mais comum encontrar babás assumindo praticamente todas as responsabilidades pelos cuidados com um filho que não é delas, desde a saída da maternidade.

O pediatra José Martins Filho chama o fenômeno de “terceirização das crianças”. Ele destaca que o fenômeno não se restringe às classes mais altas. “Trabalho demais e o trânsito caótico têm roubado momentos preciosos de convivência entre pais e filhos, em todos os setores da sociedade”. Para ele, parte da violência sofrida pela sociedade atual é devida à falta de construção de vínculos afetivos entre os familiares próximos.

Há pesquisas inglesas em que os cientistas acompanham as crianças durante 20, 30 anos. Esses estudos mostram que a ausência de afeto nos primeiros anos de vida se traduz em dificuldades de relacionamento social, problemas de aprendizado, hiperatividade e agressividade. “Pais e mães têm se afastado do cuidado, deixando que todo trabalho seja feito por terceiros. Mas essas tarefas significam construção de vínculo. Quando elas são delegadas a outra pessoa, esvazia-se essa construção.” (Maria T. Maldonado, Psicóloga)

A Palavra de Deus orienta que os pais são eles próprios os responsáveis pela educação dos filhos. Essa santa tarefa não pode ser terceirizada. A vida familiar é o “arquétipo” que Deus instituiu para o homem viver e ser feliz na face da terra. Quanto mais, portanto, as recomendações de Deus, em relação à família, forem respeitadas e seguidas pelos homens, tanto mais famílias bem estruturadas teremos, e tanto menos lágrimas rolarão dos olhos dos pais e dos filhos. Todos são felizes obedecendo às leis de Deus. Antes de serem leis divinas elas são leis naturais. E a natureza sabe gratificar quem se põe a favor dela.