terça-feira, 29 de abril de 2014

O novo homem e a nova sociedade

E vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade. (Efésios 4:24)

Para que haja a nova sociedade que tanto almejamos no Brasil, é preciso que nasça um novo homem. E isso tem que começar de nós. 

Karl Marx referia-se ao “novo homem” que deveria emergir do triunfo da ideologia comunista. Isso aconteceria depois do triunfo histórico dos oprimidos sobre os opressores. A criação do novo homem, para Marx, era vista puramente em termos materialistas. O “novo homem e a nova sociedade” seriam possíveis apenas pela derrota do capitalismo. Os meios de produção como fábricas e terras, por exemplo, não deveriam ser propriedade de uma pessoa, mas de toda a sociedade. No marxismo, para se chegar ao “novo homem”, é imperativo que se transformem primeiro as condições externas dos oprimidos. Nessa ideologia, o homem é produto do meio em que vive.

A história, contudo, não está do lado da visão marxista do homem. Em cada lugar em que sua revolução foi vitoriosa, quer na Rússia, na China ou em Cuba, o que se verificou não foi o surgimento do “novo homem”, mas o surgimento do “novo opressor”.

Qual o problema do marxismo? Ele é vítima de uma visão superficial do homem, não levando em conta a doutrina bíblica do pecado. O conceito cristão do “novo homem” repousa na compreensão paulina do homem, como escravizado pelo pecado e feito livre por meio da obra redentora de Cristo. A auto emancipação do marxismo falha porque espera, ao mesmo tempo, muito e muito pouco: muito do homem, que consistentemente transforma sua capacidade criativa em fins destrutivos; e muito pouco ou nada de Deus, o qual vem de além da esfera do homem para oferecer nova direção e possibilidades.

Desde seu início, o cristianismo opera uma revolução isenta de utopias, que começa no interior e alcança o exterior. O Novo Testamento faz referências a escravos, sem encorajar demandas de classe e revolução. Dos senhores, não é exigido que libertassem seus servos. Contudo, encontramos um denominador comum extraordinário: “Pois o escravo que foi chamado pelo Senhor é agora um homem livre que pertence ao Senhor. Assim também o homem livre que foi chamado por Cristo é escravo de Cristo.” (1 Coríntios 7:22). 

O sentido essencial desta verdade teve profundo efeito prático na vida dos cristãos. Não mais havia diferença entre brancos e negros, ricos e pobres, educados e sem estudo, pois todos se consideravam como parte de um só corpo – Cristo – formando uma nova e justa sociedade.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

O cristão e os direitos humanos

Jesus disse aos seus discípulos: — Façam aos outros o que querem que eles façam a vocês... (Mateus 7:12)

“A humanidade viveu milênios de experiências despóticas, violentadoras da dignidade humana. Civilizações inteiras desconhecem a noção de Graça, de Amor ou de Perdão. A Declaração de Direitos Humanos somente foi possível inicialmente dentro do marco cultural judaico-cristão. Seus princípios são princípios bíblicos. Seus valores são inspirados nos valores do Reino de Deus.” (Robinson Cavalcanti)

Não podemos negar que a Declaração de Direitos Humanos e a Bíblia convergem nesse ponto, porque ambos apresentam um ideal de dignidade universal para o ser humano. Uma universalidade concreta e humanitária de solidariedade que pode ser expressa na Regra de Ouro ordenada por Cristo “façam aos outros o que querem que eles façam a vocês”.

Mas existe um princípio básico na Regra de Ouro que é o equilíbrio entre direitos e deveres. Eles têm de estar vinculados, pois a tendência para fixar-se nos direitos e esquecer-se dos deveres tem consequências devastadoras. Na discussão embrionária sobre os direitos humanos no Parlamento revolucionário de Paris, em 1789, a necessidade dessa reciprocidade já havia sido alertada. O reconhecimento da dignidade e dos direitos iguais e inalienáveis de todos implica obrigações e deveres. 

Assim, a Declaração de Direitos Humanos deveria ser lida mais como um dever do que um direito. Todos têm o dever de promover uma ordem social melhor. Todos têm o dever de tratar as demais pessoas de modo humano, com dignidade e autoestima, promover o bem e evitar o mal em todas as ocasiões, assumir os deveres para com os demais, para com as famílias e comunidades, raças, nações e religiões, num espírito de solidariedade. Todos têm o dever de respeitar a vida e não praticar atrocidades. 

Tanto o Estado ao punir um delinquente (mesmo menor de idade) quanto este ao cometer um crime têm o dever de respeitar a vida. Se não cumprem com o dever, ambos devem ser punidos de igual forma. A ênfase nos direitos tem acarretado conflitos, divisões e litígios intermináveis, e o desrespeito pelos deveres humanos tem levado à ilegalidade, à leniência e ao caos. É por causa desse desequilíbrio que a violência tem encontrado terreno fértil nos nossos dias. 

Se a Regra de Ouro fosse seguida por todos os homens, não haveria esse desequilíbrio. Mas acontece que essa regra não é endereçada a todo o mundo. “As pessoas a quem a Regra de Ouro é endereçada são pessoas em que uma grande mudança interior foi operada – uma mudança realizada pelo Espírito Santo. Essas pessoas têm desejos puros; elas, e apenas elas, podem seguramente fazer aos outros o que gostariam que os outros fizessem a elas, porque as coisas que desejam são dignas e puras.” (J. Gresham Machen, Cristianismo e Liberalismo, Ed. Os Puritanos). 

Dessa forma, o cristão tem os atributos essenciais para defender de forma equilibrada os deveres e os direitos humanos. E está convicto de que esse equilíbrio é o idealizado por Cristo.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Palavra esquecida

Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam. (Atos 17:30 )

Quando o apóstolo Paulo proclamou o evangelho aos Atenienses, ele usou uma palavra que raramente ouvimos hoje: “arrependimento”. Ele disse: “No passado Deus não levou em conta essa ignorância. Mas agora ele manda que todas as pessoas, em todos os lugares, se arrependam dos seus pecados. Pois ele marcou o dia em que vai julgar o mundo com justiça.”

Note que Paulo não disse “Eu sugiro que você se arrependa” ou “Eu aconselho você a se arrepender”, porque Deus simplesmente ordena às pessoas em todos os lugares que se arrependam. E “arrepender-se” significa mudar de direção. Em vez de correr para longe de Deus, a pessoa deve dar meia volta e correr em direção a Ele.

Mas por que deveríamos nos arrepender? Paulo dá a resposta no versículo 31: “porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos.” O dia de julgamento está chegando. Será o dia em que Deus há de julgar o mundo com justiça, por meio de Cristo.

A igreja sempre foi criticada por falar de “inferno”. Hoje em dia ela nem fala mais. Quando foi a última vez que você ouviu um pregador falar sobre inferno? Muitas pessoas nem acreditam mais nessa palavra. Na verdade, há teólogos que estão questionando se o inferno realmente existe, embora a Bíblia mostre que Cristo várias vezes falou sobre a sua existência.

Vejo que muitos pregadores sentem-se muito bem em não mencionar a palavra “inferno” em seus sermões. Em vez de exortarem os seus ouvintes ao preparo para a vida após a morte, na qual há dois destinos: o céu ou o inferno, eles estão preferindo usar os púlpitos para iludirem as pessoas com falsas promessas bíblicas de uma vida terrena repleta de realizações materiais. Esses pregadores e seus ouvintes estão vivendo no tempo da ignorância, assim como os judeus esperavam que Cristo fosse estabelecer um reino terreno. Mas Cristo decepcionou-os dizendo que “o meu Reino não é deste mundo”. (João 18:36)

Como consequência das pregações de hoje, notamos o crescimento cada vez maior do número de “crentes” desiludidos e decepcionados com o Evangelho. Mas Deus não é culpado, pois a vida que Seu Filho deixou como exemplo é outra completamente diferente da que se pregam.

É por isso que devemos nos lembrar da palavra “arrependimento” e voltar-nos para o que Cristo realmente ensinou àqueles que desejam ter uma vida abundante.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Marca de proprietário

A mesma coisa aconteceu também com vocês. Quando ouviram a verdadeira mensagem, a boa notícia que trouxe para vocês a salvação, vocês creram em Cristo. E Deus pôs em vocês a sua marca de proprietário quando lhes deu o Espírito Santo, que ele havia prometido. (Efésios 1:13)

Houve uma Eleição dos salvos na eternidade. Nós fomos eleitos. Por causa dessa Eleição, todas as bênçãos espirituais que nos chegam têm sua causa em que Deus nos escolheu antes da fundação do mundo. Assim, a Eleição é a causa, e as bênçãos espirituais são o efeito. Uma destas bênçãos é a santidade. “... para que fôssemos santos e irrepreensíveis perante ele...” (v.4). Paulo não nos dá o direito de por ao contrário a ordem das coisas e imaginar que a santidade prevista em nós é a causa de nossa Eleição. Se fosse assim, teríamos que dizer que Deus nos pôs em Cristo porque viu que éramos santos, e não porque viu que éramos pecadores. Teríamos assim um Evangelho de Eleição por méritos e não por graça.

Quais são estes benefícios, segundo o contexto de Efésios 1º? Como já vimos, a santidade é o primeiro (v. 4). Deus nos elegeu para pertencermos somente a Ele e assim nos livrarmos de toda culpa do pecado; o benefício do amor vem logo a seguir; depois vem o benefício da adoção (v. 5). Deus já havia resolvido que nos tornaria seus filhos, por meio de Jesus Cristo, pois este era o seu prazer e a sua vontade. Por causa disso podemos usufruir da aceitação completa por meio da sua gloriosa e gratuita graça (v. 6). 

A redenção pelo sangue de Jesus Cristo é o mais grandioso benefício da eleição (v. 7). Pela morte de Cristo na cruz nós somos libertos do pecado, isto é, o pecado não tem mais poder sobre nós.

Pela maravilhosa graça, Deus nos deu sabedoria e inteligência espiritual para entendermos o plano secreto que tinha decidido realizar por meio de Cristo. Esse plano é unir, no tempo certo, debaixo da autoridade de Cristo, tudo o que existe no céu e na terra (v. 8, 9 e 10). Hoje conhecemos a vontade de Deus para nós e para este mundo. 

Sabemos que o mundo na forma como está se encontra distante do que Deus havia planejado, mas o que nos dá esperança e tranquilidade é saber que todas as coisas acontecem de acordo com o plano e com a decisão dele. 

E de acordo com a sua vontade e com aquilo que ele havia resolvido desde o princípio, Deus nos escolheu para sermos o seu povo, por meio da nossa união com Cristo. Agora, digo que nós, que temos por Cristo o privilégio de carregar a marca de proprietário de Deus, devemos louvá-lo com júbilo e grande alegria. Feliz Páscoa!

terça-feira, 15 de abril de 2014

Deus ouviu minhas orações

Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. (Jeremias 29:11).

“Deus ouviu minhas orações.” Quando as pessoas dizem isso, imagino que elas estão querendo dizer que Deus lhes deu o que pediram. Contudo, será que Deus só ouve nossas orações quando Ele nos concede o que queremos? Com frequência, esquecemos que ao Ele dizer “não” ou “espere” temos respostas divinas tão misericordiosas como Seu “sim”.

Respondemos aos filhos dando-lhes não apenas o que querem, mas o que julgamos ser o melhor para eles. De maneira infinitamente superior, porque as respostas de Deus são sempre corretas, justas, sábias e melhores, Ele com frequência responde às nossas orações concedendo o que em longo prazo se provará o melhor para nós.

Uma das dificuldades com as orações é que elas, na maioria das vezes, são apenas sugestões. Trazemos as respostas prontas, esquecendo-nos de que Deus trabalha com Seus métodos. Naamã, o leproso, queria ser curado. Imaginou que seu pedido deveria ser respondido em termos de um grande show, um espetáculo aos sentidos. Ficou irado quando o profeta simplesmente mandou que ele mergulhasse sete vezes no Jordão. Paulo, por três vezes, pediu que Deus retirasse dele seu “espinho na carne”, entendido por muitos como sendo uma visão precária. Não seria do interesse do próprio Senhor ter um homem como Paulo atuando nas melhores condições? Deus lhe respondeu de maneira inesperada, apenas indicando que Seu “poder se aperfeiçoa na fraqueza”.

Considere esta extraordinária oração de Blaise Pascal: “Não te peço, Senhor, por saúde ou enfermidade, vida ou morte, mas apenas que Tu disponhas de minha saúde ou enfermidade, de minha vida ou de minha morte para a Tua glória [...]. Somente Tu sabes o que é melhor para mim [...]. Concede-me ou tira de mim, mas apenas faze a minha vontade aceitar a Tua vontade. Eu sei apenas, Senhor, que devo seguir-Te e não Te ofender. Fora isso, eu não sei o que é bom ou ruim em qualquer outra coisa. Eu não sei o que é melhor para mim, saúde ou enfermidade, riqueza ou pobreza, ou qualquer outra coisa no mundo. Tal discernimento está além do poder dos homens ou dos anjos, e está escondido entre os segredos de Tua providência, a qual eu adoro, mas não procuro compreender.”

Portanto, ao dizer “Deus ouviu minhas orações”, tenha a certeza de que Ele lhe deu o que era melhor para você, não do seu ponto de vista, mas do ponto de vista dEle.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Há virtude no pessimismo?

Jesus olhou para eles e disse: — Para os seres humanos isso não é possível; mas, para Deus, é. Pois, para Deus, tudo é possível. (Marcos 10:27).

Será que há virtude no pessimismo? Minutos antes de enfrentar a Sérvia na final do campeonato mundial de handebol feminino, em dezembro, a seleção brasileira ouviu uma preleção pouquíssimo animadora. “Vocês merecem a medalha de prata”, disse o técnico Morten Souback, ao entregar réplicas feitas de papel-alumínio às atletas. “A Sérvia entra na quadra com o ouro na mão. Vocês estão com medo delas.” Determinadas a desmentir Souback, todas se atiraram em cima do treinador, que carregava uma réplica da medalha de ouro. Derrubaram-no e, em seguida, entraram na quadra e venceram as adversárias. “Elas precisavam ser desafiadas”, diz Alessandra Dutra, a psicóloga do time. O pensamento negativo de Souback deu resultado.

Apesar de bem-sucedida, a preleção de Souback causaria arrepios nos gurus de autoajuda. Ela vai contra os dois principais pilares do gênero: o pensamento positivo em tempo integral e a autoestima inabalável, mesmo diante de situações difíceis. Por trás desses dois preceitos está a crença em que o Universo conspirará a nosso favor se acreditarmos que tudo dará certo. 

Ao fazer exatamente o oposto do que os livros de autoajuda pregam, Souback desafiou a hegemonia do pensamento positivo. É por essas e outra que a eficácia das técnicas defendidas pela indústria da autoajuda está em questionamento. O “Manual antiautoajuda”, do jornalista britânico Oliver Burkeman, afirma que as técnicas defendidas pelos autores de livros motivacionais não ajudam em nada. Pior: elas atrapalham o caminho para a felicidade e a realização. A obrigação de ter de evitar pensamentos pessimistas e ser positivo o tempo todo é impraticável para a maioria das pessoas, porque quanto mais se tenta evitar um tipo de pensamento, mais ele aparece na mente. Por outro lado, um dos principais méritos do pensamento negativo é alertar que o fracasso faz parte da vida de qualquer ser humano, fato que o torna mais previdente. 

Já com relação à vida espiritual, o pessimismo é característica do homem natural. Por mais estranho que possa parecer, ele é uma virtude, porque diferentemente das meninas do handebol, que encontraram forças em si mesmas para vencer a partida, o homem somente supera a ansiedade quando confia no Criador e Controlador do Universo. Para Deus, nada é impossível, inclusive a salvação das almas.

terça-feira, 8 de abril de 2014

A nova classe consumista‏

Não fiquem aflitos, procurando sempre o que comer ou o que beber. Pois os pagãos deste mundo é que estão sempre procurando todas essas coisas. O Pai de vocês sabe que vocês precisam de tudo isso. Portanto, ponham em primeiro lugar na sua vida o Reino de Deus, e Deus lhes dará todas essas coisas. (Lucas 12:29-31)

A estabilidade econômica no Brasil permitiu que bens e serviços pouco acessíveis passassem a ser consumidos pela classe social menos abastada. Houve uma grande ascendência social nas últimas décadas. Tal fato despertou interesse dos estudiosos por melhor compreender esse fenômeno. Surgiram dois tipos de discursos: Um baseado no hedonismo e outro no moralismo.

O discurso hedonista é a ideologia mais conhecida sobre o consumo. Esse discurso caracteriza o consumo como um meio para se chegar ao sucesso e à felicidade. Assim, o consumo é descrito como uma forma de gratificação imediata, que dá sentido à vida. Consumir freneticamente é ter a certeza de ser um peregrino em viagem ao paraíso. Apesar de o consumo possuir associações a conotações negativas, tais como materialismo e individualismo, os estudiosos acreditam que o sofrimento e as dificuldades pelas quais os indivíduos passam são resultado direto da falta de bens. O consumo, logo, seria uma forma de atenuar tais sentimentos. A partir do momento em que se possui um bem, o indivíduo torna-se integrante de um grupo, que compartilha valores e pensamentos semelhantes.

Diferentemente dessa visão, o discurso moralista responsabiliza o consumo por variados tipos de problemas da sociedade. De acordo com esse discurso, o consumo leva os indivíduos a terem atitudes impensadas, cujas consequências podem ser drásticas para sua vida financeira e para a sociedade. Logo, o estímulo ao consumo é um mal que precisa ser combatido e os moralistas acreditam que possuem o dever de defender a correta orientação da sociedade, chamando a atenção aos males que o consumo pode causar. O moralista vê a produção como atividade superior ao consumo. Enquanto o conceito de produção é visto como positivo, associado a construir e trabalhar, atos que engrandecem o ser humano, o conceito de consumir é visto como negativo, uma praga que deve ser repelida, por remeter a excessos e banalidades, inclusive à violência e desonestidade.

As duas diferentes correntes de pensamento sobre o consumo mostram como o tema pode inspirar pontos de vista diversos na perspectiva mundana. Mas o cristão liberto do consumismo sabe que o seu alvo não é a busca dos bens materiais, e sim o engrandecimento do Reino de Deus que lhe garante o passaporte para a felicidade terrena e eterna.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

O que são os anjos?

Todos eles são espíritos que servem a Deus, os quais ele envia para ajudar os que vão receber a salvação. (Hebreus 1:14)

Provavelmente você já terá visto um antigo quadro em que duas crianças estão colhendo flores ao longo de um caminho, na encosta acidentada de uma montanha. Muito abaixo, espumeja em fúria a brava correnteza, perdendo-se na profundeza do abismo. O perigo salta aos olhos, e a possibilidade do desastre é evidente. Mas com indescritível expressão, por trás dos pequenos, ergue-se a majestosa figura de um anjo. Suas mãos estendidas denotam a prontidão com que podem agir. A bela fisionomia parece concentrar todo o interesse do Universo no objeto de seu cuidado.

O ministério dos anjos em nosso planeta é um claro ensino das Escrituras. Como mensageiros celestiais, os anjos são poderosos coobreiros de Deus na execução de Seus desígnios e vontade. Quando cercado pelos poderosos exércitos da Síria, Eliseu viu miríades de anjos, invisíveis aos olhos naturais, mas nem por isso menos reais. "Mais são os que estão conosco" (2 Reis 6:16), exclamou o profeta, quando a cortina que separa o visível do invisível foi levantada. Fortes anjos aguardavam em silêncio o desfecho da crise. Anjos estiveram com Daniel na escura cova dos leões, quando tudo parecia perdido. Eles ampararam a Cristo em vários momentos de Seu ministério. Uma velha gravura retrata Jesus no Getsêmani, com a cabeça recostada no peito de um poderoso anjo. O Criador sendo confortado por uma de Suas criaturas. O quadro é de indescritível beleza!

Um anjo libertou Pedro da prisão romana. A forte escolta e as portas aferrolhadas são impotentes diante do emissário angélico. Paulo, sem amigos, riqueza ou posição, teve-os como assistentes. Todos esses momentos da história sagrada nos lembram de que não estamos sozinhos. "Na experiência de todos surgem ocasiões de profundo desapontamento – dias em que só predomina a tristeza, e é difícil crer que Deus é ainda o bondoso benfeitor dos seus filhos na Terra; dias em que o dissabor mortifica a alma, de maneira que a morte pareça preferível à vida. [...] Pudéssemos em tais ocasiões discernir com intuição espiritual o significado das providências de Deus, veríamos anjos procurando salvar-nos de nós mesmos, esforçando-se para firmar nossos pés num fundamento mais firme que os montes eternos; e nova fé, nova vida jorrariam para dentro do ser" (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 162).

Se você teme ao Senhor, saiba, pois, que os anjos acampam ao seu redor para te proteger do perigo. (Salmos 34:7)

terça-feira, 1 de abril de 2014

O fenômeno da ostentação

Então direi a mim mesmo: ‘Homem feliz! Você tem tudo de bom que precisa para muitos anos. Agora descanse, coma, beba e alegre-se.’ (Lucas 12:19)

Certa vez Jesus chamou seus discípulos e contou-lhes a seguinte parábola: — As terras de um homem rico deram uma grande colheita. Então ele começou a pensar: “Eu não tenho lugar para guardar toda esta colheita. O que é que vou fazer? Ah! Já sei! — disse para si mesmo. — Vou derrubar os meus depósitos de cereais e construir outros maiores ainda. Neles guardarei todas as minhas colheitas junto com tudo o que tenho. Então direi a mim mesmo: ‘Homem feliz! Você tem tudo de bom que precisa para muitos anos. Agora descanse, coma, beba e alegre-se. Mas Deus lhe disse: “Seu tolo! Esta noite você vai morrer; aí quem ficará com tudo o que você guardou?”

Ainda hoje, a vontade de possuir continua tão forte quanto naquela época. Talvez até mais. Não só de possuir, mas de ostentar. Afinal, possuir é bom! Melhor ainda é poder mostrar aos outros o que se tem. É assim que muitos pensam e agem.

Um estudo publicado na revista Psicologia Hoje concluiu que as pessoas mais preocupadas com os bens têm menos probabilidade de se envolver em relacionamento afetivo satisfatório. Elas tendem a ser perturbadas por constantes ansiedades, preocupações, que acabam tornando-as cada vez mais solitárias. A ostentação tenta suprir a carência afetiva, pois as faz se sentirem atraentes e valorizadas. 

Na época de Jesus, o homem rico usou a tática de expandir a fazenda para mostrar a riqueza e dela se gabar. Hoje, muitas riquezas são virtuais, ou seja, elas nem existem de fato, só aparecem nas fotos. Quando existem, na maioria das vezes há dívida financeira por trás. Mesmo assim, a ostentação é forte, e para isso, as pessoas contam com a ajuda das redes sociais.

Segundo o psiquiatra americano Elias Aboujaoude, a internet ampliou predisposições humanas como o gosto por se gabar. Como diretor da Clínica de Transtorno Obsessivo Compulsivo da Escola de Medicina da Universidade Stanford, Aboujaoude concluiu que o mundo virtual libera uma parte da personalidade guiada apenas pelos desejos. Nele, os limites e as censuras perdem sua eficácia. “A internet pode, inconscientemente, mudar a personalidade das pessoas”, diz Aboujaoude, autor do livro Virtually you: the dangerous powers of the e-personality (Quase você: os perigos da e-personalidade, sem edição no Brasil). Essa mudança de personalidade, diz Aboujaoude, não fica confinada apenas ao mundo virtual. O estilo de interação usado no ciberespaço está passando para a vida real, na qual as pessoas se parecem com seus avatares.

Em outro estudo, dois pesquisadores da Universidade da Georgia pediram a 130 usuários do Facebook que respondessem a um questionário para avaliar tendências narcisistas, caracterizadas pela necessidade de suscitar admiração alheia e exagerar na percepção de sua própria importância, levando ao egocentrismo. Descobriram que as pessoas com maior tendência ao narcisismo eram as que mais publicavam conteúdo para se promover, com fotos em que aparecem atraentes, sensuais, e em momentos de felicidade. 

O estudo também concluiu que as redes sociais são uma fonte provocante de inveja. Da mesma forma que verdadeiras amizades podem ali nascer, a vaidade, a inveja e as dores de cotovelos levam pessoas a se sentirem cada vez mais solitárias e insignificantes. 

Pelo jeito, não está nada diferente do contexto da parábola. Isso é o que acontece com aqueles que juntam riquezas - reais ou virtuais - para si mesmos, mas para Deus são pobres e necessitados de Sua misericórdia. (Lucas 12:21).