terça-feira, 23 de setembro de 2014

Saber envelhecer

Na velhice, eles ainda produzem frutos; são sempre fortes e cheios de vida. (Salmos 92:14)

Envelhecer é um pesadelo para muitas pessoas. Há uma luta inútil e muitas vezes patética pela juventude eterna. E uma indústria prospera por trás dessa batalha: dos cirurgiões plásticos aos fabricantes de tintura para cabelos. Um medicamento afirma poder devolver a potência da juventude a homens de meia idade ou anciões, outro promete deter a queda dos cabelos e até restabelecer franjas que o tempo levou. A mídia, compreensivelmente, uma vez que o tema é campeão de audiência, dá um amplo espaço aos vendedores de juventude. Basicamente, o que explica tudo isso é a angústia que nos toma quando percebemos que não somos tão jovens assim. Temos uma opinião negativa da velhice. Daí a origem da nossa aflição, que não é um assunto novo.

Desde sempre a humanidade se deixou atormentar por esse fantasma. Muitos filósofos se detiveram sobre o tema e se esforçaram para nos ajudar a lidar melhor com a passagem do tempo. Um deles foi Marco Túlio Cícero (106 – 43 a.c.), estadista e pensador romano que se transformou no símbolo supremo da oratória. Em sua obra Saber Envelhecer(L&PM), Cícero enumera as vantagens desprezadas da velhice. Na dedicatória, ele diz: “Senti tal prazer em escrever que esqueci dos inconvenientes dessa idade; mais ainda, a velhice me pareceu repetidamente doce e harmoniosa”.

Cícero comenta um fato incontestável: “Todos os homens desejam avançar a velhice, mas ao ficarem velhos se lamentam. Eis aí a conseqüência da estupidez”. Depois ele toca em outro ponto crucial, que vale para tudo na vida: uma vez que somos submetidos a obstáculos e desafios, e que a sorte instável ora nos ergue e ora nos derruba, o que muda mesmo é a maneira com que cada um de nós lida com sua cota de agruras. Um mesmo aborrecimento é leve para uns e insuportável para outro. Afirma Cícero: “Os velhos inteligentes, agradáveis e divertidos suportam facilmente a idade, ao passo que a acrimônia, o temperamento triste e a rabugice são deploráveis em qualquer idade”.

Mas a melhor forma mesmo de se envelhecer é dar graças a Deus que está no controle de tudo! O Salmista dá uma aula de saber envelhecer quando afirma que é bom cantar hinos em honra ao Altíssimo! Ele dá o caminho das pedras para uma boa velhice tão claramente explicado nas palavras que profere ao Criador: "Como é bom anunciar de manhã o teu amor e de noite, a tua fidelidade, com a música de uma harpa de dez cordas e ao som da lira! Ó Deus, os teus feitos poderosos me tornam feliz! Eu canto de alegria pelas coisas que fazes. Que grandes coisas tens feito, ó Senhor! Como é difícil entender os teus pensamentos! Aqui está uma coisa que o tolo não entende, e o ignorante não pode compreender: os que praticam más ações crescem como a erva, e os perversos podem prosperar, porém eles serão completamente destruídos. Pois tu, ó Senhor, estás para sempre acima de tudo e de todos. Nós sabemos que os teus inimigos morrerão e que todos os maus serão derrotados. Tu me tens tornado forte como um touro selvagem e me tens abençoado com a felicidade. Tenho visto a derrota dos meus inimigos e ouvido os gritos dos maus. Os bons florescem como as palmeiras; eles crescem como os cedros dos montes Líbanos. Eles são como árvores plantadas na casa do Senhor, que florescem nos pátios do Templo do nosso Deus. Na velhice, eles ainda produzem frutos; são sempre fortes e cheios de vida. Isso prova que o Senhor Deus é justo, prova que ele, a minha rocha, não comete injustiça" (Salmos 92).