sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Politicamente incorreto II

Ele retrucou: Se é pecador, não sei; uma coisa sei: eu era cego e agora vejo. (João 9:25)

Jesus havia restaurado a visão do cego de nascença. Os vizinhos tentaram alterar os fatos, dizendo que se tratava de outra pessoa. Os fariseus buscaram dissuadi-lo quanto à realidade do milagre: "Não acreditaram [...] que ele fora cego e agora via" (v. 18). O argumento deles era teológico: "Como pode um homem pecador fazer tamanhos sinais?" (v. 16). Os pais mostraram-se atemorizados. Eles sabiam da decisão de que "se alguém confessasse ser Jesus o Cristo fosse expulso da sinagoga" (v. 22). Assim, apresentaram evasiva digna de quem está em cima do muro: "Perguntai a ele, idade tem; falará de si mesmo" (v. 21).

E ele falou por si mesmo. O moço curado por Jesus foi chamado segunda vez. Ele já dera extraordinário testemunho de coragem. Nesse encontro, os fariseus descobriram um tipo inesperado de firmeza. Insistiram com a pergunta: "Que te fez Ele? Como te abriu os olhos?" (v. 26). Imagine a cena: homens barbudos e de faces longas, vozes alteradas pelo ódio e preconceito, desconcertados pelo dilema que eles haviam criado, apertavam o cerco ao rapaz. Cego por toda a sua vida, pobre, ainda não familiarizado completamente com a experiência da visão, diante dos poderosos representantes da religião, o rapaz facilmente poderia ter se deixado confundir. Sua reação, contudo, foi demolidora. Nunca consegui ler a história sem deixar de rir. O humor aqui é fascinante. Meio sem paciência, ele respondeu: "Já vo-lo disse, e não atendestes." A parte final da resposta paralisou as celebridades religiosas: "Por que quereis ouvir outra vez? Porventura, quereis vós também tornar-vos Seus discípulos?" (v. 27). Os perseguidores de Jesus não acreditaram no que estava acontecendo.

Arrogantes, eles se diziam discípulos de Moisés, mas, quanto a Jesus, não sabiam nem de onde era Ele (v. 29). O golpe do ex-cego, salpicado de ironia, foi devastador: "Nisto é de estranhar que vós não saibais donde Ele é" (v. 30). A lógica do moço é irrepreensível: "Desde que há mundo, jamais se ouviu que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. Se este Homem não fosse de Deus, nada poderia ter feito" (v. 32, 33). Isso já era demais. Os fariseus explodiram. Diante deles estava uma convicção inegociável, consciente da ação divina em sua vida. E assim é com todo aquele que sentiu o toque da graça divina. Precisamos de convicção para expressar com firmeza aquilo que pensamos.