terça-feira, 9 de setembro de 2014

Politicamente incorreto I

Então, os vizinhos e os que dantes o conheciam de vista, como mendigo, perguntavam: Não é este o que estava assentado pedindo esmolas? (João 9:8)

A cura do cego criou verdadeira comoção. Quatro grupos surgiram em cena: os vizinhos, os fariseus, os pais do ex-cego e o próprio homem curado. A curiosidade dos vizinhos clamava por uma explicação. Alguns chegaram a sugerir que não era ele, mas alguém parecido, um dublê, ao estilo de Hollywood. O caráter do rapaz que fora cego começou a revelar-se. Ele mesmo dizia: "Sou eu" (v. 9). Se ele fosse como muitos, imagino, teria ficado calado. "Não é necessário que eu explique ou diga nada. Afinal, já há muita oposição a esse Jesus. Por que vou me meter em problema?", ele poderia desculpar-se. Isso seria o "politicamente correto". Mas ele tomou outra direção e explicou o que acontecera. Para ele não era suficiente ter recuperado a visão; ele queria agradecer a Deus. Os olhos haviam sido abertos, agora ele desejava abrir os lábios. Então disse: "Fui, lavei-me e estou vendo" (v. 11).

Os fariseus, representantes do poder religioso, foram chamados porque o milagre fora realizado num sábado. Eles repetiram o interrogatório (v. 13-17), e o rapaz não mudou uma vírgula de seu testemunho (v. 15). Os fariseus disseram ao rapaz: "Esse homem não é de Deus, porque não guarda o sábado" (v. 16). Então pediram a opinião do ex-cego: "Que dizes tu a respeito dEle?" (v. 17). Que extraordinária oportunidade para sair do caso. Diante dos "delegados da teologia", ele poderia dizer que não sabia de nada, que não O vira. Mas outra vez demonstrou-se politicamente incorreto. Sua posição ficou ainda mais clara. Ele não fugiu ao debate. Não usou aquele tipo de diplomacia comum aos que não querem se envolver. Manifestou sua clara opinião: "É profeta" (v. 17).

Insatisfeitos, os fariseus chamaram os pais, que confirmaram que o rapaz era filho deles e que fora cego, mas disseram nada saber dAquele que efetuara a cura. Em um comentário feito por João, autor do evangelho, há uma explicação para a resposta dos pais: "Isto disseram seus pais porque estavam com medo" (v. 22). Falta de coragem é a atitude que impede milhões de testemunhar. Esses pais haviam sofrido com os problemas do filho. Haviam suportado as pedras e as setas da teologia da época, afirmando que fora em punição que Deus lhes dera um bebê cego. Não seria essa a oportunidade para proclamarem os feitos de Deus? Não seria um dia de alegria e testemunho? Mas não foi isso que fizeram. O medo paralisa as pessoas e as faz calar. Não tenha medo de falar o que deve ser dito hoje.