terça-feira, 1 de julho de 2014

Imagem e integridade

Nós teremos de prestar contas a Deus de tudo o que fizermos e até daquilo que fizermos em segredo, seja o bem ou o mal. (Eclesiastes 12:14)

Integridade, por definição do dicionário, é o “estado de ser completo, inteiro”. A integridade é irmã gêmea da “sinceridade”, expressão latina, sine cera (sem cera), utilizada para descrever os móveis sem reparos cosméticos e corretivo feitos com cera, para ocultar defeitos. Tanto a integridade quanto a sinceridade são consideradas hoje virtudes em extinção, porque elas são antíteses do espírito dos tempos. Nossa cultura gravita ao redor do sucesso a qualquer preço, vantagens imediatas e propaganda enganosa em todas as áreas. Para muitos, imediatismo e consumismo transcendem os valores permanentes. O que conta é o momento, o aqui e agora.

Pessoas íntegras nada têm a esconder ou ocultar. Nada a temer. Integridade não é primariamente o que fazemos, mas o que somos, e o que somos orienta o que fazemos. A importância crucial da integridade está no fato de que ela exerce grande influência. Acredita-se que 89% do que as pessoas aprendem são determinados por aquilo que observam. Aquilo que os filhos, alunos e liderados testemunham, em última análise, é o que realmente conta. Está acima das palavras e discursos que ouvem. De modo curioso, as pessoas tendem a investir, desproporcionalmente, mais esforço, tempo e recursos na imagem do que na integridade. Imagem é o que as pessoas pensam que somos. Integridade é o que realmente somos. E o que as pessoas são por fora nem sempre coincide com aquilo que elas são por dentro.

A Bíblia descreve a história de Ananias e Safira, dois membros hipócritas da igreja primitiva. O pecado deles não foi primariamente avareza, mas falta de integridade. Tentaram simular o que não eram. O que aconteceu não foi disciplina eclesiástica, mas julgamento divino. “Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo?” (Atos 5:3). Ananias e a esposa não imaginaram que sua insinceridade seria descoberta. Os resultados foram trágicos.

Alguém observou que “a medida do caráter real de um homem é aquilo que ele faria se soubesse que nunca seria pego”. O que interessa a Deus não é o que fazemos para tentar mostrar aos outros o que não somos, mas para mostrarmos a nós mesmos o que somos. No julgamento final, anjos darão testemunho público de nossa integridade. E tudo que fizermos nesse curto período de vida determinará o que haveremos de ser na eternidade.