sábado, 5 de julho de 2014

Ação de graças

“Um dos dez, vendo que fora curado, voltou, dando glória a Deus em alta voz, e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, agradecendo-lhe; e este era samaritano” (Lucas 17:15-16)

O encontro de Jesus com os dez leprosos ilustra a importância da ação de graças. Inúmeros sermões já foram pregados sobre a cura dos dez leprosos, focalizando a atenção no tema de gratidão. O principal argumento de muitos destes sermões é que Jesus curou dez leprosos, mas somente um deles ficou grato. A única resposta educada a esse tipo de pregação é chamá-la o que ela é – absurdo. É inconcebível que um leproso que suportou a terrível miséria que ele enfrentava todos os dias, no mundo antigo, não teria ficado grato por receber cura instantânea daquela doença terrível. Se tivesse sido um dos leprosos, até Adolf Hitler teria ficado grato. 

A questão-chave da história não é gratidão, e sim ação de graças. Uma coisa é alguém se sentir grato; outra coisa é expressar isso. Os leprosos eram separados da família e dos amigos. Purificação instantânea implicava livramento do exílio. Podemos imaginá-los delirantemente felizes, apressando-se em ir ao lar, para abraçar a esposa, os filhos e anunciar sua cura. Quem não seria grato? Mas somente um deles adiou seu retorno ao lar e tomou tempo para dar graças. 

Todas as nossas orações devem incluir ação de graças. Como o leproso, temos de parar, voltar e agradecer. Somos tão devedores a Deus que jamais poderemos esgotar nossas oportunidades para expressar gratidão. 

Esquecer os benefícios de Deus é também a marca da pessoa imatura, aquela que vive por seus sentimentos. Ela é propensa a uma vida espiritual do tipo montanha-russa, movendo-se rapidamente de auges estáticos para depressivos. Nos momentos de auge, ela tem um sentimento exultante da presença de Deus, mas entra em desespero no momento em que sente uma ausência profunda desses sentimentos. Ela vive de bênção em bênção, sofrendo as angústias de uma memória curta. Vive sempre no presente, saboreando o “agora”, mas perdendo de vista o que Deus fez no passado. Sua obediência e culto são tão fortes quanto a intensidade de sua última recordação de bênção.

Se Deus jamais nos desse outro vislumbre de sua glória nesta vida, se ele jamais nos respondesse outro pedido, se ele jamais nos desse outro dom da abundância de sua graça, ainda assim estaríamos obrigados a gastar o resto de nossas vidas agradecendo-lhe pelo que já fez. Já temos sido abençoados com tanta suficiência que devemos ser movidos diariamente por ação de graças. No entanto, Deus continua a nos abençoar.