sexta-feira, 27 de junho de 2014

A oração de contrição

Davi disse: “Eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim... serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar” (Salmo 51:3-4)

A oração de contrição inclui uma firme resolução de não cometer novamente o pecado, uma disposição de abandonar o mal e evitar até a ocasião dele. Um reconhecimento humilde da dependência da misericórdia e da ajuda divina também está incluído. 

É claro que é possível alguém usar esta oração de maneira mecânica, recitando-a como um exercício formal, sem qualquer tristeza sincera. Mas as palavras da oração expressam os elementos da verdadeira confissão. 

A contrição perdeu muito de seu significado em nossa cultura. Não é difícil convencer as pessoas de que elas são pecadoras, pois ninguém dirá que é perfeito. A resposta comum é: “Sim, eu sou um pecador. Todos são pecadores. Ninguém é perfeito”. Há poucos, se há alguém, que afirmam ser inculpáveis, estar levando vidas de coerência ética e cumprindo a Regra Áurea em toda situação. O problema está no reconhecimento da intensidade de nosso pecado, a extrema falta de bondade de nossas ações. Porque somos todos pecadores e sabemos que compartilhamos da mesma culpa, nossa confissão tende a ser superficial, frequentemente não caracterizada por sinceridade, ou um senso de urgência moral.

O salmo 51, uma súplica de perdão proferida por um pecador contrito, foi escrito pelo rei Davi depois de haver cometido adultério com Bate-Seba. Davi não se aproximou de Deus com desculpas. Ele não pediu a Deus que considerasse as circunstâncias que produziram o pecado ou o isolamento de sua posição como governante. Davi não procurou minimizar a gravidade de seu pecado na presença de Deus. Não houve racionalizações e nenhuma tentativa de autojustificação, que caracterizam tanto pessoas culpadas. 

Davi acreditava que Deus seria totalmente justificado se não lhe desse nada, exceto punição completa. Davi exibiu aquilo que Deus disse não desprezará: um coração quebrantado e contrito. 

Em seguida, Davi suplicou restauração ao favor de Deus: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável. Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito. Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário” (vv. 10-12). Ele entendeu o elemento mais crucial da confissão: dependência total da misericórdia de Deus. Davi não podia expiar seus próprios pecados. Não havia nada que ele pudesse fazer e nada que pudesse dizer para desfazer o que tinha feito. Não havia meios de ele “compensar seu erro” a Deus. Davi entendeu o que Jesus deixou claro mais tarde – somos devedores incapazes de pagar nossas dívidas.