sexta-feira, 2 de maio de 2014

Terceirização das crianças

Eduque a criança no caminho em que deve andar, e até o fim da vida não se desviará dele. (Provérbios 22:6)

Durante quatro anos e meio, a babá Luiza, 30 anos, trabalhou na casa de um empresário paulista. Tinha sob sua responsabilidade um bebê de um ano e seis meses e outro de apenas seis meses. Dormia no emprego e, no começo, tirava folga a cada 15 dias. Até que percebeu que suas ausências não faziam bem às crianças.

“Elas eram muito apegadas a mim. Quando eu saía, não tomavam nem banho. O pai era atencioso, mas não tinha tempo de ficar com elas. Já a mãe não tinha mesmo vontade de ficar com os filhos. Uma vez, ela estava lendo uma revista e não viu quando o mais novo comeu uma lâmpada de pisca-pisca da árvore de Natal. Outra vez, deixou os dois sozinhos na sala e, quando se deu conta, o mais velho estava pendurado na sacada”, diz. Desde esse dia, a babá optou por diminuir suas folgas.

A situação vivida por Luiza é frequente no cotidiano das profissionais que tomam conta de crianças. É cada vez mais comum encontrar babás assumindo praticamente todas as responsabilidades pelos cuidados com um filho que não é delas, desde a saída da maternidade.

O pediatra José Martins Filho chama o fenômeno de “terceirização das crianças”. Ele destaca que o fenômeno não se restringe às classes mais altas. “Trabalho demais e o trânsito caótico têm roubado momentos preciosos de convivência entre pais e filhos, em todos os setores da sociedade”. Para ele, parte da violência sofrida pela sociedade atual é devida à falta de construção de vínculos afetivos entre os familiares próximos.

Há pesquisas inglesas em que os cientistas acompanham as crianças durante 20, 30 anos. Esses estudos mostram que a ausência de afeto nos primeiros anos de vida se traduz em dificuldades de relacionamento social, problemas de aprendizado, hiperatividade e agressividade. “Pais e mães têm se afastado do cuidado, deixando que todo trabalho seja feito por terceiros. Mas essas tarefas significam construção de vínculo. Quando elas são delegadas a outra pessoa, esvazia-se essa construção.” (Maria T. Maldonado, Psicóloga)

A Palavra de Deus orienta que os pais são eles próprios os responsáveis pela educação dos filhos. Essa santa tarefa não pode ser terceirizada. A vida familiar é o “arquétipo” que Deus instituiu para o homem viver e ser feliz na face da terra. Quanto mais, portanto, as recomendações de Deus, em relação à família, forem respeitadas e seguidas pelos homens, tanto mais famílias bem estruturadas teremos, e tanto menos lágrimas rolarão dos olhos dos pais e dos filhos. Todos são felizes obedecendo às leis de Deus. Antes de serem leis divinas elas são leis naturais. E a natureza sabe gratificar quem se põe a favor dela.