terça-feira, 20 de maio de 2014

Ética e política

Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus. (Romanos 3.23)

Queremos ética na política, mas não é raro ver pessoas defendê-la da boca para fora. Existem pessoas que são indignadas com a desonestidade dos políticos, mas sonegam impostos, por exemplo. Essa divisão na personalidade, essa contradição ética entre a fala honesta e a prática desonesta, percorre a sociedade brasileira de cima em baixo. Muitos dos que criticam políticos agem, na vida pessoal, da mesma forma que os criticados. 

É bom refletirmos sobre essa ambivalência. Acreditamos que a ética é o ideal, mas a prática desonesta é a realidade. Embora seja uma exceção, pregamos a ética para os outros, queremos que os políticos se demonstrem éticos, mas nos reservamos o privilégio de ser pragmáticos em benefício próprio. Esquecemo-nos de que quem nos representa, porque foi eleito por nós, nos representa também como somos.

Mudar isso é possível. Primeiro devemos começar com a educação em casa. Como pais, os nossos filhos devem saber que princípios éticos não são relativos, como pregam, mas que têm uma base única nos valores morais divinos que um dia serviram de fundamento para o surgimento das políticas democráticas. O ser humano não pode ser visto como produto do meio e da seleção natural, onde sobrevivem os mais espertos, mas um ator que influencia esse ambiente. Como pais, devemos dar o exemplo.

No estágio em que se encontra a sociedade é difícil permanecer honesto, principalmente na política. Para isso acontecer, os bem-intencionados teriam que rejeitar o apoio da banda podre que tenta manter o status quo da corrupção sob a desculpa de que “todo mundo faz assim”. Nós acreditamos que somente a fé nas Escrituras Sagradas oferece as condições necessárias para um clamor coerente por ética na política brasileira. 

Entendemos que a corrupção tem origem primariamente no coração dos seres humanos. A Bíblia afirma que não há sequer uma pessoa justa neste mundo. Jesus Cristo disse que é do coração dos homens e das mulheres que procedem “maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias” (Mateus 15.19-20). As éticas humanistas reducionistas, que analisam apenas aspectos sociológicos e antropológicos da corrupção, deixam de incluir a dimensão pessoal: egoísmo, maldade, crueldade, despotismo, avareza, inveja, cobiça. Para mudar isso, é necessária uma conversão interior dos governantes e dos governados a Deus, um arrependimento do mal e a disposição para praticar obras de justiça.

A Bíblia vê toda autoridade como procedente de Deus e digna de respeito. Mas isso tem um custo. Os governantes são “representantes” de Deus para promover o bem comum, recompensar os bons e punir os maus por meio do exercício do poder. Sendo assim, haverão de responder diante de Deus pela corrupção que praticam, pela insensibilidade e pelo egoísmo. “A visão do cargo político como sendo uma delegação divina desperta no povo o devido respeito pelas autoridades, mas, ao mesmo tempo, produz nestas autoridades o senso crítico do dever.” (Augustus Nicodemus)