terça-feira, 29 de abril de 2014

O novo homem e a nova sociedade

E vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade. (Efésios 4:24)

Para que haja a nova sociedade que tanto almejamos no Brasil, é preciso que nasça um novo homem. E isso tem que começar de nós. 

Karl Marx referia-se ao “novo homem” que deveria emergir do triunfo da ideologia comunista. Isso aconteceria depois do triunfo histórico dos oprimidos sobre os opressores. A criação do novo homem, para Marx, era vista puramente em termos materialistas. O “novo homem e a nova sociedade” seriam possíveis apenas pela derrota do capitalismo. Os meios de produção como fábricas e terras, por exemplo, não deveriam ser propriedade de uma pessoa, mas de toda a sociedade. No marxismo, para se chegar ao “novo homem”, é imperativo que se transformem primeiro as condições externas dos oprimidos. Nessa ideologia, o homem é produto do meio em que vive.

A história, contudo, não está do lado da visão marxista do homem. Em cada lugar em que sua revolução foi vitoriosa, quer na Rússia, na China ou em Cuba, o que se verificou não foi o surgimento do “novo homem”, mas o surgimento do “novo opressor”.

Qual o problema do marxismo? Ele é vítima de uma visão superficial do homem, não levando em conta a doutrina bíblica do pecado. O conceito cristão do “novo homem” repousa na compreensão paulina do homem, como escravizado pelo pecado e feito livre por meio da obra redentora de Cristo. A auto emancipação do marxismo falha porque espera, ao mesmo tempo, muito e muito pouco: muito do homem, que consistentemente transforma sua capacidade criativa em fins destrutivos; e muito pouco ou nada de Deus, o qual vem de além da esfera do homem para oferecer nova direção e possibilidades.

Desde seu início, o cristianismo opera uma revolução isenta de utopias, que começa no interior e alcança o exterior. O Novo Testamento faz referências a escravos, sem encorajar demandas de classe e revolução. Dos senhores, não é exigido que libertassem seus servos. Contudo, encontramos um denominador comum extraordinário: “Pois o escravo que foi chamado pelo Senhor é agora um homem livre que pertence ao Senhor. Assim também o homem livre que foi chamado por Cristo é escravo de Cristo.” (1 Coríntios 7:22). 

O sentido essencial desta verdade teve profundo efeito prático na vida dos cristãos. Não mais havia diferença entre brancos e negros, ricos e pobres, educados e sem estudo, pois todos se consideravam como parte de um só corpo – Cristo – formando uma nova e justa sociedade.