sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Não matarás

Disse Jesus: – Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: “Não mate. Quem matar será julgado.” (Mateus 5:21)

“Enquanto não se eliminar a exclusão e a desigualdade social, na sociedade e entre vários povos, será impossível erradicar a violência. Acusamos os pobres [...] da violência, mas, sem igualdade de oportunidades, as diferentes formas de agressão e de guerra encontrarão terreno fértil que, tarde ou cedo, provocará a explosão” (Papa Francisco). 

O sistema econômico mundial no qual vivemos é injusto e “mata” porque faz predominar a lei do mais forte. Como o mandamento de “não matar” põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, hoje temos que dizer não a uma economia da exclusão e da desigualdade. Essa economia mata.

A morte de um mendigo na rua provoca menos comoção que a queda da bolsa de valores ou o aumento do dólar. Há uma completa inversão de valores.

Centenas de milhares de recursos financeiros públicos são desviados da sua principal finalidade, causando mortes decorrentes da precariedade dos hospitais. Os responsáveis por esses desvios são indiretamente responsáveis. Eles cometem assassinatos, e serão julgados por isso. 

A exclusão social causa revolta e violências fatais. Isso já foi provado. Alguns estudiosos do comportamento humano afirmam que a criança e o adolescente excluídos socialmente crescem revoltados aos perceberem a desigualdade de oportunidades na sua comunidade.

Recentemente foi publicada uma pesquisa que demonstra aumento da violência entre as famílias beneficiadas pelos programas oficiais de assistência social. Mesmo quando assistidas pelo Estado, essas famílias ainda convivem com a violência. Isso mostra que a solução não está no assistencialismo puro e simples. Mais que uma pequena ajuda financeira, o ser humano quer igualdade de oportunidades. Oportunidade de frequentar uma boa escola, de ser bem atendido nos hospitais, de possuir um bom emprego, de realizar honestamente os seus sonhos e, como vimos recentemente, de não ser discriminado nos shopping centers.

É quase impossível ver esses anseios atendidos em uma sociedade competitiva, na qual a maioria das pessoas está preocupada em possuir cada vez mais. Ama se os bens e usa-se as pessoas, e não o contrário. É por isso que Paulo disse que “o amor ao dinheiro é uma fonte de todos os tipos de males. E algumas pessoas, por quererem tanto ter dinheiro, se desviaram da fé e encheram a sua vida de sofrimentos.” (1 Timóteo 6:10). Sofrimentos esses causados também pela violência. Somos vítimas de nós mesmos.

Que Deus nos dê capacidade para compreender a necessidade urgente de mudança social.