terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Eis que faço coisa nova

Há muito tempo, o Senhor abriu um caminho no mar, uma estrada no meio das águas perigosas. Ele derrotou um poderoso exército, um exército de carros e cavalos de guerra. Eles caíram para nunca mais se levantar; acabaram-se como um pavio que está se apagando. Mas agora o Senhor Deus diz ao seu povo: “Não fiquem lembrando do que aconteceu no passado, não continuem pensando nas coisas que fiz há muito tempo. Pois agora vou fazer uma coisa nova, que logo vai acontecer, e, de repente, vocês a verão. Prepararei um caminho no deserto e farei com que estradas passem em terras secas. (Isaías 46:16-19)

Na maioria das vezes somos advertidos a esquecer-nos do nosso passado negativo. É comum sabermos que não devemos nos lembrar dos capítulos escuros, assim como o povo de Israel, a quem Isaías escreveu, deveria se esquecer dos fracassos, da idolatria, da prostituição e dos desvios da vontade de Deus.

Contudo, o contexto nos indica que o que deveria ser esquecido era o passado positivo, e isso pode parecer mais confuso. Israel deveria se esquecer do êxodo, da travessia do Mar Vermelho e da vitória sobre o arrogante Faraó.

Todos nós temos um passado negativo, por menor que seja. Falhas, desvios ou ocasiões em que fomos vítimas inocentes dos caprichos da vida. Muitos vivem em casas muradas, amedrontados por fantasmas do "ontem". Nenhum avanço é possível enquanto estamos olhando a vida pelo retrovisor, perdendo novas oportunidades. Por outro lado, há o perigo de nos tornarmos prisioneiros do passado positivo, em que o sucesso, realizações e mesmo bênçãos concedidas tornam-se grandes obstáculos para qualquer avanço.

Assim como há os que vivem assustados pelas experiências do passado negativo, há também os que são prisioneiros em palácios de recordações, nostalgia e saudosismo, sem nada esperar do futuro. Vivem acomodados naquilo que "aconteceu". Isso é uma realidade em muitas áreas da vida. No casamento ou na vida profissional.

O texto sugere outra realidade: "Eis que faço coisa nova." A questão não é simplesmente esquecer o passado, mesmo que ele seja positivo, mas não permitir que o passado nos limite, como se Deus não tivesse nada mais para fazer por nós. Desse ponto de vista, o texto de Isaías que nos orienta a não nos lembrarmos "das coisas passadas" tem um extraordinário apelo para nós a cada dia. As coisas novas de Deus não nos permitem ficar acomodados. Não importa o que ele já tenha feito em nosso favor, nós ainda não vimos tudo. Isso é verdade não por causa de nossa criatividade, mas por causa dele, que sempre se excede no que faz. 

Portanto, olhemos com confiança para o que está à frente. Ele fará coisas novas, em nossa vida espiritual, em nosso casamento, família, atividades, estudos e realizações profissionais. Esqueçamos daquilo que fica para trás e avancemos para o que está adiante de nós.