sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Saibamos viver a modernidade

Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a ele. (Romanos 12:2)

A Palavra citada por Paulo aos Romanos está mais atualizada como nunca. Temos muito a aprender para vivermos conforme a vontade de Deus. 

Segundo Dom Orlando Brandes, “a filosofia do relativismo inverte valores, torna bem o que é mal, cultua o ego, os gostos, os desejos, as satisfações e o bem-estar individual. Nega os valores absolutos, a ética, as certezas, os rumos, as seguranças”. Há uma “soberba filosófica” que leva cada um julgar-se absolutamente dono de suas decisões, aceitando cada vez menos as orientações éticas. Impõe-se o clima de permissividade e sensualidade na lógica do individualismo. Não podemos sacrificar a verdade objetiva, nem as normas éticas universais, para sermos escravos do relativismo.

As pessoas morrem por obediência ao esteticismo, ao culto do corpo esbelto, magro, bem ao gosto do figurino da moda consumista. Morre-se em cirurgias plásticas, lipoaspiração e jejum das pessoas escravizadas pelas regras e leis do “tipo modelo”. Como sofrem e até são excluídas as pessoas que não correspondem às medidas de um corpo atraente. Todos querem ser magros e malham o corpo sob o comando da escravização da moda. Cuidar do corpo é um dever e a beleza é reflexo de Deus, mas o esteticismo é um engano.

A ideologia do bem-estar leva à busca da satisfação imediata, do desejo de consumo, da criação de necessidades desnecessárias. A avidez do mercado descontrola o desejo das crianças, jovens e adultos. Legitima-se que os desejos se tornem felicidade. Os pobres são perdedores, explorados, excluídos, supérfluos e descartáveis. A desigualdade social é uma iniquidade que precisa ser superada. O consumismo nos trouxe a depredação da natureza, a desigualdade cada vez maior entre ricos e pobres, a ruína dos valores, as doenças típicas da modernidade.

Para satisfazer os desejos dos indivíduos temos a cultura do ter, a civilização do consumo, a ética do agradável e o aumento do narcisismo. O individualismo rompe com a ética, com a família, a religião, as instituições, as responsabilidades. Acontece então a privatização da fé, a fragmentação da vida, a relativização dos valores. 

Mas o bem, a verdade, a liberdade e o amor nos convocam à comunhão e à fraternidade superando a elevação do ego e seu endeusamento. Que saibamos viver a modernidade.